FORMAÇÃO DOCENTE


FEIRA DO CONHECIMENTO 2013
CRIATIVIDADE PEDAGÓGICA
PROFESSOR: ELCIO ALBERTON
1 JUSTIFICATIVAS
O mundo vive um momento denominado “Mudança de época” que enfraquece e altera muitos paradigmas que sustentam a visão de mundo defendida até o presente momento. Dentre as exigências da mudança de época uma delas se denomina “sustentabilidade” e não apenas do ponto de vista das coisas e dos bens de consumo ou bens produzidos pela natureza denominados bens de consumo finito. Mas se trata de uma nova compreensão de todo o existir e humano e mais do que nunca é necessário compreender e defender que um outro mundo é possível, um mundo no qual seja menos difícil de amar e nas palavras do Luther King: “Ou nos damos as mãos ou morremos todos como idiotas”. 
Nosso mundo rico em tecnologia faz surgir novos interesses para a educação, enquanto também se espera que as escolas se tornem vanguarda nas sociedades de conhecimento. Primeiramente, a tecnologia pode fornecer os instrumentos necessários para a melhoria do processo ensino e aprendizagem, abrindo novas oportunidades e avenidas... Segundo a educação tem um papel de preparar os estudantes  para a vida adulta, e, consequentemente, deve fornecer aos estudantes as habilidades necessárias para se unirem a uma sociedade onde as competências ligadas à tecnologia estão se tornando cada vez mais indispensáveis. O desenvolvimento destas competências, que são parte do conjunto bastante conhecido como Competências do Século 21, está cada vez mais se tornando uma parte integral dos objetivos da educação obrigatória. Finalmente, numa economia de conhecimento dirigido pela tecnologia, pessoas que não adquirem e não se apropriam destas competências podem sofrer de uma nova forma de separação digital que pode afetar a capacidade de se integrarem plenamente à economia e à sociedade do conhecimento (OCDE,  2010, p. 13).

2 OBJETIVOS
Facilitar a aproximação das pessoas às novas tecnologias de comunicação e informação apresentando-as como recurso pedagógico importante, inclusive sob o ponto de vista da sustentabilidade.
Divulgar o trabalho realizado na escola de Educação Básica Profª Adelina Régis – Videira, nas disciplinas de Filosofia e Sociologia e que se enquadra no quesito criatividade pedagógica.
Estimular professores e alunos o uso dos recursos tecnológicos disponíveis nas escolas e acessíveis aos alunos em todos os lugares como forma de ampliar o acesso ao conhecimento mais do que às informações.
3 ESTRATÉGIAS
Usando o blog do professor, disponibilizar os conteúdos que são estudados durante o ano letivo. Em substituição ao tradicional quadro de giz e mesmo o quadro branco, ou outros recursos produtores de resíduos os recursos tecnológicos atendem à necessidade de acesso aos conteúdos ao mesmo tempo em que as “janelas” dos recursos tecnológicos vão sendo abertas pelos alunos para finalidades formativas além de recreativas e de comunicação.

Criação de uma página no Facebook para cada turma e para cada disciplina onde os alunos realizam as atividades de fixação de conteúdo e de assimilação dos objetivos.
NOVAS TECNOLOGIAS - QUEBRAR PARADIGMAS É PRECISO

TIC1 OU NTIC2 OU INVENCIONISMOS3?

Elcio Alberton4

No texto projetos de aprendizagem colaborativa, o qual já comentamos também neste espaço, a professora Marilda Aparecida Behrens escreve assim:
Com o auxílio da informática, há possibilidade de propor trabalhos presenciais e semipresenciais, pois ela proporciona o aumento do aproveitamento do tempo, reduzindo a necessidade de deslocamento e a flexibilização de horários. Os alunos, independentemente dos horários em que frequentam a escola, podem continuar as atividades individuais e coletivas pela rede. Por outro lado, a informática permite que haja um acompanhamento mais frequente dos trabalhos, pois é mais simples e rápido trocar mensagens por email do que reunir todos pessoalmente para trabalhar em parcerias. Os retornos do professor via e-mail podem ser disponibilizados para todos os alunos.(MORAN, 2000 P. 102)

Estas e outras inúmeras considerações a respeito do tema não permitem que fiquemos duvidando da importância e necessidade de aderir as tecnologias de informação e de fazer com seriedade e responsabilidade as escolhas mais adequadas para cada situação. Já falamos também que o uso das tecnologias está em vista de responder às necessidades criadas pela escola e não criar novas necessidades que acabam por induzir ao consumismo.

As distintas formas de software que prometem atender as exigências e requisitos das instituições educacionais são muitas vezes uma disputa pelo mercado ao qual os usuários terminam por ceder às tentações. A primeira reafirmação que parece oportuna insistir consiste em ter presente que as NTIC são um referencial no processo de ensino-aprendizagem, o limite está em colocá-las como se ocupassem o centro da ocupação e da preocupação do professor, particularmente no ensino fundamental.

Certamente não se trata de ensinar sobre tecnologias de informação e nem tampouco quais os recursos que elas disponibilizam para a arte da aprendizagem. A velocidade com que os recursos se modificam e se atualizam apontam para a necessidade de contínua atualização no que se refere ao uso dos meios que são disponibilizados, sobretudo, virtualmente.

Não longe da nossa época a escola, equipada com quadro e giz era algo totalmente novo e praticamente irrepetível em qualquer outro ambiente seja de casa ou de trabalho. Certo é que os equipamentos de informática com os quais são equipadas nossas escolas estão longe de ser os de última geração. Alias nem me parece que isto seja necessário. Mas quero dizer que os alunos chegam à escola e dela saem com a certeza que terão acesso a hardwares, o softwares muito mais atualizados. Isto remete á comparação que já fizemos também: muitas vezes nossos recursos parecem uma bicicleta disposta numa pista de aeroporto.

Neste caso, nossa insistência reside no fato que não se trata de ensinar a usar os recursos, mas de bem utilizar os recursos que estiverem ao alcance. Bem usar implica sim explorar todas as suas potencialidades, mas sobre tudo aprender a usá-los com ética e com senso crítico.

Superar, muitas vezes a prática de utilização de recursos físicos para facilitar o processo de aprendizagem será com certeza um caminho adequado. Não parece fora de propósito afirmar que manter a prática de gravar em CD os conteúdos que merecem ser socializados é, na atual conjuntura, fora de propósito. Isso para não falar no uso de mapas e gráficos impressos para localizar nos continentes os pontos temáticos tratados em aula, ou gráficos para indicar dados de pesquisa ou cálculos matemáticos.

O recurso dos hipertexto, na prática, nada mais é do que a curiosidade de folhear um livro ou dicionário com o intuito de procurar as palavras ou textos que se relacionam. Aqueles, todavia ganham em agilidade na medida em que basta um CLIC sobre a palavra para que uma nova “Aba” se abra com a resposta ou questionamento proposto.
Já se disse também que é possível identificar pelos menos três categorias de pessoas no que se refere ao acesso digital os quais denominamos de “nativos digitais, imigrantes digitais e analfabetos digitais ou professauros”. É certo que no campo pedagógico dificilmente seremos obrigados a dominar as TIC, como de resto nas demais áreas da sociedade e dos negócios, em todo o caso é certo que o não envolvimento com as NTIC deixará os professores cada vez mais pobres em relação àqueles que acessam e mais alheios a fontes documentais e de pesquisa que os colegas que delas fazem uso.
Faz parte também de outra reflexão nossa quando dissemos que a adesão as NTIC não pode ser uma decisão pessoal do professor, mas que faz parte da visão e da missão da instituição, em outras palavras que se trata de uma opção política. A responsabilidade da escola está muito além das escolhas individuais de cada educador.

Além destas observações é necessário considerar que a adoção das NTIC não estão no alcance de substituir as boas práticas dos professores e alunos. Exemplo disso é considerar como suficiente os editores HTML, os REVISORES ORTOGRÀFICOS e os TRADUTORES, como solução ou alternativa para a redação e correção de textos.
Para não nos delongar com repetições em relação ao que já escrevemos sobre o tema permito-me sugerir que aproveitemos as facilidades da comunicação online para alavancar o processo que é chamado de APRENDIZAGEM ASSISTIDA, à qual está evidente na citação com a qual iniciamos nossa reflexão.
Tudo o que os softwares podem oferecer e de fato disponibilizam exige um trabalho de adaptação, organização e acompanhamento. Eles nada apontam de mágico e nada garante que sejam indispensáveis na sala de aula. Em contrapartida uma eficiente comunicação abre as portas para o mundo inteiro, daí que somos muito favoráveis à adoção de recursos tecnológicos que aproximem as pessoas e facilitem o aprendizado mesmo quando preferimos evitar deslocamentos que a rigor são despropositivos no que se refere à sustentabilidade e a economia de recursos.

A incógnita está em despertar nos professores a quebra de paradigmas que consiste mais do que tornar as aulas mais animadas ou atrativas com o uso de recursos tecnológicos.

1.Tecnologias de informação e comunicação.
2. Novas tecnologias de informação e comunicação
3. Comentários ao capítulo 8 – Utilizar novas Tecnologias - da obra Novas competências para ensinar, de Philippe Perrenoud, Porto Alegre, ARTMED, 2000.
4. Texto elaborado para a reflexão com a equipe do PROINFANTIL, do curso de Pedagogia 8ª. Fase da UNOESC – Joaçaba – SC e dos participantes do programa de especialização em gestão pública no CETEP – Curitiba.


Referências bibliográficas

GOMES, Péricles Varela & MENDES, Ana Maria Coelho Pereira. Tecnologia e inovação na educação universitária: O matice da PUCPR. Curitiba, Champagnat, 2006.
MORAN, José Manoel. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo, Papirus, 2000.
PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre, ARTMED, 2000.






FACULDADE DE TECNOLOGIA - CETEP
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA




IVANY ZELIS RAMALHO CAMPOLI DA CRUZ







TECNOLOGIA NA SOCIEDADE: COMO EDUCAR OS ADOLESCENTES QUANTO AO USO DA INTERNET














CURITIBA
2010
IVANY ZELIS RAMALHO CAMPOLI DA CRUZ













TECNOLOGIA NA SOCIEDADE: COMO EDUCAR OS ADOLESCENTES QUANTO AO USO DA INTERNET


Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública, da Faculdade de Tecnologia-CETEP, como requisito parcial à obtenção do título de Especilista em Gestão Pública
Orientador: Prof. Elcio Alberton.








CURITIBA
2010



AGRADECIMENTOS


Considerando este trabalho de conclusão de curso como resultado de uma caminhada que não começou no CETEP, agradecer pode não ser tarefa fácil, nem justa. Para não correr o risco da injustiça, agradeço de antemão a todos que de alguma forma passaram pela minha vida e contribuíram para a construção de quem sou hoje.

E agradeço, particularmente, a algumas pessoas pela contribuição direta na construção deste trabalho:

À professora Cineiva Campoli Paulino Tono, pela discussão teórica no tema abordado aqui, que subsidiou novas reflexões e construções em minha prática pedagógica. E por ter sido companheira na co-orientação deste trabalho.

Ao  professor Elcio Alberton, pela sensibilidade que o diferencia como educador e por sua disposição em ser meu Orientador.

Ao meu esposo José Campoli da Cruz, por seu carinho, pela força e apoio que me dá e por estarmos sempre juntos nos momentos mais importantes.

Aos meus filhos Flávia, Giovana e Rômulo, pelo carinho, apoio e compreensão nas horas em que mais precisei.

 Às amigas Eliane Ribeiro de Campos e Viviane Gaspar Ribas El Marghani, pelo incentivo, força, amizade e carinho que partilhamos nesta etapa da minha vida.

























Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces! 
                                                               

resumo

Este trabalho trata sobre o uso da Internet por adolescentes no contexto socioeducacional – no qual se discute o impacto do uso da Internet pelos adolescentes. Atualmente, o uso crescente de tecnologia de informação e comunicação em todos os setores da sociedade tem proporcionado mudanças sociais, econômicas e culturais motivando os indivíduos a se incluírem digitalmente em termos técnicos, mas somente o operacional não basta, há uma necessidade de incluir-se com a reflexiva e crítica apropriação desta ferramenta. O uso de tecnologias de informação e comunicação, principalmente as que proporcionam a facilidade para a interatividade e a comunicação, está em franca utilização por adolescentes na atualidade, mas deve-se considerar que pode trazer influencias negativas e positivas na formação intelectual do adolescente. Devido a isso, o objetivo deste trabalho é analisar as variáveis relacionadas a educação dos  adolescentes quanto ao uso da internet através de pesquisa quantiqualitativa. A metodologia utilizada na análise está baseada na teoria da complexidade de Edgar Morin, pois na complexidade atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. O estudo mostra a vulnerabilidade dos adolescentes no uso da Internet, onde há riscos que devem ser considerados pelos educadores, para que possam desenvolver autonomia, criticidade e aprimoramento intelectual, através de subsídios científicos para ajudar a transformar esta realidade vivida junto à uma equipe multi e interdisciplinar de profissionais que estejam dispostos a atuar neste contexto.

Palavras-chave: Adolescente, Inclusão Digital, Infoinclusão Social, Internet, Tecnologia, Educação.





LISTA DE ILUSTRAÇÃO


Lista de siglas e abreviaturas


CETEPAR
-          Centro de Treinamento do Magistério do Paraná
CMSI
-          Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação
CP
-          Colégio Periférico
CPU
-          Central Processing Unit (Unidade central de   processamento)
ECA
-          Estatuto da Criança e do Adolescente
ENIAC
-          Electronic Discrete Variable Automatic Computer
IBM
-          International Business Machines
IDEB
-          Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro
IP
-          Internet Protocol
ONG’s
-          Organizações nao governamentais
PDA
-          Personal Device Assistance
PISA
-          Programa Internacional de Avaliação Educacional
PR
-          Paraná
PRD
-          Programa Paraná Digital
PROEM
-          Programa de Extensão e Melhoria do Ensino Médio
PROINFO
-          Programa Nacional de Informática na Educação
SEED/PR
-          Secretaria de Estado da Educação do Paraná
UFPR
-          Universidade Federal do Paraná
UNESCO
-          A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura




SUMÁRIO






Introdução

Neste trabalho de conclusão de curso se discute o impacto do uso da Internet pelos adolescentes. Atualmente o uso de tecnologias de informação e comunicação, principalmente as que proporcionam a facilidade para a interatividade e a comunicação, estão em franca utilização por adolescentes na atualidade.  Neste contexto, em se tratando de como educar os adolescentes quanto ao uso da internet, vale considerar que este uso pode acarretar influências positivas e negativas na formação intelectual dos envolvidos e que já se tem avistado consequências de caráter cognitivo, psicológico e social no usuário que se apropria desta ferramenta sem a devida orientação. Informações nos chegam sobre pessoas que passam a se tornar dispersivos, com dificuldade de selecionar informações dentre as muitas encontradas na rede mundial. Tal siatuação os leva a  abordar superficialmente os conteúdos digitais, sem controle de tempo no acesso e priorizando muitas das vezes a participação em comunidades virtuais em detrimento aos relacionamentos reais.
O uso crescente de tecnologia de informação e comunicação em todos os setores da sociedade, na perspectiva de contribuir com a atividade humana com a inclusão digital, tem proporcionado mudanças no modo da vida social, econômica, cultural, entre outros. Todas as faixas etárias de pessoas são motivadas a se incluírem digitalmente em termos técnicos, mas vale enfatizar a importância de haver tal inclusão para além do operacional, com a reflexiva e crítica apropriação da ferramenta. Pois, para que se possa construir uma nova ordem societária é necessário orientar os jovens hoje, quanto á exploração da Internet de uma forma que possam desenvolver autonomia, criticidade e aprimoramento intelectual. O fenômeno Internet na adolescência deve ser analisado a partir do contexto social articulado ao educacional, ao cultural e a outros contextos que buscam uma formação humana integral.
O Objetivo aqui é analisar as variáveis relacionadas ao processo educativo dos adolescentes quanto ao uso da internet.  Através da fundamentação teórica dos processos sociais, políticos e culturais de uso da rede mundial de computadores por estudantes nesta faixa etária, com levantamento bibliográfico em livros, revistas científicas e artigos publicados periodicamente de eventos nacionais e internacionais. Estas informações estão contadas no capitulo I.
No capitulo II, será abordada a metodologia da pesquisa. Nesta seção serão investigadas as implicações positivas e negativas do uso da internet por adolescentes. Por meio de pesquisa com 398 adolescentes de 02 escolas públicas estaduais no município de Curitiba. Os instrumentos desta pesquisa são questionários via web.
A pesquisa será do tipo exploratória, e a analise dos dados obtidos pelo tipo quantiqualitativa, com base na teoria da complexidade de Edgar Morin, na qual atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. “O objetivo do método, aqui, é ajudar a pensar por si mesmo para responder ao desafio da complexidade dos problemas”. (MORIN, 2005, p. 36).
Enfim, apresentar-se-á as questões que serão analisadas, mostrando a complexidade do problema acerca da utilização da Internet por adolescentes.
Em seguida apresentaremos as considerações finais do trabalho de conclusão de curso, onde discorreremos sobre os adolescentes que estão vivenciando uma realidade que cada vez mais deixam de viver no mundo real para adentrarem o mundo virtual, onde até o momento não há limites nem regras. Em seguida listamos as referências bibliográficas utilizadas na elaboração deste trabalho.





capítulo I

1.1.            História da Tecnologia

Desde os primórdios da existência da humanidade, ferramentas e técnicas estão sendo criadas e aplicadas para facilitar com destreza e rapidez as atividades humanas. É difícil dizer a respeito de quando a tecnologia principiou estas atividades, pois se considerarmos a descoberta do fogo pelo homem na Idade da Pedra, tornando-se uma tecnologia essencial para o aperfeiçoamento de técnicas de sobrevivência humana. Segundo Cardoso (2001, p.184) O homem encontrou várias formas diferentes de utilizar o fogo: a luz e o calor eram utilizados para cozinhar, clarear a terra onde o homem ia plantar, aplicar em recipientes de barro para fazer cerâmica, empregar também em pedaços de minério para obter cobre e estanho, combinando-os em seguida para fazer o bronze e mais tarde obter o ferro. Mas, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado também no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva.

Com a ajuda do fogo, ficou mais fácil viver em comunidade e criar instrumentos de trabalho para realizar tarefas diárias que eram necessárias para o desenvolvimento do ser humano. Mais tarde surgiram povos que viviam em sociedade com o propósito de explorar sempre mais os recursos naturais para viver melhor. (CARDOSO, 2001, p. 184)

Segundo Gama (1987) o homem não imaginava, qual seria a evolução da sua capacidade de criar técnicas e aperfeiçoamentos que se encaixem com o dia a dia de uma sociedade globalizada. Na 1ª revolução industrial em 1750, as primeiras máquinas a vapor tinham como fonte de energia o carvão que movimentava a indústria têxtil, e fazia da Inglaterra uma grande potência econômica. Na 2ª revolução industrial, que iniciou em 1850, surge o petróleo como fonte de energia, apresentando para o mundo a eletricidade, e junto com ela o mundo automobilístico. Hoje no século XXI estamos passando pela 3ª revolução industrial que teve inicio na década de 1970 do século passado com base na microeletrônica convergindo às telecomunicações com a informática.
O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, ingressou em uma etapa de profundas evoluções no campo tecnológico desencadeada principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção industrial. Por conta destas transformações é amplamente aceita a tese de que vivemos a Terceira Revolução Industrial onde o processo industrial é pautado no conhecimento e na pesquisa.
Para compreender como surgiu o primeiro computador e qual a sua importância, realizou-se o resumo a seguir das obras de Barreto (2000) e Valle (2010) com a descrição de algumas tecnologias que foram inventadas para facilitar o quotidiano mercantil e a história dos primeiros computadores.
Conforme os autores referidos, esta última revolução industrial é conhecida também por revolução tecnocientífica, que tem como base a informática, que surgiu para aperfeiçoar a produção, a serviço da indústria.
     Ábaco: Pode-se dizer que foi a primeira calculadora da história, sendo utilizada para cálculos do dia-a-dia e construções civis. É basicamente um conjunto de varetas de forma paralela, que contém pequenas bolas que realizam a contagem. Sobre as operações matemáticas, ele é bastante útil para a soma e subtração. Já a multiplicação e divisão, o ábaco comum não é muito recomendado.
     Régua de Cálculo: A multiplicação de números muito grandes era algo muito trabalhoso e demorado de ser realizado.  Um escocês chamado John Napier descobriu várias propriedades matemáticas interessantes e as deu o nome de logaritmos. Na mesma época, em 1638, um padre inglês chamado William Oughtred, criou uma tabela muito interessante para a realização de multiplicações muito grandes e com base nos logaritmos de Napier criou uma régua que já possuía uma boa quantidade de valores pré-calculados, organizados de forma que os resultados fossem acessados automaticamente. Uma espécie de ponteiro indicava o resultado do valor desejado.
     Máquina de Pascal: Em 1642, o matemático francês Bleise Pascal desenvolveu o que pode ser chamado da primeira calculadora mecânica da história. Seu funcionamento era baseado no uso de rodas interligadas, que giravam na realização dos cálculos.  A ideia inicial de Pascal era desenvolver uma máquina que realizasse as quatro operações matemáticas básicas, o que não aconteceu na prática, pois ela era capaz apenas de somar e subtrair. Em 1672, o alemão Gottfried Leibnitz conseguiu o que Pascal não tinha conseguido, criar uma calculadora que efetuava a soma e a divisão, além da raiz quadrada.
     O Advento da programação funcional: Em 1801, o costureiro Joseph Marie Jacquard desenvolveu um sistema que foi conhecido como  Tear Programável, pois aceitava cartões perfuráveis com entrada do sistema. Isso facilitou o recorte que passou a ser automático. Antes era feito manualmente e perdia-se muito tempo. Jaquard perfurava o cartão com o desenho desejado, e a máquina o reproduzia no tecido. A partir desse momento, muitos esquemas foram influenciados pelo Tear, incluindo a máquina de diferenças e o engenho analítico.
     A Máquina de Diferenças e o Engenho Analítico: Em 1822, Charles Babbage inventou a Máquina de Diferenças afirmando que sua máquina era capaz de calcular funções de diversas naturezas (trigonometria, logaritmos), de forma muito simples. O seu projeto estava muito a frente do seu tempo. Por causa de limitações técnicas e financeiras, a Máquina de Diferenças só pôde ser implementada em 1837 com o lançamento de uma nova máquina, chamada de Engenho Analítico (Máquina Analítica), ela aproveitava todos os conceitos do Tear Programável.  Além disso, instruções e comandos também poderiam ser informados pelos cartões, fazendo uso de registradores primitivos. Novamente, ela não pôde ser implementada naquela época, pelo mesmo motivo de limitações técnicas e financeiras. Contudo, a contribuição teórica de Babbage foi tão grande, que muitas de suas ideias são usadas até hoje. Ele é considerado o avô do computador sob o ponto de vista da arquitetura do hardware.
     A Teoria de Boole: Em 1847, o matemático George Boole desenvolveu um sistema lógico que reduzia a representação de valores através de dois algarismos: 0 ou 1. Em sua teoria, o número “1” tem significados como: ativo, ligado, existente, verdadeiro. E o número “0” representa o inverso: não ativo, desligado, não existente, falso.  Para representar valores intermediários, é possível usar dois ou mais algarismos denominados “bits”. Exemplo:
00 – desligado
01 – carga baixa
10 – carga moderada
11 – carga alta
Todo o sistema lógico dos computadores atuais usa a teoria de Boole de forma prática. Ele é considerado o pai da lógica moderna.
     Máquina de Hollerith: Hermann Hollerith desenvolveu uma máquina que acelerava todo o processo de computação dos dados coletados no censo de 1890, realizado nos Estados Unidos. Baseado na máquina de Tear Programável, os dados coletados eram realizados em cartões, que ao invés de preencher com um “X” na resposta correta, era perfurado para que a máquina pudesse ler e contabilizar os dados. Aproveitando todo o sucesso ocasionado por sua máquina, Hollerith fundou sua própria empresa, a Tabulation Machine Company, no ano de 1896. Após algumas fusões com outras empresas, Hollerith faleceu. Em 1916, um substituto assumiu o seu lugar e alterou o nome da empresa para Internacional Business Machine, a mundialmente famosa IBM.
Na primeira metade do século XX, vários computadores mecânicos foram desenvolvidos, sendo que com o passar do tempo, componentes eletrônicos foram sendo adicionados aos projetos. Em 1931, Vannevar Bush implementou um computador com uma arquitetura binária propriamente dita, usando os bits 0 e 1.  A base decimal exigia que a eletricidade assumisse 10 voltagens diferentes, o que era muito difícil de ser controlado. Por isso, Bush fez uso da lógica de Boole, onde somente dois níveis de voltagem já eram suficientes.
A segunda guerra mundial foi um grande incentivo no desenvolvimento de computadores, visto que as máquinas cada vez mais se tornavam úteis em tarefas de desfazer a encriptação de mensagens inimigas e criação de novas armas mais inteligentes.  Entre os projetos desenvolvidos neste período, se destacaram o Mark I, no ano de 1944, criado pela Universidade de Harvard nos EUA, e o Colossus, em 1946, criado por Allan Turing.
A primeira geração de computadores modernos tinha como principal característica o uso de válvulas eletrônicas, possuindo dimensões enormes. Eles utilizavam quilômetros de fios chegando a atingir temperaturas muito elevadas, o que frequentemente causava problemas de funcionamento. Existiram várias máquinas entre 1946 e 1959, contudo, o ENIAC, foi a mais famosa de todas.
A conferência de imprensa original anunciando o ENIAC (Electronic Discrete Variable Automatic Computer) foi realizada em 01 de fevereiro de 1946. Esta máquina era em torno de 1000 vezes mais rápida que qualquer outra que existia na época, revolucionando o mundo da computação. O ENIAC resulta dos trabalhos realizados por uma equipe da Moore School da Universidade de Pensilvânia, após esta ter assinado em 5 de Junho de 1943 um contrato com o Governo dos EUA para a sua construção.
A equipe era coordenada por Herman Goldstine que contava com John Eckert, John Mauchly e, a partir de 7 de Agosto de 1944, com a colaboração de John Von Neumann. Os trabalhos têm por base uma máquina que John Atanasoff tinha começado a construir em 1937, um calculador com 240 válvulas e duas memórias tambor.
O ENIAC dispunha de 18.800 válvulas de 16 tipos diferentes, 6.000 comutadores (peça que muda a direção de uma corrente elétrica), 10.000 condensadores, 1.500 releis (interruptor acionado eletricamente), e 50.000 resistências. Ocupava 3 salas com um total de 72 metros quadrados, era refrigerado por dois ventiladores movidos por motores Chrysler de 12 cavalos e tinha uma massa de cerca de 30 toneladas. Esse valor representa algo como um andar inteiro de um prédio.

Figura 1 – ENIAC
Fonte: Google Imagens

Na segunda geração dos computadores que foi entre os anos de 1959 e 1964, houve a substituição das válvulas eletrônicas por transistores, o que diminuiu em muito o tamanho do hardware. A tecnologia de circuitos impressos também foi criada, assim evitando que os fios e cabos elétricos ficassem espalhados por todo lugar. É possível dividir os computadores desta geração em duas grandes categorias: supercomputadores e minicomputadores
Em 1961, foi vendido o primeiro supercomputador, IBM 7030. Seu tamanho era bem reduzido comparado com máquinas como o ENIAC, podendo ocupar somente uma sala comum. Ele era utilizado por grandes companhias, custando em torno de 13 milhões de dólares na época.
Em 1964, já se comercializava minicomputadores, e o mais famoso foi o PDP-8. Ele era uma versão mais básica do supercomputador e bem menor. Mesmo assim ainda ocupava um bom espaço num cômodo.
Os anos de 1964 a 1970 ficaram conhecidos como a terceira geração dos computadores. As máquinas se tornaram mais velozes, com um número maior de funcionalidades e o preço também diminuiu consideravelmente. O IBM 360/91 lançado em 1967 foi o mais famoso, pois trabalhava com dispositivos de entrada e saída, super modernos para a época, com discos e fitas de armazenamento, além da possibilidade de imprimir todos os resultados em papel. Os computadores desta época necessitavam de programação, por este motivo, houve uma preocupação com a falta de qualidade no desenvolvimento de softwares, pois grande parte das empresas focava somente no hardware.
De 1970 até hoje, especialistas dizem estarmos na quarta geração dos computadores. As máquinas passam a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e calcular bilhões de operações por segundo. Os circuitos acabaram se tornando ainda mais integrados e menores, o que permitiu o desenvolvimento dos microprocessadores. Quanto mais o tempo foi passando, mais fácil foi comprar um computador pessoal. Nesta era, os softwares e sistemas se tornaram tão importantes quanto o hardware.
Em 1975, foi lançado o Altair 8800 que cabia facilmente em uma mesa e era muito mais rápido que os computadores anteriores, pois possuía no seu projeto o processador Intel 8080. O sucesso foi tamanho que um jovem chamado Bill Gates se interessou pela máquina e criou uma linguagem de programação chamada Altair Basic, que funcionava através de cartões de entradas e saídas.
Steve Jobs, fundador da Apple, vendo o sucesso do Altair, sentiu que ainda faltava alguma coisa, pois não era fácil manuseá-lo através de luzes que acendiam e apagavam. Em sua opinião, o computador deveria representar de maneira gráfica o seu funcionamento. Por isso lançou o Apple I em 1976, que acompanhava um monitor gráfico que exibia o que estava acontecendo no computador. Este foi considerado de fato o primeiro computador pessoal, fazendo tanto sucesso, que em 1979 foi lançado o Apple II.
Em 1983 e 1984 foram lançados os primeiros computadores com mouse e interface gráfica igual a que conhecemos hoje, com pastas, menus e área de trabalho. Bill Gates e Steve Jobs fizeram parceria e lançaram a Microsoft com o software Windows fazendo sucesso em vendas até os dias de hoje.
Em paralelo, nos tempos da Guerra Fria que iniciou na década de 1960, os militares dos EUA se preocupavam com as informações que estavam armazenadas no Pentágono. Temendo um ataque por parte da Rússia, começaram a desenvolver um sistema que podia armazenar estas informações em outro local e também disseminá-las. Para desenvolver e manter esta tecnologia foi criada uma agência que era financiada pelo governo dos EUA. Ela se chamava ARPA (Advanced Research Projects Agency), e a nova tecnologia passou a se chamar ARPANET. Ela funcionava através de transmissão de pacotes de dados, entre computadores, que permitia introduzir um endereço de destinatário e remontar a mensagem original.
Quando a Guerra Fria passou a ARPANET não era mais tão útil ao governo, portanto foi permitido o acesso aos cientistas, que cederam esta rede para as universidades pesquisarem. Em 1969 ocorreu a transmissão do primeiro email entre duas instituições. Na mensagem constava a palavra “LOGIN”, mas o computador que a recebia travou ao receber o segundo caractere, a letra “O”.
Nas décadas de 1970 e 1980, além de ser utilizada para fins militares, a Internet também foi um importante meio de comunicação acadêmico. Estudantes e professores universitários, principalmente dos EUA, somaram esforços e aperfeiçoaram a rede, trocando ideias, mensagens e descobertas por esta tecnologia.
Foi somente no ano de 1990 que a Internet começou a alcançar a população em geral. Neste ano, o engenheiro inglês Tim Bernes-Lee desenvolveu a World Wide Web (Rede de alcance mundial), possibilitando que o conteúdo da rede ficasse mais atraente, pois incorporava imagens e sons. A partir deste momento, a Internet cresceu em ritmo acelerado, porque o novo sistema de localização de arquivos criou um ambiente em que cada informação tem um endereço único e pode ser encontrada por qualquer usuário da rede.

1.2.            Tecnologia no Capitalismo

Para compreender melhor a história da tecnologia veremos a seguir de forma bem resumida, a obra de Beaud (1999) que explica como surgiu o sistema capitalista que foi essencial nesta veloz evolução da tecnologia.
No final da Idade Média surgiu uma nova classe social chamada Burguesia a qual buscava o lucro através de atividades comerciais. Junto dela surgem também os banqueiros e cambistas, cujos ganhos estavam relacionados ao dinheiro em circulação, onde o objetivo era o lucro, acúmulo de riquezas, controle dos sistemas de produção e expansão dos negócios.
Para alcançar esses objetivos, a burguesia mercante começa a buscar riquezas em outras terras fora da Europa através das grandes navegações e expansões marítimas, que foram financiadas por reis e nobres os quais passaram a usar da força de trabalho assalariada para obter lucro. Neste contexto surge a moeda, substituindo o escambo e fortalecendo as relações bancárias.
O processo de produção se dava através dos artesões que dominavam integralmente as etapas da produção de um determinado produto. Dessa forma, o trabalhador era ciente do valor, do tempo gasto e da habilidade requerida na fabricação de certo produto, sabendo exatamente qual era o valor do bem por ele produzido.
Com a primeira revolução industrial, a qualidade das relações de trabalho no ambiente manufatureiro se transformou sensivelmente. Iniciada na Inglaterra que fortalece o sistema capitalista e solidifica suas raízes na Europa e em outras regiões do mundo. No lugar dos artesões se colocou a máquina a vapor, os trabalhadores passaram por um processo de especialização da sua força de trabalho, assim só tinham responsabilidade e domínio sob uma única parte do processo industrial. E dessa forma o dono da fábrica conseguiu aumentar sua margem de lucro e reduzir o tempo para se chegar ao produto final.
Parecia ser um beneficio enorme, pois dessa forma também se conseguiu diminuir o preço dos produtos. Mas, dessa maneira, o trabalhador não tinha mais ciência do valor da riqueza por ele produzida. Ele passou a receber um salário pelo qual era pago para exercer uma determinada função que, nem sempre, correspondia ao valor daquilo que ele era capaz de produzir.
O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela força de trabalho dos operários. As indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se rapidamente pelos quatro cantos da Europa. O capitalismo ganhava um novo formato.

Esse emprego, [referência à maquinaria], como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia de trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para ampliar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A maquinaria é meio para produzir mais-valia. (MARX, 2002, v.1, p. 427).


Com o passar do tempo, as formas de atuação do capitalismo industrial ganhou outras feições, mas sempre com o mesmo objetivo. Na segunda metade do século XIX, a eletricidade, o transporte ferroviário, o telégrafo, o motor e a combustão deram início à chamada Segunda Revolução Industrial.

