ANUNCIO
QUE CORRE PELAS MOTANHAS
O profeta Isaías faz um anúncio
que corre pelos montes com passos belos: “Teu Deus reina!” A liturgia contempla
o mensageiro que proclama a paz, traz a boa-nova e publica a salvação, enquanto
as sentinelas levantam a voz e veem, olhos nos olhos, o retorno do Senhor a
Sião. É o braço santo do Senhor desnudado diante das nações, para que toda a
terra contemple a salvação do nosso Deus. A comunidade, reunida, deixa-se
contagiar por essa alegria pascal que já irrompe no meio do exílio cotidiano:
ruínas que cantam, feridas que se fecham, dispersos que se reencontram, porque
o Senhor consola seu povo e resgata Jerusalém. É um evangelho que não se limita
a palavras; ele faz caminho nascer, reconcilia memórias, estabelece justiça, e
convida a Igreja a tornar-se também mensageira, com pés disponíveis e voz
clara, para que muitos descubram que a realeza de Deus é proximidade que salva.
À luz da carta aos Hebreus a liturgia inteira se volta para o
Filho, por meio de quem Deus falou definitivamente nestes últimos tempos. Após
muitos fragmentos e sombras, resplandece a Palavra plena: o Filho é o
resplendor da glória e a expressão exata do ser do Pai; por Ele o mundo foi
criado e por Ele tudo subsiste. Ele fez a purificação dos pecados e enviou-se à
direita da Majestade nas alturas, superior aos anjos como mais excelente é o
nome que herdou. A assembleia reconhece que não está diante de um mensageiro
qualquer, mas do próprio Verbo feito carne exaltado, aprende a ordenar toda missão
a esta centralidade: adorar o Filho, escutar o Filho, seguir o Filho.
“Adorem-no todos os anjos de Deus”: a Igreja se associa a este impulso cósmico
e confessa que a soberania do Menino de Belém é a mesma do Senhor glorificado,
manso no presépio, vencedor na cruz, vivo para sempre.
Entre a profecia de Isaías e o Filho revelado em Hebreus, a liturgia
indica o coração da fé: Deus reina porque o Filho veio, falou, purificou e
permanece. A comunidade é convidada a deixar-se evangelizar de novo, para que
“Teu Deus reina” não seja slogan, mas sinal que reorienta agendas, afetos e
escolhas. A paz anunciada pelos belos pés se concretiza quando o Nome do Filho
governa a casa e a cidade: linguagem desarmada, reconciliação buscada, justiça
praticada, pobres acolhidos, criação respeitada. O louvor que enche os lábios
precisa encher as mãos; o Deus que consola o povo através do Servo pede uma
Igreja serva, capaz de consolar e erguer. E enquanto o mundo oferece vozes
dispersas, a assembleia aprende a escutar a Palavra única e definitiva,
discernindo o que é secundário do que é essencial, para permanecer firme quando
os ventos mudam.
Por fim, a assembleia suplica
graça para viver como sentinela que vê e canta, e como adoradora que se curva
diante do Filho. Que o Espírito ajuste o passo da Igreja ao ritmo do Evangelho,
tornando belos seus pés sobre os montes do cotidiano: famílias, trabalhos,
ruas, fronteiras. Que cada celebração reacenda a certeza: o braço do Senhor
salva e reúne, e sua glória se deixa ver no rosto dos pequenos. E que, ao sair
deste Domingo, a comunidade leve aos confins o anúncio que Hebreus confirma e
Isaías proclama: em Jesus, o Filho, Deus falou e reina; por isso, alegrem-se as
ruínas, ergam-se os abatidos, e toda a terra veja a salvação do nosso Deus.