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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 24 DE DEZEMBRO - MISSA DA NOITE

 

HOJE NASCEU O SALVADOR

A liturgia da Palavra, nesta noite santa, nos leva a contemplar uma aurora que vence as sombras e ilumina os que caminhavam na escuridão. Ao mesmo tempo proclama que um Menino nos foi dado, sendo reconhecido como Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Não é o brilho das armas que inauguram este Reino, mas a força mansa da luz que dissipa o jugo, quebra a vara do opressor e multiplica a alegria como em tempo de colheita. A comunidade percebe que essa promessa não é memória distante, mas anúncio atual que reergue os cansados, consola os feridos e abre o futuro aos que perderam a esperança. É zelo do Senhor dos Exércitos que realiza tal maravilha; por isso, a Igreja se põe de pé para acolher a paz que não passa, a justiça que não se corrompe, a esperança que não decepciona.

No Evagelho de Lucas, a Palavra conduz a assembleia da grandiosidade dos decretos imperiais ao silêncio de Belém, onde Deus escolhe uma pequena porta da pobreza para entrar na história. Um registro do mundo inteiro contrasta com um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura: é ali que a glória se abaixa e o céu toca a terra. Os pastores, primeiros destinatários da notícia, representam os marginalizados que se tornam guardiões do mistério; e o coro dos anjos abre a liturgia do Natal: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de sua benevolência”. A Igreja aprende que a glória de Deus é a proximidade que salva, e que a paz prometida se derrama onde o coração se rende ao Emanuel. O sinal é humilde, mas definitivo: Deus conosco, pobre entre os pobres, para enriquecer a todos com sua graça.

Entre a profecia da luz e o nascimento na noite, a homilia aponta a tessitura do Reino: governo de paz, conselho sábio, justiça para os pequenos, proximidade misericordiosa. A comunidade é chamada a deixar-se iluminar por essa luz que julga e cura, que denuncia as trevas e, ao mesmo tempo, acende caminhos. Receber o Menino é rever prioridades: dar lugar ao silêncio que escuta, à família que acolhe, à mesa que partilha, à cidade que protege os vulneráveis; é aceitar que a força de Deus se manifeste na fraqueza que ama. O título “Príncipe da Paz” se traduz em escolhas concretas: desarmar a linguagem, reconciliar memórias, cultivar honestidade, cuidar da criação, aproximar-se de quem sofre. A Igreja, ao celebrar, torna-se sinal: luz posta no candelabro, casa que abriga, ponte que reconcilia, voz que canta esperança no meio da noite.

Por fim, a assembleia se coloca com os pastores a caminho de Belém, para ver o que o Senhor fez e oferece ao Menino a obediência da fé. A liturgia suplica olhos limpos para considerar o sinal simples, mãos abertas para acolher e repartir, pés elevados para servir, lábios prontos para a proclamar: glória a Deus e paz na terra. Que cada casa se torne manjedoura, cada coração uma faixa de ternura, cada comunidade um coro que anuncia uma boa-nova. E que, sustentada pela Palavra e pelo Pão da Vida, a Igreja saia deste Domingo natalino portando a clareza de Isaías e a canção dos anjos, para que muitos, tocados pela luz, encontrem no Emanuel o descanso da esperança e a alegria que não se apaga.

 

 

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