Tornando supérflua a força muscular, a maquinaria permite o emprego de trabalhadores sem força muscular ou com desenvolvimento físico incompleto, mas com membros mais flexíveis. Por isso, a primeira preocupação do capitalista, ao empregar a maquinaria, foi a de utilizar o trabalho das mulheres e das crianças. (MARX, 2002, v.1, p. 451).


Durante o século XX, outras novidades trouxeram diferentes aspectos ao capitalismo. O industriário Henry Ford e o engenheiro Frederick Winslow Taylor incentivaram a criação de métodos onde o tempo gasto e a eficiência do processo produtivo fossem cada vez mais aperfeiçoado.
O capitalismo industrial advém das novas descobertas no campo das ciências, impulsionando experiências e invenções que revolucionam a vida humana e a própria organização da cidade.
O capital, resultante histórico da exploração do trabalho humano é o grande responsável pelos avanços tecnológicos e científicos da cidade moderna, mas por outro lado, assumiu novas formas de exploração e expropriação da força de trabalho e do meio, agravando o fenômeno da exclusão social.

1.3.            Tecnologia na atualidade

Nos dias atuais, é impossível pensar no mundo sem a Internet. Ela tomou parte dos lares e de pessoas no mundo todo. Estar conectado a rede mundial passou a ser uma necessidade de extrema importância. A Internet também está presente nas escolas, faculdades, empresas e diversos locais, possibilitando acesso as informações e notícias do mundo em apenas um clique.

A medida que a sociedade conquista melhores condições de consumo e acesso a informação, a Internet torna-se um fenômeno tecnológico que transforma as relações sociais, culturais, políticas, psicológicas e econômicas, como também estabelece novos comportamentos no campo do entretenimento, aproxima gerações e muda radicalmente o olhar sobre a realidade. (GUERREIRO, 2006, p. 149)

A cidadania moderna acumulou em sua formação um desenvolvimento humano qualitativo em termos de ordenamento do território, da arquitetura, da satisfação das necessidades de consumo, da estética, do entretenimento, do conforto, da saúde, do trabalho, da tecnologia, dos serviços e de muitas outras condições de vida.
Guerreiro (Idem, p. 57) explica que a cidadania surgiu na civilização antiga, onde o termo cidadão era usado para designar os patriarcas que faziam parte da assembleia de chefes das tribos e que participavam das decisões sobre o futuro da urbe. Cidadão, nesses termos, era uma condição restrita e limitada aos membros da assembleia da cidade, daí o nome “cidadania”. Portanto todos os que estavam fora desta condição social eram excluídos do poder de tomada de decisões da urbe e, por isso, não eram considerados cidadãos. No inicio do capitalismo o Estado burguês continuou preservando direitos de cidadania somente para a aristocracia e sua família, como burguesia emergente, para os administradores da cidade e a camada social vinculada ao poder do Estado e para os clérigos da Igreja católica.
Ainda na Idade Média, a cidade sofreu uma das suas mais graves crises de existência, ocasionando impactos dos mais diversos, que demarcaram as margens das cidades, atualizadas nas metrópoles de hoje com os aglomerados urbanos e regiões sem qualquer segurança e proteção social.
O conceito de cidadania, a partir do desenvolvimento do capitalismo industrial, vincula-se mais fortemente com a classe dominante e, transforma-se em uma condição tanto de existência como de sobrevivência na nova estrutura política, econômica e social emergente. (Guerreiro, p. 72)
As cidades comerciais estabeleceram-se simultaneamente a um cenário caótico do ponto de vista da condição humana e de mudança drástica no modo de produção.
Na cidade moderna, a força de trabalho humana deixa gradativamente de ser representada pelo emprego da força física e passa a requerer o emprego gradual do conhecimento, enquanto habilidade e responsabilidade individual pela produção inteligente da riqueza.
Castells (1999) em sua obra “Sociedade em Rede” diz que a informação se tornou a matéria-prima. As tecnologias atuais são para agir sobre a informação, não mais como nas revoluções tecnológicas anteriores que adquiria informação para agir sobre a tecnologia.
Guerreiro (2006, p. 77) concorda com Castells e acrescenta que esta matéria-prima é favorecida e transformada em fonte de riqueza. No caso da comunicação, esta assume papel de destaque no cenário global e constitui o próprio capital explorador da riqueza que, na cidade moderna, expropria o ser humano em duas dimensões:
·         Produção de riqueza pela sua capacidade de pensar e usar criativamente a inteligência, construindo conhecimento tecnológico aplicável às novas necessidades de desenvolvimento local, e;
·         Beneficiamento e tratamento da matéria-prima e forma de dados coletados no ambiente de interesse investidor, gerando ferramentas e meios tecnológicos de multiplicação da informação.

Desde a revolução industrial até a revolução tecnológica, pouca coisa mudou na questão dos excluídos sociais, apesar de o desenvolvimento humano não limitar o movimento social civil de cidadania nem os avanços tecnológicos, já que decorre destes. A exclusão deriva de outros fenômenos mais agudos: a má distribuição de renda e a pobreza, que se desdobram no desemprego, na fragilização de vínculos de pertencimento social, na dificuldade de acesso ao conhecimento e na desvalorização da identidade cultural e comunitária. (GUERREIRO, p. 79)

Quando se pensa a cidade moderna como um grande sistema interconectado, composto de subsistemas interdependentes, de suas “tribos” urbanas, comunidades, engenharias arquitetônicas, redes de comunicação, rede de transportes, equipamentos públicos de assistência e proteção social, mercado financeiro, imobiliário e outras tantas funções desenvolvidas para o consumo, surge outro problema de grande magnitude e impacto direto na vida do cidadão: a empregabilidade.
Castells (1999) diz que na medida em que as inovações tecnológicas e organizacionais forem permitindo que homens e mulheres aumentem a produção de mercadorias com mais qualidade e menos esforço, o trabalho e os trabalhadores mudam da produção direta para a indireta, do cultivo, extração e fabricação para o consumo de serviços, trabalho administrativo e de; uma gama de atividades econômicas para o universo profissional cada vez mais diverso. Mas, isso não significa que as qualificações especializadas, ou seja, a educação, formação profissional, condições financeiras nem o sistema de estratificação das sociedades em geral irão melhorar.
O impacto de uma estrutura do emprego de certa forma valorizada, sobre a estrutura social dependerá da capacidade de as instituições incorporarem a demanda de trabalho no mercado de trabalho e valorizarem os trabalhadores na proporção de seus conhecimentos.

Empregos estão sendo extintos e novos empregos estão sendo criados, mas a relação quantitativa entre as perdas e os ganhos varia entre empresas, indústrias, setores, regiões e países em função da competitividade, estratégias empresariais, políticas governamentais, ambientes institucionais e posição relativa na economia global. (CASTELLS, 2000, p. 284)

A cidade que está se formando pelas tendências das novas tecnologias é ainda um embrião com forma desconhecida, mas que já expressa toda a sua força como resultado de uma nova era na organização social e territorial humana a partir da revolução tecnológica advinda pelos meios de comunicação, que diminuem as distâncias, otimizam o tempo e transformam a cidade em uma arquitetura viva e inteligente.
As novas tecnologias proporcionadas pela sociedade da informação, quase que diariamente estão modificando rapidamente os hábitos e costumes dessas pessoas em termos de entretenimento, mercado de consumo, arquitetura física das moradias, locais de trabalho, transporte urbano, comunicação, transmissão de dados e imagens, conectividade, configuração interna das cidades. A modernidade envolveu a todos, e as mudanças foram tão rápidas que a ficção se transformou em realidade, invadindo as mentes e as atividades produtivas no dia-a-dia.
As novas tecnologias são cada vez mais inteligentes e sofisticadas em múltiplas funções de complementaridade do trabalho humano, liberando progressivamente o uso da força física e mantendo substancialmente ocupada a capacidade intelectual dos indivíduos. A revolução industrial cede espaço para a revolução tecnológica, que entra em sua segunda fase de desenvolvimento, considerando que o primeiro impacto provocado pela invenção do computador, foi superado pelo desenvolvimento da Internet e das redes de alta velocidade.
A complexidade a que chegou a sociedade humana é reflexo da intensidade de sua demanda por inovação. As novas tecnologias que automatizam o cotidiano das pessoas nas grandes metrópoles mundiais resultam do aprimoramento técnico dos meios e do modo de produção.
Considerando que a expansão da Internet se dá pela força do mercado eletrônico, a necessidade de inovação tecnológica, por um lado, tornou-se extensão do acúmulo de riqueza, e por outro, demanda de consumismo desenfreado na cidade moderna. (Guerreiro, 2006, p. 104)

A contribuição da Internet para o modelo de empresa-rede (e-commerce) é a sua capacidade para evoluir organicamente na inovação, nos sistemas de produção e na adaptação à procura do mercado sem perder de vista o objetivo principal de qualquer negócio: gerar lucros. O problema é que a maneira de fazer dinheiro na economia Internet não é tão direta como costumava ser na era industrial, porque as redes informáticas também transformaram os mercados financeiros, que é onde se estabelece, em última instância, o valor de todos os negócios. (Castells, 2004, p.102)

Pierre Lévy (1999) diz que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, chamando-o de “ciberespaço”. Ele define este termo como a interconexão mundial dos computadores, não significando apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. O crescimento do ciberespaço gera outro termo utilizado por ele: “cibercultura”. Este termo é usado para o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento, e de valores impostos pela nova sociedade.
A microeletrônica somada aos softwares está revolucionando a cada dia os aparelhos eletrônicos. Nos dias atuais é impossível viver sem que alguma tecnologia faça parte do nosso quotidiano.  A começar pelas necessidades básicas como, por exemplo, ter energia elétrica em casa para se obter eletrodomésticos essenciais às necessidades humanas na atualidade, como a geladeira, o fogão e o chuveiro.
Além destes equipamentos eletrodomésticos, de uns anos para cá, equipamentos para comunicação como o celular está passando a ser uma alternativa que está deixando de ser acessório e se tornando essencial ao dia-a-dia em termos de tempo e de segurança para o seu usuário. Atualmente um celular executa muitas funções existentes nos computadores, não sendo mais apenas um telefone móvel, e passando a ser um computador de mão (PDA), pois alguns deles possuem softwares completos de computadores.
Um trabalhador que não domina o equipamento passa por grandes dificuldades para conseguir um emprego. As fábricas estão automatizadas, ou seja, a maior parte das funções é feita por robôs, e os poucos trabalhadores precisam saber programar os robôs para realizar toda a força tarefa.
No sistema capitalista, o ser humano necessita trabalhar e trocar sua força de trabalho por dinheiro para sobreviver. Para manter este ciclo mais estável, se faz necessário obter um emprego e o mercado apregoa que devemos nos qualificar para obtê-lo. O que significa se qualificar? Se pensarmos nestas qualificações, são nada mais que “adestramento” para operacionalizar os aparelhos eletrônicos, como por exemplo, manusear um computador, uma empilhadeira, um guincho, alguns softwares específicos e conectar a Internet. Se o trabalhador não souber utilizar as ferramentas básicas de um computador, como, o pacote Office e Internet, será quase impossível empregar-se na área administrativa e fazer parte do mercado de trabalho na atualidade, principalmente no que se denotam atividades intelectuais.
Marx e Engels dizem que a ação de criar novas necessidades de trabalho desdobra-se em novas necessidades sociais, de produção que impulsiona o consumo. O sistema capitalista necessita não somente de um aparato infraestrutural, mas precisa de instrumentos que irão conquistar a dimensão subjetiva e valorativa com o intuito de convencer o sujeito a consumir produtos e serviços. Portanto a evolução cada vez mais rápida das tecnologias faz parte do processo para que o sistema capitalista não desmorone.
Através destas tecnologias é que ficou muito mais fácil difundir a ideologia do consumismo que contribui para a manutenção das estruturas do sistema capitalista, não apenas através do lucro, mas funciona como um mecanismo de aceitação das pessoas às conturbadas e difíceis condições sob as quais se vive. É bem possível que as condições adversas, em que a grande maioria do povo vive, sejam aceitas por se vislumbrar a possibilidade de se ter acesso aos bens e serviços oferecidos pelo sistema como, por exemplo, a Internet.

O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom seu possuidor, o dinheiro poupa-me, além disso, do trabalho de ser desonesto, logo, presume-se que sou honesto; sou estúpido, mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas, como poderia seu possuidor ser um estúpido? Além disso, seu possuidor pode comprar as pessoas inteligentes e quem tem poder sobre os inteligentes não é mais inteligente que o inteligente? (MARX, 1983, p.30)

As pessoas se sentem reconhecidas com a aquisição de certos bens, pois a própria ideologia do consumismo reforça a máxima liberal "ter" para "ser", não podendo se esquecer do prazer prometido por tais produtos como, por exemplo, a Internet, que tem também a função de compensar e fugir da dor e do sofrimento que são constantes em nossa sociedade.
O computador é um dos bens de consumo mais desejados pelos brasileiros, pois faz parte do quotidiano e está presente em muitos lugares. Quando não está no ambiente principal da casa, está no trabalho, na escola, na convivência com amigos e familiares, facilitando cada dia mais o acesso ao seu uso.
Atualmente as novas tecnologias de informação e comunicação vêm alterando a maneira de ser e de viver da sociedade, das famílias e de cada cidadão. As pessoas têm saído menos de suas residências, como por exemplo, para ir ao banco, fazer compras, buscar informações sobre lazer, turismo e pesquisa. Nem o telefone esta sendo utilizado, pois se tem disponível o Messenger.

Para os jovens que desde que nascem já conhecem a televisão, os vídeos games, os computadores, a Internet e os telefones celulares, não existem as ‘novas’ e as ‘velhas’ tecnologias: existem instrumentos para informar e comunicar, jogar ou ajudar nos trabalhos escolares (...) diferente dos adultos (...) a cada surgimento de uma nova tecnologia, se faz necessário novos conhecimentos e novas formas de usos sociais. (DELAUNAY, J., traduzido em 2006)


1.4.            Inclusão Digital

Inclusão Digital ou Infoinclusão pode ser considerada como a democratização do acesso às tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. Paulo Rabêlo (2010) diz que incluir uma pessoa digitalmente não é apenas "alfabetizá-la" em informática, mas sim fazer com que o conhecimento adquirido por ela sobre a informática seja útil para melhorar seu quadro social. Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê–lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná–las a utilizá–lo em benefício próprio e coletivo.
Guerreiro (2006) vai além. Ele utiliza o termo Infoinclusão Social definindo como “a relação de equilíbrio sustentável entre progresso tecnológico e o desenvolvimento social das cidades”. Para que isso aconteça, é fundamental que questões como planejamento e gestão eficientes das cidades, difusão da cultura digital, acesso à informação, valorização da cidadania e da educação sejam amplamente discutidas e colocadas em prática.
No Brasil há uma desigualdade social muito significativa, e o ambiente escolar adquire uma importância muito maior, pois é o espaço onde a criança e o adolescente terá contato com um leque de informações e experiências, que o convívio familiar e comunitário não permite, como por exemplo, a literatura e o esporte.
A escola, porém, não está sozinha na tarefa de ampliar o horizonte de conhecimento de seus alunos. Os meios de comunicação também contribuem para que a criança experimente, mesmo que a distância, a sensação de conhecer locais distantes, esportes estranhos e animais exóticos. Os conteúdos veiculados na televisão tornam possível, mesmo para quem nunca saiu de Curitiba, saber como são as praias baianas e os prédios de São Paulo. É uma experiência superficial e incompleta, mas, mesmo assim, uma experiência.
Com o surgimento da Internet, os educadores têm uma oportunidade histórica. A rede mundial de computadores é um meio de comunicação híbrido, cuja estrutura encerra características de outros meios, como a televisão, o jornal e o rádio. Ela tem a característica única de permitir que produtores autônomos atuem na publicação de conteúdos em grau de igualdade com as grandes empresas de mídia, do ponto de vista técnico (design, recursos). Isso significa que, apesar de empresas como a UOL e o Terra serem capazes de manter centenas de milhares de GigaBytes em informação na rede, além de prover serviços de toda ordem, como email, acesso e segurança, o conteúdo de cada um desses portais não possui nenhuma vantagem técnica em relação ao conteúdo publicado em sites amadores.
Na prática, isso quer dizer que um amador dificilmente consegue produzir algo em vídeo, por exemplo, com qualidade de imagem e som semelhante ao padrão imposto pelas grandes redes de televisão e pela indústria de cinema. No entanto, na Internet, mesmo sem grandes investimentos, o usuário pode criar páginas e publicar conteúdos originais esteticamente tão bons quanto os veiculados por empresas do ramo.

Em minha opinião, só poderemos começar a reforma do pensamento na escola primária e em pequenas classes. (...) é nesse nível que devemos nos beneficiar da maneira natural e espontaneamente complexa do espírito da criança, para desenvolver o sentido das relações entre os problemas e os dados. (...) Só que sempre retornamos à aporia bem conhecida: é preciso reformar as instituições, mas se as reformarmos sem reformar os espíritos, a reforma não serve para nada, (...). Como reformarmos os espíritos sem reformar as instituições? (...). O problema no segundo paradoxo colocado por Marx a respeito da educação: quem educará os educadores? É preciso que eles se eduquem a si mesmos. (MORIN et. al., 1999, p. 34)

Em tempos tecnológicos, o professor é um agente altamente estratégico na cultura humana. Estratégico por poder auxiliar o educando a aprender a selecionar e planejar melhor suas alternativas e recursos de acesso ao mundo da informação. Necessita estar constantemente se aperfeiçoando e se atualizando para atender à demanda deste educando da atualidade.
Pela Internet, por exemplo, os jovens mais tímidos conseguem se libertar das regras proibitivas impostas por seus pais ou responsáveis. Protegidos pelo anonimato do ciberespaço tornam-se cada vez mais extrovertidos e se arriscam em aventuras virtuais de descoberta de sua sexualidade e identidade pessoal.
Guerreiro (2006) diz que os pais precisam alertar esses jovens sobre o risco que eles correm diante do outro virtual e consequentemente rever e atualizar suas posturas e orientações diante do controle que exercem sobre a liberdade que seus filhos têm de aprender e de se educar no mundo moderno. Hoje, à velocidade com que se geram informações, cada vez conhecemos mais e sabemos menos, isto é: nos “falta tempo” para aprender sobre o que conhecemos. Acabamos não sabendo sobre o próprio conhecimento.
A educação, sendo dever do Estado e direito do cidadão, coloca-se como um dos principais instrumentos da sociedade para efetivar o processo de formação e construção da cidadania. Nessa linha a política para a inclusão deve permitir que as relações humanas fundamentem-se nos princípios da equidade, justiça social e participação cidadã, nas diversas instâncias de decisões.
A informação e a educação dos cidadãos são formas de torná-los conscientes quanto aos seus direitos, bem como, de possibilitar lhes oportunidade de crescimento econômico, uma vez que a educação agrega valores (culturais, sociais, técnicos) às pessoas, e isto poderá influenciar sua carreira profissional.

A escola em que os processos educacionais superam as ideologias taylorista/fordista e flexível de produção não se acomoda com a condição materialista de provimento de tecnologias de informação e comunicação; seus gestores têm consciência de que esta condição por si só, não é capaz de atribuir aos alunos a possibilidade de investigar, questionar e de manter contato com a realidade de forma crítica e fundamentada teoricamente. Para isso ocorrer, o aluno deve ser preparado e o papel do professor é fundamental ao assumir a mediação destas atribuições, para desenvolver no aluno uma autonomia intelectual através do conhecimento científico, social, histórico, cultural não priorizando o tecnológico, mas sim, o introduzindo na medida necessária, sugerindo aplicação refletida para produção do conhecimento na perspectiva transformadora. (TONO, 2010, p. 2)

Ainda que o acesso aos meios tecnológicos (computadores, notebook, Internet, Pager, telefones celulares etc.) esteja facilitado, levando em conta o custo financeiro para a sua aquisição, isso não faz com que todos os consumidores sejam capazes de usufruir destes produtos/serviços ofertados. Da mesma forma, o fato de a Internet ser fonte de informações, não representa que os cidadãos dela farão uso para o exercício da sua cidadania.
No novo cenário, governos e ONG’s, muitas vezes em parceria com o setor privado, articulam-se em projetos isolados ou políticas públicas dos mais variados tipos para combater a “exclusão digital”. As razões destes processos de inclusão se alimentam de interesses econômicos e de motivações ligadas a defesa dos direitos humanos, ainda que nem sempre esses empenhos andem juntos.
Com base nos objetivos de desenvolvimento acordados internacionalmente, incluindo os da Declaração do Milênio que são premissas da cooperação internacional, os objetivos do Plano de Ação da primeira fase da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI), estabelecem metas a serem alcançadas até 2015, que podem servir como referencias globais para aumentar a conectividade e acesso no uso das tecnologias de informação. Estas metas podem ter em conta o estabelecimento de metas nacionais, considerando as diferentes circunstâncias nacionais:
·         Conectar todos os vilarejos com tecnologia da informação e estabelecer pontos de acesso comunitário;
·         Conectar universidades faculdades, escolas secundárias e primárias com tecnologia da informação;
·         Conectar centros científicos e de pesquisa com tecnologia da informação;
·         Conectar bibliotecas públicas centros culturais, museus, correios e arquivos com tecnologia da informação;
·         Conectar centro de saúdes e hospitais com tecnologia da informação;
·         Conectar todos os departamentos de governos local e central e estabelecer websites e endereços de correio eletrônico;
·         Adaptar o currículo de todas as escolas primárias e secundárias para atender os desafios da Sociedade da Informação, levando em consideração as circunstâncias nacionais;
·         Assegurar que toda a população do mundo tenha acesso a serviços de radio e televisão;
·         Encorajar o desenvolvimento de conteúdo e das condições técnicas para facilitar a presença e uso de todas as línguas do mundo na Internet;
·         Assegurar que mais da metade dos habitantes do mundo tenham acesso às tecnologias da informação ao seu alcance.
Como se vê, a participação na chamada Sociedade da Informação entrelaça a necessidade técnica com a preocupação de oferecer uma educação condizente ao novo momento.  No Plano de Ação da CMSI, a atenção ao ensino fundamental é demonstrada na indicação da necessidade de conectar todas as escolas e na orientação para a adaptação do currículo, ainda que não detalhe como pudessem ser desenvolvidas essas alterações. Segundo a UNESCO uma das competências básicas que deverão ser desenvolvidas no período escolar é a capacidade para “aprender a aprender”, ou seja, deve-se ensinar os alunos, entre outras coisas, a “localizar, classificar e selecionar a informação que agora é encontrada em qualquer parte”.
No final da década de 90 foram implementadas políticas públicas de tecnologias de informação e comunicação para a educação básica, pela Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação, com abrangência nacional, através do Programa TV Escola e Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) com gradativo repasse de televisores e de computadores para escolas públicas de todo o país, que se estendeu na primeira década do século XXI.
Segundo Tono (2010, p. 6) O Estado do Paraná além de aderir a estes programas federais, implementou em 1998 o Programa de Extensão e Melhoria do Ensino Médio (PROEM) com reforço do parque tecnológico de 945 colégios públicos do Paraná, com aproximadamente 8.000 computadores no sistema operacional Windows. No ano de 2005 concretizou a informatização e conexão a Internet da totalidade das 2.100 escolas públicas paranaenses com o Programa Paraná Digital, instalando laboratórios de informática no sistema operacional Linux. E, em 2007 foram adquiridos televisores adaptados com entrada para pendrive para todas as 22.000 salas de aula das escolas públicas do PR. Todos estes implementos foram gerenciados pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná através da Diretoria de Tecnologia Educacional (antigo Centro de Treinamento do Magistério do Paraná – CETEPAR).
O educador continua sendo fundamental na articulação dos conteúdos. Não dá para imaginar que a rede por si só alimentará o processo educativo. Segundo Paulo Freire (2001) o papel do educador é mais do que simplesmente abrir caminho. É o de quem também mostra o caminho.

O professor que trabalha em defesa da superação daquelas ideologias relativiza o determinismo tecnológico e elege a mediação como mecanismo condutor do processo de ensino e de aprendizagem, no lugar da transmissão, apresenta o conteúdo programático considerando o conhecimento historicamente produzido, estabelece estratégias metodológicas conforme seu discernimento toma recursos diversos para uso didático, incluindo os telemáticos, com liberdade, criatividade e criticidade. Investe em atividades que despertam o interesse, o raciocínio lógico, a expressão dos pensamentos abstratos e a permanente participação do aluno, tendo assim catalisado o alcance do objetivo de torná-lo autônomo intelectualmente. (TONO, 2010, p. 2)

A educação, aliada a tecnologia, seria teoricamente capaz de inventar novos caminhos para o desenvolvimento humano, diminuir a desigualdade e de estabelecer novas direções nas comunicações, bem como novos modos de aprender e ensinar. No entanto, o risco de deslumbramento com este novo período está permanentemente sendo alimentado em discursos de gestores públicos, mídia e até mesmo de educadores. Nota-se, em muitos casos, a tentativa de dar soluções com ênfase no objeto técnico para problemas sociais, políticos e econômicos, dos quais o objeto técnico é apenas suporte.

A última década foi marcada com grandes investimentos na área de tecnologia na educação básica do Paraná, mas os implementos apresentados não garantem o uso permanente e crítico das tecnologias pelos professores, e destes com seus alunos, em condições de produzir um diferencial no rendimento escolar que justifiquem estes investimentos. Para haver um diferencial representativo do impacto na área de tecnologia na educação faz-se necessária análise reflexiva da real condição que se encontram as políticas públicas nesta área, à luz de teorias humanistas para superar o determinismo tecnológico de efeito alienante. (TONO, 2010, p. 7)


Estamos no meio de um período profundo e prolongado de transição de mídias, que está influenciando muitas mudanças em todos os níveis econômico, social, cultural e político. O ritmo, isto é a taxa, da mudança não diminuirá nos próximos anos e tem sido liderada pela população de jovens da sociedade.

Na escola regulada pela ideologia taylorista/fordista, o professor pode até utilizar pedagogicamente as tecnologias de informação e comunicação, materializadas em televisores e computadores conectados à Internet, mas limita o seu uso para transmitir informações, estabelecendo os objetivos para tal procedimento calcado em cópia e memorização, limitando o aluno a uma condição de passividade, num sentido reprodutivista e com efeito alienante. E quando há flexibilização nos processos educacionais em intensificação e diversificação no acesso às informações e aos meios de comunicação ampliando seus contatos, o aluno está sujeito a dispersão, devido à carga mental proporcionada pelo excesso e superficialização das informações e das comunicações, valorando a quantidade em detrimento da qualidade. (TONO, 2010, p. 3)


Na medida em que isso acontece vão criando marcas no estilo do dialogo, da escrita e da leitura, fazendo com estas correspondam a sua identidade. Quevedo (2007, p. 59) diz que “o sistema escolar está em pânico com a mudança de linguagens que o século XXI vivencia: os jovens escrevem e leem de forma diferente á dos adultos socializados na galáxia Gutenberg, (...) estamos diante de uma separação entre gerações que é tão nova como cambiante”.
Isto ocorre porque os jovens escrevem em seus programas de comunicação instantânea e mensagens de textos via celular com uma linguagem que tem regras próprias, mas não sabemos como ela está evoluindo. O que se sabe é que, segundo Quevedo, os jovens utilizam muito mais as mensagens de texto via celular do que os adultos. A quantidade de jovens que estão tendo posse de aparelhos móveis é demasiadamente alarmante. Dados da Anatel apontam que em agosto de 2010 existiam 190,4 milhões de aparelhos celulares em uso no Brasil. Este número é maior que o número de habitantes divulgado em novembro de 2010 pelo último Censo, cerca de 185,7 milhões de cidadãos.

Com perspectiva transformadora, a gestão pública educacional pode contribuir em estudos da realidade social atrelada aos reflexos no contexto escolar e na propositura de implementos cabíveis aos diversos setores da vida, em condições de desenvolver planos e atividades emparelhados entre os diversos setores da esfera pública, caso efetivamente haja interesse de mobilizar ações que contribuam para a formação integral do ser humano, a começar pelas crianças e jovens, em idade escolar. (TONO et al. 2008)


1.5.            Novas demandas do EDUCADOR Social

Como vimos, a sociedade contemporânea há algum tempo vem sofrendo profundas mudanças, trazendo significativas repercussões nas relações de trabalho e de produção. Na era da globalização da economia, das inovações tecnológicas (robótica, automação, microeletrônica), tem sido preponderante a flexibilização dos processos de trabalho, determinando novas modalidades de produção, gestão e consumo da força de trabalho. Neste cenário, o exercício do Educador Social, encontra-se vinculado às novas formas de gestão requeridas das mudanças tecnológicas e das organizações junto à educação e ao processo produtivo.
Estas transformações societárias vêm implicando, não só a emergência de novas demandas para o Educador Social, como na necessidade premente de redimensionar a formação profissional a partir de procedimentos investigativos que tomem como objeto as mudanças do espaço ocupacional do Educador. O estudo dessa temática é importante para o Educador, pois vem proporcionar uma análise das mudanças impostas pelas novas tendências da sociedade contemporânea e seu rebatimento na prática do Educador Social.

A globalização da economia e a internacionalização dos capitais internacionais, não são um fenômeno recente, mas existe atualmente de uma forma mais intensa, e a alta tecnologia, a cibernética e a robótica, estão causando a mesma reviravolta, que na época em que os teares foram substituídos, durante a revolução industrial. Contudo, tem que existir nesta nova onda, uma readaptação dos trabalhadores, depositando na capacitação dos operários as maiores esperanças para o futuro, contra o desemprego estrutural. (ABREO, 1998)

Abreo (1998) diz que no atual contexto, há mudanças nas atividades que já foram atribuídas ao Educador Social, atualmente exige-se, cada vez mais, que integre equipes interdisciplinares, que atue no âmbito da formulação e implementação das políticas sociais, impulsionadas pelo processo de municipalização; que tenha contato com o mundo da informática e conheça as novas tecnologias e as formas de gestão administrativa.

Redimensionar o perfil profissional que exige na atualidade um conhecimento de línguas estrangeiras, de informática, sintonias com as mudanças e atenção a qualificação continua. Requisita-se um profissional crítico com competência teórico-metodológica, técnico operativa e ético-política, dotado de habilidades como criatividade, versatilidade, iniciativa, liderança, capacidade de negociação, resolutiva e de argumentação, habilidade para o trabalho interdisciplinar e para atuar no campo da consultoria (KROIKE,1997)

Portanto, devemos compreender a dinâmica da sociedade contemporânea de modo complexo, tomando nota das transformações, que são ao mesmo tempo locais e globalizadas, do capitalismo moderno, dos mercados, das instituições e da sociedade civil. Pois, os Educadores Sociais estão comprometidos com o bem comum e devem articular políticas públicas ativas e atualizadas, para que enfim consiga-se inserir princípios de equidade em nossas sociedades.



capitulo ii

2.1.       Referencial Metodológico da Pesquisa

A metodologia utilizada para a análise das variáveis relacionadas à educação de adolescentes quanto ao uso da Internet, será a partir da teoria da complexidade de Edgar Morin.
O motivo desta escolha se deu pelo fato de que Morin defende que teoria e método são momentos necessários, diferentes entre si, mas interligados um no outro no processo continuo da investigação, pois na complexidade atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. E uma vez criados eles retornam a esse mesmo real para recriá-lo. Não há fechamento teórico ou metodológico na visão da complexidade, mas abertura. Não há respostas prontas e programadas, mas convites a procurá-las. Não há realidade determinada, mas complexa. “O objetivo do método, aqui, é ajudar a pensar por si mesmo para responder ao desafio da complexidade dos problemas”. (MORIN, 2005, p. 36).  
Para compreender melhor o fenômeno do uso da Internet por adolescentes, foi realizada uma pesquisa do tipo exploratória, para auxiliar na indicação das variáveis a serem consideradas. Nesta área há pouco conhecimento acumulado e por isso não é possível elaborar uma intervenção direta, a qual ficará para a realização de uma pesquisa futura mais densa e precisa.
Visando implementar este modo de pensamento, recorreremos à pesquisa do tipo quantiqualitativa, porque este tipo de pesquisa fornece uma amostra consideravelmente grande para apurar opiniões, atitudes e interesses dos adolescentes; e a pesquisa qualitativa para trazer a tona o que os participantes pensam a respeito do que está sendo pesquisado. Segundo Martinelli (1999, p. 22) o conjunto dos dados quantitativo e qualitativo se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia.

