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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 25 DE DEZEMBRO - MISSA DO DIA

 

ANUNCIO QUE CORRE PELAS MOTANHAS

O profeta Isaías faz um anúncio que corre pelos montes com passos belos: “Teu Deus reina!” A liturgia contempla o mensageiro que proclama a paz, traz a boa-nova e publica a salvação, enquanto as sentinelas levantam a voz e veem, olhos nos olhos, o retorno do Senhor a Sião. É o braço santo do Senhor desnudado diante das nações, para que toda a terra contemple a salvação do nosso Deus. A comunidade, reunida, deixa-se contagiar por essa alegria pascal que já irrompe no meio do exílio cotidiano: ruínas que cantam, feridas que se fecham, dispersos que se reencontram, porque o Senhor consola seu povo e resgata Jerusalém. É um evangelho que não se limita a palavras; ele faz caminho nascer, reconcilia memórias, estabelece justiça, e convida a Igreja a tornar-se também mensageira, com pés disponíveis e voz clara, para que muitos descubram que a realeza de Deus é proximidade que salva.

À luz da carta aos Hebreus a liturgia inteira se volta para o Filho, por meio de quem Deus falou definitivamente nestes últimos tempos. Após muitos fragmentos e sombras, resplandece a Palavra plena: o Filho é o resplendor da glória e a expressão exata do ser do Pai; por Ele o mundo foi criado e por Ele tudo subsiste. Ele fez a purificação dos pecados e enviou-se à direita da Majestade nas alturas, superior aos anjos como mais excelente é o nome que herdou. A assembleia reconhece que não está diante de um mensageiro qualquer, mas do próprio Verbo feito carne exaltado, aprende a ordenar toda missão a esta centralidade: adorar o Filho, escutar o Filho, seguir o Filho. “Adorem-no todos os anjos de Deus”: a Igreja se associa a este impulso cósmico e confessa que a soberania do Menino de Belém é a mesma do Senhor glorificado, manso no presépio, vencedor na cruz, vivo para sempre.

Entre a profecia de Isaías e o Filho revelado em Hebreus, a liturgia indica o coração da fé: Deus reina porque o Filho veio, falou, purificou e permanece. A comunidade é convidada a deixar-se evangelizar de novo, para que “Teu Deus reina” não seja slogan, mas sinal que reorienta agendas, afetos e escolhas. A paz anunciada pelos belos pés se concretiza quando o Nome do Filho governa a casa e a cidade: linguagem desarmada, reconciliação buscada, justiça praticada, pobres acolhidos, criação respeitada. O louvor que enche os lábios precisa encher as mãos; o Deus que consola o povo através do Servo pede uma Igreja serva, capaz de consolar e erguer. E enquanto o mundo oferece vozes dispersas, a assembleia aprende a escutar a Palavra única e definitiva, discernindo o que é secundário do que é essencial, para permanecer firme quando os ventos mudam.

Por fim, a assembleia suplica graça para viver como sentinela que vê e canta, e como adoradora que se curva diante do Filho. Que o Espírito ajuste o passo da Igreja ao ritmo do Evangelho, tornando belos seus pés sobre os montes do cotidiano: famílias, trabalhos, ruas, fronteiras. Que cada celebração reacenda a certeza: o braço do Senhor salva e reúne, e sua glória se deixa ver no rosto dos pequenos. E que, ao sair deste Domingo, a comunidade leve aos confins o anúncio que Hebreus confirma e Isaías proclama: em Jesus, o Filho, Deus falou e reina; por isso, alegrem-se as ruínas, ergam-se os abatidos, e toda a terra veja a salvação do nosso Deus.

 

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