segunda-feira, 18 de maio de 2026

HOMILIA PARA O DIA 04 DE JUNHO DE 2026 - CORPO DE CRISTO

 

 

EM CRISTO FORMAMOS UM SÓ CORPO

 

No dia em que celebramos o Corpo de Cristo, a Igreja nos leva a olhar para algo muito simples e muito humano: a mesa. Quando, num domingo de família, alguém põe o pão sobre a mesa e todos partilham, acontece algo mais do que comer junto — nasce comunhão, cresce unidade. É nessa mesma lógica que São Paulo descreve a Eucaristia: “o cálice de bênção que abençoamos” e “o pão que partimos” não são apenas sinais; são comunhão no sangue de Cristo e “comunhão no corpo de Cristo”. E, porque existe um só pão, nós — embora muitos — somos chamados a formar um só corpo

Jesus também não foge do real: Ele se declara o pão vivo que desceu do céu, e leva os ouvintes a uma decisão de fé. Ele afirma que quem come desse pão viverá para sempre e que o que Ele vai dar “para a vida do mundo” é a sua própria carne. Não é um convite ao simbolismo; é um anúncio de vida que se comunica de dentro para fora, de modo tão concreto que até escandaliza: “se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos”. 

E o que essa vida produz? Produz permanência. Jesus não promete apenas “um pouco de consolo”; promete que quem come e bebe permanece n’Ele e Ele permanece em nós. A fé e a comunhão, então, não ficam confinadas à hora da celebração: elas atravessam a semana inteira. Além disso, a Eucaristia tem um efeito comunitário indispensável: quando participamos do mesmo pão, somos transformados na unidade — “porque há um só pão, nós que somos muitos somos um só corpo”. Quem se alimenta de Cristo não pode viver como se o próximo fosse um estranho. 

Por isso, hoje, vale uma pergunta bem prática para cada comunidade: eu volto da Eucaristia mais unido a Cristo e mais unido às pessoas? Em tempos de pressa, de discussões pequenas e de afastamentos silenciosos, a celebração do Corpo de Cristo nos chama a escolhas concretas: cuidar da comunhão com atitudes, oferecer perdão onde dá para recomeçar, dividir o pão do serviço e do carinho, e aproximar-se do Senhor com o coração sincero, porque Ele é “verdadeiro alimento” e “verdadeira bebida” que nos sustenta para viver. Se o pão que partimos nos une, então que a nossa semana mostre — com gestos — que já começou a ser um só corpo

 

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