2.2.       Desenvolvimento da Pesquisa

A pesquisa foi realizada em dois colégios públicos estaduais do município de Curitiba, capital do Estado do Paraná. Por questões éticas o nome deles não será divulgado, portanto os nomes citados são fictícios.
Dois critérios foram determinantes para escolha das referidas instituições. Um desses critérios está relacionado aos valores obtidos no Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro (IDEB) no ano de 2008, sendo um deles com IDEB acima da média paranaense (IDEM=5.0), o Colégio Central[1] (CC) com IDEB=5.9, e abaixo da média, o Colégio Periférico[2] (CP) com IDEB=3.2. O outro fator considerado para escolha dos colégios pesquisados foi à centralidade do bairro no município de Curitiba de um dos colégios e outro de periferia. O CC está situado no bairro Rebouças, mais central e o CP, no Bairro Tatuquara na periferia de Curitiba.
A partir da seleção dos colégios, buscaram-se os dados quantitativos dos alunos da 8ª série do período da manhã e tarde no Portal Dia-a-dia Educação. Este sítio foi criado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR) para instrumentalizar os educadores, divulgar informações institucionais, resgatar a identidade do professor da escola pública e estruturar uma rede de comunicação entre todos os envolvidos no processo educativo e comunidade educacional.
O CP possui uma turma de alunos na 8ª série no noturno, mas não se investiu na pesquisa com estes alunos porque o CC não possui alunos matriculados neste turno. Então, na busca de homogeneidade no processo de pesquisa, optou-se por pesquisar somente a totalidade dos alunos dos turnos da manhã e tarde em ambos os colégios. Na aplicação dos questionários manteve-se o anonimato dos respondentes.
O público-alvo são os trezentos e noventa e oito (398) alunos devidamente matriculados na oitava série dos referidos colégios nos turnos da manhã e tarde, sendo para o CC, 201 alunos e para o CP, 197 alunos com idade aproximada de 14 anos. O motivo de escolha por esta faixa etária foi devido ser próxima a idade dos alunos de 15 anos que foram submetidos ao processo trienal de avaliação em rendimento escolar nas disciplinas de matemática e língua portuguesa do Programa Internacional de Avaliação Educacional (PISA) no qual participam estudantes de 57 países, incluindo o Brasil, desde o ano 2000.
Ao manter contato com os colégios, agendou-se uma reunião com os seus respectivos Diretores em que se apresentaram os objetivos da pesquisa. Estes aceitaram prontamente e delegaram outros profissionais da escola acompanhamento e as devidas providências para organização da pesquisa juntamente com a observação dos laboratórios de informática.
Foi observado também o ambiente físico do laboratório de informática dos dois colégios, incluindo a análise do processo de gerenciamento do uso do computador e da Internet por professores e alunos, seguida da aplicação de questionários para os alunos.
O questionário formulado (em apêndice) foi adaptado do questionário advindo da obra “Geração Interativa na Ibero-América, lançada em março de 2009 pela Universidade de Navarra, Espanha, em parceria com a Fundação Telefônica de São Paulo, em que foram pesquisados mais de 25.000 adolescentes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, entre outubro de 2007 e junho de 2008.
O questionário aplicado aos alunos foi composto de 43 questões, destas 42 objetivas e 1 questão aberta e foi aplicado na versão web utilizando os laboratórios de informática dos colégios. Para análise neste trabalho, selecionou-se dentre as 42 questões objetivas, 17 que revelaram informações que merecem exposição e discussão para nortear o fenômeno Internet na adolescência. Os dados destas questões foram analisados e sistematizados em gráficos, os quais estão apresentados no item ‘apresentação e análise dos dados’.
A observação da estrutura e método de uso do laboratório de informática - laboratório de informática e da própria aplicação dos questionários se deu na forma direta e está apresentada de modo analítico para cada colégio:


Colégio Central
     O CC possui dois laboratório de informática para uso pedagógico, sendo um deles do Programa Paraná Digital (PRD) no sistema four head[3], o qual foi utilizado para a realização do procedimento de aplicação do questionário na web com os alunos. O laboratório de informática do PRD deste colégio possui 24 computadores, dos quais 23 em funcionamento e conectando a Internet. As mesas e cadeiras entregues juntamente com os computadores do referido Programa encontravam-se em prefeito estado. O laboratório de informática deste colégio possui ar condicionado, o que mantém adequada a temperatura no recinto, evitando o superaquecimento das máquinas e proporcionando conforto dos seus usuários. O laboratório de informática possui uma TV Multimídia em que é utilizada para ‘testar’ o funcionamento e materiais didáticos digitais capturados da Internet, para então estar em condições para uso nas salas de aula.
     O gerenciamento de uso do laboratório de informática do CC conta com a permanência de um profissional nas suas dependências no período da manhã e tarde e com o trabalho de alunos do ensino médio em contra-turno que se dispõem para atuarem como alunos monitores do laboratório de informática, os quais são responsáveis pela manutenção técnica dos computadores.
     Em função da sistemática de gerenciamento e acompanhamento no uso do laboratório de informática, existe o registro permanente dos alunos de todo o colégio que adentram e realizam suas pesquisas e atividades escolares nos computadores, quando o laboratório de informática não está sendo utilizado por professores em aulas.
     A organização prévia dos gestores do colégio para a realização da aplicação do questionário remeteu para o atendimento no laboratório em blocos de aproximadamente 23 e 12 alunos por turma (+-35 por turma) no turno da manhã, da mesma forma, no período da tarde, dando um total de 201 alunos pesquisados. O tempo dedicado a aplicação do questionário não chegou a atingir um dia completo de trabalho.

Colégio Periférico
     O CP possui um laboratório de informática do PRD para uso pedagógico com 20 computadores no sistema four head, dos quais 9 estavam funcionando nos dias que se aplicaram os questionários aos alunos via web. O laboratório de informática do colégio não possui ar condicionado e notou-se que a temperatura no dia da aplicação do questionário estava elevada e, com os computadores ligados e aquecidos, denotava-se um desconforto aparente nos alunos.
     Devido ao fato de que apenas 9 computadores estavam funcionando e conectando a Internet, a aplicação do questionário foi por grupos de 9 alunos de cada vez na manhã e tarde, o que levou dois dias inteiros para conclusão dos trabalhos com as 6 turmas de aproximadamente 40 alunos, totalizando 197 alunos que estavam presentes na escola e que aceitaram participar da pesquisa.
     O laboratório de informática deste colégio não possui um responsável permanente em suas dependências. As profissionais atuantes na Biblioteca e inspetores de pátio é que mantêm a posse das chaves e cadeados. Fato este que devido a inexistência de um profissional responsável, dificulta a manutenção estrutural e técnica do laboratório de informática, igualmente a sua utilização por professores, sendo que os alunos não possuem permissão para utilizá-lo sem o acompanhamento de professor de disciplina. A manutenção técnica dos computadores está totalmente dependente do trabalho esporádico de técnicos de suporte do Núcleo Regional de Educação de Curitiba.

Em ambos os colégios avistaram-se o desligamento dos computadores instantaneamente, sem qualquer motivo aparente em pleno processo de aplicação dos questionários aos alunos, os quais tiveram que reiniciar o preenchimento. O que sinaliza a necessidade para desencadear uma checagem por parte dos técnicos de suporte do Núcleo Regional da Educação de Curitiba da SEED/PR.

2.3.       Apresentação e análise dos dados

A pesquisa realizada com os alunos dos colégios desenvolveu-se com um questionário de 43 questões, sendo 42 objetivas e uma aberta em que eles falavam livremente sobre a Internet. Apresentar-se-á primeiramente a análise dos dados e informações obtidos das 17 questões, dentre as 42, que apresentaram relevância em subsídios para discussão. E em seguida a análise da questão aberta.
A participação na pesquisa dos alunos de 8ª série, do CC foi de 100%, enquanto para o CP, 99,5%. Apenas 1 aluno, dos matriculados na 8ª série, deixou de responder a pesquisa por motivo de ausência.

Gráfico 1 - Faixa etária dos alunos pesquisados
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

A faixa etária predominante em ambos os colégios foi de aproximadamente 14 anos, fato ocorrido pela pesquisa ter sido feita no início do ano letivo. Considera-se adolescente todos os indivíduos com a faixa etária de 14 a 17 anos. Esta a fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis: físico, mental e social; e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.
Nota-se que no CP há aproximadamente 16% dos alunos que estão fora da faixa etária correspondente à idade curricular. Poder-se-á verificar nos gráficos a seguir outros dados, que indicam o fator sócio-econômico, que poderá ser um dos fatores prováveis que não deixam os alunos acompanharem o ano letivo.

Gráfico 2 - Pessoas residentes no mesmo domicílio do aluno pesquisado
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Em geral os familiares residentes no mesmo domicilio dos alunos são, em ambos os colégios, o pai, a mãe e irmãos. Percebe-se que a organização familiar continua sendo a tradicional, apesar de atualmente essa estrutura estar sendo modificada por algumas razões, como por exemplo, pais separados que no gráfico pode-se observar que aproximadamente 15% dos alunos de ambos os colégios moram somente com a mãe.

Gráfico 3 - Nível de escolaridade do pai e da mãe
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

As questões 5 e 7 que perguntava o nível de escolaridade da mãe e do pai separadamente, foram unidas para uma melhor análise, a diferença do grau de escolaridade entre eles não foi superior a 5%.
Nota-se que 72% dos pais do CP não têm nível superior. Enquanto 48% dos pais do CC possuem no mínimo nível superior.
Ainda não temos subsídios suficientes para analisar este gráfico, portanto ele será analisado juntamente com outros dados que serão expostos a seguir.
Gráfico 4 - Renda familiar
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Percebe-se que há uma diferença relevante em relação aos dois colégios. No CP 80% das famílias tem renda familiar de até 4 salários mínimos, enquanto no CC 75% dos pais possuem renda acima de 5 salários mínimos. Percebe-se aqui duas variáveis.
A primeira delas é que quanto maior for à renda familiar, maior é a oportunidade de estudos que o indivíduo terá. E a segunda é que quanto mais estudos ele tiver maior será sua renda. Isto se aplica ao ciclo contrário, no qual quanto menor for a renda, menos oportunidades de estudo o indivíduo terá. E quanto menos estudos, menor será sua renda.
Isso pode ser explicado pela sistemática da desigualdade social imposta pelo capitalismo em sua origem. Quem tinha condições para a dominação e a apropriação, eram os ricos. Quem trabalhava para estes eram os pobres. Este evento é um dos fatores que geravam desigualdade social. Essas desigualdades não eram somente econômicas, mas também intelectuais, ou seja, o operário não tinha como desenvolver sua capacidade de criação.
Gráfico 5 - Recursos tecnológicos que as famílias possuem e os alunos tem acesso.
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Primeiramente nota-se que as famílias do CC possuem um poder de compra maior dentre todos os recursos tecnológicos citados na pesquisa. Fato que deve estar relacionado a renda familiar.
O segundo dado a ressaltar é que nos recursos tecnológicos relacionados ao computador (MP3, impressora, pendrive, entre outros), a diferença em média entre as famílias dos colégios é de 43,5%. Isso pode ser explicado pelo fato de que 57% das famílias do CP possuem computador, enquanto as famílias do CC são 97%.
Gráfico 6 - Porcentagem dos alunos que possuem Internet em casa
      Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

O gráfico 6, demonstra que 97% das famílias do CC que possuem computador em casa, 93% tem acesso a Internet. E dos 57% das famílias do CP, 49% tem conexão a Internet. Portanto dos que possuem computador em casa, em média apenas 6% não tem acesso a esta ferramenta.
Infere-se que o computador sem Internet não é uma ferramenta completa, pois os softwares que vêm instalados nos equipamentos possuem muitos programas que são inúteis se não houver conexão com a Internet. Inclusive as atualizações necessárias para acompanhar a evolução das tecnologias são feitas através dela.

Gráfico 7 - Local de maior utilização da Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010
Neste gráfico destacou-se o número de adolescentes que não utilizam a Internet. Pegou-se o número total de alunos que não usam a Internet independentemente do colégio, e dividiu-se pelo número total dos respondentes. No qual chegou-se a 3% que não usam a Internet. Portanto 97% dos adolescentes fazem uso desta ferramenta.
Para as próximas análises, deve-se esclarecer que nesta pergunta os alunos podiam responder mais de um item, portanto a média e a mediana não são os melhores parâmetros para a análise deste gráfico. Será utilizado então o método estatístico a moda, no qual é considerado o valor com maior numero de aparições.
Pode-se observar que na questão escolar, há um uso maior da Internet por parte dos alunos do CC, com uma diferença mensurada de 22 pontos percentuais em relação ao CP. Supõe-se que esta diferença é pelo fato de que o gerenciamento dos laboratórios de informática nos colégios é diferente. Conforme descrito no item ‘desenvolvimento da pesquisa’.
Os lugares em que mais se utiliza a Internet foram, em casa e em Lan House. Este fato despertou uma dúvida, na qual os próximos gráficos poderão ajudar a entender. Os adolescentes estão sendo orientados e supervisionados quanto ao conteúdo e horas de uso da Internet nestes locais?

Gráfico 8 - Localização do computador no domicílio
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Para fazer uma análise mais profunda deste gráfico, em que demonstra o local de utilização da Internet dentro de casa, trabalhou-se com o número total de respostas por ambientes, sem considerar a diferença entre colégios. Com isso chegou-se ao número de 50% dos alunos que utilizam a Internet em ambientes (Em um escritório, no próprio quarto e no quarto do irmão) que supostamente são privativos e, portanto poderá haver maior liberdade para acessar o conteúdo desejado.
Em contra partida, 27% usam a Internet em ambientes neutros como o quarto dos pais e a sala de estar. O computador portátil fica indefinido nesta análise.
Estes dados ainda não são suficientes para fazer uma análise em que nos responda a dúvida suscitada.

Gráfico 9 - Quem faz companhia ao aluno durante o uso da Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, no qual é considerando o valor com maior número de aparições. Com isso, chama a atenção que os eventos que mais se repetem entre adolescentes é usar a Internet com amigos, e sozinhos.


Gráfico 10 - O que os pais costumam fazer quando os alunos estão conectados na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos qual era a atitude dos pais em relação ao seu uso da Internet.
Apesar de que o evento no qual pergunta-se o que o filho está fazendo foi a que mais se destacou, não denota que os adolescentes estejam realmente sendo orientados para um uso adequado e seguro. Atitudes como verificar email, verificar por onde navegaram e fazer vista grossa, se apresentaram com aproximadamente a mesma frequência que o item que era desejado (sentar e fazer coisas juntos no computador).
Supondo-se que em uma Lan House, como destacado no gráfico 7, não exista um responsável para orientar e supervisionar o acesso a Internet pelo adolescente, mais a liberdade no uso da Internet dentro da própria casa, que foi detectado no gráfico 8, somando-se ao uso sem a devida companhia, que cita-se no gráfico 9, com a falta de envolvimento por parte dos pais, diagnosticado no gráfico 10, pode-se deduzir que os adolescentes não possuem a devida orientação. Isso fica explicito e justificado nos gráficos a seguir.

Gráfico 11 - Com quem os alunos aprenderam a usar a Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos com quem aprenderam a utilizar a Internet.
O item com maior resposta de ambos os alunos foi ‘Ninguém, aprendi sozinho (a)’. percebe-se que a baixa pontuação em que os adultos ensinam o adolescente remete-se a informação de que realmente os alunos não tiveram e não possuem a devida orientação em relação ao uso da Internet.

Gráfico 12 - Conteúdos que os pesquisados costumam acessar na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos, que conteúdos costumavam acessar.
Os dados mais expressivos neste gráfico são: esportes, humor e notícias. Mas, não serão analisados aqui porque são subjetivos, ou seja, não se pode afirmar nada em relação ao tipo de conteúdo benéfico ou maléfico. Portanto serão analisados os itens de que os conteúdos são mais exatos, como, os concursos, educativos, sites impróprios para menores de 18 anos e apostas.
Tem-se neste gráfico um percentual que não deveria estar acontecendo com os adolescentes, pois a Lei 8.069/1990 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê no Art. 78 que “as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”. E no Parágrafo único deste artigo “As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca”.
Esta Lei não é cumprida na rede mundial, até porque o ECA não especifica nenhum artigo ou parágrafo em relação a este conteúdo que é divulgado digitalmente. O que se pode propor é que os sítios de publicações destes conteúdos exijam um documento de identificação que prove a maioridade dos internautas antes de acessá-los. Mas enquanto a Lei não se atualiza, cabe aos responsáveis por este adolescente a exigir do Estado que se faça cumprir também na rede mundial, conforme o Art. 4º “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”, disposto também nesta Lei.
Outro conteúdo também considerado impróprio conforme a mesma Lei 8.069/1990 são as apostas. Neste gráfico também tem um percentual no qual deveria ser zero. No Art. 80 o ECA prevê que “Os responsáveis por estabelecimentos que explorem comercialmente bilhar, sinuca ou congênere ou por casas de jogos, assim entendidas as que realize apostas, ainda que eventualmente, cuidarão para que não seja permitida a entrada e a permanência de crianças e adolescentes no local, afixando aviso para orientação do público” fato que também não é cumprido na rede mundial pelo mesmo motivo citado ao conteúdo anterior. E que cabe a sociedade em geral cumprir o Art. 4º já descrito acima.
Em relação aos conteúdos que se tem certeza de que são benéficos aos alunos como os sítios educativos e de concursos, tem um percentual muito baixo. Denota-se que a Internet está sendo mais utilizada para lazer do que para conteúdos que agreguem valores aos adolescentes. Esta ferramenta nos traz ambos os conteúdos, de entretenimento e educativos, mas os alunos não estão equilibrando seus acessos.

Gráfico 13 – Serviços que os alunos costumam utilizar na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos, quais serviços mais utilizavam na Internet.
Antes de iniciar-se a análise, vale a pena relembrar que os alunos do CP apenas 49% tem conexão a Internet em casa. Portanto proporcionalmente apresentará valores menores ao dos alunos do CC.
Nota-se que das 17 atividades listadas, as 7 mais utilizadas são as de compartilhamento de informações e comunicação que podem oferecer risco aos adolescentes. O acesso a páginas na web tem caráter amplo e será descartado.
As atividades de compartilhamento são:
     Baixar/fazer download de músicas, programas, filmes...: O risco que esta atividade pode ter é de adquirir juntamente com o conteúdo desejado, vírus e spywares (programas espiões) que podem “roubar” conteúdos pessoais dos usuários do computador. Como por exemplo, senhas, documentos, fotos, entre outros.
     Sites de relacionamento/Comunidades virtuais (ex.:Habbo, Orkut, Facebook,…): O risco que esta atividade pode trazer é de expor-se com informações muito particulares e pessoais que qualquer internauta pode ter acesso. Aumentando muito o risco de sequestro e outros crimes como, por exemplo, o bullyng que são atos de violência física e psicológica intencionais e repetidos.
     Compartilhamento de vídeo ou fotos (ex.: Youtube…): o risco é o mesmo que foi apresentado na atividade acima.
     Jogos na rede (subtende-se que para realizar esta atividade, utiliza-se de um servidor em comum): Em geral estes servidores são informais, ou seja, para participar destes jogos o servidor sabe exatamente o endereço IP (identidade de cada computador na web) do computador em que acessa-o. Em posse deste endereço IP existe extrema facilidade de invasão de computador.

E as atividades de comunicação são:
     E-mail: O risco nestas atividades são receber vírus, spam (emails indesejados), no qual pode-se levar a vítima a cair em golpes e/ou fraudes.
     Salas de bate-papo ou Messenger (MSN): Os riscos desta atividade são, o bullyng, assédio moral e insultos pejorativos.

Portanto, os serviços que os adolescentes mais utilizam na Internet, podem oferecer também riscos a eles. Deduz-se então, que para utilizar estes serviços é importante que haja uma orientação adequada em caráter preventivo quanto ao uso da Internet e seus conteúdos.

Gráfico 14 - Tempo de permanência diária na Internet de Segunda a Sexta
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Neste gráfico percebe-se que o tempo de uso diário da Internet nos dias úteis, ou seja, de segunda a sexta, pegando o numero total de alunos, independentemente do colégio, chega-se ao número de 34% que é relativamente alto de adolescentes que utilizam a Internet por mais de 4 horas. Considerando que o dia tem 24 horas, necessita-se de 8 horas para dormir, 6 horas de permanência na escola, 2 horas para realizar as tarefas escolares, 2 horas para necessidades diárias, restou-se apenas 6 horas. Se destas 6 horas forem utilizadas 4 horas ou mais para acessar a Internet, poderá prejudicar o desenvolvimento deste aluno. Pois, sabe-se que o uso contínuo do computador pode prejudicar a saúde, além do que, se este tempo for somado aos conteúdos mais acessados, como visto anteriormente, deixará o aluno vulnerável por mais tempo.

Gráfico 15 - Tempo de permanência diária na Internet no sábado e no domingo
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Este gráfico mostra que a suposição feita anteriormente com relação ao tempo de atividades diárias, pode estar correta, pois nota-se que entre os alunos que possuem Internet em casa, conectam-se mais horas nos fins de semana.

Gráfico 16 - Eventuais discussões dos pais para com os filhos acerca da Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nota-se no gráfico, que quando há preocupação dos pais, com relação ao uso da Internet por parte dos filhos, mostrou-se uma maior preocupação em relação ao tempo de uso do que ao conteúdo acessado.    
Viu-se também que existe uma considerável parcela de pais que usam o tempo de utilização como um fator negociável. O que sugere tamanha importância que os filhos dão ao uso da Internet.
Deduz-se então, que a Internet faz parte da vida do adolescente, seja culturalmente, socialmente ou economicamente. Conseguiu-se concluir que a Internet é uma importante ferramenta para lidar com os adolescentes. Porém é importante salientar que há diversos riscos e que também foi constatada uma falta de orientação sobre o uso adequado. Toda análise das questões objetivas foram feitas a partir de qual a concepção que os alunos possuem sobre a Internet. Ver-se-á a seguir, qual é a opinião dos adolescentes sobre o assunto de forma mais direta.  

2.3.1                Questões abertas

No questionário havia um campo onde os alunos puderam discorrer livremente sobre a Internet. Estes textos escritos pelos 397 adolescentes foram lidos pela acadêmica, sintetizados, analisados e apresentados por similaridade como no gráfico a seguir.

Gráfico 17 - Textos escritos pelos alunos sobre a Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Considerando o total dos textos escritos pelos alunos sobre a Internet, independentemente dos referidos colégios chegou-se ao número de 62% que demonstraram total positividade em relação à Internet. Há 16% que indicam positividade, porém a criticam. E 15% que além de sinalizar positivamente e criticar, também propuseram soluções. Existem ainda 7% dos pesquisados que demonstraram compulsão pela Internet.
O fato que gera maior preocupação é, que 69% dos pesquisados não enxergam nenhum fator de criticidade ou periculosidade do uso descomedido da Internet. Pois, como visto anteriormente, a maioria dos adolescentes acessam a Internet sem orientação dos pais e professores, possuem esta ferramenta em casa e utilizam-na por mais de duas horas diárias. Há ainda uma grande parte que permanece conectado sozinho e tem Internet em seu próprio quarto.

Segue abaixo de forma analítica alguns exemplos na íntegra, ou seja, não foi alterado em nenhum momento os pronunciamentos destes alunos.

     “Ah internet eh algo muito util pois sem ela eu nao seria nada pois eu me conecto todo dia e com ela eu converso com varias pessoas e faço mais amizade e tambem eh mais facil fazer os trabalhos do colegio na internet e tals...”

     “É a melhor coisa q existe neste planeta, pois com tda esta tecnologia podemos ganhar tempo.cmo por exemplo se quiser falar cm meus amigos é soh entrar no Orkut ou no Msn q eles estão lah. Esta td mais facíl com a internet posso usa p/consequir musícas, videos, etc... uso ela pra poder trabalhar pois dependo da internet p/trabalhar, pois é soh lah q consigo as musícas q preciso p/ o FDS (Fim de Semana). Bem a internet é o maior meio de comunicação q existe no planeta Terra, pois tu pode conversar com uma pessoa q esta do outro lado do mundo em time (tempo) real;Isso sim é tecnologia, a internet chegou p/ acabar com falta d comunicação entre as pessoas... É mto mais facíl perguntar q ñ tem orkut do q perguntar qm tem, tendo em vista q mais da metade da população desse planeta tem seu orkut, isso em porcentagem equivale a 99,5% q tem orkut, e, somente 0,5% ñ possui orkut. Bem estes são dados verdadeiros, pois ai podemos ver q realmente a internet veio p/mudar a life (vida) das pessoas com seu acesso facilitado, e rápido retorno!!! Resumindo a internet é T D B (Tudo de Bom) isso sim é tecnologia Salve a Internet... somente o verdadeiro Sábio sabe reconhecer algo com mais conhecimento q ele.”

     “É um método muito bom de estar conectado ao mundo sem sair de casa, vc pode jogar, pesquisar, conversar... vc pode fazer muitas coisas até anonimamente, ter sua(s) própria(s)páginas pessoais, etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc...”

Nota-se no gráfico que 16% dos alunos falaram positivamente da Internet, mas apontaram alguns itens de criticidade. Estes itens em grande maioria foram: o tempo de permanência na Internet, que gera certa dependência (vício) pela ferramenta, isolamento social, conteúdos acessados, crimes cibernéticos e segurança na rede. Abaixo estão alguns depoimentos completos e da mesma forma que foram escritos.

     “Eu acho que a Internet ajuda em alguns momentos, com pesquisas, comunicação virtual, etc. Mais tambem pode provocar um certo vicio. Muitas pessoas passam o dia no computador, o que na minha opnião é completamente errado. Pois você dedica parte do seu tempo a Internet, e deixa de fazer coisas mais importantes, como estudar, se reunir com a familia, etc.”

     “Posso concluir que a internet é algo muito util, entretanto , se a pessoa se ' viciar' pode perder amizades, e deixar de lado a sua família. Eu uso a internet para pesquisa escolares, entreterimento,... A internet facilita a comunicação entre pessoas, seja parentes ou amigos. Eu não coloco a internet como pricipal atividade, também acho que a internet pode ser usada para coisas erradas, acho que as pessoas não precisam errar para depois se arrependerem do erro. Esta foi minha opinião sobre a internet.”


     “Para mim é algo muito interessante, além de você conversar com seus amigos,fazer trabalhos escolares,jogar e outras coisas é um modo de você aprender mas utilizando esse meio. O único problema é que pode viciar ou você entrar em sites proibidos que te prejudicam. E tem sites de educação,pesquisas,curiosidades e etc... Por meio da internet você aprende um pouco mas sobre o nosso dia-dia.”

     “sertas coisas são boas ,mais porém mtos blogs ,sites podem causar graves problemas...saber sites que esta visitando ou navegando é muito importante saber!!!nem todos que navegam tem as intenções boas!!!”


     “eu acho mto legal... tem muita utilidade, mais tamem pod ser usado para prejudicar mto a vida dos outros, hoje naum é muito dificil conseguir a senha dos outros em sites como o orkut, o msn , e até mesmo em blogs... tambem acho q naum adianta os pais proibirem os filhos de acessar a internet que por mais que proibam os filhos sempre entram pra fazer coisas que os pais nunca imaginam que os seus filhos fazem na vida... eu tenho muitos amigos que ja se 'vingaram' pela internet, que é uma das coisas mais fáceis e no fim ninguém pega pq muitas vezes os pais nem olham oq os filhos estão fazendo na internet... é só isso por enquanto, qualquer pergunta e questao é so me perguntar... bjo me liga...”

Uma parcela dos alunos pesquisados (15%) apresentaram soluções para estes problemas, nos quais a maioria propôs o uso responsável da Internet sob orientação. Segue abaixo de forma analítica alguns modelos na íntegra das declarações dos alunos.

     “Eu acho bem importante ,se usada com disciplina pode ajudar muito em várias coisas.Isso é maraaa :)”

     “A internet é na verdade um dos meios de comunicação mais avançados que existem,ela pode ser usada tanto para o bem quanto para prejudicar as pessoas.É necessário tomar algum cuidados quanto ao uso,tais como proteger documentos importantes e não dar dados pessoais em sites de relacionamento,também é importante sabermos que divulgar fotos íntimas em paginas na web,deve ter restrições,tais como protegê-las do acesso inadequado.A internet deve ser usada com cautela,pois em alguns casos quando usada diariamente de cinco á seis horas pode tornar-se um vício,principalmente entre os jovens que ficam fascinados com jogos virtuais,só pra ter ideia do tamanho do problema já criaram até clínicas de tratamento para pessoas viciadas em internet o que é muito preocupante.Internet um avanço tecnologico bom,se usado com cautela e principios éticos.”


     “Eu não tenho medo de usar a internet pois sei onde entro e navego em sites seguros, e fui preparada para isso então sei onde posso entrar e em que sites são apropriados para mim e para minha idade e sei aonde meus pais não gostariam que eu entrasse por isso eu não entro por isso não descutimos e temos orarios então não passamos muito tempo navegando.”

     “A internet é algo muito útil que pode ser usado pra estudos e comunicação. Mas nem sempre é usada para conhecimento ou mesmo estudos. A maioria dos jovens utiliza a internet mais para sites de relacionamento ou bate-papo. A internet pode também trazer problemas se você conversa com pessoas desconhecidas ou passa infomações pessoais. Em muitos casos você também pode ser vítima de golpes pela internet. Mas de maneira geral a Internet é algo muito bom se você conhece realmente os seus perigos e sabe usar corretamente.”

As questões abertas nos mostra que alguns adolescentes possuem certo conhecimento sobre a Internet, porém na maioria lhes falta orientação para utilização correta. Infere-se que se inserir este conteúdo na grade curricular dos colégios, manterá todos atualizados quanto às novas tecnologias, com aulas para conhecer e aprender a utilizar o universo virtual, somando na vida dos adolescentes de maneira que contribua para a formação pessoal e profissional.
Outro dado relevante é a forma de utilização da internet vinculado ao ensino. Deduz-se que muitos utilizam para pesquisas escolares de uma forma equivocada fazendo com que estas atividades se tornem uma espécie de plágio. Seria o famoso copiar/colar do computador, sem a devida leitura e entendimento da pesquisa. Isso faz com que possivelmente uma atividade com intuito de ensinar, passa a ser apenas uma maneira de cumprir com as atividades propostas, e tirar a nota necessária para sua aprovação. Por isso é preciso estimular a pesquisa na web com certa noção daquilo que se está estudando e se a fonte é segura, com embasamentos científicos, da mesma forma que era feito com as tradicionais pesquisas de bibliotecas físicas.
Pode-se perceber também a escrita destes adolescentes que possuem normas exclusivas e reproduz a expressão do pensamento de forma coloquial, na qual escrevem espontaneamente e informal. Supõe-se que esta linguagem própria está evoluindo de forma desenfreada e sem rumo, já que não tem similaridade nenhuma com a escrita formal.


considerações finais

A ideia que gerou este trabalho de conclusão de curso se deu ao assistir um programa do Estado do Paraná, onde se discutia novas propostas para a inclusão digital nas escolas. Havia uma especialista que apontava alguns problemas em relação a extrema positividade que tratavam o assunto, pois na opinião dela, dever-se-ia aprofundar mais os estudos para verificar se o projeto realmente estava completo.
Ao momento em que isto era divulgado, imaginou-se que o Educador Social também poderia contribuir para esta nova expressão da questão social, a exclusão digital que se começou a discutir nos últimos anos.
Optou-se então por investigar qual é a concepção dos adolescentes sobre o uso da Internet, nas escolas públicas do Estado do Paraná, para ver se há realmente alguma problemática que não poderia ser vista com extrema positividade.
Como o número de escolas públicas no Paraná é muito grande, foi determinado dois critérios para a escolha dos 2 colégios estaduais.  O primeiro foi IDEB, e o segundo a localidade geográfica da escola. O IDEB apontava rendimento escolar de 5.9 para o Colégio Central e 3.2 para o Colégio Periférico, no qual deveria ser de no mínimo 5.0.
Posterior a definição do universo da pesquisa, entramos em contato os mesmo, e os seus respectivos Diretores aceitaram prontamente a realização da pesquisa em seus colégios, e delegaram outros profissionais da escola acompanhamento e as devidas providências para organização da pesquisa juntamente com a observação dos laboratórios de informática.
Vale lembrar que uma das características marcantes na visita as instituições pesquisadas foi o aspecto dos laboratórios de informática nos Colégios. Um deles possui profissional responsável e no outro não. Alunos podem utilizar os computadores disponíveis e inclusive são registrados antes de adentrarem o laboratório de informática, enquanto no outro colégio não possui profissional responsável e nem mesmo os alunos podem utilizar o laboratório sem a presença de seu professor. Apenas um dos colégios possui ar condicionado e televisão multimídia em que os professores utilizam para realizar testes do material que será utilizado em sala de aula. E finalmente o dado mais importante, num dos colégios 96% dos computadores estavam em funcionamento, enquanto no outro somente 45% funcionavam.
A dúvida aqui reside no fato de que, os dois colégios são públicos e estaduais, ou seja, teoricamente o repasse financeiro pelo Estado tem o mesmo valor para ambos, então porque há tanta diferença entre estas instituições de ensino?
O que se pode imaginar neste caso é de que uma das instituições pode estar sendo mal gerida. Esta pesquisa foi feita apenas com dois exemplos, o que pode ser insuficiente para esta conclusão. Mas este fato poderia levar a uma nova investigação bem mais profunda, que não cabe neste trabalho porque o enfoque aqui é o adolescente.
Outra questão que surgiu nesta pesquisa foi, porque há uma diferença gritante entre a renda familiar dos adolescentes? Guerreiro (2006, p. 41) ressalta que:
“a exclusão social em cidades grandes não é uma condição, mas um processo histórico-econômico e político que se agravou sensivelmente com o modo de produção capitalista, dada a distribuição desigual de oportunidades e de renda, o acesso deficitário a seguridade e proteção social, o baixo índice de empregabilidade, o baixo nível educacional e o elevado grau de preconceito social e marginalização da pobreza”.

