JESUS
NASCERÁ DE MARIA
Na carta aos Romano, Paulo faz a
apresentação solene do Evangelho como promessa antiga cumprida em Jesus Cristo,
descendente de Davi segundo a carne e constituído Filho de Deus com poder pela
ressurreição dos mortos. Paulo se sabe servo e enviado, separado para anunciar
esta Boa-Nova que gera acordo de fé entre todas as nações; e a liturgia acolhe
essa identidade apostólica como espelho da vocação da Igreja. Não é um anúncio
inventado por mãos humanas, mas o cumprimento da fidelidade de Deus, agora
oferecido “a todos os amados de Deus, chamados santos”. A comunidade dominical
confirma que foi alcançada pela graça e pela paz “da parte de Deus nosso Pai e
do Senhor Jesus Cristo”, e aprende que sua missão nasce dessa fonte: não um
dever frio, mas um pertencimento que se torna enviado. Nessa saudação
apostólica ressoa o Advento: Deus aproxima-se em Cristo, e o Espírito suscita
um povo em saída, obediente na fé e generoso no testemunho.
À luz de Mateus, a figura de José ocupa o centro da contemplação
litúrgica: justo, silencioso, temente a Deus, ele atravessa a noite da
perplexidade e se abre ao sonho que revela o modo de Deus agir. A assembleia vê
nele o homem que não se agarra ao próprio plano, mas discerne; que não expõe
Maria à vergonha, mas uma protegida; que, ouvindo o anjo, acolhe o impossível
de Deus como verdade mais firme que suas evidências. “Não tenha medo de Maria, por
sua esposa”: A liturgia recorda que o Advento pede essa coragem mansa que
acolhe o mistério, dá passos concretos e põe nome novo às circunstâncias: “Ele
salvará o seu povo dos seus pecados”. Emanuel, Deus conosco, não chega por
clarins de glória, mas pelo consentimento que nasce na escuta. José levanta-se
e faz como o anjo ordenara; sua conformidade torna-se portal para a chegada de
Salvador.
Entre a saudação apostólica de Paulo e o sim operoso de José, a
Igreja é convidada a reconhecer sua própria identidade e tarefa. Chamada a ser
“de Jesus Cristo”, ela aprendeu que a santidade não é isolamento, mas
disponibilidade que gera comunhão: abrir casa e história para que o Emanuel
habite. A obediência da fé se traduz em gestos: reconciliações buscadas, escuta
paciente nas famílias, honestidade no trabalho, atenção aos pobres, pureza de
coração nos afetos. Como José, a comunidade é chamada a perceber a presença de
Cristo no seu meio, discernindo entre medos que paralisam e respeito santo que
conduz. E como Paulo, todos somos enviados para anunciar que o Evangelho é
poder de Deus que salva, cura culpas, reordena passos e dá nome novo à
esperança.
Por fim, a assembleia suplica a
graça de viver estes dias à maneira de José: com silêncio que escuta, justiça
que cuida e obediência que age. Que a Palavra recebida como promessa em Romanos
floresça em missão concreta, e que o nome de Jesus, pronunciado sobre a
comunidade, seja refúgio e impulso. A liturgia pede que o “Deus conosco”
encontre em cada casa um lugar preparado: no ritmo da oração, na sobriedade das
escolhas, na delicadeza com os pequenos, na confiança diante do que excede o
controle. Assim, quando vier a plenitude do tempo celebrado no Natal, a Igreja
poderá levantar-se, como José, e fazer conforme o Senhor ordena, tornando
visível, no meio do mundo, a graça e a paz que procedem do Pai e do Filho.
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