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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 14 DE DEZEMBRO DE 2025 - 3º DOMINGO DO ADVENTO

 

DEUS VEM NOS SALVAR

No cenário profético de Isaías somos convidados a contemplar a promessa de Deus que faz florescer o deserto e transformar a aridez no jardim. A liturgia anuncia que a criação inteira participa da alegria da visita divina: o chão menos ressecado, o medo ganha voz, as mãos frouxas se reanimam, os joelhos vacilantes reencontram firmeza. É o próprio Deus que vem com retribuição e recompensa, não para esmagar, mas para salvar, abrir olhos e ouvidos, soltar línguas e passos, e conduzir o povo pela “estrada santa”, onde os resgatados avançaram entre cantos. A comunidade dominical é chamada a ver com fé os sinais dessa primavera da graça e a acolher, no hoje da história, o Deus que consola e refaz. Não se trata de fantasia religiosa, mas da força real do Senhor que, quando acolhido, converte luto em dança, desamparo em pertença, dispersão em peregrinação festiva rumo a Sião.

À luz de Mateus a voz do Batista, enclausurada, envia perguntas que ecoam no coração da Igreja: “É você aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” A liturgia aponta nessa pergunta a oração de todos os que, entre prisões visíveis e invisíveis, buscam certeza e consolação. E o Senhor responde não com teoria, mas com obras: cegos veem, coxos andam, leprosos são purificados, surdos ouvem, mortos se levantam, e aos pobres é anunciado o Evangelho. A comunidade aprende que o Messias se identifica pelos sinais de misericórdia e pelo primado dos pequenos, e que a bem-aventurança passa por não se escandalizar de sua mansão. João é declarado grande, profeta é mais que profeta, e ainda assim a liturgia ressalta o paradoxo do Reino: o menor é maior, porque tudo é dom e participação na vida do Cristo. A assembleia, portanto, é convidada a considerar que o Senhor se apresenta nos sinais discretos que brotam onde a compaixão se torna prática.

Entre a promessa da terra que floresce e o testemunho das obras do Cristo, o evangelho aponta o caminho da fidelidade concreta. Converter-se, neste Domingo, é permitir que a esperança molde escolhas, para que os desertos pessoais e comunitários encontrem água: reconciliações assumidas com coragem, cuidado diligente com os pobres e vulneráveis, presença junto aos enfermos, palavra que cura e não fere, compromisso com a justiça que devolve dignidade. A estrada santa de Isaías se pavimenta com passos de caridade, e os sinais de Mateus se perpetuam na Igreja quando ela serve sem vanglória e anuncia sem excluir. A comunidade é chamada a sustentar os que vacilam, a fortalecer mãos cansadas, a encorajar corações temerosos com o evangelho da proximidade de Deus. Assim, a promessa se torna experiência e o Advento deixa de ser apenas espera para voltar a ser participação na chegada do Reino.

Por fim, a assembleia é convidada a celebrar com gratidão aquele que vem e já está no meio dela, pedindo a graça de não se escandalizar do estilo humilde de Deus. A liturgia suplica olhos abertos para ver os sinais, ouvidos atentos para considerar a voz, pés disponíveis para caminhar na via da santidade e da missão. Que o testemunho de João inspire coragem profética para a comunidade entender que sua pequenez é sinal da grandiosidade daquele que vem. E que a promessa de Isaías sustente a alegria do povo redimido, que retorna a Sião entre cantos, com júbilo eterno sobre a cabeça. Alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, a Igreja sai deste Domingo com uma mensagem de consolação, levando ao mundo a notícia: Deus vem, e com Ele o deserto floresce e os pobres recebem boa nova.

 

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