Esta pesquisa deixa claro que para obter-se uma infoinclusão social não basta trabalhar individualmente apenas com os adolescentes, com o rendimento econômico das famílias através das políticas para a “pobreza” ou a estruturação das instituições. A realidade é complexa e deve ser estudada como num todo. Iamamoto (2007 p. 147) diz que a política social está submetida aos ditames da política econômica, que é redimensionada nos cortes dos gastos públicos para programas sociais, focalizando apenas no atendimento a pobreza, e para agravar, estes atendimentos são descentralizados na sua aplicação. Entretanto deveriam proceder com uma urbanização ordenada de forma inteligente, democrática e preocupada com a inclusão social e não apenas com a inclusão econômica. “Desta forma, planejar a relação de equilíbrio sustentável entre o progresso tecnológico e o desenvolvimento social passa a ser um desafio das cidades modernas.” (GUERREIRO, 2006 p. 147)
Esta pesquisa revelou também que estes adolescentes acessam a Internet sem orientação de educadores (pais, professores ou responsáveis) e que 71% possuem Internet em casa, dos quais 53,5% utilizam-na por mais de duas horas diárias, e destes a maioria permanecem conectados sozinhos, e ainda 33,5% tem esta ferramenta em seu próprio quarto. Ou seja, há uma categoria expressiva de adolescentes independentes e com liberdade em relação ao uso da Internet sem ponderação.
A maioria (69%) considera a Internet uma ferramenta benéfica no sentido de facilitar acessos à informação e comunicação. Pode-se considerar também que há disponível grandes portais que trazem muitas informações e também diversificação das informações para vários temas. Estes portais oferecem conteúdos idênticos aos jornais impressos, colunistas, blogs, crônicas e assuntos que passam em telejornais e reportagens de áudio com as páginas das emissoras de rádio. Além dos portais, existem hoje diversas ferramentas de busca de informações com muito entretenimento, informações inúteis e páginas de relacionamento.
Na pesquisa viu-se que a Internet está sendo mais utilizada para lazer do que para conteúdos que agreguem valores aos adolescentes. Esta ferramenta nos traz ambos os conteúdos, de entretenimento e educativos, mas os alunos não estão equilibrando seus acessos.
Somando-se a facilidade de acesso com a falta de orientação e restrição do uso da Internet, pode-se afirmar que os alunos pesquisados usam a Internet para toda e qualquer necessidade momentânea. Se eles estiverem precisando de estudos sobre a política e geografia do Brasil irão encontrar. Se procurarem por noticias de esportes, jogos e programas também estará disponível na Internet. Portanto, se os educadores (pais, professores ou responsáveis) estiverem exigindo e fomentando estudos, pesquisas ou busca de informações de valia, o tempo de uso da Internet poderá ser revertido em um grande parque de aprendizados. Porém, se os educadores não estimularem e orientarem estes adolescentes, dificilmente o jovem irá buscar informações úteis para o seu desenvolvimento humano. Ou seja, a Internet esta virando um parque de lazer ou diversões ou até mesmo num perigoso parque sem regras. Essa falta de normatização fica muito clara com os vícios de linguagem apresentados nos pronunciamentos dos alunos pesquisados, já que os internautas possuem linguagem e escrita própria, o que foge muito da ortografia formal. Isso influencia extremamente no aprendizado e rotina escolar, fazendo com que comecem a escrever incorretamente, entre outras coisas.
Considera-se então que os adolescentes estão vivenciando uma realidade que cada vez mais deixam de viver no mundo real para adentrarem o mundo virtual, onde até o momento não há limites nem regras. Morin diz que na teoria da complexidade há uma necessidade de criar um método, no qual investiga-se os fatos, como feito nesta pesquisa, e que deve-se aplicá-lo de forma que se possa reinvestigar e ao mesmo tempo recriar novas teorias acerca do mesmo fato, que neste caso é o uso indiscriminado da Internet por adolescentes, para que enfim o método melhore para reaplica-lo, a cada novo resultado das investigações.
A pesquisa desenvolvida neste trabalho serve como alicerce para um novo estudo em relação as novas tecnologias de informação e comunicação, pois este foi apenas sobre à concepção que os jovens possuem em relação à Internet, na qual percebeu-se que existe necessidade de novos estudos vastos e profundos para criar uma teoria e um método como é explicita na teoria da complexidade. Mas, o que se pode afirmar é que devido a esta nova expressão da questão social, o Educador Social tem subsídios científicos para ajudar a transformar esta realidade vivida junto à uma equipe multi e interdisciplinar de profissionais que estejam dispostos a atuar nesta complexidade.
Infere-se aqui que há dois aspectos essenciais a ser trabalhados com urgência por esta equipe: a educação e a cidadania.
A educação será vista como ponto de partida para o desenvolvimento da alfabetização digital, na qual não é apenas a disponibilização do equipamento a todos e deixá-los a mercê, e sim orientar a futura sociedade da informação sobre como adquirir e trabalhar com as informações disponíveis na Internet.
Para tanto, deve-se trabalhar a cidadania em paralelo para que a Internet possa ser uma difusão dos princípios de cidadania, com o uso responsável e crítico das potencialidades da sociedade da informação e comunicações, gerando melhores condições de vida e uma cidadania local plausível, para que o global consiga libertar-se do capitalismo cruel em que se vivencia hoje.
Enfim, deixa-se estas questões expostas para que sejam consideradas como um enigma a serem desvendados e arraigados em novas ciências em que todos os cidadãos façam parte para alcançar a emancipação humana que está nos princípios éticos do Educador Social.

referências

ABREO, Ana Carolina Santini B. de. Contemporaneidade e Serviço Social: Contribuição para Interpretação das Metamorfoses Societárias. Departamento de Serviço Social da universidade Estadual de Londrina. 1998. Disponível em: Acesso em: 16 ago. 2010.
ANATEL, Agência Nacional de Telecomunicações. Quantidade de Acessos/Plano de Serviço/Unidade da Federação. Disponível em: Acesso em: 04 nov. 2010
ANDRADE, Maria Margarida de. Redação Científica: Elaboração do TCC passo a passo. Factach editora, 2ª Ed. São Paulo: 2007. P. 129 à 192.
BARRETO, J. M. Evolução histórica dos computadores. Universidade Federal de Santa Catarina. 2000. Disponível em: Acesso em: 03 jul. 2010.
BEAUD, Michel. Historia do Capitalismo: de 1500 aos nossos dias. 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1999.
BRASIL. Congresso Nacional – Lei nº 8609/90. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília. DF. 13 de Julho de 1990.
______. Congresso Nacional – Lei nº 8662/93. Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências. Brasília. DF. 7 de Junho de 1993. D.º U.  de 08 de Junho de 1993.
_____. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer Nº: CNE/CES 492/2001 COLEGIADO: CES. Diretrizes Gerais para o Curso de Serviço Social. 2001.
CARDOSO, T. F. L. Sociedade e Desenvolvimento Tecnológico: Uma Abordagem Histórica. In: Grinspun, M.P.S.Z. (org.). Educação Tecnológica: Desafios e Perspectivas. São Paulo: Cortez. 2001. p. 183-225.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede. Volume I. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CAZELLI, Sibele. FRANCO Creso. Alfabetismo científico: Novos desafios no contexto da globalização. Revista Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências. Vol. 3. Nº 1. Jun. 2001. Disponível em: Acesso em: 13 ago. 2010
DELAUNAY, Geniève Jacquinot. Novas Tecnologias, Novas Competências. Paris – texto traduzido por DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso, 2006, PR.
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: editora Unesp, 2001.
GAMA, R. A Tecnologia e o Trabalho na História. São Paulo: Nobel Edusp. 1987.
GUERRA, Yolanda. O Educador Social frente à crise contemporânea: demandas e perspectivas. Revista Agora, n. 3, ano 2, dez. 2005. Disponível em: Acesso em: 11 jan. 2011.
GUERREIRO, Evandro Prestes. Cidade digital: Infoinclusão social e tecnologia em rede. 1 ed. São Paulo: Editora Senac, 2006.
IAMAMOTO, Marilda. Villela. O Educador Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dados do Censo 2010 publicados no Diário Oficial da União do dia 04/11/2010. Disponível em: Acesso em:  04 nov. 2010
LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 2 ed. Porto Alegre: Sulina, 2004.
______; CUNHA, Paulo. Olhares sobre a cibercultura. 1 ed. Porto Alegre: Sulina, 2003.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. 1 ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
MARTINELLI, Maria Lúcia (Org). Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São Paulo: Veras, 1999.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Editora Abril, 1983.
______. O capital: O processo de produção do capital. 20ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002; v. 1, [livro 1 e 2]
______; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Texto III. São Paulo: Sociais, 1977e.
MICHEL, Maria Helena. Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais. Ed Atlas, São Paulo: 2005. P. 99 á 135.
MORIN, Edgar et. al. O Pensar Complexo. Edgar Morin e a crise da modernidade. 3ª ed. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.
NASCIMENTO, Janisson. O ciclo do Capitalismo. Brasil Escola. 2007. Disponível em: Acesso em: 22 jul. 2010.
PORTAL EDUCACIONAL DO ESTADO DO PARANÁ. Curitiba. Disponível em: Acesso em: 30 jul. 2010.
QUEVEDO, Luis Alberto. Conhecer para participar da sociedade do conhecimento. In MACIEL, Mª Lucia; ALBAGLI, Sarita (Orgs.) et. al. Informação e Desenvolvimento: conhecimento, inovação e apropriação social. Brasília: IBICT, UNESCO, 2007.
RABÊLO, Paulo. Inclusão digital: o que é e a quem se destina? 2005. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2010
SALES, Mione Apolinário; MATOS, Maurílio Castro de; LEAL, Maria Cristina.  Política social, família e juventude: uma questão de direitos. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2006.
SCHAFF, ADAM; A sociedade informática. 4 ed. São Paulo: Unesp e Brasiliense, 1993.
SUZUKI, Juliana Telles Faria et.al. TCC – Elaboração e Redação. Redacional Editora, Londrina: 2009. P. 133 á 141.
TONO, Cineiva C. Paulino et al. A Cultura de Integração na Gestão das Políticas Públicas e a Aplicação da Gestão da Informação Sócio-Educacional. 2008. 52 f. Trabalho apresentado ao Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná – PDE/PR - Universidade Federal do Paraná, Curitiba: 2008.
TONO, Cineiva C. Paulino. Tecnologia na Educação de Crianças e Adolescentes. Curitiba: 2010. 17 f. Minuta de um documento escrito para o Departamento de Educação e Trabalho.
UNESCO. World Report 2005: Towards Knowledge Societies. Paris: United Nations Educational Scientific  and Cultural Organization, 2005.
VALLE, José Carlos. Museu do computador e futuro da tecnologia. Itapecerica da Serra. 2010. Disponível em: < http://www.museudocomputador.com.br/> Acesso em: 03 jul. 2010.
WORLD SUMMIT ON THE INFORMATION SOCIETY. Plan of Action. Geneva. 2003. Disponível em: Acesso em: 26 out. 2010.



glossário

Bit: Simplificação para dígito binário, "BInary digiT" em inglês. É a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Usada na Computação e na Teoria da Informação. Um bit pode assumir somente 2 valores, por exemplo: 0 ou 1, verdadeiro ou falso.
Bullying: é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo
Cibercultura: é um termo utilizado na definição dos agenciamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual.
Ciberespaço: é um espaço de comunicação em que não é necessária a presença física do homem para constituir a comunicação como fonte de relacionamento.
Endereço IP: Internet Protocol, é um protocolo de comunicação usado entre duas ou mais máquinas em rede para encaminhamento dos dados.
Facebook: rede de relacionamento social na Internet.
Fordista: é um modelo de produção em massa que revolucionou a indústria automobilística, onde a proposta era verticalizaçao.
Four Head: Computador Quatro Cabeças, pois, para cada CPU, temos quatro monitores, quatro teclados e quatro mouses, diferente dos computadores "comuns" (os que estamos habituados), que para cada CPU tem um monitor, um teclado, um mouse.
GigaBytes: é uma unidade medida para armazenamento eletrônico de informação, estabelecida pela Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) para designar 2000 bytes de informação ou de armazenamento computacional. A sua abreviação é GB.
Habbo: rede de relacionamento social na Internet.
Hardware: É a parte física do computador, ou seja, é o conjunto de componentes eletrônicos, circuitos integrados e placas, que se comunicam através de barramentos
Home theather: Dispositivo conectado a uma TV ou vídeo usado como um centro de mídia para exibição de fotos digitais, música e filmes.
Ipod: é uma marca registada da Apple Inc. que refere-se a um tocadores de áudio digital.
Lan House: é um estabelecimento comercial onde as pessoas pagam para utilizar um computador com acesso à Internet
Linux: é o termo geralmente usado para designar qualquer sistema operativo ou sistema operacional que utilize o núcleo Linux.
Messenger: é um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation.
Mp3: foi um dos primeiros tipos de compressão de áudio com perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano
Notebook: computador portátil.
Office: Família de aplicativos da Microsoft destinado para escritório que contém programas como processador de texto, planilha de cálculo, banco de dados, apresentação gráfica e gerenciador de tarefas, e-mails e contatos.
Orkut: rede de relacionamento social na Internet.
Pager: é um dispositivo eletrônico usado para contactar pessoas através de uma rede de telecomunicações.
Pendrive: é um dispositivo de armazenamento constituído por uma memória flash tendo aparência semelhante à de um isqueiro ou chaveiro.
Relé: interruptor acionado eletricamente. A movimentação física deste "interruptor" ocorre quando a corrente elétrica percorre as espiras da bobina do relé, criando assim um campo magnético.
Scanner: é um periférico de entrada responsável por digitalizar imagens, fotos e textos impressos para o computador, um processo inverso ao da impressora.
Software: é a parte de um computador. Software, logiciário ou suporte lógico é uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecionamento ou modificação de um dado/informação ou acontecimento.
Spam: abreviação em inglês de “spiced ham” (presunto condimentado), é uma mensagem eletrônica não-solicitada enviada em massa.
Spywares: programa automático de computador, que recolhe informações sobre o usuário, sobre os seus costumes na Internet e transmite essa informação a uma entidade externa na Internet, sem o seu conhecimento nem o seu consentimento.
Taylorista: é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro americano, Frederick Taylor. Caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando o aumento da eficiência ao nível operacional.
Transistor: componente eletrônico utilizado principalmente como amplificador e interruptor de sinais elétricos.
Voltagem: Tensão elétrica é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos.
Windows: é uma popular família de sistemas operacionais criados pela Microsoft.
World Wide Web: www, rede de alcance mundial.
Youtube: site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital.

apêndice


QUESTIONÁRIO ALUNOS

Objetivo: Conhecer a ‘concepção do Aluno’ em relação ao computador e a Internet em tempo, conteúdo e forma de uso.

Município Curitiba
Colégio Estadual X ou Y
Dados Pessoais e Familiares
1. Sexo                                      
Feminino                                                          
Masculino
  
2. Qual a sua idade?
14 anos ou menos,
15 anos
16 anos                                      
17 anos ou mais                            
     
3. Quem mora com você na sua casa? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Meu pai                                    
Minha mãe                                  
Um(a) irmão/irmã                            
2 irmãos/irmãs                                
3 irmãos/irmãs                                 
4 irmãos/irmãs                                
5 ou mais irmãos                             
Meu avô/minha avó                           
Outras pessoas                               

4. Qual é o nível de escolaridade de sua mãe?
Não é alfabetizada (não sabe ler, nem escrever)
É semi-analfabeta (sabe ler ou escrever razoalvelmente)
Nível fundamental (1ª a 8ª série)
Nível médio (Ensino Médio)
Nível Superior (Graduação)
Nível de Pós-graduação (Especialização, Mestrado, Doutorado)
Não sei
Não tenho mãe

5. Qual é a condição profissional de sua mãe? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Trabalhadora ‘autônoma’  (ex.: manicure, cabeleireira, doceira, massoterapeuta, diarista,...)
Trabalhadora ‘registrada’ em nível técnico (ex. técnica em engenharia, empregada de um banco, trabalha em uma fábrica, auxiliar de enfermagem, empregada doméstica,...)
Trabalhadora ‘autônoma’ com exigência de graduação específica (ex. Médica, advogada, arquiteta, engenheira, dentista,...)
Trabalhadora ‘registrada’ com exigência de graduação específica (ex. Médica, advogada, arquiteta, engenheira, dentista, professora,...)
Está desempregada
Está aposentada
Do lar
Não sei
Não tenho mãe



6. Qual é o nível de escolaridade de seu pai?
Não é alfabetizado (não sabe ler, nem escrever)
É semi-analfabeto (sabe ler ou escrever razoavelmente)
Nível fundamental (1ª a 8ª série)
Nível médio (Ensino Médio)
Nível Superior (Graduação)
Nível de Pós-graduação (Especialização, Mestrado, Doutorado)
Não sei
Não tenho pai

7. Qual é a condição profissional de seu pai? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Trabalhador ‘autônomo’ em nível técnico  (ex.: pedreiro, eletricista, marceneiro, encanador, calheiro, chaveiro,...)
Trabalhador ‘registrado’ em nível técnico (ex. técnico em engenharia, empregado de um banco, trabalha em uma fábrica, auxiliar de enfermagem,...)
Trabalhador ‘autônomo’ com exigência de graduação específica (ex. Médico, advogado, arquiteto, engenheiro, dentista,...)
Trabalhador ‘registrado’ com exigência de graduação específica (ex. Médico, advogado, arquiteto, engenheiro, dentista, professor,...)
Está desempregado
Está aposentado
Não sei
Não tenho pai

8. Qual é a faixa salarial de sua família (somando-se o salário de todos os membros da família)?
Menos de 1 salário mínimo
1 salário mínimo (Aproximadamente R$ 500,00)
De 1 a 2 salários mínimos (Aproximadamente R$ 1.000,00)
De 3 a 4 salários mínimos (Aproximadamente R$ 1.500,00)
De 5 a 6 salários mínimos (Aproximadamente R$ 2.500,00)
De 7 a 8 salários mínimos (Aproximadamente R$ 3.500,00)
De 9 a 10 salários mínimos (Aproximadamente R$ 4.500,00)
Mais de 10 salários mínimos (Mais de R$ 5.000,00)

Hábitos e Costumes

9. O que você ‘costuma fazer’ após o jantar? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Assisto televisão
Escuto música
Jogo algum jogo de computador
Navego na Internet
Entro em salas de bate-papo na Internet ou conecto-me ao Messenger (MSN)
Falo no telefone
Vou dormir
Leio
Converso um pouco com meus pais e/ou irmãos
Converso com meus amigos (as)

10. O que você ‘mais gostaria de fazer’ hoje depois de jantar? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Assistir um pouco a televisão
Escutar música
Conversar um pouco com meus pais e/ou irmãos
Navegar na Internet
Jogar algum jogo de computador
Ir dormir
Ler
Estar com meus amigos/as
Conversar através de salas de bate-papo ou conectar-me ao Messenger (MSN)
Falar no telefone
Sair passear

11. O que você lê com freqüência? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Leituras obrigatórias da escola
Livros alheios à tarefa escolar
Revistas
Quadrinhos
Sites na Internet
E-books
Não leio nada
Uso de tecnologias e acesso a Internet
12. Da seguinte lista de recursos, selecione todos aqueles que você ou a sua família possuem e que você possui acesso:
Televisão
TV por assinatura (ex.: digital, a cabo, via Internet)       
Home Theater ou caixa amplificadora
Rádio/Aparelho de som
MP3/MP4/iPod                          
Walkman/Discman
Celular
Computador 
Impressora
USB o disco rígido externo (Pendrive)                   
Scanner
Câmera fotográfica digital
Câmera de vídeo digital
Videogame (Playstation, etc...)
Videogame portátil
     
13. Em que lugar(es) você costuma usar a Internet? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Em minha casa
Na escola
No trabalho
Em uma Lan house
Na casa de um amigo
Na casa de um parente
No Celular
Em outro lugar
Não uso a Internet

14. Quem ensinou você a usar a Internet? (Você pode marcar mais de uma resposta)                      
Algum irmão/irmã                            
Meu (minha) namorado (a)                       
Meus amigos (as)                              
Meu pai
Minha mãe                           
Algum professor (a) da sua escola
Algum professor (a) em curso de informática
Ninguém, aprendi sozinho (a)                 
Outras pessoas                          

15. Na maioria das vezes que usa a Internet, você costuma estar (Você pode marcar mais de uma  resposta) ...
Sozinho (a)                             
Com um amigo ou uma amiga               
Com vários amigos ou amigas               
Com algum irmão ou irmã                  
Com meu pai                                
Com minha mãe                             
Com meu (minha) namorado (a)                  
Com um professor                            
Com outras pessoas 

Uso da Internet em casa 
(local, horário e tempo de acesso; serviço e conteúdo acessado)

16. Onde fica o computador que você costuma usar em sua casa?
No meu quarto
No quarto de um irmão/irmã                
Na sala de estar                        
No quarto dos meus pais                   
Em um escritório ou lugar semelhante
O computador é portátil
Não possuo computador

17.Você possui conexão à Internet em sua casa?        
Sim
Não                    

18. Você tem instalado algum sistema de proteção quando navega na Internet? (ex.:antivírus, filtro de conteúdos)? (Você pode marcar mais de uma resposta)  
Não
Não sei 
Sim, tenho um “filtro”                          
Sim, tenho um antivírus
Sim tenho um “firewall”
Sim, mas não sei do que se trata

19. Durante a semana de segunda à sexta-feira, por quanto tempo você usa a Internet ‘diariamente’?
Nunca
Menos de uma hora
Entre uma e duas horas
Duas horas
Três horas
Quatro horas
Cinco horas
Seis horas ou mais

20. No final de semana, no sábado e no domingo, por quanto tempo você usa a Internet ‘diariamente’?
Nunca
Menos de uma hora
Entre uma e duas horas
Duas horas
Três horas
Quatro horas
Cinco horas
Seis horas ou mais


21. Em que horário você costuma acessar a Internet em sua casa? (Você pode marcar mais de uma resposta)  
0 às 6 horas
6 às 12 horas
12 às 18 horas
18 às 24 horas                          

22. Indique qual (is) dos seguintes ‘serviços’ você costuma utilizar quando navega na Internet (Você pode marcar mais de uma resposta)
Visitar páginas de web
E-mail
Listas de discussão
Salas de bate-papo ou Messenger (MSN)
Sites de relacionamento/Comunidades virtuais (ex.:Habbo, Orkut, Facebook,…)                                      
Realidade virtual (Second Life)
Twitter   
Envio de SMS                                  
Falar por telefone (ex.:Skype)
Jogos na rede               
TV digital              
Radio digital                                 
Baixar/fazer download de músicas, programas, filmes…                                -   
Compartilhamento de vídeo ou fotos (ex.: Youtube…)                                  
Compras      
Outras coisas.

23. Quando visita páginas da internet, quais ‘conteúdos’ você costuma consultar?  (Você pode marcar mais de uma resposta)
Notícias
Programação de TV
Educativos
Cultura  (Arte, Música,...)
Esportes (Jogos, ...)   
Humor 
Hobbies                                   
Software e informática                  
Concursos                            
Apostas 
Adultos (Sites impróprios para menores de 18 anos)                   
Outros                                    
      
 24. Você já criou algum blog ou página na web? (ex: Orkut)                
Nenhuma das duas coisas
Sim, já fiz uma página na web, mas não um blog                                    
Sim, já fiz um blog, mas não uma página na web.                                    
Já fiz as duas coisas

Uso da Internet em casa (relacionamentos virtuais)
25. Se você está numa sala de bate-papo ou em uma comunidade de relacionamento virtual (ex: Orkut), você costuma se apresentar como é de verdade ou finge ser outra pessoa (FAKE)?
Sempre me apresento como sou
Às vezes costumo fingir
Sempre costumo fingir

26. Você tem algum amigo virtual?
Sim e não o conheço pessoalmente
Sim, gostaria de conhecê-lo pessoalmente, mas tenho medo
Sim e o conheço pessoalmente
Não tenho nenhum amigo virtual

27. A respeito de salas de bate-papo e Messenger (MSN), com quais das frases abaixo você se identifica? (Você pode marcar mais de uma resposta)
É divertido bater papo com desconhecidos
Já me enganaram quando conversava com alguém
Sempre que posso me conecto às salas de bate-papo
Já usei o Messenger para prejudicar alguém (ex.:envio de fotos, vídeos…)
Alguém já me prejudicou através do Messenger (ex.: envio de fotos, vídeos…)
Gosto do Messenger porque posso falar com meus amigos
Quando uso o computador sempre estou conectado ao Messenger




Uso da Internet em casa e seus pais
28. Quando você está conectado na Internet, o que seus pais costumam fazer? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Perguntam o que estou fazendo
Sentam comigo e fazemos coisas juntas como: organizamos viagens, realizamos compras, escrevemos para familiares,…
Verificam depois por onde eu naveguei
Vêem meu e-mail
Fazem vista grossa e não fazem nada

29. Quando está navegando na Internet, de acordo com seus pais, que coisas você ‘não’ pode fazer? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Comprar algo
Bater papo
Dar informação pessoal
Preencher ou responder questionários /pesquisas
Baixar arquivos (ex.: programas, música, filmes, etc.)
Apagar arquivos
Enviar mensagens para celulares
Enviar e-mails
Jogar
Acessar sites impróprios para menores de 18 anos
Não colocam nenhuma restrição
                                                     
30. Às vezes podem surgir discussões com seus pais sobre o uso que você faz da Internet. Por quais razões isso acontece? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Tenho ou já tive discussões por causa do ‘tempo’ em que passo conectado
Tenho ou já tive discussões em função do ‘momento’ do dia em que me conecto
Tenho ou já tive discussões pelo ‘que eu faço’ enquanto estou conectado
Já me castigaram e me proibiram de navegar ou controlaram meu tempo de acesso
Já me recompensaram ou já me deram mais tempo de acesso se cumpro ou realizo algo que eles querem
 Nunca discutimos por causa disso

31. Em relação aos seus ‘pais’, ao utilizar a Internet, como você se considera?                                              
Um principiante
Tenho um nível médio
Meu nível é avançado
Sou um grande conhecedor da Internet
Não tem como comparar
Uso da Internet na escola
32. Você tem algum professor que usa a Internet para explicar sua matéria ou estimula você a usar a Internet para estudar ou praticá-la?                      
Não, nenhum                                
Sim, alguns (menos da metade)                   
Sim, quase todos (mais da metade)
Sim, todos   
                          
33. Sendo afirmativa a sua resposta no item anterior (nº 32), ‘como’ o(s) seu(s) Professor(es) inclui(em) a Internet para trabalhar o conteúdo disciplinar de sua(s) matéria(s)?  (Você pode marcar mais de uma resposta)
Como fonte de pesquisa
Utilizando sítios educacionais
Por meio de Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Utilizando simuladores e jogos educacionais para trabalhar conteúdos didáticos
Promovendo leituras em sítios de revistas científicas
Promovendo discussões virtuais com os alunos sobre o conteúdo didático (fóruns, chats, listas de discussão)
Compondo Blogs
Através de Wikis

34. A frequência de realização das sua tarefas escolares a partir da Internet é:
Diária
Semanal
Mensal
Esporádica
Nenhuma

35 Em relação aos seus ‘professores’, quando utiliza a Internet, como você se considera?                                              
Um principiante
Tenho um nível médio
Meu nível é avançado
Sou um grande conhecedor da Internet
Não tem como comparar
Uso da Internet, hábitos e opinião

36 Costuma ingerir alimentos enquanto está conectado a Internet em:
Refeições principais (café da amanhã, almoço ou jantar)
Lanches rápidos (salgados, doces, refrigerante,...)
Nenhuma ocasião

37 Ao usar o computador você costuma ‘cuidar’ de questões básicas como (Você pode marcar mais de uma resposta)
Luminosidade (reflexo de luz na tela do computador) – para evitar problemas oculares
Distância da tela do computador em pelo menos 50 centímetros - para evitar problemas oculares
Intervalos a cada 50 minutos ao visualizar a tela do computador - para evitar secura ocular
Postura corporal ereta com apoio de pé – para evitar problemas músculo-esquelético
Apoio de pulso ao usar o mouse (mouse pad anatômico) - para evitar problemas músculo-esquelético
Nunca pensei nos cuidados referentes a luminosidade, distância de tela, intervalos de uso, postura corporal, apoio de pulso, ao usar o computador

38. Depois que você começou a utilizar a Internet, quais dos itens abaixo indicados você ‘não’ dedica mais tempo ou diminuiu o tempo de dedicação? (Você pode marcar mais de uma resposta)
Família                                    
Amigos/as                                  
Namorado/a                                
Estudo                                     
Televisão                                   
Videogame                                  
Esporte
Leitura                               
A nada                                

39. Ao utilizar a Internet em caráter pessoal, você se considera?                                              
Um principiante
Com nível médio de conhecimento
Com nível avançado de conhecimento

40.  relação aos seus ‘amigos’, quando utiliza a Internet, como você se considera?                                              
Um principiante                              
Tenho um nível médio                          
Meu nível é avançado                          
Sou um grande conhecedor da Internet
Não tem como comparar
  
41. Para você, a Internet... (Você pode marcar mais de uma resposta)                                   
É algo muito útil                              
É imprescindível                              
É um capricho                              
Economiza tempo                             
Facilita a comunicação
Pode provocar dependência, de modo que a pessoa se vicie                       
Pode me isolar, no sentido de que posso deixar de estar com meus familiares e amigos

41. Escreva livremente sobre a Internet:


 







[1] Nome fictício.
[2] Nome fictício.
[3] O PRD foi desenvolvido em parceria entre Governo do Estado do Paraná e Universidade Federal do Paraná - UFPR. Uma das principais características do PRD é que ele foi criado para funcionar em Multiterminais conhecidos como Four Head. Four Head significa "Quatro Cabeças", pois, para cada CPU, temos quatro monitores, quatro teclados e quatro mouses, diferente dos computadores "comuns" (os que estamos habituados), que para cada CPU tem um monitor, um teclado, um mouse.





O TEXTO A SEGUIR É UMA MONOGRAFIA DE CONCLUSÃO DE CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO, COMO ESTÁ DEVIDAMENTE IDENTIFICADO. TIVEMOS  O PRIVILÉGIO DE SER O PROFESSOR ORIENTADOR.





FACULDADE DE TECNOLOGIA - CETEP
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA




IVANY ZELIS RAMALHO CAMPOLI DA CRUZ







TECNOLOGIA NA SOCIEDADE: COMO EDUCAR OS ADOLESCENTES QUANTO AO USO DA INTERNET














CURITIBA
2010
IVANY ZELIS RAMALHO CAMPOLI DA CRUZ













TECNOLOGIA NA SOCIEDADE: COMO EDUCAR OS ADOLESCENTES QUANTO AO USO DA INTERNET


Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública, da Faculdade de Tecnologia-CETEP, como requisito parcial à obtenção do título de Especilista em Gestão Pública
Orientador: Prof. Elcio Alberton.








CURITIBA
2010



AGRADECIMENTOS


Considerando este trabalho de conclusão de curso como resultado de uma caminhada que não começou no CETEP, agradecer pode não ser tarefa fácil, nem justa. Para não correr o risco da injustiça, agradeço de antemão a todos que de alguma forma passaram pela minha vida e contribuíram para a construção de quem sou hoje.

E agradeço, particularmente, a algumas pessoas pela contribuição direta na construção deste trabalho:

À professora Cineiva Campoli Paulino Tono, pela discussão teórica no tema abordado aqui, que subsidiou novas reflexões e construções em minha prática pedagógica. E por ter sido companheira na co-orientação deste trabalho.

Ao  professor Elcio Alberton, pela sensibilidade que o diferencia como educador e por sua disposição em ser meu Orientador.

Ao meu esposo José Campoli da Cruz, por seu carinho, pela força e apoio que me dá e por estarmos sempre juntos nos momentos mais importantes.

Aos meus filhos Flávia, Giovana e Rômulo, pelo carinho, apoio e compreensão nas horas em que mais precisei.

 Às amigas Eliane Ribeiro de Campos e Viviane Gaspar Ribas El Marghani, pelo incentivo, força, amizade e carinho que partilhamos nesta etapa da minha vida.

























Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces! 
                                                               

resumo

Este trabalho trata sobre o uso da Internet por adolescentes no contexto socioeducacional – no qual se discute o impacto do uso da Internet pelos adolescentes. Atualmente, o uso crescente de tecnologia de informação e comunicação em todos os setores da sociedade tem proporcionado mudanças sociais, econômicas e culturais motivando os indivíduos a se incluírem digitalmente em termos técnicos, mas somente o operacional não basta, há uma necessidade de incluir-se com a reflexiva e crítica apropriação desta ferramenta. O uso de tecnologias de informação e comunicação, principalmente as que proporcionam a facilidade para a interatividade e a comunicação, está em franca utilização por adolescentes na atualidade, mas deve-se considerar que pode trazer influencias negativas e positivas na formação intelectual do adolescente. Devido a isso, o objetivo deste trabalho é analisar as variáveis relacionadas a educação dos  adolescentes quanto ao uso da internet através de pesquisa quantiqualitativa. A metodologia utilizada na análise está baseada na teoria da complexidade de Edgar Morin, pois na complexidade atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. O estudo mostra a vulnerabilidade dos adolescentes no uso da Internet, onde há riscos que devem ser considerados pelos educadores, para que possam desenvolver autonomia, criticidade e aprimoramento intelectual, através de subsídios científicos para ajudar a transformar esta realidade vivida junto à uma equipe multi e interdisciplinar de profissionais que estejam dispostos a atuar neste contexto.

Palavras-chave: Adolescente, Inclusão Digital, Infoinclusão Social, Internet, Tecnologia, Educação.





LISTA DE ILUSTRAÇÃO


Lista de siglas e abreviaturas


CETEPAR
-          Centro de Treinamento do Magistério do Paraná
CMSI
-          Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação
CP
-          Colégio Periférico
CPU
-          Central Processing Unit (Unidade central de   processamento)
ECA
-          Estatuto da Criança e do Adolescente
ENIAC
-          Electronic Discrete Variable Automatic Computer
IBM
-          International Business Machines
IDEB
-          Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro
IP
-          Internet Protocol
ONG’s
-          Organizações nao governamentais
PDA
-          Personal Device Assistance
PISA
-          Programa Internacional de Avaliação Educacional
PR
-          Paraná
PRD
-          Programa Paraná Digital
PROEM
-          Programa de Extensão e Melhoria do Ensino Médio
PROINFO
-          Programa Nacional de Informática na Educação
SEED/PR
-          Secretaria de Estado da Educação do Paraná
UFPR
-          Universidade Federal do Paraná
UNESCO
-          A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura




SUMÁRIO






Introdução

Neste trabalho de conclusão de curso se discute o impacto do uso da Internet pelos adolescentes. Atualmente o uso de tecnologias de informação e comunicação, principalmente as que proporcionam a facilidade para a interatividade e a comunicação, estão em franca utilização por adolescentes na atualidade.  Neste contexto, em se tratando de como educar os adolescentes quanto ao uso da internet, vale considerar que este uso pode acarretar influências positivas e negativas na formação intelectual dos envolvidos e que já se tem avistado consequências de caráter cognitivo, psicológico e social no usuário que se apropria desta ferramenta sem a devida orientação. Informações nos chegam sobre pessoas que passam a se tornar dispersivos, com dificuldade de selecionar informações dentre as muitas encontradas na rede mundial. Tal siatuação os leva a  abordar superficialmente os conteúdos digitais, sem controle de tempo no acesso e priorizando muitas das vezes a participação em comunidades virtuais em detrimento aos relacionamentos reais.
O uso crescente de tecnologia de informação e comunicação em todos os setores da sociedade, na perspectiva de contribuir com a atividade humana com a inclusão digital, tem proporcionado mudanças no modo da vida social, econômica, cultural, entre outros. Todas as faixas etárias de pessoas são motivadas a se incluírem digitalmente em termos técnicos, mas vale enfatizar a importância de haver tal inclusão para além do operacional, com a reflexiva e crítica apropriação da ferramenta. Pois, para que se possa construir uma nova ordem societária é necessário orientar os jovens hoje, quanto á exploração da Internet de uma forma que possam desenvolver autonomia, criticidade e aprimoramento intelectual. O fenômeno Internet na adolescência deve ser analisado a partir do contexto social articulado ao educacional, ao cultural e a outros contextos que buscam uma formação humana integral.
O Objetivo aqui é analisar as variáveis relacionadas ao processo educativo dos adolescentes quanto ao uso da internet.  Através da fundamentação teórica dos processos sociais, políticos e culturais de uso da rede mundial de computadores por estudantes nesta faixa etária, com levantamento bibliográfico em livros, revistas científicas e artigos publicados periodicamente de eventos nacionais e internacionais. Estas informações estão contadas no capitulo I.
No capitulo II, será abordada a metodologia da pesquisa. Nesta seção serão investigadas as implicações positivas e negativas do uso da internet por adolescentes. Por meio de pesquisa com 398 adolescentes de 02 escolas públicas estaduais no município de Curitiba. Os instrumentos desta pesquisa são questionários via web.
A pesquisa será do tipo exploratória, e a analise dos dados obtidos pelo tipo quantiqualitativa, com base na teoria da complexidade de Edgar Morin, na qual atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. “O objetivo do método, aqui, é ajudar a pensar por si mesmo para responder ao desafio da complexidade dos problemas”. (MORIN, 2005, p. 36).
Enfim, apresentar-se-á as questões que serão analisadas, mostrando a complexidade do problema acerca da utilização da Internet por adolescentes.
Em seguida apresentaremos as considerações finais do trabalho de conclusão de curso, onde discorreremos sobre os adolescentes que estão vivenciando uma realidade que cada vez mais deixam de viver no mundo real para adentrarem o mundo virtual, onde até o momento não há limites nem regras. Em seguida listamos as referências bibliográficas utilizadas na elaboração deste trabalho.





capítulo I

1.1.            História da Tecnologia

Desde os primórdios da existência da humanidade, ferramentas e técnicas estão sendo criadas e aplicadas para facilitar com destreza e rapidez as atividades humanas. É difícil dizer a respeito de quando a tecnologia principiou estas atividades, pois se considerarmos a descoberta do fogo pelo homem na Idade da Pedra, tornando-se uma tecnologia essencial para o aperfeiçoamento de técnicas de sobrevivência humana. Segundo Cardoso (2001, p.184) O homem encontrou várias formas diferentes de utilizar o fogo: a luz e o calor eram utilizados para cozinhar, clarear a terra onde o homem ia plantar, aplicar em recipientes de barro para fazer cerâmica, empregar também em pedaços de minério para obter cobre e estanho, combinando-os em seguida para fazer o bronze e mais tarde obter o ferro. Mas, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado também no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva.

