PRIMEIROS ANOS - ENSINO MÉDIO - FILOSOFIA - ADELINA RÉGIS - 2013



ESTADO DE SANTA CATARINA
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
9ª GERÊNCIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO - VIDEIRA

ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA PROF.ª ADELINA RÉGIS

3º BIMESTRE 2013
LETRA DA MÚSICA PARA OS ALUNOS COPIAR NO PRIMEIRO DIA DE AULA DO SEGUNDO SEMESTRE




Tô bem de baixo prá poder subir
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Bem de leve prá não perdoar
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô aqui comendo para vomitar
Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar
Suavemente prá poder rasgar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar


FILOSOFIA NO TEMPO E NO ESPAÇO
(Primeiros anos – Segundo bimestre).
A Filosofia como ciência surgiu na Grécia Antiga por volta dos anos 600 antes de Cristo. A expressão significa “desejo de continuar sabendo”. Neste sentido o filósofo é um “amigo da sabedoria,” ou seja, uma pessoa que não se conforma com aquilo que já sabe. O filósofo não aceita ser “leigo” nos assuntos do seu tempo. Para fazer filosofia é preciso ter a coragem de não aceitar dogmas e respostas prontas.
Desde o seu início a filosofia procurou dar respostas para os problemas que angustiavam o ser humano, deste modo, para efeito de estudo é possível organizar a filosofia grega em quatro períodos:
1)      Pré-Socrático – como o próprio nome diz é o tempo que antecedeu ao filósofo Sócrates e durou até mais ou menos 600 antes de Cristo. Neste tempo a preocupação dos pensadores era dar uma resposta para a origem do mundo e as causas de transformação da natureza. Neste tempo as respostas e as perguntas que nortearam as preocupações dos filósofos consistiam em afirmar que por meio de um contínuo movimento a coisas passavam a existir.
2)      Socrático -  este tempo durou mais cem anos e a preocupação fundamental foi investigar o ser humano e  suas relações. Neste tempo se tratou da ética, da política, das técnicas e do lugar do ser humano no mundo. Sócrates foi seu principal expoente. Neste tempo acontece o florescimento das cidades e das condições das pessoas que nelas viviam. Surge o conceito de cidadão, de liberdade, de democracia. As pessoas começam a falar sobre virtudes, sendo que a principal virtude deste tempo era a bondade e a beleza. Ser bom significava ser capaz de guerrear e para isso era necessário que ele tivesse um corpo forte. Surge aqui toda teoria do cultivo do corpo – ginástica, dança, os jogos de guerra, etc... A economia agrária foi dando lugar para o artesanato e o comércio, surgindo assim as cidades. Aos poucos a ideia do bom cidadão guerreiro foi dando lugar para o bom cidadão que opina, discute, vota, delibera. O bom cidadão é o cara capaz de convencer pela palavra. Surge a técnica da oratória e com ela a filosofia sofista.  Sócrates surge aqui como o contestador da ordem estabelecida e afirma que antes de querer convencer os outros é preciso que o cidadão seja capaz de convencer-se a si mesmo: “conhece-te a ti mesmo”. As principais ideias deste tempo se resumem na preocupação com a moral e a política, com o conhecimento de si mesmo, das suas fraquezas e suas capacidades e com a luta pela verdade.
3)      Período sistemático – os pensadores procuram mostrar que tudo e todas as coisas podem ser objetos da investigação filosófica. Neste tempo se desenvolvem a teoria do conhecimento, ou seja, as normas do raciocínio lógico e a psicologia. Os filósofos procuram encontrar a resposta para as últimas questões que dizem respeito à vida em todas as suas formas. Este período durou mais 100 anos. O principal pensador foi Aristóteles, segundo ele a filosofia não é um saber específico, mas a arte de compreender todas as coisas. Ele estabelece uma ordem de importância para os saberes.
4)      Período helenístico – foi o mais longo deles, durou quase 700 anos.  Desenvolveu-se durante todo o período em que o mundo foi dominado pelo Império Romano. A filosofia se preocupou em dar respostas para questões de ética e das relações do ser humano consigo mesmo e com o transcendente. Sob o domínio do Império Romano, os filósofos gregos se consideram cidadãos do mundo e a filosofia se denomina ciência cosmopolita que quer dizer: ciência do mundo!
Além de classificar a filosofia nestes  quatro grandes períodos é importante ter presente que a ciência filosófica distinguiu três campos específicos de saber:
1)      Ciências produtivas – estudo das coisas práticas, ou técnicas.  Este tipo de saber diz respeito a todas as atividades humanas.
2)      Ciências práticas – por incrível que pareça, o nome não se refere as coisas que o ser humano realiza, mas ao modo como as faz acontecer. Surge aqui  pela primeira vez a palavra Política como preocupação com aquilo que o cidadão realiza. E o conceito de “polis” aparece como preocupação com a vida pública, com o bem, com a verdade, com a liberdade e com a justiça.
3)      Ciências teóricas – esta forma de saber diz respeito aquilo que existe independente do ser humano e das suas ações. A expressão “teoria” significa “preocupação com a verdade”. 
