DEUS É SEMPRE FIEL
Quantas vezes a vida diz “não vai
dar”? Espera por um exame, por um emprego, por uma cura, por uma reconciliação…
e o coração entra naquele modo de desânimo: “contra toda esperança…” É
exatamente aí que São Paulo coloca Abraão: ele acreditou mesmo quando as
condições pareciam fechar o horizonte. Ele não enfraqueceu na fé ao encarar a
própria fragilidade e a esterilidade de Sara; ao contrário, ficou forte, dando
glória a Deus, convencido de que Deus pode cumprir o que prometeu. Essa é a fé
que não depende apenas do que é visível: ela se apoia no Deus que salva.
E quando a fé vai ao fundo, ela
encontra um motivo ainda maior do que “força de vontade”: a promessa de Deus
tem poder de criar vida onde não há vida. Paulo descreve Deus como aquele que
“dá vida aos mortos” e chama à existência o que não existe; por isso, a fé vai
além do cálculo humano. E o centro dessa esperança é Jesus: Ele foi entregue
por nossas transgressões e ressuscitado para a nossa justificação. Em outras
palavras: não é só “um recomeço moral”; é uma esperança sustentada por uma vida
que vem de Deus, capaz de transformar o que parecia sem saída.
No Evangelho, Jesus faz algo que
provoca: Ele vê Mateus, um cobrador de impostos, e simplesmente lhe diz:
“Segue-me.” Mateus se levanta e segue. Depois, Ele vai à mesa com muitos
cobradores e pecadores, e os fariseus ficam incomodados: “Por que ele come com
essas pessoas?” A resposta de Jesus é direta, quase como uma frase que não
deixa espaço para desculpas: “Os que têm necessidade de médico são os doentes.”
E completa com um critério decisivo: “Eu desejo misericórdia, não sacrifício.”
A missão de Jesus não é confirmar a pose de quem se julga perfeito; é chamar
para perto os que reconhecem a própria fragilidade.
Então, neste domingo, vale uma pergunta
para a comunidade: a nossa fé nos torna mais misericordiosos ou
mais “separados” dos que erram? Abraão nos ensina a não desistir da
esperança; Jesus nos ensina a não desistir das pessoas. Fé sem misericórdia
vira cobrança; esperança sem acolhimento vira discurso vazio. Concretamente,
nesta semana, escolha um gesto: visitar quem anda afastado, conversar sem
humilhar, perdoar antes que a distância vire hábito, e oferecer àquele que erra
um lugar de volta. No fundo, Jesus quer que a nossa mesa e o nosso coração
sejam “casa” — onde a misericórdia encontra gente real, e onde a esperança
volta a nascer.
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