Com a ajuda do fogo, ficou mais fácil viver em comunidade e criar instrumentos de trabalho para realizar tarefas diárias que eram necessárias para o desenvolvimento do ser humano. Mais tarde surgiram povos que viviam em sociedade com o propósito de explorar sempre mais os recursos naturais para viver melhor. (CARDOSO, 2001, p. 184)

Segundo Gama (1987) o homem não imaginava, qual seria a evolução da sua capacidade de criar técnicas e aperfeiçoamentos que se encaixem com o dia a dia de uma sociedade globalizada. Na 1ª revolução industrial em 1750, as primeiras máquinas a vapor tinham como fonte de energia o carvão que movimentava a indústria têxtil, e fazia da Inglaterra uma grande potência econômica. Na 2ª revolução industrial, que iniciou em 1850, surge o petróleo como fonte de energia, apresentando para o mundo a eletricidade, e junto com ela o mundo automobilístico. Hoje no século XXI estamos passando pela 3ª revolução industrial que teve inicio na década de 1970 do século passado com base na microeletrônica convergindo às telecomunicações com a informática.
O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, ingressou em uma etapa de profundas evoluções no campo tecnológico desencadeada principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção industrial. Por conta destas transformações é amplamente aceita a tese de que vivemos a Terceira Revolução Industrial onde o processo industrial é pautado no conhecimento e na pesquisa.
Para compreender como surgiu o primeiro computador e qual a sua importância, realizou-se o resumo a seguir das obras de Barreto (2000) e Valle (2010) com a descrição de algumas tecnologias que foram inventadas para facilitar o quotidiano mercantil e a história dos primeiros computadores.
Conforme os autores referidos, esta última revolução industrial é conhecida também por revolução tecnocientífica, que tem como base a informática, que surgiu para aperfeiçoar a produção, a serviço da indústria.
     Ábaco: Pode-se dizer que foi a primeira calculadora da história, sendo utilizada para cálculos do dia-a-dia e construções civis. É basicamente um conjunto de varetas de forma paralela, que contém pequenas bolas que realizam a contagem. Sobre as operações matemáticas, ele é bastante útil para a soma e subtração. Já a multiplicação e divisão, o ábaco comum não é muito recomendado.
     Régua de Cálculo: A multiplicação de números muito grandes era algo muito trabalhoso e demorado de ser realizado.  Um escocês chamado John Napier descobriu várias propriedades matemáticas interessantes e as deu o nome de logaritmos. Na mesma época, em 1638, um padre inglês chamado William Oughtred, criou uma tabela muito interessante para a realização de multiplicações muito grandes e com base nos logaritmos de Napier criou uma régua que já possuía uma boa quantidade de valores pré-calculados, organizados de forma que os resultados fossem acessados automaticamente. Uma espécie de ponteiro indicava o resultado do valor desejado.
     Máquina de Pascal: Em 1642, o matemático francês Bleise Pascal desenvolveu o que pode ser chamado da primeira calculadora mecânica da história. Seu funcionamento era baseado no uso de rodas interligadas, que giravam na realização dos cálculos.  A ideia inicial de Pascal era desenvolver uma máquina que realizasse as quatro operações matemáticas básicas, o que não aconteceu na prática, pois ela era capaz apenas de somar e subtrair. Em 1672, o alemão Gottfried Leibnitz conseguiu o que Pascal não tinha conseguido, criar uma calculadora que efetuava a soma e a divisão, além da raiz quadrada.
     O Advento da programação funcional: Em 1801, o costureiro Joseph Marie Jacquard desenvolveu um sistema que foi conhecido como  Tear Programável, pois aceitava cartões perfuráveis com entrada do sistema. Isso facilitou o recorte que passou a ser automático. Antes era feito manualmente e perdia-se muito tempo. Jaquard perfurava o cartão com o desenho desejado, e a máquina o reproduzia no tecido. A partir desse momento, muitos esquemas foram influenciados pelo Tear, incluindo a máquina de diferenças e o engenho analítico.
     A Máquina de Diferenças e o Engenho Analítico: Em 1822, Charles Babbage inventou a Máquina de Diferenças afirmando que sua máquina era capaz de calcular funções de diversas naturezas (trigonometria, logaritmos), de forma muito simples. O seu projeto estava muito a frente do seu tempo. Por causa de limitações técnicas e financeiras, a Máquina de Diferenças só pôde ser implementada em 1837 com o lançamento de uma nova máquina, chamada de Engenho Analítico (Máquina Analítica), ela aproveitava todos os conceitos do Tear Programável.  Além disso, instruções e comandos também poderiam ser informados pelos cartões, fazendo uso de registradores primitivos. Novamente, ela não pôde ser implementada naquela época, pelo mesmo motivo de limitações técnicas e financeiras. Contudo, a contribuição teórica de Babbage foi tão grande, que muitas de suas ideias são usadas até hoje. Ele é considerado o avô do computador sob o ponto de vista da arquitetura do hardware.
     A Teoria de Boole: Em 1847, o matemático George Boole desenvolveu um sistema lógico que reduzia a representação de valores através de dois algarismos: 0 ou 1. Em sua teoria, o número “1” tem significados como: ativo, ligado, existente, verdadeiro. E o número “0” representa o inverso: não ativo, desligado, não existente, falso.  Para representar valores intermediários, é possível usar dois ou mais algarismos denominados “bits”. Exemplo:
00 – desligado
01 – carga baixa
10 – carga moderada
11 – carga alta
Todo o sistema lógico dos computadores atuais usa a teoria de Boole de forma prática. Ele é considerado o pai da lógica moderna.
     Máquina de Hollerith: Hermann Hollerith desenvolveu uma máquina que acelerava todo o processo de computação dos dados coletados no censo de 1890, realizado nos Estados Unidos. Baseado na máquina de Tear Programável, os dados coletados eram realizados em cartões, que ao invés de preencher com um “X” na resposta correta, era perfurado para que a máquina pudesse ler e contabilizar os dados. Aproveitando todo o sucesso ocasionado por sua máquina, Hollerith fundou sua própria empresa, a Tabulation Machine Company, no ano de 1896. Após algumas fusões com outras empresas, Hollerith faleceu. Em 1916, um substituto assumiu o seu lugar e alterou o nome da empresa para Internacional Business Machine, a mundialmente famosa IBM.
Na primeira metade do século XX, vários computadores mecânicos foram desenvolvidos, sendo que com o passar do tempo, componentes eletrônicos foram sendo adicionados aos projetos. Em 1931, Vannevar Bush implementou um computador com uma arquitetura binária propriamente dita, usando os bits 0 e 1.  A base decimal exigia que a eletricidade assumisse 10 voltagens diferentes, o que era muito difícil de ser controlado. Por isso, Bush fez uso da lógica de Boole, onde somente dois níveis de voltagem já eram suficientes.
A segunda guerra mundial foi um grande incentivo no desenvolvimento de computadores, visto que as máquinas cada vez mais se tornavam úteis em tarefas de desfazer a encriptação de mensagens inimigas e criação de novas armas mais inteligentes.  Entre os projetos desenvolvidos neste período, se destacaram o Mark I, no ano de 1944, criado pela Universidade de Harvard nos EUA, e o Colossus, em 1946, criado por Allan Turing.
A primeira geração de computadores modernos tinha como principal característica o uso de válvulas eletrônicas, possuindo dimensões enormes. Eles utilizavam quilômetros de fios chegando a atingir temperaturas muito elevadas, o que frequentemente causava problemas de funcionamento. Existiram várias máquinas entre 1946 e 1959, contudo, o ENIAC, foi a mais famosa de todas.
A conferência de imprensa original anunciando o ENIAC (Electronic Discrete Variable Automatic Computer) foi realizada em 01 de fevereiro de 1946. Esta máquina era em torno de 1000 vezes mais rápida que qualquer outra que existia na época, revolucionando o mundo da computação. O ENIAC resulta dos trabalhos realizados por uma equipe da Moore School da Universidade de Pensilvânia, após esta ter assinado em 5 de Junho de 1943 um contrato com o Governo dos EUA para a sua construção.
A equipe era coordenada por Herman Goldstine que contava com John Eckert, John Mauchly e, a partir de 7 de Agosto de 1944, com a colaboração de John Von Neumann. Os trabalhos têm por base uma máquina que John Atanasoff tinha começado a construir em 1937, um calculador com 240 válvulas e duas memórias tambor.
O ENIAC dispunha de 18.800 válvulas de 16 tipos diferentes, 6.000 comutadores (peça que muda a direção de uma corrente elétrica), 10.000 condensadores, 1.500 releis (interruptor acionado eletricamente), e 50.000 resistências. Ocupava 3 salas com um total de 72 metros quadrados, era refrigerado por dois ventiladores movidos por motores Chrysler de 12 cavalos e tinha uma massa de cerca de 30 toneladas. Esse valor representa algo como um andar inteiro de um prédio.

Figura 1 – ENIAC
Fonte: Google Imagens

Na segunda geração dos computadores que foi entre os anos de 1959 e 1964, houve a substituição das válvulas eletrônicas por transistores, o que diminuiu em muito o tamanho do hardware. A tecnologia de circuitos impressos também foi criada, assim evitando que os fios e cabos elétricos ficassem espalhados por todo lugar. É possível dividir os computadores desta geração em duas grandes categorias: supercomputadores e minicomputadores
Em 1961, foi vendido o primeiro supercomputador, IBM 7030. Seu tamanho era bem reduzido comparado com máquinas como o ENIAC, podendo ocupar somente uma sala comum. Ele era utilizado por grandes companhias, custando em torno de 13 milhões de dólares na época.
Em 1964, já se comercializava minicomputadores, e o mais famoso foi o PDP-8. Ele era uma versão mais básica do supercomputador e bem menor. Mesmo assim ainda ocupava um bom espaço num cômodo.
Os anos de 1964 a 1970 ficaram conhecidos como a terceira geração dos computadores. As máquinas se tornaram mais velozes, com um número maior de funcionalidades e o preço também diminuiu consideravelmente. O IBM 360/91 lançado em 1967 foi o mais famoso, pois trabalhava com dispositivos de entrada e saída, super modernos para a época, com discos e fitas de armazenamento, além da possibilidade de imprimir todos os resultados em papel. Os computadores desta época necessitavam de programação, por este motivo, houve uma preocupação com a falta de qualidade no desenvolvimento de softwares, pois grande parte das empresas focava somente no hardware.
De 1970 até hoje, especialistas dizem estarmos na quarta geração dos computadores. As máquinas passam a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e calcular bilhões de operações por segundo. Os circuitos acabaram se tornando ainda mais integrados e menores, o que permitiu o desenvolvimento dos microprocessadores. Quanto mais o tempo foi passando, mais fácil foi comprar um computador pessoal. Nesta era, os softwares e sistemas se tornaram tão importantes quanto o hardware.
Em 1975, foi lançado o Altair 8800 que cabia facilmente em uma mesa e era muito mais rápido que os computadores anteriores, pois possuía no seu projeto o processador Intel 8080. O sucesso foi tamanho que um jovem chamado Bill Gates se interessou pela máquina e criou uma linguagem de programação chamada Altair Basic, que funcionava através de cartões de entradas e saídas.
Steve Jobs, fundador da Apple, vendo o sucesso do Altair, sentiu que ainda faltava alguma coisa, pois não era fácil manuseá-lo através de luzes que acendiam e apagavam. Em sua opinião, o computador deveria representar de maneira gráfica o seu funcionamento. Por isso lançou o Apple I em 1976, que acompanhava um monitor gráfico que exibia o que estava acontecendo no computador. Este foi considerado de fato o primeiro computador pessoal, fazendo tanto sucesso, que em 1979 foi lançado o Apple II.
Em 1983 e 1984 foram lançados os primeiros computadores com mouse e interface gráfica igual a que conhecemos hoje, com pastas, menus e área de trabalho. Bill Gates e Steve Jobs fizeram parceria e lançaram a Microsoft com o software Windows fazendo sucesso em vendas até os dias de hoje.
Em paralelo, nos tempos da Guerra Fria que iniciou na década de 1960, os militares dos EUA se preocupavam com as informações que estavam armazenadas no Pentágono. Temendo um ataque por parte da Rússia, começaram a desenvolver um sistema que podia armazenar estas informações em outro local e também disseminá-las. Para desenvolver e manter esta tecnologia foi criada uma agência que era financiada pelo governo dos EUA. Ela se chamava ARPA (Advanced Research Projects Agency), e a nova tecnologia passou a se chamar ARPANET. Ela funcionava através de transmissão de pacotes de dados, entre computadores, que permitia introduzir um endereço de destinatário e remontar a mensagem original.
Quando a Guerra Fria passou a ARPANET não era mais tão útil ao governo, portanto foi permitido o acesso aos cientistas, que cederam esta rede para as universidades pesquisarem. Em 1969 ocorreu a transmissão do primeiro email entre duas instituições. Na mensagem constava a palavra “LOGIN”, mas o computador que a recebia travou ao receber o segundo caractere, a letra “O”.
Nas décadas de 1970 e 1980, além de ser utilizada para fins militares, a Internet também foi um importante meio de comunicação acadêmico. Estudantes e professores universitários, principalmente dos EUA, somaram esforços e aperfeiçoaram a rede, trocando ideias, mensagens e descobertas por esta tecnologia.
Foi somente no ano de 1990 que a Internet começou a alcançar a população em geral. Neste ano, o engenheiro inglês Tim Bernes-Lee desenvolveu a World Wide Web (Rede de alcance mundial), possibilitando que o conteúdo da rede ficasse mais atraente, pois incorporava imagens e sons. A partir deste momento, a Internet cresceu em ritmo acelerado, porque o novo sistema de localização de arquivos criou um ambiente em que cada informação tem um endereço único e pode ser encontrada por qualquer usuário da rede.

1.2.            Tecnologia no Capitalismo

Para compreender melhor a história da tecnologia veremos a seguir de forma bem resumida, a obra de Beaud (1999) que explica como surgiu o sistema capitalista que foi essencial nesta veloz evolução da tecnologia.
No final da Idade Média surgiu uma nova classe social chamada Burguesia a qual buscava o lucro através de atividades comerciais. Junto dela surgem também os banqueiros e cambistas, cujos ganhos estavam relacionados ao dinheiro em circulação, onde o objetivo era o lucro, acúmulo de riquezas, controle dos sistemas de produção e expansão dos negócios.
Para alcançar esses objetivos, a burguesia mercante começa a buscar riquezas em outras terras fora da Europa através das grandes navegações e expansões marítimas, que foram financiadas por reis e nobres os quais passaram a usar da força de trabalho assalariada para obter lucro. Neste contexto surge a moeda, substituindo o escambo e fortalecendo as relações bancárias.
O processo de produção se dava através dos artesões que dominavam integralmente as etapas da produção de um determinado produto. Dessa forma, o trabalhador era ciente do valor, do tempo gasto e da habilidade requerida na fabricação de certo produto, sabendo exatamente qual era o valor do bem por ele produzido.
Com a primeira revolução industrial, a qualidade das relações de trabalho no ambiente manufatureiro se transformou sensivelmente. Iniciada na Inglaterra que fortalece o sistema capitalista e solidifica suas raízes na Europa e em outras regiões do mundo. No lugar dos artesões se colocou a máquina a vapor, os trabalhadores passaram por um processo de especialização da sua força de trabalho, assim só tinham responsabilidade e domínio sob uma única parte do processo industrial. E dessa forma o dono da fábrica conseguiu aumentar sua margem de lucro e reduzir o tempo para se chegar ao produto final.
Parecia ser um beneficio enorme, pois dessa forma também se conseguiu diminuir o preço dos produtos. Mas, dessa maneira, o trabalhador não tinha mais ciência do valor da riqueza por ele produzida. Ele passou a receber um salário pelo qual era pago para exercer uma determinada função que, nem sempre, correspondia ao valor daquilo que ele era capaz de produzir.
O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela força de trabalho dos operários. As indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se rapidamente pelos quatro cantos da Europa. O capitalismo ganhava um novo formato.

Esse emprego, [referência à maquinaria], como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, tem por fim baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia de trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para ampliar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A maquinaria é meio para produzir mais-valia. (MARX, 2002, v.1, p. 427).


Com o passar do tempo, as formas de atuação do capitalismo industrial ganhou outras feições, mas sempre com o mesmo objetivo. Na segunda metade do século XIX, a eletricidade, o transporte ferroviário, o telégrafo, o motor e a combustão deram início à chamada Segunda Revolução Industrial.

Tornando supérflua a força muscular, a maquinaria permite o emprego de trabalhadores sem força muscular ou com desenvolvimento físico incompleto, mas com membros mais flexíveis. Por isso, a primeira preocupação do capitalista, ao empregar a maquinaria, foi a de utilizar o trabalho das mulheres e das crianças. (MARX, 2002, v.1, p. 451).


Durante o século XX, outras novidades trouxeram diferentes aspectos ao capitalismo. O industriário Henry Ford e o engenheiro Frederick Winslow Taylor incentivaram a criação de métodos onde o tempo gasto e a eficiência do processo produtivo fossem cada vez mais aperfeiçoado.
O capitalismo industrial advém das novas descobertas no campo das ciências, impulsionando experiências e invenções que revolucionam a vida humana e a própria organização da cidade.
O capital, resultante histórico da exploração do trabalho humano é o grande responsável pelos avanços tecnológicos e científicos da cidade moderna, mas por outro lado, assumiu novas formas de exploração e expropriação da força de trabalho e do meio, agravando o fenômeno da exclusão social.

1.3.            Tecnologia na atualidade

Nos dias atuais, é impossível pensar no mundo sem a Internet. Ela tomou parte dos lares e de pessoas no mundo todo. Estar conectado a rede mundial passou a ser uma necessidade de extrema importância. A Internet também está presente nas escolas, faculdades, empresas e diversos locais, possibilitando acesso as informações e notícias do mundo em apenas um clique.

A medida que a sociedade conquista melhores condições de consumo e acesso a informação, a Internet torna-se um fenômeno tecnológico que transforma as relações sociais, culturais, políticas, psicológicas e econômicas, como também estabelece novos comportamentos no campo do entretenimento, aproxima gerações e muda radicalmente o olhar sobre a realidade. (GUERREIRO, 2006, p. 149)

A cidadania moderna acumulou em sua formação um desenvolvimento humano qualitativo em termos de ordenamento do território, da arquitetura, da satisfação das necessidades de consumo, da estética, do entretenimento, do conforto, da saúde, do trabalho, da tecnologia, dos serviços e de muitas outras condições de vida.
Guerreiro (Idem, p. 57) explica que a cidadania surgiu na civilização antiga, onde o termo cidadão era usado para designar os patriarcas que faziam parte da assembleia de chefes das tribos e que participavam das decisões sobre o futuro da urbe. Cidadão, nesses termos, era uma condição restrita e limitada aos membros da assembleia da cidade, daí o nome “cidadania”. Portanto todos os que estavam fora desta condição social eram excluídos do poder de tomada de decisões da urbe e, por isso, não eram considerados cidadãos. No inicio do capitalismo o Estado burguês continuou preservando direitos de cidadania somente para a aristocracia e sua família, como burguesia emergente, para os administradores da cidade e a camada social vinculada ao poder do Estado e para os clérigos da Igreja católica.
Ainda na Idade Média, a cidade sofreu uma das suas mais graves crises de existência, ocasionando impactos dos mais diversos, que demarcaram as margens das cidades, atualizadas nas metrópoles de hoje com os aglomerados urbanos e regiões sem qualquer segurança e proteção social.
O conceito de cidadania, a partir do desenvolvimento do capitalismo industrial, vincula-se mais fortemente com a classe dominante e, transforma-se em uma condição tanto de existência como de sobrevivência na nova estrutura política, econômica e social emergente. (Guerreiro, p. 72)
As cidades comerciais estabeleceram-se simultaneamente a um cenário caótico do ponto de vista da condição humana e de mudança drástica no modo de produção.
Na cidade moderna, a força de trabalho humana deixa gradativamente de ser representada pelo emprego da força física e passa a requerer o emprego gradual do conhecimento, enquanto habilidade e responsabilidade individual pela produção inteligente da riqueza.
Castells (1999) em sua obra “Sociedade em Rede” diz que a informação se tornou a matéria-prima. As tecnologias atuais são para agir sobre a informação, não mais como nas revoluções tecnológicas anteriores que adquiria informação para agir sobre a tecnologia.
Guerreiro (2006, p. 77) concorda com Castells e acrescenta que esta matéria-prima é favorecida e transformada em fonte de riqueza. No caso da comunicação, esta assume papel de destaque no cenário global e constitui o próprio capital explorador da riqueza que, na cidade moderna, expropria o ser humano em duas dimensões:
·         Produção de riqueza pela sua capacidade de pensar e usar criativamente a inteligência, construindo conhecimento tecnológico aplicável às novas necessidades de desenvolvimento local, e;
·         Beneficiamento e tratamento da matéria-prima e forma de dados coletados no ambiente de interesse investidor, gerando ferramentas e meios tecnológicos de multiplicação da informação.

Desde a revolução industrial até a revolução tecnológica, pouca coisa mudou na questão dos excluídos sociais, apesar de o desenvolvimento humano não limitar o movimento social civil de cidadania nem os avanços tecnológicos, já que decorre destes. A exclusão deriva de outros fenômenos mais agudos: a má distribuição de renda e a pobreza, que se desdobram no desemprego, na fragilização de vínculos de pertencimento social, na dificuldade de acesso ao conhecimento e na desvalorização da identidade cultural e comunitária. (GUERREIRO, p. 79)

Quando se pensa a cidade moderna como um grande sistema interconectado, composto de subsistemas interdependentes, de suas “tribos” urbanas, comunidades, engenharias arquitetônicas, redes de comunicação, rede de transportes, equipamentos públicos de assistência e proteção social, mercado financeiro, imobiliário e outras tantas funções desenvolvidas para o consumo, surge outro problema de grande magnitude e impacto direto na vida do cidadão: a empregabilidade.
Castells (1999) diz que na medida em que as inovações tecnológicas e organizacionais forem permitindo que homens e mulheres aumentem a produção de mercadorias com mais qualidade e menos esforço, o trabalho e os trabalhadores mudam da produção direta para a indireta, do cultivo, extração e fabricação para o consumo de serviços, trabalho administrativo e de; uma gama de atividades econômicas para o universo profissional cada vez mais diverso. Mas, isso não significa que as qualificações especializadas, ou seja, a educação, formação profissional, condições financeiras nem o sistema de estratificação das sociedades em geral irão melhorar.
O impacto de uma estrutura do emprego de certa forma valorizada, sobre a estrutura social dependerá da capacidade de as instituições incorporarem a demanda de trabalho no mercado de trabalho e valorizarem os trabalhadores na proporção de seus conhecimentos.

Empregos estão sendo extintos e novos empregos estão sendo criados, mas a relação quantitativa entre as perdas e os ganhos varia entre empresas, indústrias, setores, regiões e países em função da competitividade, estratégias empresariais, políticas governamentais, ambientes institucionais e posição relativa na economia global. (CASTELLS, 2000, p. 284)

A cidade que está se formando pelas tendências das novas tecnologias é ainda um embrião com forma desconhecida, mas que já expressa toda a sua força como resultado de uma nova era na organização social e territorial humana a partir da revolução tecnológica advinda pelos meios de comunicação, que diminuem as distâncias, otimizam o tempo e transformam a cidade em uma arquitetura viva e inteligente.
As novas tecnologias proporcionadas pela sociedade da informação, quase que diariamente estão modificando rapidamente os hábitos e costumes dessas pessoas em termos de entretenimento, mercado de consumo, arquitetura física das moradias, locais de trabalho, transporte urbano, comunicação, transmissão de dados e imagens, conectividade, configuração interna das cidades. A modernidade envolveu a todos, e as mudanças foram tão rápidas que a ficção se transformou em realidade, invadindo as mentes e as atividades produtivas no dia-a-dia.
As novas tecnologias são cada vez mais inteligentes e sofisticadas em múltiplas funções de complementaridade do trabalho humano, liberando progressivamente o uso da força física e mantendo substancialmente ocupada a capacidade intelectual dos indivíduos. A revolução industrial cede espaço para a revolução tecnológica, que entra em sua segunda fase de desenvolvimento, considerando que o primeiro impacto provocado pela invenção do computador, foi superado pelo desenvolvimento da Internet e das redes de alta velocidade.
A complexidade a que chegou a sociedade humana é reflexo da intensidade de sua demanda por inovação. As novas tecnologias que automatizam o cotidiano das pessoas nas grandes metrópoles mundiais resultam do aprimoramento técnico dos meios e do modo de produção.
Considerando que a expansão da Internet se dá pela força do mercado eletrônico, a necessidade de inovação tecnológica, por um lado, tornou-se extensão do acúmulo de riqueza, e por outro, demanda de consumismo desenfreado na cidade moderna. (Guerreiro, 2006, p. 104)

A contribuição da Internet para o modelo de empresa-rede (e-commerce) é a sua capacidade para evoluir organicamente na inovação, nos sistemas de produção e na adaptação à procura do mercado sem perder de vista o objetivo principal de qualquer negócio: gerar lucros. O problema é que a maneira de fazer dinheiro na economia Internet não é tão direta como costumava ser na era industrial, porque as redes informáticas também transformaram os mercados financeiros, que é onde se estabelece, em última instância, o valor de todos os negócios. (Castells, 2004, p.102)

Pierre Lévy (1999) diz que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, chamando-o de “ciberespaço”. Ele define este termo como a interconexão mundial dos computadores, não significando apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. O crescimento do ciberespaço gera outro termo utilizado por ele: “cibercultura”. Este termo é usado para o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento, e de valores impostos pela nova sociedade.
A microeletrônica somada aos softwares está revolucionando a cada dia os aparelhos eletrônicos. Nos dias atuais é impossível viver sem que alguma tecnologia faça parte do nosso quotidiano.  A começar pelas necessidades básicas como, por exemplo, ter energia elétrica em casa para se obter eletrodomésticos essenciais às necessidades humanas na atualidade, como a geladeira, o fogão e o chuveiro.
Além destes equipamentos eletrodomésticos, de uns anos para cá, equipamentos para comunicação como o celular está passando a ser uma alternativa que está deixando de ser acessório e se tornando essencial ao dia-a-dia em termos de tempo e de segurança para o seu usuário. Atualmente um celular executa muitas funções existentes nos computadores, não sendo mais apenas um telefone móvel, e passando a ser um computador de mão (PDA), pois alguns deles possuem softwares completos de computadores.
Um trabalhador que não domina o equipamento passa por grandes dificuldades para conseguir um emprego. As fábricas estão automatizadas, ou seja, a maior parte das funções é feita por robôs, e os poucos trabalhadores precisam saber programar os robôs para realizar toda a força tarefa.
No sistema capitalista, o ser humano necessita trabalhar e trocar sua força de trabalho por dinheiro para sobreviver. Para manter este ciclo mais estável, se faz necessário obter um emprego e o mercado apregoa que devemos nos qualificar para obtê-lo. O que significa se qualificar? Se pensarmos nestas qualificações, são nada mais que “adestramento” para operacionalizar os aparelhos eletrônicos, como por exemplo, manusear um computador, uma empilhadeira, um guincho, alguns softwares específicos e conectar a Internet. Se o trabalhador não souber utilizar as ferramentas básicas de um computador, como, o pacote Office e Internet, será quase impossível empregar-se na área administrativa e fazer parte do mercado de trabalho na atualidade, principalmente no que se denotam atividades intelectuais.
Marx e Engels dizem que a ação de criar novas necessidades de trabalho desdobra-se em novas necessidades sociais, de produção que impulsiona o consumo. O sistema capitalista necessita não somente de um aparato infraestrutural, mas precisa de instrumentos que irão conquistar a dimensão subjetiva e valorativa com o intuito de convencer o sujeito a consumir produtos e serviços. Portanto a evolução cada vez mais rápida das tecnologias faz parte do processo para que o sistema capitalista não desmorone.
Através destas tecnologias é que ficou muito mais fácil difundir a ideologia do consumismo que contribui para a manutenção das estruturas do sistema capitalista, não apenas através do lucro, mas funciona como um mecanismo de aceitação das pessoas às conturbadas e difíceis condições sob as quais se vive. É bem possível que as condições adversas, em que a grande maioria do povo vive, sejam aceitas por se vislumbrar a possibilidade de se ter acesso aos bens e serviços oferecidos pelo sistema como, por exemplo, a Internet.

O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom seu possuidor, o dinheiro poupa-me, além disso, do trabalho de ser desonesto, logo, presume-se que sou honesto; sou estúpido, mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas, como poderia seu possuidor ser um estúpido? Além disso, seu possuidor pode comprar as pessoas inteligentes e quem tem poder sobre os inteligentes não é mais inteligente que o inteligente? (MARX, 1983, p.30)

As pessoas se sentem reconhecidas com a aquisição de certos bens, pois a própria ideologia do consumismo reforça a máxima liberal "ter" para "ser", não podendo se esquecer do prazer prometido por tais produtos como, por exemplo, a Internet, que tem também a função de compensar e fugir da dor e do sofrimento que são constantes em nossa sociedade.
O computador é um dos bens de consumo mais desejados pelos brasileiros, pois faz parte do quotidiano e está presente em muitos lugares. Quando não está no ambiente principal da casa, está no trabalho, na escola, na convivência com amigos e familiares, facilitando cada dia mais o acesso ao seu uso.
Atualmente as novas tecnologias de informação e comunicação vêm alterando a maneira de ser e de viver da sociedade, das famílias e de cada cidadão. As pessoas têm saído menos de suas residências, como por exemplo, para ir ao banco, fazer compras, buscar informações sobre lazer, turismo e pesquisa. Nem o telefone esta sendo utilizado, pois se tem disponível o Messenger.

Para os jovens que desde que nascem já conhecem a televisão, os vídeos games, os computadores, a Internet e os telefones celulares, não existem as ‘novas’ e as ‘velhas’ tecnologias: existem instrumentos para informar e comunicar, jogar ou ajudar nos trabalhos escolares (...) diferente dos adultos (...) a cada surgimento de uma nova tecnologia, se faz necessário novos conhecimentos e novas formas de usos sociais. (DELAUNAY, J., traduzido em 2006)


1.4.            Inclusão Digital

Inclusão Digital ou Infoinclusão pode ser considerada como a democratização do acesso às tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. Paulo Rabêlo (2010) diz que incluir uma pessoa digitalmente não é apenas "alfabetizá-la" em informática, mas sim fazer com que o conhecimento adquirido por ela sobre a informática seja útil para melhorar seu quadro social. Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê–lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná–las a utilizá–lo em benefício próprio e coletivo.
Guerreiro (2006) vai além. Ele utiliza o termo Infoinclusão Social definindo como “a relação de equilíbrio sustentável entre progresso tecnológico e o desenvolvimento social das cidades”. Para que isso aconteça, é fundamental que questões como planejamento e gestão eficientes das cidades, difusão da cultura digital, acesso à informação, valorização da cidadania e da educação sejam amplamente discutidas e colocadas em prática.
No Brasil há uma desigualdade social muito significativa, e o ambiente escolar adquire uma importância muito maior, pois é o espaço onde a criança e o adolescente terá contato com um leque de informações e experiências, que o convívio familiar e comunitário não permite, como por exemplo, a literatura e o esporte.
A escola, porém, não está sozinha na tarefa de ampliar o horizonte de conhecimento de seus alunos. Os meios de comunicação também contribuem para que a criança experimente, mesmo que a distância, a sensação de conhecer locais distantes, esportes estranhos e animais exóticos. Os conteúdos veiculados na televisão tornam possível, mesmo para quem nunca saiu de Curitiba, saber como são as praias baianas e os prédios de São Paulo. É uma experiência superficial e incompleta, mas, mesmo assim, uma experiência.
Com o surgimento da Internet, os educadores têm uma oportunidade histórica. A rede mundial de computadores é um meio de comunicação híbrido, cuja estrutura encerra características de outros meios, como a televisão, o jornal e o rádio. Ela tem a característica única de permitir que produtores autônomos atuem na publicação de conteúdos em grau de igualdade com as grandes empresas de mídia, do ponto de vista técnico (design, recursos). Isso significa que, apesar de empresas como a UOL e o Terra serem capazes de manter centenas de milhares de GigaBytes em informação na rede, além de prover serviços de toda ordem, como email, acesso e segurança, o conteúdo de cada um desses portais não possui nenhuma vantagem técnica em relação ao conteúdo publicado em sites amadores.
Na prática, isso quer dizer que um amador dificilmente consegue produzir algo em vídeo, por exemplo, com qualidade de imagem e som semelhante ao padrão imposto pelas grandes redes de televisão e pela indústria de cinema. No entanto, na Internet, mesmo sem grandes investimentos, o usuário pode criar páginas e publicar conteúdos originais esteticamente tão bons quanto os veiculados por empresas do ramo.