De acordo com Aristóteles, a filosofia encontra sua razão mais profunda naquilo que vai além do mundo físico – metafísica – e na teologia.
Depois da chamada filosofia grega, a presença da filosofia no mundo pode ser organizada em outros quatro períodos nos quais as preocupações se centraram em:
1)      Período dos padres da Igreja – patrística – durou mais ou menos setecentos anos entre o século I e o século VII.
A principal preocupação dos pensadores deste período era convencer os pagãos da nova e última verdade, a saber: Deus existe e Jesus Cristo é o Filho de Deus. É deste período o filósofo Plutarco que afirmou: “Podereis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edifícios, sem ginásios, sem leis, sem uso de moedas como dinheiro, sem cultura de letras. Mas um povo sem Deus, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, tal nunca se viu”.  Outra afirmação importante deste tempo foi feita por Santo Agostinho: “Fizeste-nos para ti Senhor e inquieto está nosso coração enquanto não descansa em ti”. Muitos dos ensinamentos deste tempo se tornaram dogmas, ou verdades inquestionáveis.
2)      Período medieval – como o próprio nome diz trata-se do tempo compreendido como idade média. Desenvolveu-se entre os séculos VII e XIV (cerca de 700 anos). Neste tempo a grande autoridade mundial era a Igreja Católica. Coroava reis, organizava guerras, criou as escolas e universidades. Este período foi  conhecido também como “escolástica” cuja principal ciência foi a teologia. A preocupação fundamental foi afirmar que existe um SER infinito que se chama DEUS e que está Infinitamente separado, longe, inalcançável. E outro SER finito que é matéria. Surge aqui a divisão entre razão e fé, sendo que a primeira deve ser subordinada a segunda. E uma verdade era aceita como tal de acordo com o reconhecimento que tinha a pessoa que falava.
3)      Período renascentista – século XIV – três grandes linhas de pensamento nortearam este século:
a)      Sustentada nos filósofos gregos que afirmavam existir duas realidades. Uma compreendida pela natureza entendida como macro realidade e outra o ser humano, como micro realidade dentro da anterior.
b)      Conceito de liberdade e vida ativa. Segundo esta corrente o ser humano precisa ser livre e viver numa cidade livre na qual a “RES pública” fosse respeitada por todos.
c)       Ser humano é dono e senhor do próprio destino e ele o faz à medida que conhece astrologia, política, técnicas e artes.
É também chamado de período humanista, no qual o ser humano é colocado como centro do universo. As grandes descobertas foram o marco deste período que também colocou em xeque a autoridade da Igreja Católica.
4)      Período Moderno – Séculos VXII e VXIII – Este tempo é marcado pela teoria conhecida como CETICISMO,  afirmação da incapacidade do ser humano alcançar o conhecimento do mundo e de si mesmo. Como resposta para esta condição surge três afirmações teóricas:
a)      Voltada antes de tudo para a arte de conhecer-se a si mesmo como sujeito capaz de produzir outros saberes. Todo saber parte então do sujeito que está se propondo a conhecer.  Para que esse processo seja possível o sujeito deve ser capaz de responder às seguintes perguntas: “Como é possível conhecer o diferente?”; “Como o sujeito pode conhecer os corpos?”.
b)      Respondidas estas questões o sujeito que se propõe conhecer precisa ser capaz de representar aquilo que julga haver conhecido.
c)       Diante dessas duas afirmações a terceira vem como consequência. Uma vez que o indivíduo é capaz de conhecer todas as coisas ele é também capaz de governar e dominar todas as coisas pelo uso da razão.
5)      Período iluminista – Século VXIII e XIX – a razão é a instância última e ela só basta para que o ser humano seja feliz, completo e realizado. Como o sujeito é dotado de razão ele é a medida de todas as coisas. Este período marca o surgimento de muitos questionamentos sobre a origem da riqueza e a importância de determinados modelos de desenvolvimento.
Sem que haja uma interrupção no modo de pensar a filosofia entra no século XX convencida de que a história é descontínua e que cada povo tem a sua história e não apenas é parte de uma etapa.  O século XX transcorre marcado por guerras, descobertas, e invenções extraordinárias (Correia, Vietnã, Oriente médio, Iraque, Afeganistão), neste contexto surge a chamada teoria crítica que se faz compreender pelo aspecto da razão instrumental segundo a qual o ser humano está subjugado às técnicas e às ciências e por outro lado pela razão crítica. Esta assegura que as mudanças somente serão significativas na medida em que o ser humano se tornar autônomo e sujeito sobre as coisas e as técnicas.
O século XX foi marcado pelas revoluções anarquista, socialista e comunista ao mesmo tempo em que por regimes totalitários e neste contexto a filosofia se pergunta até que ponto o ser humano é capaz de criar e manter uma sociedade justa e feliz. A pergunta fundamental deste tempo consiste em responder até que ponto os seres humanos são capazes de se desligar das correntes que os aprisionam na caverna das burocracias institucionais cotidianas.
Foi neste século que a filosofia começou a se perguntar sobre a importância do conhecimento das diversas culturas e da relação entre elas.