NO CAMINHO DO REINO,
CONSTÂNCIA E PROFUNDIDADE
Neste XV Domingo do Tempo
Comum – a Igreja nos faz entrar na escola da esperança: uma esperança
que não nega a dor, mas a atravessa; uma esperança que não se reduz a
“desejos”, mas se transforma em acolhimento da Palavra. É como quem já conhece
o Reino, ainda que o não veja plenamente, e por isso aprende a esperar com o
coração vigilante.
A Epístola aos Romanos coloca diante de nós um contraste que
cura a ansiedade: “os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a
glória” que Deus há de revelar. Aí não se trata de resignação muda, mas de
espera em esperança: a criação “aguarda com ânsia” a revelação dos filhos de
Deus, e nós também “gememos por dentro, enquanto esperamos a adoção”. Assim,
nossa expectativa — quando é fé — ganha um sentido pascal: o gemido não é
derrota, é trabalho interior orientado para a redenção.
No
Evangelho, Jesus descreve o Reino como semente lançada na terra: a Palavra é
acolhida de modos diferentes. Há quem receba, mas “no caminho” a palavra é
rapidamente arrancada; há quem receba com entusiasmo e, ao primeiro calor das
provações, desapareça por falta de profundidade; há quem permita que “as
preocupações do mundo” (os espinhos) a sufoquem. E, então, Jesus encerra com um
convite que é oração e compromisso: “Quem tem ouvidos, ouça”. O Reino não é
apenas esperado; ele é “recebido” — e isso depende do solo do coração.
Eis a comparação com o cotidiano: quando alguém espera algo bom
(uma resposta médica, uma reconciliação, uma porta que tarda), a ansiedade
costuma apertar o pensamento e roubar a paz; mas a Palavra deste domingo ensina
outra atitude, porque a espera cristã não é passiva nem apenas tensa — é
fecunda. Que esta semana o seu “aguardar” passe de pânico para esperança: escute a Palavra
com constância, peça profundidade para não desanimar nas provações e escolha
libertar o coração dos espinhos que sufocam o crescimento. “Quem tem ouvidos,
ouça
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