sexta-feira, 19 de junho de 2026

HOMILIA PARA O DIA 12 DE JULHO DE 2026 - DÉCIMO QUINTO DOMINGO COMUM - ANO A

 NO CAMINHO DO REINO,

CONSTÂNCIA E PROFUNDIDADE

 

Neste XV Domingo do Tempo Comum – a Igreja nos faz entrar na escola da esperança: uma esperança que não nega a dor, mas a atravessa; uma esperança que não se reduz a “desejos”, mas se transforma em acolhimento da Palavra. É como quem já conhece o Reino, ainda que o não veja plenamente, e por isso aprende a esperar com o coração vigilante. 

A Epístola aos Romanos coloca diante de nós um contraste que cura a ansiedade: “os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória” que Deus há de revelar. Aí não se trata de resignação muda, mas de espera em esperança: a criação “aguarda com ânsia” a revelação dos filhos de Deus, e nós também “gememos por dentro, enquanto esperamos a adoção”. Assim, nossa expectativa — quando é fé — ganha um sentido pascal: o gemido não é derrota, é trabalho interior orientado para a redenção. 

No Evangelho, Jesus descreve o Reino como semente lançada na terra: a Palavra é acolhida de modos diferentes. Há quem receba, mas “no caminho” a palavra é rapidamente arrancada; há quem receba com entusiasmo e, ao primeiro calor das provações, desapareça por falta de profundidade; há quem permita que “as preocupações do mundo” (os espinhos) a sufoquem. E, então, Jesus encerra com um convite que é oração e compromisso: “Quem tem ouvidos, ouça”. O Reino não é apenas esperado; ele é “recebido” — e isso depende do solo do coração

Eis a comparação com o cotidiano: quando alguém espera algo bom (uma resposta médica, uma reconciliação, uma porta que tarda), a ansiedade costuma apertar o pensamento e roubar a paz; mas a Palavra deste domingo ensina outra atitude, porque a espera cristã não é passiva nem apenas tensa — é fecunda. Que esta semana o seu “aguardar” passe de pânico para esperança: escute a Palavra com constância, peça profundidade para não desanimar nas provações e escolha libertar o coração dos espinhos que sufocam o crescimento. “Quem tem ouvidos, ouça

 

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