PEDRO E PAULO, PERSEVERANÇA E FIDELIDADE
Na festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo, a Igreja nos mostra dois
caminhos para continuar de pé quando tudo parece apertar: oração perseverante e fidelidade ao Evangelho. Em Jerusalém,
Herodes lançou violência contra os membros da Igreja e mandou prender Pedro; a
comunidade, porém, rezava sem cessar por ele. A unidade não foi mantida por
manobras políticas, mas por um povo que ficou junto diante de Deus.
Pedro está preso, acorrentado, vigiado — e ainda assim acontece o
inesperado: naquela noite, uma luz envolve a cela, um anjo toca Pedro, as
correntes caem e ele recebe instruções simples e decisivas: Levanta-te depressa.
Paulo, anos depois, vai traduzir essa mesma coragem em linguagem de luta: combati
o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Não se trata de romantizar o
sofrimento, mas de reconhecer que a fé não é passiva: ela sustenta a pessoa até
o fim, mesmo quando parece não haver saída.
No Evangelho, Jesus toca no coração da missão: E vós, quem dizeis que eu
sou? Pedro responde com uma confissão que revela quem sustenta a Igreja: Tu és
o Cristo, o Filho do Deus vivo. E então Jesus lhe entrega uma tarefa concreta: tu
és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; dá as chaves do Reino e
promete que as portas do inferno não prevalecerão. Isso explica, de modo muito
cotidiano, por que a Igreja é una: não porque todos pensamos igual por conta
própria, mas porque há um fundamento visível, que lembra que Cristo continua a
conduzir o seu povo. Quando, por exemplo, acompanhamos pela rádio ou pela TV a
mensagem do Papa — o sucessor de Pedro — sentimos que não estamos espalhados ao
acaso: pertencemos a um mesmo Corpo, com uma mesma fé e uma mesma
esperança.
Para viver esse dia, a pergunta prática é: o que fazemos com as correntes que prendem a nossa vida? Há correntes
que são medo, indiferença, divisão na família, discussões na comunidade,
cansaço. A primeira atitude de Pedro foi obedecer à voz que manda levantar; a
de Paulo foi manter a fé até o fim, sabendo que o Senhor estava com ele para
que a mensagem fosse proclamada e que Ele o libertaria. Então, nesta semana,
proponha um gesto simples e real: reserve alguns minutos por dia para rezar
pela unidade da Igreja e pelos que sofrem por causa da fé, e, quando vier a
tentação de desistir ou de endurecer o coração, repita interiormente: Levanta-te depressa — e dê um passo concreto de reconciliação e anúncio.
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