EM CRISTO FORMAMOS UM SÓ CORPO
No dia em
que celebramos o Corpo de Cristo, a Igreja nos leva a olhar para
algo muito simples e muito humano: a mesa. Quando, num domingo de família,
alguém põe o pão sobre a mesa e todos partilham, acontece algo mais do que
comer junto — nasce comunhão, cresce unidade. É nessa mesma lógica que São
Paulo descreve a Eucaristia: “o cálice de bênção que abençoamos” e “o pão que
partimos” não são apenas sinais; são “comunhão no sangue de Cristo” e “comunhão
no corpo de Cristo”. E, porque
existe um só pão, nós —
embora muitos — somos chamados a formar um só corpo.
Jesus
também não foge do real: Ele se declara “o pão vivo” que desceu do céu, e leva os
ouvintes a uma decisão de fé. Ele afirma que quem come desse pão viverá para
sempre e que o que Ele vai dar “para a vida do mundo” é a sua
própria carne. Não é um
convite ao simbolismo; é um anúncio de vida que se comunica de dentro para
fora, de modo tão concreto que até escandaliza: “se não comerdes a carne do
Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós
mesmos”.
E o que
essa vida produz? Produz permanência. Jesus não promete apenas “um pouco de
consolo”; promete que quem come e bebe “permanece” n’Ele
e Ele permanece em nós. A fé e a comunhão, então, não ficam confinadas à hora
da celebração: elas atravessam a semana inteira. Além disso, a Eucaristia tem
um efeito comunitário indispensável: quando participamos do mesmo pão, somos
transformados na unidade — “porque há
um só pão, nós que somos muitos somos um só corpo”. Quem se alimenta de Cristo
não pode viver como se o próximo fosse um estranho.
Por isso,
hoje, vale uma pergunta bem prática para cada comunidade: eu
volto da Eucaristia mais unido a Cristo e mais unido às pessoas? Em tempos de pressa, de discussões
pequenas e de afastamentos silenciosos, a celebração do Corpo de Cristo nos
chama a escolhas concretas: cuidar da comunhão com atitudes, oferecer perdão
onde dá para recomeçar, dividir o pão do serviço e do carinho, e aproximar-se
do Senhor com o coração sincero, porque Ele é “verdadeiro alimento” e
“verdadeira bebida” que nos sustenta para viver. Se o pão que partimos nos une,
então que a nossa semana mostre — com gestos — que já
começou a ser um só corpo.
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