Em minha opinião, só poderemos começar a reforma do pensamento na escola primária e em pequenas classes. (...) é nesse nível que devemos nos beneficiar da maneira natural e espontaneamente complexa do espírito da criança, para desenvolver o sentido das relações entre os problemas e os dados. (...) Só que sempre retornamos à aporia bem conhecida: é preciso reformar as instituições, mas se as reformarmos sem reformar os espíritos, a reforma não serve para nada, (...). Como reformarmos os espíritos sem reformar as instituições? (...). O problema no segundo paradoxo colocado por Marx a respeito da educação: quem educará os educadores? É preciso que eles se eduquem a si mesmos. (MORIN et. al., 1999, p. 34)

Em tempos tecnológicos, o professor é um agente altamente estratégico na cultura humana. Estratégico por poder auxiliar o educando a aprender a selecionar e planejar melhor suas alternativas e recursos de acesso ao mundo da informação. Necessita estar constantemente se aperfeiçoando e se atualizando para atender à demanda deste educando da atualidade.
Pela Internet, por exemplo, os jovens mais tímidos conseguem se libertar das regras proibitivas impostas por seus pais ou responsáveis. Protegidos pelo anonimato do ciberespaço tornam-se cada vez mais extrovertidos e se arriscam em aventuras virtuais de descoberta de sua sexualidade e identidade pessoal.
Guerreiro (2006) diz que os pais precisam alertar esses jovens sobre o risco que eles correm diante do outro virtual e consequentemente rever e atualizar suas posturas e orientações diante do controle que exercem sobre a liberdade que seus filhos têm de aprender e de se educar no mundo moderno. Hoje, à velocidade com que se geram informações, cada vez conhecemos mais e sabemos menos, isto é: nos “falta tempo” para aprender sobre o que conhecemos. Acabamos não sabendo sobre o próprio conhecimento.
A educação, sendo dever do Estado e direito do cidadão, coloca-se como um dos principais instrumentos da sociedade para efetivar o processo de formação e construção da cidadania. Nessa linha a política para a inclusão deve permitir que as relações humanas fundamentem-se nos princípios da equidade, justiça social e participação cidadã, nas diversas instâncias de decisões.
A informação e a educação dos cidadãos são formas de torná-los conscientes quanto aos seus direitos, bem como, de possibilitar lhes oportunidade de crescimento econômico, uma vez que a educação agrega valores (culturais, sociais, técnicos) às pessoas, e isto poderá influenciar sua carreira profissional.

A escola em que os processos educacionais superam as ideologias taylorista/fordista e flexível de produção não se acomoda com a condição materialista de provimento de tecnologias de informação e comunicação; seus gestores têm consciência de que esta condição por si só, não é capaz de atribuir aos alunos a possibilidade de investigar, questionar e de manter contato com a realidade de forma crítica e fundamentada teoricamente. Para isso ocorrer, o aluno deve ser preparado e o papel do professor é fundamental ao assumir a mediação destas atribuições, para desenvolver no aluno uma autonomia intelectual através do conhecimento científico, social, histórico, cultural não priorizando o tecnológico, mas sim, o introduzindo na medida necessária, sugerindo aplicação refletida para produção do conhecimento na perspectiva transformadora. (TONO, 2010, p. 2)

Ainda que o acesso aos meios tecnológicos (computadores, notebook, Internet, Pager, telefones celulares etc.) esteja facilitado, levando em conta o custo financeiro para a sua aquisição, isso não faz com que todos os consumidores sejam capazes de usufruir destes produtos/serviços ofertados. Da mesma forma, o fato de a Internet ser fonte de informações, não representa que os cidadãos dela farão uso para o exercício da sua cidadania.
No novo cenário, governos e ONG’s, muitas vezes em parceria com o setor privado, articulam-se em projetos isolados ou políticas públicas dos mais variados tipos para combater a “exclusão digital”. As razões destes processos de inclusão se alimentam de interesses econômicos e de motivações ligadas a defesa dos direitos humanos, ainda que nem sempre esses empenhos andem juntos.
Com base nos objetivos de desenvolvimento acordados internacionalmente, incluindo os da Declaração do Milênio que são premissas da cooperação internacional, os objetivos do Plano de Ação da primeira fase da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI), estabelecem metas a serem alcançadas até 2015, que podem servir como referencias globais para aumentar a conectividade e acesso no uso das tecnologias de informação. Estas metas podem ter em conta o estabelecimento de metas nacionais, considerando as diferentes circunstâncias nacionais:
·         Conectar todos os vilarejos com tecnologia da informação e estabelecer pontos de acesso comunitário;
·         Conectar universidades faculdades, escolas secundárias e primárias com tecnologia da informação;
·         Conectar centros científicos e de pesquisa com tecnologia da informação;
·         Conectar bibliotecas públicas centros culturais, museus, correios e arquivos com tecnologia da informação;
·         Conectar centro de saúdes e hospitais com tecnologia da informação;
·         Conectar todos os departamentos de governos local e central e estabelecer websites e endereços de correio eletrônico;
·         Adaptar o currículo de todas as escolas primárias e secundárias para atender os desafios da Sociedade da Informação, levando em consideração as circunstâncias nacionais;
·         Assegurar que toda a população do mundo tenha acesso a serviços de radio e televisão;
·         Encorajar o desenvolvimento de conteúdo e das condições técnicas para facilitar a presença e uso de todas as línguas do mundo na Internet;
·         Assegurar que mais da metade dos habitantes do mundo tenham acesso às tecnologias da informação ao seu alcance.
Como se vê, a participação na chamada Sociedade da Informação entrelaça a necessidade técnica com a preocupação de oferecer uma educação condizente ao novo momento.  No Plano de Ação da CMSI, a atenção ao ensino fundamental é demonstrada na indicação da necessidade de conectar todas as escolas e na orientação para a adaptação do currículo, ainda que não detalhe como pudessem ser desenvolvidas essas alterações. Segundo a UNESCO uma das competências básicas que deverão ser desenvolvidas no período escolar é a capacidade para “aprender a aprender”, ou seja, deve-se ensinar os alunos, entre outras coisas, a “localizar, classificar e selecionar a informação que agora é encontrada em qualquer parte”.
No final da década de 90 foram implementadas políticas públicas de tecnologias de informação e comunicação para a educação básica, pela Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação, com abrangência nacional, através do Programa TV Escola e Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) com gradativo repasse de televisores e de computadores para escolas públicas de todo o país, que se estendeu na primeira década do século XXI.
Segundo Tono (2010, p. 6) O Estado do Paraná além de aderir a estes programas federais, implementou em 1998 o Programa de Extensão e Melhoria do Ensino Médio (PROEM) com reforço do parque tecnológico de 945 colégios públicos do Paraná, com aproximadamente 8.000 computadores no sistema operacional Windows. No ano de 2005 concretizou a informatização e conexão a Internet da totalidade das 2.100 escolas públicas paranaenses com o Programa Paraná Digital, instalando laboratórios de informática no sistema operacional Linux. E, em 2007 foram adquiridos televisores adaptados com entrada para pendrive para todas as 22.000 salas de aula das escolas públicas do PR. Todos estes implementos foram gerenciados pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná através da Diretoria de Tecnologia Educacional (antigo Centro de Treinamento do Magistério do Paraná – CETEPAR).
O educador continua sendo fundamental na articulação dos conteúdos. Não dá para imaginar que a rede por si só alimentará o processo educativo. Segundo Paulo Freire (2001) o papel do educador é mais do que simplesmente abrir caminho. É o de quem também mostra o caminho.

O professor que trabalha em defesa da superação daquelas ideologias relativiza o determinismo tecnológico e elege a mediação como mecanismo condutor do processo de ensino e de aprendizagem, no lugar da transmissão, apresenta o conteúdo programático considerando o conhecimento historicamente produzido, estabelece estratégias metodológicas conforme seu discernimento toma recursos diversos para uso didático, incluindo os telemáticos, com liberdade, criatividade e criticidade. Investe em atividades que despertam o interesse, o raciocínio lógico, a expressão dos pensamentos abstratos e a permanente participação do aluno, tendo assim catalisado o alcance do objetivo de torná-lo autônomo intelectualmente. (TONO, 2010, p. 2)

A educação, aliada a tecnologia, seria teoricamente capaz de inventar novos caminhos para o desenvolvimento humano, diminuir a desigualdade e de estabelecer novas direções nas comunicações, bem como novos modos de aprender e ensinar. No entanto, o risco de deslumbramento com este novo período está permanentemente sendo alimentado em discursos de gestores públicos, mídia e até mesmo de educadores. Nota-se, em muitos casos, a tentativa de dar soluções com ênfase no objeto técnico para problemas sociais, políticos e econômicos, dos quais o objeto técnico é apenas suporte.

A última década foi marcada com grandes investimentos na área de tecnologia na educação básica do Paraná, mas os implementos apresentados não garantem o uso permanente e crítico das tecnologias pelos professores, e destes com seus alunos, em condições de produzir um diferencial no rendimento escolar que justifiquem estes investimentos. Para haver um diferencial representativo do impacto na área de tecnologia na educação faz-se necessária análise reflexiva da real condição que se encontram as políticas públicas nesta área, à luz de teorias humanistas para superar o determinismo tecnológico de efeito alienante. (TONO, 2010, p. 7)


Estamos no meio de um período profundo e prolongado de transição de mídias, que está influenciando muitas mudanças em todos os níveis econômico, social, cultural e político. O ritmo, isto é a taxa, da mudança não diminuirá nos próximos anos e tem sido liderada pela população de jovens da sociedade.

Na escola regulada pela ideologia taylorista/fordista, o professor pode até utilizar pedagogicamente as tecnologias de informação e comunicação, materializadas em televisores e computadores conectados à Internet, mas limita o seu uso para transmitir informações, estabelecendo os objetivos para tal procedimento calcado em cópia e memorização, limitando o aluno a uma condição de passividade, num sentido reprodutivista e com efeito alienante. E quando há flexibilização nos processos educacionais em intensificação e diversificação no acesso às informações e aos meios de comunicação ampliando seus contatos, o aluno está sujeito a dispersão, devido à carga mental proporcionada pelo excesso e superficialização das informações e das comunicações, valorando a quantidade em detrimento da qualidade. (TONO, 2010, p. 3)


Na medida em que isso acontece vão criando marcas no estilo do dialogo, da escrita e da leitura, fazendo com estas correspondam a sua identidade. Quevedo (2007, p. 59) diz que “o sistema escolar está em pânico com a mudança de linguagens que o século XXI vivencia: os jovens escrevem e leem de forma diferente á dos adultos socializados na galáxia Gutenberg, (...) estamos diante de uma separação entre gerações que é tão nova como cambiante”.
Isto ocorre porque os jovens escrevem em seus programas de comunicação instantânea e mensagens de textos via celular com uma linguagem que tem regras próprias, mas não sabemos como ela está evoluindo. O que se sabe é que, segundo Quevedo, os jovens utilizam muito mais as mensagens de texto via celular do que os adultos. A quantidade de jovens que estão tendo posse de aparelhos móveis é demasiadamente alarmante. Dados da Anatel apontam que em agosto de 2010 existiam 190,4 milhões de aparelhos celulares em uso no Brasil. Este número é maior que o número de habitantes divulgado em novembro de 2010 pelo último Censo, cerca de 185,7 milhões de cidadãos.

Com perspectiva transformadora, a gestão pública educacional pode contribuir em estudos da realidade social atrelada aos reflexos no contexto escolar e na propositura de implementos cabíveis aos diversos setores da vida, em condições de desenvolver planos e atividades emparelhados entre os diversos setores da esfera pública, caso efetivamente haja interesse de mobilizar ações que contribuam para a formação integral do ser humano, a começar pelas crianças e jovens, em idade escolar. (TONO et al. 2008)


1.5.            Novas demandas do EDUCADOR Social

Como vimos, a sociedade contemporânea há algum tempo vem sofrendo profundas mudanças, trazendo significativas repercussões nas relações de trabalho e de produção. Na era da globalização da economia, das inovações tecnológicas (robótica, automação, microeletrônica), tem sido preponderante a flexibilização dos processos de trabalho, determinando novas modalidades de produção, gestão e consumo da força de trabalho. Neste cenário, o exercício do Educador Social, encontra-se vinculado às novas formas de gestão requeridas das mudanças tecnológicas e das organizações junto à educação e ao processo produtivo.
Estas transformações societárias vêm implicando, não só a emergência de novas demandas para o Educador Social, como na necessidade premente de redimensionar a formação profissional a partir de procedimentos investigativos que tomem como objeto as mudanças do espaço ocupacional do Educador. O estudo dessa temática é importante para o Educador, pois vem proporcionar uma análise das mudanças impostas pelas novas tendências da sociedade contemporânea e seu rebatimento na prática do Educador Social.

A globalização da economia e a internacionalização dos capitais internacionais, não são um fenômeno recente, mas existe atualmente de uma forma mais intensa, e a alta tecnologia, a cibernética e a robótica, estão causando a mesma reviravolta, que na época em que os teares foram substituídos, durante a revolução industrial. Contudo, tem que existir nesta nova onda, uma readaptação dos trabalhadores, depositando na capacitação dos operários as maiores esperanças para o futuro, contra o desemprego estrutural. (ABREO, 1998)

Abreo (1998) diz que no atual contexto, há mudanças nas atividades que já foram atribuídas ao Educador Social, atualmente exige-se, cada vez mais, que integre equipes interdisciplinares, que atue no âmbito da formulação e implementação das políticas sociais, impulsionadas pelo processo de municipalização; que tenha contato com o mundo da informática e conheça as novas tecnologias e as formas de gestão administrativa.

Redimensionar o perfil profissional que exige na atualidade um conhecimento de línguas estrangeiras, de informática, sintonias com as mudanças e atenção a qualificação continua. Requisita-se um profissional crítico com competência teórico-metodológica, técnico operativa e ético-política, dotado de habilidades como criatividade, versatilidade, iniciativa, liderança, capacidade de negociação, resolutiva e de argumentação, habilidade para o trabalho interdisciplinar e para atuar no campo da consultoria (KROIKE,1997)

Portanto, devemos compreender a dinâmica da sociedade contemporânea de modo complexo, tomando nota das transformações, que são ao mesmo tempo locais e globalizadas, do capitalismo moderno, dos mercados, das instituições e da sociedade civil. Pois, os Educadores Sociais estão comprometidos com o bem comum e devem articular políticas públicas ativas e atualizadas, para que enfim consiga-se inserir princípios de equidade em nossas sociedades.



capitulo ii

2.1.       Referencial Metodológico da Pesquisa

A metodologia utilizada para a análise das variáveis relacionadas à educação de adolescentes quanto ao uso da Internet, será a partir da teoria da complexidade de Edgar Morin.
O motivo desta escolha se deu pelo fato de que Morin defende que teoria e método são momentos necessários, diferentes entre si, mas interligados um no outro no processo continuo da investigação, pois na complexidade atua-se na realidade para se criar métodos e teorias. E uma vez criados eles retornam a esse mesmo real para recriá-lo. Não há fechamento teórico ou metodológico na visão da complexidade, mas abertura. Não há respostas prontas e programadas, mas convites a procurá-las. Não há realidade determinada, mas complexa. “O objetivo do método, aqui, é ajudar a pensar por si mesmo para responder ao desafio da complexidade dos problemas”. (MORIN, 2005, p. 36).  
Para compreender melhor o fenômeno do uso da Internet por adolescentes, foi realizada uma pesquisa do tipo exploratória, para auxiliar na indicação das variáveis a serem consideradas. Nesta área há pouco conhecimento acumulado e por isso não é possível elaborar uma intervenção direta, a qual ficará para a realização de uma pesquisa futura mais densa e precisa.
Visando implementar este modo de pensamento, recorreremos à pesquisa do tipo quantiqualitativa, porque este tipo de pesquisa fornece uma amostra consideravelmente grande para apurar opiniões, atitudes e interesses dos adolescentes; e a pesquisa qualitativa para trazer a tona o que os participantes pensam a respeito do que está sendo pesquisado. Segundo Martinelli (1999, p. 22) o conjunto dos dados quantitativo e qualitativo se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia.

2.2.       Desenvolvimento da Pesquisa

A pesquisa foi realizada em dois colégios públicos estaduais do município de Curitiba, capital do Estado do Paraná. Por questões éticas o nome deles não será divulgado, portanto os nomes citados são fictícios.
Dois critérios foram determinantes para escolha das referidas instituições. Um desses critérios está relacionado aos valores obtidos no Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro (IDEB) no ano de 2008, sendo um deles com IDEB acima da média paranaense (IDEM=5.0), o Colégio Central[1] (CC) com IDEB=5.9, e abaixo da média, o Colégio Periférico[2] (CP) com IDEB=3.2. O outro fator considerado para escolha dos colégios pesquisados foi à centralidade do bairro no município de Curitiba de um dos colégios e outro de periferia. O CC está situado no bairro Rebouças, mais central e o CP, no Bairro Tatuquara na periferia de Curitiba.
A partir da seleção dos colégios, buscaram-se os dados quantitativos dos alunos da 8ª série do período da manhã e tarde no Portal Dia-a-dia Educação. Este sítio foi criado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR) para instrumentalizar os educadores, divulgar informações institucionais, resgatar a identidade do professor da escola pública e estruturar uma rede de comunicação entre todos os envolvidos no processo educativo e comunidade educacional.
O CP possui uma turma de alunos na 8ª série no noturno, mas não se investiu na pesquisa com estes alunos porque o CC não possui alunos matriculados neste turno. Então, na busca de homogeneidade no processo de pesquisa, optou-se por pesquisar somente a totalidade dos alunos dos turnos da manhã e tarde em ambos os colégios. Na aplicação dos questionários manteve-se o anonimato dos respondentes.
O público-alvo são os trezentos e noventa e oito (398) alunos devidamente matriculados na oitava série dos referidos colégios nos turnos da manhã e tarde, sendo para o CC, 201 alunos e para o CP, 197 alunos com idade aproximada de 14 anos. O motivo de escolha por esta faixa etária foi devido ser próxima a idade dos alunos de 15 anos que foram submetidos ao processo trienal de avaliação em rendimento escolar nas disciplinas de matemática e língua portuguesa do Programa Internacional de Avaliação Educacional (PISA) no qual participam estudantes de 57 países, incluindo o Brasil, desde o ano 2000.
Ao manter contato com os colégios, agendou-se uma reunião com os seus respectivos Diretores em que se apresentaram os objetivos da pesquisa. Estes aceitaram prontamente e delegaram outros profissionais da escola acompanhamento e as devidas providências para organização da pesquisa juntamente com a observação dos laboratórios de informática.
Foi observado também o ambiente físico do laboratório de informática dos dois colégios, incluindo a análise do processo de gerenciamento do uso do computador e da Internet por professores e alunos, seguida da aplicação de questionários para os alunos.
O questionário formulado (em apêndice) foi adaptado do questionário advindo da obra “Geração Interativa na Ibero-América, lançada em março de 2009 pela Universidade de Navarra, Espanha, em parceria com a Fundação Telefônica de São Paulo, em que foram pesquisados mais de 25.000 adolescentes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela, entre outubro de 2007 e junho de 2008.
O questionário aplicado aos alunos foi composto de 43 questões, destas 42 objetivas e 1 questão aberta e foi aplicado na versão web utilizando os laboratórios de informática dos colégios. Para análise neste trabalho, selecionou-se dentre as 42 questões objetivas, 17 que revelaram informações que merecem exposição e discussão para nortear o fenômeno Internet na adolescência. Os dados destas questões foram analisados e sistematizados em gráficos, os quais estão apresentados no item ‘apresentação e análise dos dados’.
A observação da estrutura e método de uso do laboratório de informática - laboratório de informática e da própria aplicação dos questionários se deu na forma direta e está apresentada de modo analítico para cada colégio:


Colégio Central
     O CC possui dois laboratório de informática para uso pedagógico, sendo um deles do Programa Paraná Digital (PRD) no sistema four head[3], o qual foi utilizado para a realização do procedimento de aplicação do questionário na web com os alunos. O laboratório de informática do PRD deste colégio possui 24 computadores, dos quais 23 em funcionamento e conectando a Internet. As mesas e cadeiras entregues juntamente com os computadores do referido Programa encontravam-se em prefeito estado. O laboratório de informática deste colégio possui ar condicionado, o que mantém adequada a temperatura no recinto, evitando o superaquecimento das máquinas e proporcionando conforto dos seus usuários. O laboratório de informática possui uma TV Multimídia em que é utilizada para ‘testar’ o funcionamento e materiais didáticos digitais capturados da Internet, para então estar em condições para uso nas salas de aula.
     O gerenciamento de uso do laboratório de informática do CC conta com a permanência de um profissional nas suas dependências no período da manhã e tarde e com o trabalho de alunos do ensino médio em contra-turno que se dispõem para atuarem como alunos monitores do laboratório de informática, os quais são responsáveis pela manutenção técnica dos computadores.
     Em função da sistemática de gerenciamento e acompanhamento no uso do laboratório de informática, existe o registro permanente dos alunos de todo o colégio que adentram e realizam suas pesquisas e atividades escolares nos computadores, quando o laboratório de informática não está sendo utilizado por professores em aulas.
     A organização prévia dos gestores do colégio para a realização da aplicação do questionário remeteu para o atendimento no laboratório em blocos de aproximadamente 23 e 12 alunos por turma (+-35 por turma) no turno da manhã, da mesma forma, no período da tarde, dando um total de 201 alunos pesquisados. O tempo dedicado a aplicação do questionário não chegou a atingir um dia completo de trabalho.

Colégio Periférico
     O CP possui um laboratório de informática do PRD para uso pedagógico com 20 computadores no sistema four head, dos quais 9 estavam funcionando nos dias que se aplicaram os questionários aos alunos via web. O laboratório de informática do colégio não possui ar condicionado e notou-se que a temperatura no dia da aplicação do questionário estava elevada e, com os computadores ligados e aquecidos, denotava-se um desconforto aparente nos alunos.
     Devido ao fato de que apenas 9 computadores estavam funcionando e conectando a Internet, a aplicação do questionário foi por grupos de 9 alunos de cada vez na manhã e tarde, o que levou dois dias inteiros para conclusão dos trabalhos com as 6 turmas de aproximadamente 40 alunos, totalizando 197 alunos que estavam presentes na escola e que aceitaram participar da pesquisa.
     O laboratório de informática deste colégio não possui um responsável permanente em suas dependências. As profissionais atuantes na Biblioteca e inspetores de pátio é que mantêm a posse das chaves e cadeados. Fato este que devido a inexistência de um profissional responsável, dificulta a manutenção estrutural e técnica do laboratório de informática, igualmente a sua utilização por professores, sendo que os alunos não possuem permissão para utilizá-lo sem o acompanhamento de professor de disciplina. A manutenção técnica dos computadores está totalmente dependente do trabalho esporádico de técnicos de suporte do Núcleo Regional de Educação de Curitiba.

Em ambos os colégios avistaram-se o desligamento dos computadores instantaneamente, sem qualquer motivo aparente em pleno processo de aplicação dos questionários aos alunos, os quais tiveram que reiniciar o preenchimento. O que sinaliza a necessidade para desencadear uma checagem por parte dos técnicos de suporte do Núcleo Regional da Educação de Curitiba da SEED/PR.

2.3.       Apresentação e análise dos dados

A pesquisa realizada com os alunos dos colégios desenvolveu-se com um questionário de 43 questões, sendo 42 objetivas e uma aberta em que eles falavam livremente sobre a Internet. Apresentar-se-á primeiramente a análise dos dados e informações obtidos das 17 questões, dentre as 42, que apresentaram relevância em subsídios para discussão. E em seguida a análise da questão aberta.
A participação na pesquisa dos alunos de 8ª série, do CC foi de 100%, enquanto para o CP, 99,5%. Apenas 1 aluno, dos matriculados na 8ª série, deixou de responder a pesquisa por motivo de ausência.

Gráfico 1 - Faixa etária dos alunos pesquisados
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

A faixa etária predominante em ambos os colégios foi de aproximadamente 14 anos, fato ocorrido pela pesquisa ter sido feita no início do ano letivo. Considera-se adolescente todos os indivíduos com a faixa etária de 14 a 17 anos. Esta a fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis: físico, mental e social; e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.
Nota-se que no CP há aproximadamente 16% dos alunos que estão fora da faixa etária correspondente à idade curricular. Poder-se-á verificar nos gráficos a seguir outros dados, que indicam o fator sócio-econômico, que poderá ser um dos fatores prováveis que não deixam os alunos acompanharem o ano letivo.

Gráfico 2 - Pessoas residentes no mesmo domicílio do aluno pesquisado
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Em geral os familiares residentes no mesmo domicilio dos alunos são, em ambos os colégios, o pai, a mãe e irmãos. Percebe-se que a organização familiar continua sendo a tradicional, apesar de atualmente essa estrutura estar sendo modificada por algumas razões, como por exemplo, pais separados que no gráfico pode-se observar que aproximadamente 15% dos alunos de ambos os colégios moram somente com a mãe.

Gráfico 3 - Nível de escolaridade do pai e da mãe
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

As questões 5 e 7 que perguntava o nível de escolaridade da mãe e do pai separadamente, foram unidas para uma melhor análise, a diferença do grau de escolaridade entre eles não foi superior a 5%.
Nota-se que 72% dos pais do CP não têm nível superior. Enquanto 48% dos pais do CC possuem no mínimo nível superior.
Ainda não temos subsídios suficientes para analisar este gráfico, portanto ele será analisado juntamente com outros dados que serão expostos a seguir.
Gráfico 4 - Renda familiar
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Percebe-se que há uma diferença relevante em relação aos dois colégios. No CP 80% das famílias tem renda familiar de até 4 salários mínimos, enquanto no CC 75% dos pais possuem renda acima de 5 salários mínimos. Percebe-se aqui duas variáveis.
A primeira delas é que quanto maior for à renda familiar, maior é a oportunidade de estudos que o indivíduo terá. E a segunda é que quanto mais estudos ele tiver maior será sua renda. Isto se aplica ao ciclo contrário, no qual quanto menor for a renda, menos oportunidades de estudo o indivíduo terá. E quanto menos estudos, menor será sua renda.
Isso pode ser explicado pela sistemática da desigualdade social imposta pelo capitalismo em sua origem. Quem tinha condições para a dominação e a apropriação, eram os ricos. Quem trabalhava para estes eram os pobres. Este evento é um dos fatores que geravam desigualdade social. Essas desigualdades não eram somente econômicas, mas também intelectuais, ou seja, o operário não tinha como desenvolver sua capacidade de criação.
Gráfico 5 - Recursos tecnológicos que as famílias possuem e os alunos tem acesso.
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Primeiramente nota-se que as famílias do CC possuem um poder de compra maior dentre todos os recursos tecnológicos citados na pesquisa. Fato que deve estar relacionado a renda familiar.
O segundo dado a ressaltar é que nos recursos tecnológicos relacionados ao computador (MP3, impressora, pendrive, entre outros), a diferença em média entre as famílias dos colégios é de 43,5%. Isso pode ser explicado pelo fato de que 57% das famílias do CP possuem computador, enquanto as famílias do CC são 97%.
Gráfico 6 - Porcentagem dos alunos que possuem Internet em casa
      Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

O gráfico 6, demonstra que 97% das famílias do CC que possuem computador em casa, 93% tem acesso a Internet. E dos 57% das famílias do CP, 49% tem conexão a Internet. Portanto dos que possuem computador em casa, em média apenas 6% não tem acesso a esta ferramenta.
Infere-se que o computador sem Internet não é uma ferramenta completa, pois os softwares que vêm instalados nos equipamentos possuem muitos programas que são inúteis se não houver conexão com a Internet. Inclusive as atualizações necessárias para acompanhar a evolução das tecnologias são feitas através dela.

Gráfico 7 - Local de maior utilização da Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010
Neste gráfico destacou-se o número de adolescentes que não utilizam a Internet. Pegou-se o número total de alunos que não usam a Internet independentemente do colégio, e dividiu-se pelo número total dos respondentes. No qual chegou-se a 3% que não usam a Internet. Portanto 97% dos adolescentes fazem uso desta ferramenta.
Para as próximas análises, deve-se esclarecer que nesta pergunta os alunos podiam responder mais de um item, portanto a média e a mediana não são os melhores parâmetros para a análise deste gráfico. Será utilizado então o método estatístico a moda, no qual é considerado o valor com maior numero de aparições.
Pode-se observar que na questão escolar, há um uso maior da Internet por parte dos alunos do CC, com uma diferença mensurada de 22 pontos percentuais em relação ao CP. Supõe-se que esta diferença é pelo fato de que o gerenciamento dos laboratórios de informática nos colégios é diferente. Conforme descrito no item ‘desenvolvimento da pesquisa’.
Os lugares em que mais se utiliza a Internet foram, em casa e em Lan House. Este fato despertou uma dúvida, na qual os próximos gráficos poderão ajudar a entender. Os adolescentes estão sendo orientados e supervisionados quanto ao conteúdo e horas de uso da Internet nestes locais?

Gráfico 8 - Localização do computador no domicílio
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Para fazer uma análise mais profunda deste gráfico, em que demonstra o local de utilização da Internet dentro de casa, trabalhou-se com o número total de respostas por ambientes, sem considerar a diferença entre colégios. Com isso chegou-se ao número de 50% dos alunos que utilizam a Internet em ambientes (Em um escritório, no próprio quarto e no quarto do irmão) que supostamente são privativos e, portanto poderá haver maior liberdade para acessar o conteúdo desejado.
Em contra partida, 27% usam a Internet em ambientes neutros como o quarto dos pais e a sala de estar. O computador portátil fica indefinido nesta análise.
Estes dados ainda não são suficientes para fazer uma análise em que nos responda a dúvida suscitada.

Gráfico 9 - Quem faz companhia ao aluno durante o uso da Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, no qual é considerando o valor com maior número de aparições. Com isso, chama a atenção que os eventos que mais se repetem entre adolescentes é usar a Internet com amigos, e sozinhos.


Gráfico 10 - O que os pais costumam fazer quando os alunos estão conectados na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos qual era a atitude dos pais em relação ao seu uso da Internet.
Apesar de que o evento no qual pergunta-se o que o filho está fazendo foi a que mais se destacou, não denota que os adolescentes estejam realmente sendo orientados para um uso adequado e seguro. Atitudes como verificar email, verificar por onde navegaram e fazer vista grossa, se apresentaram com aproximadamente a mesma frequência que o item que era desejado (sentar e fazer coisas juntos no computador).
Supondo-se que em uma Lan House, como destacado no gráfico 7, não exista um responsável para orientar e supervisionar o acesso a Internet pelo adolescente, mais a liberdade no uso da Internet dentro da própria casa, que foi detectado no gráfico 8, somando-se ao uso sem a devida companhia, que cita-se no gráfico 9, com a falta de envolvimento por parte dos pais, diagnosticado no gráfico 10, pode-se deduzir que os adolescentes não possuem a devida orientação. Isso fica explicito e justificado nos gráficos a seguir.

Gráfico 11 - Com quem os alunos aprenderam a usar a Internet
     Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos com quem aprenderam a utilizar a Internet.
O item com maior resposta de ambos os alunos foi ‘Ninguém, aprendi sozinho (a)’. percebe-se que a baixa pontuação em que os adultos ensinam o adolescente remete-se a informação de que realmente os alunos não tiveram e não possuem a devida orientação em relação ao uso da Internet.

Gráfico 12 - Conteúdos que os pesquisados costumam acessar na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos, que conteúdos costumavam acessar.
Os dados mais expressivos neste gráfico são: esportes, humor e notícias. Mas, não serão analisados aqui porque são subjetivos, ou seja, não se pode afirmar nada em relação ao tipo de conteúdo benéfico ou maléfico. Portanto serão analisados os itens de que os conteúdos são mais exatos, como, os concursos, educativos, sites impróprios para menores de 18 anos e apostas.
Tem-se neste gráfico um percentual que não deveria estar acontecendo com os adolescentes, pois a Lei 8.069/1990 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê no Art. 78 que “as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”. E no Parágrafo único deste artigo “As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca”.
Esta Lei não é cumprida na rede mundial, até porque o ECA não especifica nenhum artigo ou parágrafo em relação a este conteúdo que é divulgado digitalmente. O que se pode propor é que os sítios de publicações destes conteúdos exijam um documento de identificação que prove a maioridade dos internautas antes de acessá-los. Mas enquanto a Lei não se atualiza, cabe aos responsáveis por este adolescente a exigir do Estado que se faça cumprir também na rede mundial, conforme o Art. 4º “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”, disposto também nesta Lei.
Outro conteúdo também considerado impróprio conforme a mesma Lei 8.069/1990 são as apostas. Neste gráfico também tem um percentual no qual deveria ser zero. No Art. 80 o ECA prevê que “Os responsáveis por estabelecimentos que explorem comercialmente bilhar, sinuca ou congênere ou por casas de jogos, assim entendidas as que realize apostas, ainda que eventualmente, cuidarão para que não seja permitida a entrada e a permanência de crianças e adolescentes no local, afixando aviso para orientação do público” fato que também não é cumprido na rede mundial pelo mesmo motivo citado ao conteúdo anterior. E que cabe a sociedade em geral cumprir o Art. 4º já descrito acima.
Em relação aos conteúdos que se tem certeza de que são benéficos aos alunos como os sítios educativos e de concursos, tem um percentual muito baixo. Denota-se que a Internet está sendo mais utilizada para lazer do que para conteúdos que agreguem valores aos adolescentes. Esta ferramenta nos traz ambos os conteúdos, de entretenimento e educativos, mas os alunos não estão equilibrando seus acessos.

