SENHOR, DÁ-NOS SEMPRE ÁGUA VIVA!
Cada domingo da quaresma representa mais um passo dado no caminho da verdadeira
vida e do encontro com o Senhor Ressuscitado. Ao mesmo tempo, cada domingo pede
de nós a capacidade de deixar para trás certas seguranças e promessas que
abraçamos como definitivas e únicas ao longo de nossa existência.
Na primeira leitura, os conterrâneos de Moisés não haviam se dado
conta de quanto Deus tinham realizado em seu favor ao longo de sua caminhada
pelo deserto e, presos às suas próprias conquistas e costumes, murmuravam
contra Moisés e contra o Senhor. Orientando Moisés para ir à frente deles,
acompanhado de alguns sábios que viviam no meio do povo, Deus mostra como
continua presente — e não somente para saciar a sua sede, mas para mostrar sua
segurança e encorajar seus corações. Como aconteceu quando passou a pé enxuto o
Mar Vermelho, com a mesma vara agora Moisés faz brotar água de um lugar que,
pelo relato, parece impossível.
No Evangelho, a Mulher Samaritana — que não tem nome —
representa cada um de nós com nossas certezas, expectativas de progresso, busca
de realização pessoal, promessas de liberdade e até de riqueza fácil: tudo isso
não passa de um balde vazio a ser abandonado, como o cântaro deixado por ela
quando encontrou Jesus, a verdadeira fonte de água viva que jorra para a vida!
Neste espírito, lembramos também o Dia Internacional da Mulher.
Diante das dificuldades, da violência e da desvalorização que tantas mulheres
ainda sofrem, vemos nelas a força de quem sabe “buscar água viva”: coragem para
denunciar o que fere a dignidade, sabedoria para reconstruir caminhos de paz, e
fé para transformar desertos em fontes. Como a Samaritana, as mulheres
contemporâneas continuam a abrir diálogos, a curar feridas e a anunciar vida
nova, tornando-se sinais da presença de Deus no meio da história.
Em resumo, a Palavra de Deus deste domingo nos dá uma indicação:
Deus nos acompanha em todas as situações e nunca deixará de saciar a nossa
sede; Ele esteve e estará caminhando ao nosso lado nos desertos da história.
Não tenhamos medo de deixar o balde das nossas certezas e anunciar que
encontramos Jesus a fonte de água viva!
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