sábado, 31 de janeiro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 08 DE FEVEREIRO DE 2026 - 5º DOMINGO COMUM

 

                    BRILHE A SUA LUZ...


Reunidos na presença do Senhor, escutamos a Palavra que nos convoca  a realizar gestos de caridade concreta: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrar um nu, cobre-o, e não despreze a sua carne. Então, brilhará sua luz como a aurora” (Is 58,7-8).

O culto que agrada a Deus nasce de corações que O amam e obedecem aos seus mandamentos. Não é feito de gestos teatrais, mas de misericórdia que se torna pão, abrigo, cuidado e ternura.

O povo do Antigo Testamento foi chamado, libertado e aliançado por Deus para ser luz entre as nações. A mesma vocação repousa hoje sobre a Igreja e sobre cada cristão: resplandecer a bondade de Deus por meio de obras justas e compassivas.

A liturgia que celebramos não termina no altar; prolonga-se nas ruas, nas casas, nas feridas do povo. O “Amém” que pronunciamos aqui precisa transformar-se em pão repartido e em portas abertas.

Quando a fé se traduz em partilha, a aurora desponta. Quando o amor se faz gesto concreto, a luz rompe a noite. Quando a justiça se ajoelha diante do pobre, o rosto de Deus se revela.

Isaías denuncia os ritos vazios; o Senhor deseja um jejum que rompa a indiferença e cubra a nudez da necessidade humana. Assim, nossa oração encontra verdade e força.

Jesus retoma esse chamado e o eleva em nós: “Vocês são a luz do mundo… Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa” (Mt 5,14-15).

Ser luz não é um título de honra, mas uma responsabilidade: iluminar para que outros vejam, aquecer para que outros vivam, indicar caminhos para que ninguém se perca.

A cidade sobre o monte é a comunidade reunida, visível e fiel. Seu brilho não provém do espetáculo, mas da caridade silenciosa, do perdão insistente, da esperança que não se cansa.

Nesta celebração, apresentemos ao Senhor nosso desejo de coerência: que cada gesto litúrgico corresponda a um gesto de amor; que cada hino encontre eco em uma visita; que cada comunhão gere comunhão com os últimos.

Se acolhermos o pobre, a luz irrompe; se nos cobrimos de compaixão, a aurora nascerá para muitos; se partilharmos com generosidade, o altar se estenderá até a mesa dos famintos.

Que nossa comunidade seja candelabro e não esconderijo; casa aberta e não fortaleza; sinal de Aliança e não ritualismo. Assim, o mundo verá “as boas obras e dará glória ao Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Peçamos que o Senhor, converta nossos ritos em vida: nos dê mãos que repartam, ombros que sustentam, olhos que reconheçam, passos que se aproximam. Faça de nós a luz que nasce com a aurora.

Ao final desta Eucaristia, sejamos enviados como Evangelho vivo: pão partilhado, casa que acolhe, manto que cobre, luz que não se esconde. Para a glória de Deus e para a salvação do povo. Amém.

 

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