ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS
A Igreja celebra o tempo pascal com
uma certeza que atravessa todas as épocas: Jesus está
presente no meio de seu povo. Ele não se ausentou após a Ascensão; pelo
contrário, “está vivo e ativo em sua Igreja”, e está na liturgia, essa presença
se torna de modo especial “real” e eficaz: Cristo permanece “na Escritura”, “de
modo único na Eucaristia”, “nos sacramentos”, “na Palavra” e até “quando a
Igreja ora e canta”. Por isso, os cristãos de ontem e de hoje não se encontram
com uma ideia religiosa, mas com uma presença
viva: Cristo continua a ensinar, alimentar, curar, perdoar e renovar.
No Evangelho, Jesus revela o coração
dessa presença. Ele liga o amor à obediência: “Se me amais, guardareis os meus
mandamentos”. E então dá uma promessa consoladora para as comunidades que
sofrem: o Pai enviará “outro Advogado” — o Espírito
Santo — para estar “convosco para sempre”. O texto é claro e
comovente: o “Espírito da verdade” não é distante; o mundo não o conhece,
mas vós o conheceis, porque “permanece convosco e estará
em vós”. Assim, Jesus “não deixa órfãos” os seus; Ele vem, e a comunidade
aprende a reconhecê-lo quando Ele revela que “Eu estou no meu Pai, e vós em
mim, e eu em vós”. E esse anúncio não fica preso ao passado: o Espírito
tem a missão de ensinar e fazer recordar o Evangelho, tornando-o vivo e
operante no testemunho da Igreja.
A mesma ação divina aparece nos Atos
dos Apóstolos, quando o anúncio chega a Samaria. Filipe proclama o Messias, e
“as multidões, unânimes, escutavam com atenção”, vendo e ouvindo os sinais que
confirmavam a pregação. Espíritos impuros se retiram, muitos doentes são
curados, e “houve grande alegria naquela cidade”. Isso nos mostra
como, ontem como hoje, a presença de Jesus não é silenciosa:
ela irradia em sinais de libertação, cura e esperança que alcançam pessoas
concretas. E é o Espírito Santo, que acompanha a Igreja em sua história, que
ilumina e torna a verdade do Evangelho inteligível e testemunhável, com luz e
força.
Por fim, a Carta de São Pedro ensina
como uma comunidade “cheia de presença” vive na prática. No coração, Cristo
deve ser santificado como Senhor, e cada cristão
deve estar pronto para “dar razão da esperança” com mansidão e respeito,
mantendo a consciência limpa mesmo quando há calúnias. Há também um
caminho pascal exigente: às vezes é preciso sofrer por fazer o bem, como Cristo
sofreu “uma vez por todas”, sendo morto na carne, mas tornado vivo no Espírito,
para nos conduzir a Deus. Portanto, quando você enfrenta dificuldades, não
é a sua força que deve aparecer em primeiro lugar; deve aparecer Cristo vivo em você pelo Espírito, que sustenta o testemunho e dá
coragem para permanecer na verdade, na paz e na esperança — porque o Espírito da verdade continua presente e atuante no tempo da
Igreja.
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