Gráfico 13 – Serviços que os alunos costumam utilizar na Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nesta questão os alunos também podiam responder mais de um item, portanto foi utilizado novamente o método estatístico a moda, para analisar os dados em que perguntava-se aos alunos, quais serviços mais utilizavam na Internet.
Antes de iniciar-se a análise, vale a pena relembrar que os alunos do CP apenas 49% tem conexão a Internet em casa. Portanto proporcionalmente apresentará valores menores ao dos alunos do CC.
Nota-se que das 17 atividades listadas, as 7 mais utilizadas são as de compartilhamento de informações e comunicação que podem oferecer risco aos adolescentes. O acesso a páginas na web tem caráter amplo e será descartado.
As atividades de compartilhamento são:
     Baixar/fazer download de músicas, programas, filmes...: O risco que esta atividade pode ter é de adquirir juntamente com o conteúdo desejado, vírus e spywares (programas espiões) que podem “roubar” conteúdos pessoais dos usuários do computador. Como por exemplo, senhas, documentos, fotos, entre outros.
     Sites de relacionamento/Comunidades virtuais (ex.:Habbo, Orkut, Facebook,…): O risco que esta atividade pode trazer é de expor-se com informações muito particulares e pessoais que qualquer internauta pode ter acesso. Aumentando muito o risco de sequestro e outros crimes como, por exemplo, o bullyng que são atos de violência física e psicológica intencionais e repetidos.
     Compartilhamento de vídeo ou fotos (ex.: Youtube…): o risco é o mesmo que foi apresentado na atividade acima.
     Jogos na rede (subtende-se que para realizar esta atividade, utiliza-se de um servidor em comum): Em geral estes servidores são informais, ou seja, para participar destes jogos o servidor sabe exatamente o endereço IP (identidade de cada computador na web) do computador em que acessa-o. Em posse deste endereço IP existe extrema facilidade de invasão de computador.

E as atividades de comunicação são:
     E-mail: O risco nestas atividades são receber vírus, spam (emails indesejados), no qual pode-se levar a vítima a cair em golpes e/ou fraudes.
     Salas de bate-papo ou Messenger (MSN): Os riscos desta atividade são, o bullyng, assédio moral e insultos pejorativos.

Portanto, os serviços que os adolescentes mais utilizam na Internet, podem oferecer também riscos a eles. Deduz-se então, que para utilizar estes serviços é importante que haja uma orientação adequada em caráter preventivo quanto ao uso da Internet e seus conteúdos.

Gráfico 14 - Tempo de permanência diária na Internet de Segunda a Sexta
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Neste gráfico percebe-se que o tempo de uso diário da Internet nos dias úteis, ou seja, de segunda a sexta, pegando o numero total de alunos, independentemente do colégio, chega-se ao número de 34% que é relativamente alto de adolescentes que utilizam a Internet por mais de 4 horas. Considerando que o dia tem 24 horas, necessita-se de 8 horas para dormir, 6 horas de permanência na escola, 2 horas para realizar as tarefas escolares, 2 horas para necessidades diárias, restou-se apenas 6 horas. Se destas 6 horas forem utilizadas 4 horas ou mais para acessar a Internet, poderá prejudicar o desenvolvimento deste aluno. Pois, sabe-se que o uso contínuo do computador pode prejudicar a saúde, além do que, se este tempo for somado aos conteúdos mais acessados, como visto anteriormente, deixará o aluno vulnerável por mais tempo.

Gráfico 15 - Tempo de permanência diária na Internet no sábado e no domingo
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Este gráfico mostra que a suposição feita anteriormente com relação ao tempo de atividades diárias, pode estar correta, pois nota-se que entre os alunos que possuem Internet em casa, conectam-se mais horas nos fins de semana.

Gráfico 16 - Eventuais discussões dos pais para com os filhos acerca da Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Nota-se no gráfico, que quando há preocupação dos pais, com relação ao uso da Internet por parte dos filhos, mostrou-se uma maior preocupação em relação ao tempo de uso do que ao conteúdo acessado.    
Viu-se também que existe uma considerável parcela de pais que usam o tempo de utilização como um fator negociável. O que sugere tamanha importância que os filhos dão ao uso da Internet.
Deduz-se então, que a Internet faz parte da vida do adolescente, seja culturalmente, socialmente ou economicamente. Conseguiu-se concluir que a Internet é uma importante ferramenta para lidar com os adolescentes. Porém é importante salientar que há diversos riscos e que também foi constatada uma falta de orientação sobre o uso adequado. Toda análise das questões objetivas foram feitas a partir de qual a concepção que os alunos possuem sobre a Internet. Ver-se-á a seguir, qual é a opinião dos adolescentes sobre o assunto de forma mais direta.  

2.3.1                Questões abertas

No questionário havia um campo onde os alunos puderam discorrer livremente sobre a Internet. Estes textos escritos pelos 397 adolescentes foram lidos pela acadêmica, sintetizados, analisados e apresentados por similaridade como no gráfico a seguir.

Gráfico 17 - Textos escritos pelos alunos sobre a Internet
Fonte: Colégio Central e Colégio Periférico
Autora: Felix, 2010

Considerando o total dos textos escritos pelos alunos sobre a Internet, independentemente dos referidos colégios chegou-se ao número de 62% que demonstraram total positividade em relação à Internet. Há 16% que indicam positividade, porém a criticam. E 15% que além de sinalizar positivamente e criticar, também propuseram soluções. Existem ainda 7% dos pesquisados que demonstraram compulsão pela Internet.
O fato que gera maior preocupação é, que 69% dos pesquisados não enxergam nenhum fator de criticidade ou periculosidade do uso descomedido da Internet. Pois, como visto anteriormente, a maioria dos adolescentes acessam a Internet sem orientação dos pais e professores, possuem esta ferramenta em casa e utilizam-na por mais de duas horas diárias. Há ainda uma grande parte que permanece conectado sozinho e tem Internet em seu próprio quarto.

Segue abaixo de forma analítica alguns exemplos na íntegra, ou seja, não foi alterado em nenhum momento os pronunciamentos destes alunos.

     “Ah internet eh algo muito util pois sem ela eu nao seria nada pois eu me conecto todo dia e com ela eu converso com varias pessoas e faço mais amizade e tambem eh mais facil fazer os trabalhos do colegio na internet e tals...”

     “É a melhor coisa q existe neste planeta, pois com tda esta tecnologia podemos ganhar tempo.cmo por exemplo se quiser falar cm meus amigos é soh entrar no Orkut ou no Msn q eles estão lah. Esta td mais facíl com a internet posso usa p/consequir musícas, videos, etc... uso ela pra poder trabalhar pois dependo da internet p/trabalhar, pois é soh lah q consigo as musícas q preciso p/ o FDS (Fim de Semana). Bem a internet é o maior meio de comunicação q existe no planeta Terra, pois tu pode conversar com uma pessoa q esta do outro lado do mundo em time (tempo) real;Isso sim é tecnologia, a internet chegou p/ acabar com falta d comunicação entre as pessoas... É mto mais facíl perguntar q ñ tem orkut do q perguntar qm tem, tendo em vista q mais da metade da população desse planeta tem seu orkut, isso em porcentagem equivale a 99,5% q tem orkut, e, somente 0,5% ñ possui orkut. Bem estes são dados verdadeiros, pois ai podemos ver q realmente a internet veio p/mudar a life (vida) das pessoas com seu acesso facilitado, e rápido retorno!!! Resumindo a internet é T D B (Tudo de Bom) isso sim é tecnologia Salve a Internet... somente o verdadeiro Sábio sabe reconhecer algo com mais conhecimento q ele.”

     “É um método muito bom de estar conectado ao mundo sem sair de casa, vc pode jogar, pesquisar, conversar... vc pode fazer muitas coisas até anonimamente, ter sua(s) própria(s)páginas pessoais, etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc...”

Nota-se no gráfico que 16% dos alunos falaram positivamente da Internet, mas apontaram alguns itens de criticidade. Estes itens em grande maioria foram: o tempo de permanência na Internet, que gera certa dependência (vício) pela ferramenta, isolamento social, conteúdos acessados, crimes cibernéticos e segurança na rede. Abaixo estão alguns depoimentos completos e da mesma forma que foram escritos.

     “Eu acho que a Internet ajuda em alguns momentos, com pesquisas, comunicação virtual, etc. Mais tambem pode provocar um certo vicio. Muitas pessoas passam o dia no computador, o que na minha opnião é completamente errado. Pois você dedica parte do seu tempo a Internet, e deixa de fazer coisas mais importantes, como estudar, se reunir com a familia, etc.”

     “Posso concluir que a internet é algo muito util, entretanto , se a pessoa se ' viciar' pode perder amizades, e deixar de lado a sua família. Eu uso a internet para pesquisa escolares, entreterimento,... A internet facilita a comunicação entre pessoas, seja parentes ou amigos. Eu não coloco a internet como pricipal atividade, também acho que a internet pode ser usada para coisas erradas, acho que as pessoas não precisam errar para depois se arrependerem do erro. Esta foi minha opinião sobre a internet.”


     “Para mim é algo muito interessante, além de você conversar com seus amigos,fazer trabalhos escolares,jogar e outras coisas é um modo de você aprender mas utilizando esse meio. O único problema é que pode viciar ou você entrar em sites proibidos que te prejudicam. E tem sites de educação,pesquisas,curiosidades e etc... Por meio da internet você aprende um pouco mas sobre o nosso dia-dia.”

     “sertas coisas são boas ,mais porém mtos blogs ,sites podem causar graves problemas...saber sites que esta visitando ou navegando é muito importante saber!!!nem todos que navegam tem as intenções boas!!!”


     “eu acho mto legal... tem muita utilidade, mais tamem pod ser usado para prejudicar mto a vida dos outros, hoje naum é muito dificil conseguir a senha dos outros em sites como o orkut, o msn , e até mesmo em blogs... tambem acho q naum adianta os pais proibirem os filhos de acessar a internet que por mais que proibam os filhos sempre entram pra fazer coisas que os pais nunca imaginam que os seus filhos fazem na vida... eu tenho muitos amigos que ja se 'vingaram' pela internet, que é uma das coisas mais fáceis e no fim ninguém pega pq muitas vezes os pais nem olham oq os filhos estão fazendo na internet... é só isso por enquanto, qualquer pergunta e questao é so me perguntar... bjo me liga...”

Uma parcela dos alunos pesquisados (15%) apresentaram soluções para estes problemas, nos quais a maioria propôs o uso responsável da Internet sob orientação. Segue abaixo de forma analítica alguns modelos na íntegra das declarações dos alunos.

     “Eu acho bem importante ,se usada com disciplina pode ajudar muito em várias coisas.Isso é maraaa :)”

     “A internet é na verdade um dos meios de comunicação mais avançados que existem,ela pode ser usada tanto para o bem quanto para prejudicar as pessoas.É necessário tomar algum cuidados quanto ao uso,tais como proteger documentos importantes e não dar dados pessoais em sites de relacionamento,também é importante sabermos que divulgar fotos íntimas em paginas na web,deve ter restrições,tais como protegê-las do acesso inadequado.A internet deve ser usada com cautela,pois em alguns casos quando usada diariamente de cinco á seis horas pode tornar-se um vício,principalmente entre os jovens que ficam fascinados com jogos virtuais,só pra ter ideia do tamanho do problema já criaram até clínicas de tratamento para pessoas viciadas em internet o que é muito preocupante.Internet um avanço tecnologico bom,se usado com cautela e principios éticos.”


     “Eu não tenho medo de usar a internet pois sei onde entro e navego em sites seguros, e fui preparada para isso então sei onde posso entrar e em que sites são apropriados para mim e para minha idade e sei aonde meus pais não gostariam que eu entrasse por isso eu não entro por isso não descutimos e temos orarios então não passamos muito tempo navegando.”

     “A internet é algo muito útil que pode ser usado pra estudos e comunicação. Mas nem sempre é usada para conhecimento ou mesmo estudos. A maioria dos jovens utiliza a internet mais para sites de relacionamento ou bate-papo. A internet pode também trazer problemas se você conversa com pessoas desconhecidas ou passa infomações pessoais. Em muitos casos você também pode ser vítima de golpes pela internet. Mas de maneira geral a Internet é algo muito bom se você conhece realmente os seus perigos e sabe usar corretamente.”

As questões abertas nos mostra que alguns adolescentes possuem certo conhecimento sobre a Internet, porém na maioria lhes falta orientação para utilização correta. Infere-se que se inserir este conteúdo na grade curricular dos colégios, manterá todos atualizados quanto às novas tecnologias, com aulas para conhecer e aprender a utilizar o universo virtual, somando na vida dos adolescentes de maneira que contribua para a formação pessoal e profissional.
Outro dado relevante é a forma de utilização da internet vinculado ao ensino. Deduz-se que muitos utilizam para pesquisas escolares de uma forma equivocada fazendo com que estas atividades se tornem uma espécie de plágio. Seria o famoso copiar/colar do computador, sem a devida leitura e entendimento da pesquisa. Isso faz com que possivelmente uma atividade com intuito de ensinar, passa a ser apenas uma maneira de cumprir com as atividades propostas, e tirar a nota necessária para sua aprovação. Por isso é preciso estimular a pesquisa na web com certa noção daquilo que se está estudando e se a fonte é segura, com embasamentos científicos, da mesma forma que era feito com as tradicionais pesquisas de bibliotecas físicas.
Pode-se perceber também a escrita destes adolescentes que possuem normas exclusivas e reproduz a expressão do pensamento de forma coloquial, na qual escrevem espontaneamente e informal. Supõe-se que esta linguagem própria está evoluindo de forma desenfreada e sem rumo, já que não tem similaridade nenhuma com a escrita formal.


considerações finais

A ideia que gerou este trabalho de conclusão de curso se deu ao assistir um programa do Estado do Paraná, onde se discutia novas propostas para a inclusão digital nas escolas. Havia uma especialista que apontava alguns problemas em relação a extrema positividade que tratavam o assunto, pois na opinião dela, dever-se-ia aprofundar mais os estudos para verificar se o projeto realmente estava completo.
Ao momento em que isto era divulgado, imaginou-se que o Educador Social também poderia contribuir para esta nova expressão da questão social, a exclusão digital que se começou a discutir nos últimos anos.
Optou-se então por investigar qual é a concepção dos adolescentes sobre o uso da Internet, nas escolas públicas do Estado do Paraná, para ver se há realmente alguma problemática que não poderia ser vista com extrema positividade.
Como o número de escolas públicas no Paraná é muito grande, foi determinado dois critérios para a escolha dos 2 colégios estaduais.  O primeiro foi IDEB, e o segundo a localidade geográfica da escola. O IDEB apontava rendimento escolar de 5.9 para o Colégio Central e 3.2 para o Colégio Periférico, no qual deveria ser de no mínimo 5.0.
Posterior a definição do universo da pesquisa, entramos em contato os mesmo, e os seus respectivos Diretores aceitaram prontamente a realização da pesquisa em seus colégios, e delegaram outros profissionais da escola acompanhamento e as devidas providências para organização da pesquisa juntamente com a observação dos laboratórios de informática.
Vale lembrar que uma das características marcantes na visita as instituições pesquisadas foi o aspecto dos laboratórios de informática nos Colégios. Um deles possui profissional responsável e no outro não. Alunos podem utilizar os computadores disponíveis e inclusive são registrados antes de adentrarem o laboratório de informática, enquanto no outro colégio não possui profissional responsável e nem mesmo os alunos podem utilizar o laboratório sem a presença de seu professor. Apenas um dos colégios possui ar condicionado e televisão multimídia em que os professores utilizam para realizar testes do material que será utilizado em sala de aula. E finalmente o dado mais importante, num dos colégios 96% dos computadores estavam em funcionamento, enquanto no outro somente 45% funcionavam.
A dúvida aqui reside no fato de que, os dois colégios são públicos e estaduais, ou seja, teoricamente o repasse financeiro pelo Estado tem o mesmo valor para ambos, então porque há tanta diferença entre estas instituições de ensino?
O que se pode imaginar neste caso é de que uma das instituições pode estar sendo mal gerida. Esta pesquisa foi feita apenas com dois exemplos, o que pode ser insuficiente para esta conclusão. Mas este fato poderia levar a uma nova investigação bem mais profunda, que não cabe neste trabalho porque o enfoque aqui é o adolescente.
Outra questão que surgiu nesta pesquisa foi, porque há uma diferença gritante entre a renda familiar dos adolescentes? Guerreiro (2006, p. 41) ressalta que:
“a exclusão social em cidades grandes não é uma condição, mas um processo histórico-econômico e político que se agravou sensivelmente com o modo de produção capitalista, dada a distribuição desigual de oportunidades e de renda, o acesso deficitário a seguridade e proteção social, o baixo índice de empregabilidade, o baixo nível educacional e o elevado grau de preconceito social e marginalização da pobreza”.

Esta pesquisa deixa claro que para obter-se uma infoinclusão social não basta trabalhar individualmente apenas com os adolescentes, com o rendimento econômico das famílias através das políticas para a “pobreza” ou a estruturação das instituições. A realidade é complexa e deve ser estudada como num todo. Iamamoto (2007 p. 147) diz que a política social está submetida aos ditames da política econômica, que é redimensionada nos cortes dos gastos públicos para programas sociais, focalizando apenas no atendimento a pobreza, e para agravar, estes atendimentos são descentralizados na sua aplicação. Entretanto deveriam proceder com uma urbanização ordenada de forma inteligente, democrática e preocupada com a inclusão social e não apenas com a inclusão econômica. “Desta forma, planejar a relação de equilíbrio sustentável entre o progresso tecnológico e o desenvolvimento social passa a ser um desafio das cidades modernas.” (GUERREIRO, 2006 p. 147)
Esta pesquisa revelou também que estes adolescentes acessam a Internet sem orientação de educadores (pais, professores ou responsáveis) e que 71% possuem Internet em casa, dos quais 53,5% utilizam-na por mais de duas horas diárias, e destes a maioria permanecem conectados sozinhos, e ainda 33,5% tem esta ferramenta em seu próprio quarto. Ou seja, há uma categoria expressiva de adolescentes independentes e com liberdade em relação ao uso da Internet sem ponderação.
A maioria (69%) considera a Internet uma ferramenta benéfica no sentido de facilitar acessos à informação e comunicação. Pode-se considerar também que há disponível grandes portais que trazem muitas informações e também diversificação das informações para vários temas. Estes portais oferecem conteúdos idênticos aos jornais impressos, colunistas, blogs, crônicas e assuntos que passam em telejornais e reportagens de áudio com as páginas das emissoras de rádio. Além dos portais, existem hoje diversas ferramentas de busca de informações com muito entretenimento, informações inúteis e páginas de relacionamento.
Na pesquisa viu-se que a Internet está sendo mais utilizada para lazer do que para conteúdos que agreguem valores aos adolescentes. Esta ferramenta nos traz ambos os conteúdos, de entretenimento e educativos, mas os alunos não estão equilibrando seus acessos.
Somando-se a facilidade de acesso com a falta de orientação e restrição do uso da Internet, pode-se afirmar que os alunos pesquisados usam a Internet para toda e qualquer necessidade momentânea. Se eles estiverem precisando de estudos sobre a política e geografia do Brasil irão encontrar. Se procurarem por noticias de esportes, jogos e programas também estará disponível na Internet. Portanto, se os educadores (pais, professores ou responsáveis) estiverem exigindo e fomentando estudos, pesquisas ou busca de informações de valia, o tempo de uso da Internet poderá ser revertido em um grande parque de aprendizados. Porém, se os educadores não estimularem e orientarem estes adolescentes, dificilmente o jovem irá buscar informações úteis para o seu desenvolvimento humano. Ou seja, a Internet esta virando um parque de lazer ou diversões ou até mesmo num perigoso parque sem regras. Essa falta de normatização fica muito clara com os vícios de linguagem apresentados nos pronunciamentos dos alunos pesquisados, já que os internautas possuem linguagem e escrita própria, o que foge muito da ortografia formal. Isso influencia extremamente no aprendizado e rotina escolar, fazendo com que comecem a escrever incorretamente, entre outras coisas.
Considera-se então que os adolescentes estão vivenciando uma realidade que cada vez mais deixam de viver no mundo real para adentrarem o mundo virtual, onde até o momento não há limites nem regras. Morin diz que na teoria da complexidade há uma necessidade de criar um método, no qual investiga-se os fatos, como feito nesta pesquisa, e que deve-se aplicá-lo de forma que se possa reinvestigar e ao mesmo tempo recriar novas teorias acerca do mesmo fato, que neste caso é o uso indiscriminado da Internet por adolescentes, para que enfim o método melhore para reaplica-lo, a cada novo resultado das investigações.
A pesquisa desenvolvida neste trabalho serve como alicerce para um novo estudo em relação as novas tecnologias de informação e comunicação, pois este foi apenas sobre à concepção que os jovens possuem em relação à Internet, na qual percebeu-se que existe necessidade de novos estudos vastos e profundos para criar uma teoria e um método como é explicita na teoria da complexidade. Mas, o que se pode afirmar é que devido a esta nova expressão da questão social, o Educador Social tem subsídios científicos para ajudar a transformar esta realidade vivida junto à uma equipe multi e interdisciplinar de profissionais que estejam dispostos a atuar nesta complexidade.
Infere-se aqui que há dois aspectos essenciais a ser trabalhados com urgência por esta equipe: a educação e a cidadania.
A educação será vista como ponto de partida para o desenvolvimento da alfabetização digital, na qual não é apenas a disponibilização do equipamento a todos e deixá-los a mercê, e sim orientar a futura sociedade da informação sobre como adquirir e trabalhar com as informações disponíveis na Internet.
Para tanto, deve-se trabalhar a cidadania em paralelo para que a Internet possa ser uma difusão dos princípios de cidadania, com o uso responsável e crítico das potencialidades da sociedade da informação e comunicações, gerando melhores condições de vida e uma cidadania local plausível, para que o global consiga libertar-se do capitalismo cruel em que se vivencia hoje.
Enfim, deixa-se estas questões expostas para que sejam consideradas como um enigma a serem desvendados e arraigados em novas ciências em que todos os cidadãos façam parte para alcançar a emancipação humana que está nos princípios éticos do Educador Social.

referências

ABREO, Ana Carolina Santini B. de. Contemporaneidade e Serviço Social: Contribuição para Interpretação das Metamorfoses Societárias. Departamento de Serviço Social da universidade Estadual de Londrina. 1998. Disponível em: Acesso em: 16 ago. 2010.
ANATEL, Agência Nacional de Telecomunicações. Quantidade de Acessos/Plano de Serviço/Unidade da Federação. Disponível em: Acesso em: 04 nov. 2010
ANDRADE, Maria Margarida de. Redação Científica: Elaboração do TCC passo a passo. Factach editora, 2ª Ed. São Paulo: 2007. P. 129 à 192.
BARRETO, J. M. Evolução histórica dos computadores. Universidade Federal de Santa Catarina. 2000. Disponível em: Acesso em: 03 jul. 2010.
BEAUD, Michel. Historia do Capitalismo: de 1500 aos nossos dias. 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1999.
BRASIL. Congresso Nacional – Lei nº 8609/90. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília. DF. 13 de Julho de 1990.
______. Congresso Nacional – Lei nº 8662/93. Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências. Brasília. DF. 7 de Junho de 1993. D.º U.  de 08 de Junho de 1993.
_____. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer Nº: CNE/CES 492/2001 COLEGIADO: CES. Diretrizes Gerais para o Curso de Serviço Social. 2001.
CARDOSO, T. F. L. Sociedade e Desenvolvimento Tecnológico: Uma Abordagem Histórica. In: Grinspun, M.P.S.Z. (org.). Educação Tecnológica: Desafios e Perspectivas. São Paulo: Cortez. 2001. p. 183-225.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede. Volume I. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CAZELLI, Sibele. FRANCO Creso. Alfabetismo científico: Novos desafios no contexto da globalização. Revista Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências. Vol. 3. Nº 1. Jun. 2001. Disponível em: Acesso em: 13 ago. 2010
DELAUNAY, Geniève Jacquinot. Novas Tecnologias, Novas Competências. Paris – texto traduzido por DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso, 2006, PR.
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: editora Unesp, 2001.
GAMA, R. A Tecnologia e o Trabalho na História. São Paulo: Nobel Edusp. 1987.
GUERRA, Yolanda. O Educador Social frente à crise contemporânea: demandas e perspectivas. Revista Agora, n. 3, ano 2, dez. 2005. Disponível em: Acesso em: 11 jan. 2011.
GUERREIRO, Evandro Prestes. Cidade digital: Infoinclusão social e tecnologia em rede. 1 ed. São Paulo: Editora Senac, 2006.
IAMAMOTO, Marilda. Villela. O Educador Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dados do Censo 2010 publicados no Diário Oficial da União do dia 04/11/2010. Disponível em: Acesso em:  04 nov. 2010
LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 2 ed. Porto Alegre: Sulina, 2004.
______; CUNHA, Paulo. Olhares sobre a cibercultura. 1 ed. Porto Alegre: Sulina, 2003.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. 1 ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
MARTINELLI, Maria Lúcia (Org). Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São Paulo: Veras, 1999.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Editora Abril, 1983.
______. O capital: O processo de produção do capital. 20ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002; v. 1, [livro 1 e 2]
______; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Texto III. São Paulo: Sociais, 1977e.
MICHEL, Maria Helena. Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais. Ed Atlas, São Paulo: 2005. P. 99 á 135.
MORIN, Edgar et. al. O Pensar Complexo. Edgar Morin e a crise da modernidade. 3ª ed. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.
NASCIMENTO, Janisson. O ciclo do Capitalismo. Brasil Escola. 2007. Disponível em: Acesso em: 22 jul. 2010.
PORTAL EDUCACIONAL DO ESTADO DO PARANÁ. Curitiba. Disponível em: Acesso em: 30 jul. 2010.
QUEVEDO, Luis Alberto. Conhecer para participar da sociedade do conhecimento. In MACIEL, Mª Lucia; ALBAGLI, Sarita (Orgs.) et. al. Informação e Desenvolvimento: conhecimento, inovação e apropriação social. Brasília: IBICT, UNESCO, 2007.
RABÊLO, Paulo. Inclusão digital: o que é e a quem se destina? 2005. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2010
SALES, Mione Apolinário; MATOS, Maurílio Castro de; LEAL, Maria Cristina.  Política social, família e juventude: uma questão de direitos. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2006.
SCHAFF, ADAM; A sociedade informática. 4 ed. São Paulo: Unesp e Brasiliense, 1993.
SUZUKI, Juliana Telles Faria et.al. TCC – Elaboração e Redação. Redacional Editora, Londrina: 2009. P. 133 á 141.
TONO, Cineiva C. Paulino et al. A Cultura de Integração na Gestão das Políticas Públicas e a Aplicação da Gestão da Informação Sócio-Educacional. 2008. 52 f. Trabalho apresentado ao Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná – PDE/PR - Universidade Federal do Paraná, Curitiba: 2008.
TONO, Cineiva C. Paulino. Tecnologia na Educação de Crianças e Adolescentes. Curitiba: 2010. 17 f. Minuta de um documento escrito para o Departamento de Educação e Trabalho.
UNESCO. World Report 2005: Towards Knowledge Societies. Paris: United Nations Educational Scientific  and Cultural Organization, 2005.
VALLE, José Carlos. Museu do computador e futuro da tecnologia. Itapecerica da Serra. 2010. Disponível em: < http://www.museudocomputador.com.br/> Acesso em: 03 jul. 2010.
WORLD SUMMIT ON THE INFORMATION SOCIETY. Plan of Action. Geneva. 2003. Disponível em: Acesso em: 26 out. 2010.



glossário

Bit: Simplificação para dígito binário, "BInary digiT" em inglês. É a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Usada na Computação e na Teoria da Informação. Um bit pode assumir somente 2 valores, por exemplo: 0 ou 1, verdadeiro ou falso.
Bullying: é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo
Cibercultura: é um termo utilizado na definição dos agenciamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual.
Ciberespaço: é um espaço de comunicação em que não é necessária a presença física do homem para constituir a comunicação como fonte de relacionamento.
Endereço IP: Internet Protocol, é um protocolo de comunicação usado entre duas ou mais máquinas em rede para encaminhamento dos dados.
Facebook: rede de relacionamento social na Internet.
Fordista: é um modelo de produção em massa que revolucionou a indústria automobilística, onde a proposta era verticalizaçao.
Four Head: Computador Quatro Cabeças, pois, para cada CPU, temos quatro monitores, quatro teclados e quatro mouses, diferente dos computadores "comuns" (os que estamos habituados), que para cada CPU tem um monitor, um teclado, um mouse.
GigaBytes: é uma unidade medida para armazenamento eletrônico de informação, estabelecida pela Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) para designar 2000 bytes de informação ou de armazenamento computacional. A sua abreviação é GB.
Habbo: rede de relacionamento social na Internet.
Hardware: É a parte física do computador, ou seja, é o conjunto de componentes eletrônicos, circuitos integrados e placas, que se comunicam através de barramentos
Home theather: Dispositivo conectado a uma TV ou vídeo usado como um centro de mídia para exibição de fotos digitais, música e filmes.
Ipod: é uma marca registada da Apple Inc. que refere-se a um tocadores de áudio digital.
Lan House: é um estabelecimento comercial onde as pessoas pagam para utilizar um computador com acesso à Internet
Linux: é o termo geralmente usado para designar qualquer sistema operativo ou sistema operacional que utilize o núcleo Linux.
Messenger: é um programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation.
Mp3: foi um dos primeiros tipos de compressão de áudio com perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano
Notebook: computador portátil.
Office: Família de aplicativos da Microsoft destinado para escritório que contém programas como processador de texto, planilha de cálculo, banco de dados, apresentação gráfica e gerenciador de tarefas, e-mails e contatos.
Orkut: rede de relacionamento social na Internet.
Pager: é um dispositivo eletrônico usado para contactar pessoas através de uma rede de telecomunicações.
Pendrive: é um dispositivo de armazenamento constituído por uma memória flash tendo aparência semelhante à de um isqueiro ou chaveiro.
Relé: interruptor acionado eletricamente. A movimentação física deste "interruptor" ocorre quando a corrente elétrica percorre as espiras da bobina do relé, criando assim um campo magnético.
Scanner: é um periférico de entrada responsável por digitalizar imagens, fotos e textos impressos para o computador, um processo inverso ao da impressora.
Software: é a parte de um computador. Software, logiciário ou suporte lógico é uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecionamento ou modificação de um dado/informação ou acontecimento.
Spam: abreviação em inglês de “spiced ham” (presunto condimentado), é uma mensagem eletrônica não-solicitada enviada em massa.
Spywares: programa automático de computador, que recolhe informações sobre o usuário, sobre os seus costumes na Internet e transmite essa informação a uma entidade externa na Internet, sem o seu conhecimento nem o seu consentimento.
Taylorista: é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro americano, Frederick Taylor. Caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando o aumento da eficiência ao nível operacional.
Transistor: componente eletrônico utilizado principalmente como amplificador e interruptor de sinais elétricos.
Voltagem: Tensão elétrica é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos.
Windows: é uma popular família de sistemas operacionais criados pela Microsoft.
World Wide Web: www, rede de alcance mundial.
Youtube: site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital.







Dentre os temas que ocupam grande parte dos debates sociológicos da atualidade estão as chamadas “políticas de igualdade”.  Trata-se de acolher e respeitar as diferenças de gênero, de raça, de cor, de religião, de opção sexual, de relacionamentos, e assim por diante. As chamadas políticas de inclusão social querem ajudar a perceber que a dignidade humana está acima de toda e qualquer diferença ou igualdade que se queira estabelecer. A preocupação que parece ser muito atual já foi tratada na sagrada escritura desde o princípio da organização do povo de Deus. Tomamos como referência e convidamos a Você professor, ler os seguintes textos:

 Êxodo 22, 20-26; Salmo 17(18) 2-3ª. 3bc-4. 47 e 51ab(R/.2);
 1Tessalonicenses 1, 5c-10; Mateus 22,34-40.

Estas leituras apontam exatamente para a questão das políticas de inclusão aos diferentes.  O livro do Êxodo faz uma recomendação de atualidade impressionante: Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes  estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. Se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor”. O convite parece ter sido escrito no contexto do que se chama aceitação e acolhida das diversidades e das diferenças. Deus ouve o clamor de todos e ninguém pode se dar o direito de macular a dignidade alheia.
São Paulo, escrevendo aos cristãos da comunidade de  tessalônica  elogia o comportamento de todos pelo fato de se acolherem mutuamente e nesta acolhida demonstrarem sua abertura a Deus, a seu projeto e ao seu Filho Jesus: Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos de falar, pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes”. A alegria manifestada pelo apóstolo reside no fato da comunidade praticar a acolhida que se traduz num instrumento para que a palavra de Deus seja divulgada para todos em todos os lugares.
E no Evangelho Jesus desmonta o conceito perfeccionista dos fariseus que se imaginavam melhores e mais dignos do que os outros. Amar a Deus, diz Jesus, é acima de tudo amar as pessoas que são suas criaturas. Em resumo, é praticamente impossível dizer que se ama a Deus, sendo sectário e praticando algum tipo de discriminação e falta de acolhimento do diferente.
Os profissionais da educação estão convencidos da sua responsabilidade e tudo fazem para que sua prática pedagógica seja inclusiva e de modo nenhum discriminatória. Sendo ou não cristãos, sob o ponto de vista da espiritualidade, qualquer que seja a religião, ou mesmo não praticando nenhuma religião, os textos bíblicos que apresentamos podem servir como fundamento espiritual para estimular o reconhecimento e a dignidade de todos os membros das comunidades educacionais incrementando sempre mais as políticas de inclusão e de respeito às diferenças e aos diferentes.
                E que o Deus da paz esteja com todos!
Prof. Elcio Alberton

PARA ALÉM DA PEDOFILIA
Elcio Alberton[1]

RESUMO
Com o título, “Para além da Pedofilia” o autor trata das questões  éticas e da moral pessoal e social no interior da Igreja. Com a avalanche de denúncias apresentadas nos últimos tempos envolvendo membros do clero em crimes de pedofilia e moral sexual o autor aborda questões éticas mais amplas. Procura responder as inquietações levantadas pela própria Igreja e que atingem os diversos setores dela mesma os quais ainda não foram exploradas pela imprensa. Depois de fazer considerações sobre toda a temática conclui apontando caminhos para respostas que sejam mais do que localizadas ou punitivas e sugere uma avaliação em toda a postura desta milenar e respeitável instituição que muitas vezes se vê confundida como a detentora do evangelho e do projeto do Reinado de Deus.

