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terça-feira, 19 de maio de 2026

HOMILIA PARA O DIA 21 DE JUNHO DE 2026 - DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

A VERDADE SEMPRE TEM PESO

 

No dia a dia, muita gente vive um medo de falar: no trabalho, alguém pensa duas vezes antes de denunciar uma injustiça, porque podem descobrir quem falou; em casa, a verdade que precisa ser dita costuma ficar engavetada para evitar conflito. Jesus, porém, desmonta essa lógica: “nada está oculto que não venha a ser revelado” e “o que foi ouvido no sussurro, seja proclamado”. Ou seja: a verdade não é um truque; a verdade tem peso e chega à luz. 

É dentro dessa claridade que São Paulo coloca o grande pano de fundo: o mundo entrou em crise por causa do pecado, e a morte se espalhou. Mas o cristianismo não termina aí; Paulo contrapõe a ruína com a iniciativa de Deus: o pecado de um só trouxe prejuízo, porém o dom gratuito de Deus — na graça de Jesus Cristo — abundou para muitos. Em linguagem simples: a história não é apenas queda; é também superabundância de misericórdia

Por isso, o salmo nos ajuda a entender algo que a comunidade conhece: quando alguém leva a fé a sério, pode sofrer incompreensão, críticas e até perseguição. O salmista não romantiza a dor; ele se identifica com o zelo que arde e com o sofrimento por amor ao Senhor. Há um tipo de fidelidade que custa — mas não é inútil, porque Deus não abandona quem se mantém firme. (É como um fogo que incomoda quem prefere as coisas apagadas.)

E então Jesus conclui com um motivo que tira a ansiedade do centro: Ele diz que não devemos temer os que só conseguem atingir o corpo, mas temer Aquele que tem poder sobre alma e corpo. Em seguida, Jesus dá um exemplo simples, quase cotidiano: dois passarinhos podem custar pouco, mas nenhum deles cai sem o Pai; e até os cabelos da cabeça estão contados. Logo, quem crê não é abandonado; é cuidado. “Todo aquele que me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei diante do meu Pai.” 

Por isso, neste domingo, a comunidade pode transformar o Evangelho em prática: faça uma escolha concreta de coragem—dizer a verdade com caridade, recusar fofoca e manipulação, pedir perdão onde a divisão começou, e apoiar quem foi injustiçado. A fé não é silêncio por medo; é testemunho sustentado pela certeza de que Deus vê, guarda e chama pelo nome quem permanece n’Ele. 

 

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