PALAVRAS CHAVES: Credibilidade, Crise ética, Fragilidade, Pedofilia, Sexualidade, Escândalo.

ABSTRACT
 With the titlhe “Away beiond the pedophilia” the author deals with ethical questions as well as with social and personal moral in the interior of the church. With the avalanche of reports presented  over the last time involving clergy  members into crimes of pedophilia and sexual moral, the author deals with widers ethical questions, he loks for answering the anxieties raised by the church itself that reach different sections of it (of the church) that were not exploited by the press. After many considerations about all the thematic, concludes pointing ways for answers that are more than localized or punitive, and suggests an evaluation of the posture of this respectable instituion with two thousand years that many times is confused as the one that owns in its power the gospel and the project of the kingdom of God.
KEY WORDS: Credibility, Ethical crise, Fragility, Pedophilia, Sexuality, Scandal.



1.                  Introdução

Diante da evidência do pecado de pedofilia que, sorrateiramente, se insinuou em nossas fileiras eclesiásticas e religiosas como outrora no paraíso, nós nos sentimos humilhados, acabrunhados e tomamos atitudes nem sempre verdadeiras, em nossa defesa e justificação. Negar a presença do mal em nosso meio, não podíamos. Mas tentávamos por todos os modos dificultar a divulgação do escândalo e procurávamos convencer as pessoas que dele, porventura, tivessem tomado conhecimento, que se tratava de uma exceção, de um fato isolado[2].

A onda de denuncias sobre pedofilia entre os membros da Igreja Católica veiculada nos últimos tempos, não traz novidades sobre o tema. A citação acima, texto escrito por Dom José Maria Pires, confirma esta realidade. As questões éticas que envolvem a problemática ganham dimensão potencializada por se dar dentro de uma instituição cuja credibilidade pode e deve ser questionada, todavia não menosprezada. Outra consideração a ser feita consiste em admitir que pedofilia não seja um pecado restrito à Igreja católica. Obviamente que por conta da Igreja ser entendida como uma espécie de ícone de comportamento ético essas questões ganham atenção muito maior.
Do ponto de vista da Igreja parece ser clara a posição da hierarquia, primeiro em afirmar com todas as letras que o ideal seria “zero” pedofilia, “zero” escândalo, “zero” comportamento que viesse afetar a credibilidade e a missão da instituição. Todavia como qualquer instituição não seria a Igreja que iria denunciar os seus próprios filhos alias o que raramente acontece em todas as instâncias. Neste caso é importante ter claro os conceitos jurídicos que diferenciam mentir e silenciar sobre a verdade.
Quando a Igreja não denunciou, ao longo da história, limites e fragilidades dos seus membros certamente não o fez com o intuito de mentir ou negar a existência deles, tratou-se sim de silenciar sobre temas e situações que a própria sociedade ainda não dispunha de elementos que permitissem viabilizar ou reparar os danos causados por tais delitos.  
Neste sentido, recentemente o arcebispo Velasio De Paolis presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé advertiu contra o problema da apostasia do clero: "O Papa, com razão, exige o reconhecimento dos direitos e o respeito pelos cristãos, mas, sobretudo, denuncia a infidelidade que há no interior da Igreja".
Na medida em que a sociedade está muito mais sensível e melhor aparelhada para exigir que sejam reparados os danos causados por delitos de natureza ética, parece evidente que a Igreja diga, como tem feito. Em 2002 o Papa Bento XVI afirmou diante das câmaras de TV do mundo inteiro: “Nós nos encontramos diante de crimes e pecados que devemos condenar de maneira absoluta”.
 Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo[3], o diplomata Paulo Sergio Pinheiro afirma:
Faz séculos que as crianças mundo afora sofrem com o castigo corporal ou físico, aquele que recorre à força e inflige certo grau de dor, mesmo leve. Na maioria dos casos, tratase de bater nas crianças (palmadas, bofetadas, surras) com a mão ou com objetos como chicote, vara, cinturão, sapato e colher de madeira. Mas pode consistir também em dar pontapés, empurrões, arranhálas, mordêlas, obrigálas a ficar em posturas incômodas, produzir queimaduras, obrigar a ingerir água fervendo, alimentos picantes ou a lavar a boca com sabão. Além desses há outros castigos que não são físicos, mas igualmente cruéis e degradantes, castigos em que se menospreza, se humilha, se denigre, se ameaça, se assusta ou se ridiculariza a criança.
Agora que a escala e a dimensão dessas práticas de violência aqui descritas se tornaram mais visíveis, e conhecidas suas consequências sociais, emocionais e cognitivas devastadoras para o desenvolvimento da criança e para seu comportamento como adulto, como acelerar o processo de sua eliminação? Políticos e organizações da sociedade civil e religiosas precisam rejeitar claramente a violência contra a criança. Governos devem revelar através de pesquisas o verdadeiro nível de violência contra a criança e combatê
la.

Por outro lado a sociedade e a Igreja precisarão ter a coragem de mais do que aplicar e baixar normas contra esse tipo de fragilidade rever toda a sua postura ética. Sobre isso escreve o Dr. Antônio Moser:
Mas há outras faces da violência, como aquela que agride o meio ambiente, aquela do trânsito, aquelas dos assaltos e correspondentes repressões... Tudo isso vem indiretamente incrementado pela maneira sensacionalista como os fatos são apresentados: um crime espetacular dificilmente deixa de se constituir num incentivo para novos crimes, cada vez mais espetaculares (REB 278, abril 2010, p. 426).

Estas considerações iniciais parecem necessárias antes de escrever sobre o cerne da questão o que começamos apontando alguma compreensão do que seja ética em alguns pensadores ao longo da história.




2.                 Conceitos de Ética

Remontando-se à filosofia aristotélica encontrar-se-á um conceito para o vocábulo que certamente não surpreende. Segundo o filósofo de Estatagira ética é aquilo que dá sentido para a razão humana e esta tende para o bem supremo, situação para a qual tendem todas as coisas. Nesta visão o bem maior que se pode alcançar é a felicidade e esta só será alcançada mediante o exercício das virtudes que em síntese consiste em ser ético. Deste modo se pode dizer que segundo Aristóteles, Ética consiste na reflexão teórica que estabelece princípios para a ação humana. Mas, exatamente por que o homem é homem ele sabe o que é bom, o que lhe traz felicidade, o que é correto, o que é justo,  o que lhe convém, mas nem sempre é capaz de praticar aquilo que conhece. É neste sentido que São Paulo vai dizer mais tarde: “Eu não faço o bem que quero e faço o mal que não quero”(Rm 7,19).  De modo que entre o saber e o fazer está o que se chama de “margem de manobra”, ou “espaço de atuação”. Lógico que a partir daí será necessário travar uma luta contínua a fim de  que conhecendo o que é bom o indivíduo se esforce para fazê-lo do melhor modo.
Se quisermos dar um salto para a contemporaneidade podemos perguntar a Deleuze o que este filósofo contemporâneo entendeu por ética. Neste encontraremos que ética consiste na resistência e na reinvenção. Na obra Mil Platôs o conceito de ética aparece sintetizado como a
decodificação das linhas que nos atravessam e nos codificam a fim de sermos capazes de resistir a elas; e na medida em que se resiste aos mais variados modos de produção de subjetividade, de tipos codificados, essa resistência já é uma criação e, neste caso a ética é também resistência que reinventa novos modos de existência e novas formas de vida (VIESENTEINER 2010).

Deste modo, se fizéssemos um passeio pela história iríamos nos deparar com um sem número de outros conceitos de ética, em resumo será oportuno concluir que a Ética consiste numa reflexão teórica daquilo que será a prática e é por esta última que o ser humano ensina e se realiza. Dizemos então que ética consiste na reflexão estabelecida e capaz de dar sentido e pertencimento ao mundo. Dito isto será possível alargar a questão da pedofilia para aquilo que chamamos de crise ética.

3.                  Conceitos de pedofilia e exploração de menores

De acordo com a Associação Brasileira de Prevenção e Tratamento das ofensas sexuais, pedofilia diz respeito ao transtorno comportamental de indivíduos que sentem atração sexual por crianças. Segundo profissionais ligados a esta associação: “O diagnóstico da pedofilia requer uma preferência sexual duradoura por crianças. A maioria das pessoas que molestaram crianças pela primeira vez não são exatamente pedófilos”. Dessa forma, atestar a pedofilia não seria algo tão fácil como se pode imaginar ao acessar algumas reportagens veiculadas nos meios de comunicação.
De acordo com esta compreensão há de se alargar o conceito de exploração de menores para esferas muito mais amplas do que a prática sexual, porquanto que esta seja abominável. Diante da onda daquilo que foi chamado pedofilia, parece que ficou na penumbra um sem número de outras formas de abuso de menores. Os quais podem ser auferidos por uma releitura do Estatuto da Criança e do Adolescente, como se lê no capítulo II:
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

  Se quisermos adentrar no campo da comunicação, certamente pode ser entendido como abuso de menores a falta de critérios para a exibição de programas televisivos. A apresentação de talentos por menores com vistas a garantir audiência e naturalmente lucro, pode ser entendido como abuso equiparados na dimensão dos assim chamados abusos sexuais. No artigo já mencionado no Folha de  São Paulo se lê:
Além desses há outros castigos que não são físicos, mas igualmente cruéis e degradantes, castigos em que se menospreza, se humilha, se denigre, se ameaça, se assusta ou se ridiculariza a criança.

A lista seria ainda muito mais longa se falássemos dos menores que ocupam espaço nos cruzamentos de ruas e avenidas das grandes cidades fazendo-se passar por estátua procurando ganhar alguns trocados; outros que fazem malabarismos nas mesmas condições. O que dizer dos menores que acompanham seus pais ou tutores na coleta de material reciclável. Onde se poderia enquadrar os menores que vivem com famílias que não são as suas, nem biológicas nem afetivas e o jogo de empurra X empurra estabelecido por pais separados jogando os filhos contra o Ex (marido ou mulher), muitas vezes tentando comprar a consciência das crianças com presentes e benesses que o outro não pode dar.
Por que não mencionar que a exploração de menores aparece de modo vexatório e constrangedor também nas constantes promoções de associações beneficentes, entre elas escolas, creches, igrejas, que promovem rifas e concursos de toda sorte expondo os menores ao ridículo de angariar fundos para a instituição mediante a venda de rifas, votos e etc. No campo estrito da igreja católica será que poderia ser entendida como exploração de menores o uso de crianças para distribuir folhetos e convites para as festas quermesses? Seria também exploração de menores o servir-se de crianças para as ações litúrgicas nas quais atuam na função de coroinhas e são muitas vezes humilhados publicamente na medida em que lhe são exigidas atitudes e responsabilidades superiores  às capacidades da sua idade? Parece pouco divulgado o que é muito comum no âmbito das igrejas os coroinhas que ajudam contar o dinheiro das ofertas e no final recebem bombom e sorvetes como recompensa. E pior que isso quando algum valor no final do mês não está de acordo com a prestação de contas os menores acabam sendo responsabilizados por pequenos furtos e consequentemente colocados na berlinda por todos da comunidade local. Não parece que estas situações aventadas aqui sejam muito incomuns e não pouco rotineiras, acaso não seriam elas mais meritórias de indignação e entendidas como exploração no mesmo nível que os delitos de moral pessoal configurados, como já dissemos acima, muitas vezes impropriamente como pedofilia? Certamente uma melhor interpretação do Estatuto da Criança e do Adolescente ajudaria a clarear estas questões.

4.                  Igreja vítima ou vilã

Sob a ótica que acabamos de descrever as situações de exploração de menores extrapolam de longe as fronteiras da Igreja Católica. Não estamos fazendo aqui uma apologia de defesa da Igreja e nem tampouco dos pedófilos no interior dela. Todavia se o bom senso permitir alargar o conceito de exploração de menores e mesmo na estreiteza da exploração entendida exclusivamente como abuso sexual, não se poderá compreender que a Igreja foi feita ao mesmo tempo vítima e vilã da situação?
Vítima no sentido que feita por homens sujeitos às fragilidades próprias da condição e, portanto, também possíveis portadores de transtornos comportamentais como qualifica a Associação Brasileira de Prevenção e Tratamento das ofensas sexuais.
Vítima no sentido que sendo considerada um ícone de comportamento ético dela e dos seus membros  se esperaria “zero” de fragilidades e pecados.
Vítima no sentido que o mesmo pecado cometido por qualquer outra pessoa membro de qualquer outra instituição, religiosa ou não, recebe  da imprensa e da sociedade coberturas e importância em dimensões muito menores.
Vilã na medida em que todas as denuncias estão focadas na Igreja e nos seus membros como se estes fossem os únicos pedófilos.
Vilã no sentido em que se atribuem tais atitudes a determinadas disciplinas na igreja.
Todas essas situações, embora maculem a imagem da Igreja e causem preocupação criando novas dificuldades no processo de anuncio da verdade do Evangelho, não podem se tornar um empecilho para a sua missão. Neste sentido também falou o Arcebispo Velasio De Paolis: “A Igreja sempre sofreu perseguição, desde o seu nascimento, e que a evangelização de cada país sempre implicou o martírio”. De fato – disse o arcebispo citando o padre Congar –, “a Igreja, na sua longa história, tem sido mais vitoriosa nas dificuldades do que em gerir os seus triunfos".
5.                  Respostas insuficientes

Diante dos casos estritos de pedofilia e reconhecidamente de abuso sexual não faltaram vozes dentro e fora da Igreja a dizer que o problema reside na disciplina do celibato católico. Sem sombra de dúvida reduzir a questão à prática da sexualidade e o celibato à genitalidade é um reducionismo aberrante. E isto sem adentrar-nos  nos muitos casos de pedofilia praticados no interior das famílias e em todas as outras esferas da sociedade e de outras instituições, igrejas ou não, nas quais tal disciplina não entra em questão.
Outra vertente de resposta se apressou em dizer que pedofilia está ligada ao homossexualismo não levando em consideração a mesma situação descrita no parágrafo anterior. Ou seja, o número de casos de pedofilia ligados ao mundo heterossexual atinge as mesmas ou maiores proporções com o diferencial de não serem sempre denunciados. É bem provavelmente que concernente aos membros da Igreja os casos apareçam com maior evidência no relacionamento com crianças e adolescentes do sexo masculino em vista da deficiente interpretação sobre serviços desempenhados por estes aparecerem como restritos ao sexo masculino, como de resto é a concepção em relação ao sacramento da ordem, reservada, na disciplina da Igreja, aos varões.
Dizer também que os casos de pedofilia estariam ligados à deficiente formação pós conciliar, ou ainda ligada aos conceitos da teologia da libertação, tida por alguns como pouco séria e relapsa no que se refere às questões da moral pessoal, certamente é mais um equívoco haja visto que os casos tornados públicos e ou investigados abrangem todas as faixas etárias e de formação, sejam eles pré, pós e mesmo ligado a movimentos ultraconservadores dentro da Igreja. Merece ser citado o caso do fundador da Associação Legionários de Cristo, cuja congregação está sob a intervenção do Vaticano em virtude da prática de abuso sexual denunciada recentemente e que teria sido praticada sistematicamente por ele.
Atribuir a pedofilia ao relativismo moral da sociedade e afirmar que toda ela é pedófila consiste em admitir que a humanidade caminha para o caos total. Isto obviamente cega a possibilidade de ver as inúmeras iniciativas de pessoas, ONGs, associações e governos em vista da valorização da pessoa e das relações. No âmbito da Igreja Católica merece destaque o serviço da Pastoral da Criança, mas existe ainda um sem número de serviços e práticas de atendimento que são e foram mantidos com absoluta seriedade ao longo da história.

6.                  Outra ordem de abusos e escândalos

Certamente a Igreja tem olhado e aventado tais situações e possibilidades. Na mesma proporção em que tem silenciado sobre os escândalos no que se refere à moral pessoal, ela evita de fazer aparecer a crise ética que afeta outras instâncias e que alcança a moral social. Silenciar não é sinônimo de não enxergar, pelo contrário, muitas vezes buscar respostas no interior de si mesma ou com a ajuda da sociedade. Nessa direção se pode aplicar as palavras de VIESENTEINER 2010:

Por fim, pensemos também na condição do homem consigo mesmo. Vivenciamos um processo de esgotamento generalizado de novas possibilidades com a vida, ou ainda, a falência da potencialidade humana em criar novas estimativas de valor. Através das palavras do “Adivinho” em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche descreve muito bem o sintoma niilista de esgotamento de vida: “E vi uma grande tristeza descer sobre os homens. Os melhores deles cansaram-se de suas obras. Proclamou-se uma doutrina: ‘tudo é vazio, tudo é igual, tudo foi’. [...] Inútil foi todo o trabalho, veneno tornou-se o nosso vinho, um mau-olhado engelhou e amarelou nossos campos e nossos corações. Tornamo-nos todos secos; e, se caísse fogo sobre nós, seríamos reduzidos a cinza... Todas as fontes se nos enxugaram, também o mar retirou-se. O solo quer fender-se, mas o abismo não nos quer tragar! ‘Ah, onde há um mar, ainda, no qual possamos afogar-nos?’: assim soa o nosso lamento... Em verdade, já estamos cansados demais para morrer; agora continuamos acordados e vivendo – em câmaras mortuárias!” (Z, “O adivinho”). Nessa condição, o homem não apenas compra uma vida artificial ou violenta a natureza, mas também banaliza a si mesmo, tornando-se incapaz de resistir e inventar novas formas de vida. Incapazes de construir nossa própria felicidade, preferimos comprá-la em cápsulas na farmácia! Impotentes para criar nossos próprios valores, preferimos a massificação ditatorial e perversa dos valores com valor de nada!

A começar pelo Santo Padre não faltam considerações a respeito das divisões no interior de Igreja que denotam a crise ética pela qual está passando, embora, como dissemos ainda não explorada pela imprensa. Este tema foi tratado de modo explícito no discurso que o Papa fez aos Bispos catarinenses e gaúchos por ocasião da  Visita Ad Limina[4], no ano de 2010:  
Neste sentido, amados Irmãos, vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida; a todos recordo que «a regra suprema da fé [da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade tal que os três não podem subsistir de maneira independente» (João Paulo II, Enc. Fides et ratio, 55). Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de Santa Cruz.
 Parece que vão nesta direção as indicações de ajuda vindas dos mais diversos setores da sociedade, proferidas por pessoas que já estivarem nas fileiras eclesiásticas e por tantos outros filósofos e teólogos contemporâneos. O limite deste artigo impede a citação de muitos textos e nomes, mas tomo a liberdade de citar BOFF 2007[5]:

As guerras não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas vítimas, com os instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras não raro, piedosas e espirituais.

E diante dessa afirmação continua:

Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na história humana. Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida.

Ou como afirma o teólogo Victor Codina[6]:

Todos desejaríamos que a Igreja fosse jovem, forte, vigorosa, ousada, criativa, primaveril, atraente… mas nós a encontramos cansada, pressionada, silenciosa, medrosa, quase muda. Parece-nos muito velha, às vezes quase tememos que tenha Alzheimer: recorda o passado, repete-o, mas parece que o que ocorre no momento lhe escapa, é quase míope para compreender as novas luzes que brilham e que exigem resposta. Outras vezes nos parece surda, não escuta os gritos e o vozerio de um mundo agitado e turbulento. Os jovens a abandonam cansados de ver seu estado deplorável; tão calada, tão passiva, tão torpe, tão pouco acolhedora. Outros a atacam violentamente, ferem-na, inclusive anunciam sua morte próxima: "é questão de tempo, é do passado, é uma relíquia anacrônica, é um objeto de antiquário". Outros querem rejuvenescê-la com técnicas artificiais, antioxidantes, contra as rugas. Mas ela não se deixa. Outros a veem suja, manchada, descuidada, abandonada, desprezada, como se ninguém cuidasse dela, tentando ajudá-la com carinho, é tão velha a pobre… Mas ela fica calada, medita em seu interior, recorda o passado, quando era jovem e pobre, quando a perseguiram, quando a coroaram como rainha e mestra, quando a uniram a príncipes e reis, quando todos diziam ser seus filhos. E ela sorri, pois sempre quis ser como no começo, fiel ao Espírito, singela, pobre, transparente, aberta a todos, fecunda, livre, evangélica, como seu Esposo, o Senhor. Agradece a seus filhos que quiseram que ela voltasse às suas origens, aos seus filhos fiéis, que nunca procuravam seu próprio proveito senão o do Senhor. É sábia, cheia de experiência, experiente em humanidade, sabe que há primaveras e também invernos; agora é inverno.

Certamente as palavras do teólogo em referência podem ser aplicadas a Igreja na atualidade:
Quer abrir janelas, sacudir o pó de imperadores e reinos passados, quer respirar ares novos repletos de oxigênio mesmo sendo muito velha, mas muitos fecham apressados suas janelas, "com medo de que a velha se resfrie..."
Ainda que pareça silenciosa, muda e surda, no fundo escuta uma voz interior que lhe sussurra palavras de vida eterna. Quando nos parece cega, na realidade tem os olhos voltados para dentro, para o Senhor, seu Esposo que lhe dá força, dá-lhe seu Espírito para que nunca se desanime, não decaia, não perca a esperança, para aprender a viver novos tempos.

E Maria Clara Lucchetti Bingemer[7], escreve a partir das denuncias de pedofilia, sem deixar de fazer entender a amplitude da crise ética:

Manter-se alerta e vigilante para agir de modo digno da vocação a que foi chamado é obrigação sua. Zelar para que tenha as condições objetivas de fazê-lo, não o expondo, nem à comunidade, a situações escandalosas é obrigação de seus superiores. Em situações como esta, impõe-se usar da mais total transparência, sem medo algum da verdade. Esta é a verdadeira caridade, que liberta o agressor no sentido de que faz apelo à sua consciência e preserva a comunidade de escândalos que só podem dividi-la e debilitá-la.

A proporção dos escândalos na Igreja é muito maior do que os noticiados referentes à pedofilia e exploração sexual de menores. Embora a imprensa não tenha tido acesso a essas informações elas merecem e algumas vezes são trabalhadas no interior da Igreja no sentido de serem corrigidas e coibidas. Todavia é isso que denominamos crise ética. São casos de improbidade administrativa como as que vez por outra são publicadas  envolvendo dioceses e altas instâncias da Igreja, situações que colocam as dioceses à beira da falência, outras que não recolhem encargos sociais dos seus funcionários, enriquecimento ilícito, disputa de poder entre bispos, e no meio do clero; inveja e até falsidade ideológica. Todos esses casos preocupam e merecem ser tratados pelas instituições eclesiásticas.
Sobre as questões que envolvem inveja e disputa de poder na Igreja o Papa se pronunciou em suas alocuções no Vaticano e fora dele. Na audiência pública da quarta feira 03 de março 2010 Bento XVI falou sobre as virtudes de São Boaventura de Bagnoreggio recriminou  a inveja na Igreja dizendo:
Naqueles anos, em Paris, a cidade adotiva de Boaventura, começou uma violenta polêmica contra os Frades Menores de São Francisco de Assis e os Frades Pregadores de São Domingos de Gusmão. Discutia-se seu direito de lecionar na Universidade e se duvidava inclusive da autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes na forma de entender a vida religiosa, das quais falei nas catequeses anteriores, eram tão inovadoras que nem todos chegavam a compreendê-las. Acrescentavam-se também, como às vezes acontece entre pessoas sinceramente religiosas, motivos de fraqueza humana, como a inveja e o ciúme.

Segundo a AFP[8], em cerimônia de ordenação de novos presbíteros para a Diocese de Roma, realizada no Vaticano no dia 20 de junho 2010 o Papa Bento XVI se expressou assim:
O sacerdócio jamais pode representar um meio para alcançar uma segurança ou conquistar uma posição social, afirmou Bento XVI, que parecia tenso e cansado para os jornalistas que assistiram a missa celebrada na Basílica de São Pedro. "Quem aspira o sacerdócio para aumentar seu prestígio pessoal e seu próprio poder interpreta equivocadamente o sentido de seu ministério.

Estas situações, na medida em que não recebem providências adequadas podem levar à sociedade fazer afirmações do tipo: “Deus é um delírio”, na medida em que também estes confundem a instituição religiosa como se estas fossem as criadoras ou proprietárias de Deus. É neste sentido que se pode aplicar o conceito de morte de Deus atribuído a Nietzsche[9]:
Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma lanterna e acorreu ao mercado, e se  pôs a gritar incessantemente: “procuro Deus! Procuro Deus”? E como lá se encontrassem muitos daqueles que não criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Então ele está perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma criança? disse outro. Está se escondendo? Ele tem medo de nós? Embarcou num navio? Emigrou? Gritavam e riam uns para os outros. O homem louco se lançou para o meio deles e trespassou-os com seu olhar. “Para onde foi Deus?, gritou ele, “já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? Que fizemos nós ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós? Para longe de todos os sóis? Não caímos continuamente? Para trás, para os lados, para frente em todas as direções? Existem ainda em cima e embaixo? Não vagamos como que através de um nada e infinito? Não sentimos na pele o sopro do vácuo? Não se tornou ele mais frio? Não anoitece eternamente? Não temos que acender lanternas de manhã? Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? Também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolar a nós assassinos entre os assassinos?.

Como dissemos a crise ética que assola a Igreja precisa ser tratada em outros  aspectos sob pena de ter a imagem de ícone da ética quebrada de modo irreparável. Esta imagem pode ser parafraseada à que faz Miguel Arroyo  referindo-se à figura do professor:

As figuras dos professores(as) (leia-se dos ministros e da Igreja)  aparecem para além de uma docência (serviço neutro) neutra, Não dá para separar a imagem docente (de ministro) da imagem humana. Nem como separar os saberes apreendidos dos valores, dos comportamentos, das condutas e dos hábitos, da ética, da auto estima, do orgulho, ou da humilhação, do estímulo de do preconceito (ARROYO 2009, p.242).

7.                  Alternativas para uma resposta ética

Retomando os conceitos de ética com os quais se inicia essa exposição parece oportuno indicar como sugestão que a Igreja haverá de procurar o que os filósofos chamam de Arethé (excelência), ou seja, aquilo que você faz faça-o do melhor modo. Como se lê em Jeremias 48, 10: “maldito aquele que é relaxado no serviço de Deus”.  A prática vai modelando a virtude que permite dominar as paixões. Virtude que é ao mesmo tempo disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste no que se chama mediania. Neste sentido não bastará para a Igreja baixar normas e leis será sempre mais necessário um investimento grande em termos de educação para o amor.
A suspensão da lei supõe maturidade, o que se pode traduzir em sabedoria prática = phronimos, isto é, estar em constante decisão. O sujeito inserido neste processo é quem escolhe entre o racional e o particular. A isto chamamos de espírito livre, o qual queima como madeira verde, sem ele se continuará a nutrir a falta de coragem de assumir certa identidade a qual impulsiona a não aceitar o sentimento.
Diante do que chamamos de crise ética importa não espetacularizar as situações, importa atualizar as palavras de Jesus: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno”(João 17,15). É nesse sentido que estão as palavras do teólogo Carter Heyward, citado por O’SULLIVAN  2004:

À medida que começamos a vivenciar o sagrado, começamos a nos perceber como sagrados e a imaginar-nos partilhando a criação um do outro e a nossa felicidade comum. À medida que reconhecemos os rostos do Sagrado no rosto de nossos amantes e amigos, bem como no nosso, passamos a nos sentir à vontade com nosso eu corporal – sensuais, conectados e com poder. Tornamo-nos canais uns para os outros de uma sabedoria e um prazer em cuja existência até então não ousávamos acreditar (p.401).

À Guisa de conclusão parece ser aplicável uma resposta ética que passe pela mística, isto é pela espiritualidade, pelo testemunho e pela coerência no ser e no existir da Igreja toda e no seu relacionamento com o mundo. Neste sentido afirma ainda D. José Maria Pires:
E se, ao invés de nos defendermos ou de defendermos intransigentemente o Papa, nos recolhêssemos ao silêncio da oração, substituindo a polêmica com nossos acusadores pelo diálogo contrito com Deus, na atitude do publicano à porta do templo, clamando ao Senhor: “Tem compaixão de nós, que somos pecadores”?

É certo que a verdadeira espiritualidade não se reduz à prática de piedade e nem muitos aos ritos oficiais ou litúrgicos do culto católico, mas espiritualidade é o meio como uma pessoa se aproxima do mundo com seu juízo moral e valores. Parafraseando Arturo Paoli, somente uma verdadeira espiritualidade será capaz de dar respostas criativas para as situações que parecem estar fora ou além do controle e da possibilidade humana e institucional. Ajuda-nos ainda Santo Agostinho indicando um caminho para o comportamento ético:
Há dois modos de renunciar a liberdade: a submissão e alienação. Do ponto de vista ético, há frequentemente na modernidade um equívoco: o de pensar a liberdade como simples autonomia da pessoa, que não se sujeitaria a nada e a ninguém. Na realidade a pessoa humana se torna livre enquanto não está submetida a outro indivíduo humano, mas principalmente quando aceita a voz da consciência, o apelo a uma vida ética, em que são reconhecidos direitos e deveres de todos. Além disso, se é verdade que a liberdade humana é uma liberdade a ser realizada, que pode e deve crescer, ela exige o empenho permanente da libertação, a luta contra a alienação. Contra a situação de quem está impedido de realizar suas possibilidades. A liberdade se realiza plenamente no amor oblativo (CNBB, 1993, parágrafo 75).

Não sem razão escreveu Dr. Antônio Moser como resposta para os escândalos de pedofilia, o texto que aplicamos para toda a crise ética a que viemos nos referindo:
Este é, sem dúvida, um momento doloroso para a Igreja. Contudo, este não é só um momento de dor e de sofrimento purificador. É também um momento privilegiado para assumir novas atitudes e abrir novos caminhos. Se é a “verdade que nos liberta”, estamos livres da inconsciência. Sabemos dos fatos, da doença, o que nos possibilita o inicio de um processo de cura. Agora que os segredos foram “proclamados sobre os telhados”, é o momento privilegiado para a busca comunitária de soluções, não só para os problemas da Igreja, mas também para os da sociedade (REB, 278, abril 2010, p.434).

Os últimos tempos foram muito promissores no campo de revelar e até punir políticos e empreiteiros que agiram de má fé nos diversos “mensalões” que a mídia apontou em quase todas as instâncias políticas, sociais e unidades da federação. Não será hora da Igreja também aproveitar este momento para ir a luta responsabilizando também os cúmplices por outras violações éticas que atingem duramente a imagem da instituição sob o ponto de vista da ética e da moral social?

Bibliografia

AGÊNCIA DE NOTICIAS ZENIT, Infidelidade do clero é pior que perseguição, diz Dom de Paolis. disponível em: http://www.zenit.org/article-25693?l=portuguese>acesso em 24 de agosto de 2010.

ARROYO, Miguel G. Imagens Quebradas. Petrópolis Vozes, 2009.

BENTO XVI. Discurso do Papa aos Bispos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Disponível em http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=274905>. Acesso 24 de agosto de 2010.

_____. Catequese do papa: São Boaventura, o teólogo de Cristo.

Disponpivel em: http://www.zenit.org/article-24245?l=portuguese> Acesso em 24 de agosto 2010.

_____. Sacerdócio não é para prestígio social.

Disponivel em http://beinbetter.wordpress.com/2010/06/21/sacerdocio-nao-e-para-prestigio-social/> acesso em 24 de agosto 2010.

BINGEMER, Maria Clara. Um tesouro em vasos de Argila. Disponível em http://alainet.org/active/2940&lang=es>acesso em 24 de agosto 2010.
BOFF, Leonardo. Bento XVI e a guerra na Igreja. Disponível em http://www.consciencia.net/2007/20070513-boff_bento16.html> acesso em 24 de agosto 2010.
CNBB. Ética pessoa e sociedade. São Paulo, Paulinas, 1993.
CANDIOTO, Cesar. (Org.), Ética: abordagens e perspectivas. Curitiba, Champagnat, 2010.
VIESENTEINER, Jorge L. . Deleuze: ética como resistência e reinvenção. In: Sganzerla, A.; Falabretti, E.; Bocca F.. (Org.). Ética em Movimento. São Paulo: Paulus, 2009, v. , p. 283-296.
_____, Jorge L. . Nietzsche e o niilismo como diagnóstico da crise da ética. In: César Candioto. (Org.). Ética: abordagens e perspectivas. 1 ed. Curitiba: Champagnat, 2010, v. , p. 89-105.
MOSER, Antônio. Pedofilia: Reflexões a partir de escândalos recentes. Revista Eclesiástica Brasileira, Fasc. 278, p 423 -435, abril 2010.
PIRES, D. José Maria. Povo Santo e pecador. Belo Horizonte, Jornal o Lutador, 21.03.2010.
O’SULLIVAN, Edmund. Aprendizagem Transformador. São Paulo, Cortez, 2004.
YUS, Rafael. Educação Integral uma educação holística para o século XXI. Porto Alegre, Artmed, 2002.



[1]Padre católico da Diocese de Caçador – SC, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Mestre em Teologia Dogmática, Especialista em Teologia Pastoral e Gestão Educacional, Mestrando em Educação pela PUCPR. Funcionário da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná - Professor formador no programa PROINFANTIL, Professor na UNOESC – Campus de Joaçaba – SC.   Email: professor.elcio@hotmail.com
[2] Dom José Maria Pires, Jornal o Lutador, 21 de março 2010.
[3] Folha de São Paulo, 24 de julho 2010.
[4] Visita que os bispos realizam ao Papa a cada quinquênio, uma espécie de prestação de contas das ativiades nas suas dioceses.
[5] BOFF, Leonardo. Bento 16 e a guerra na igreja, Folha de São Paulo, 13 de Maio 2007.
[6] Teólogo e professor
[7] Teóloga e professora na PUCRIO

[8] Agência de Noticias internacionais
[9] Aforismo 125.

Nenhum comentário:

Postar um comentário