quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

HOMILIA PARA O DIA 22 DE JANEIRO DE 2023 - 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 O SENHOR É NOSSA LUZ E SALVAÇÃO

Nas orientações que os pais dão para os filhos, em algumas correntes da pedagogia escolar fica bastante claro o jogo de palavras entre o que é certo e errado, o que é importante e supérfluo e assim por diante. Pois nas três leituras deste domingo fica evidente esse jogo do contraditório entre uma situação de outra.

Na primeira leitura o profeta Isaias apresenta uma situação difícil e de sofrimento e que será substituída por outra muito melhor: “No tempo passado o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali; mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar. O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Pois o jugo que oprimia o povo, - a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais tu os abateste como na jornada de Madiã”.

Em outras palavras, a luz de Deus que haverá de brilhar para todos os povos vai colocar um fim às trevas e a todos os sinais de sofrimento, de dor e de morte!

Muito mais tarde as pessoas entenderam que a Luz da qual falava Isaias é a própria pessoa de Jesus que traz a mensagem e a proposta de Deus Pai extensiva a todos os povos!

Na carta aos Coríntios, Paulo mostra o seu desconforto com uma comunidade que esqueceu Jesus e a sua proposta. Ele então recomenda que todos redescubram os fundamentos da fé: Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar”.

Na comunidade de Corinto se tinham criado grupos por afinidades a este ou aquele pregador e em vez de simpatizar com os ensinamentos de Cristo a comunidade estava dando mais importância aos pregadores correndo o risco de se assemelhar aos grandes mestres pagãos. Paulo deixa claro que o cristianismo não é uma filosofia de vida ou um grupo de admiradores de um mestre qualquer. O que é importante e sempre necessário será redescobrir Cristo e sua doutrina!

No Evangelho, Mateus faz a mesma coisa que Paulo, isso é, deixa muito claro a importância da pregação em vista do Reino, e para isso apresenta o convite que Jesus faz aos primeiros discípulos.

Jesus é a verdadeira luz que está brilhando na escuridão das noites que se estendiam por longos anos. Fazendo-se a luz de todos Jesus aponta para a única coisa importante: Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo".

A maneira como Jesus apresenta a chegada de Deus como resposta aos sinais de escuridão e de sofrimento podem ser reconhecidos pela prática de Jesus cujo anuncio da justiça, da misericórdia, da preocupação com os pobres, pela fecundidade e abundância. Finalmente e não por último pela paz sem fim!

Os quatro primeiros discípulos servem de modelo para cada cristão contemporâneo. Ouvindo o convite de Jesus eles aceitam imediatamente e não impõe condições para isso: “Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram”.

Ontem como hoje Deus vem ao nosso encontro para nos ajudar a perceber as dificuldades que a vida carrega, ao mesmo tempo nos convida a compreender como os primeiros discípulos tiveram clareza de quem vinha o convite e em que consistia o chamado! Diante disso não tiveram dificuldade para responder e na sequência seguir a Cristo comprometendo-se com a construção do Reino!

Como os discípulos de outrora não tenhamos medo:

O Senhor é minha luz e salvação.
 O Senhor é a proteção da minha vida”.


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

HOMILIA PARA O DIA 15 DE JANEIRO DE 2023 - 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 

ESSE É MEU FILHO AMADO!

Não são necessárias muitas explicações para justificar o interesse que os pais manifestam para fazer com que os filhos se pareçam com eles. Recomendações de toda ordem não faltam no sentido de estimular os filhos a se fazer reconhecer como descendentes dos bons costumes e da boa fama que gozam os genitores. Isso vale também para as instituições que fazem questão de imprimir nos seus admiradores e adeptos atitudes que permitam identificar a passagem de uma pessoa por essa ou aquela instituição, empresa e até partido político.

A Palavra de Deus prevista para esse domingo também traz como pano de fundo a confirmação da filiação divina de Jesus e a missão que o Pai lhe confiou. Essa condição aparece interpretada desde as profecias antigas, que na primeira leitura de hoje apresenta a figura de um servo: “E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória”. E ainda completa com uma missão bem específica: “Não basta seres meu Servo, eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra". As palavras deixam absolutamente claro que este servo se identifica com aquele que lhe enviou sendo um instrumento para fazer acontecer a sua vontade e missão.

Desde muito cedo os cristãos entenderam que o Servo de quem falava Isaias era o próprio Jesus nascido em Belém e descendente de Davi. Assim Paulo na carta que ouvimos deixa claro que Jesus é o enviado do Pai, que nele é possível reconhecer aquele que o enviou com todas as suas qualidades e responsabilidades: “Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, aos que foram chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai”. Tal como Paulo nós somos chamados a dar o mesmo testemunho de Jesus fazendo reconhecer que Ele é o próprio Deus que se entrega para a salvação de todos.

No Evangelho, João confirma aquilo que todos queriam ouvir: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim”. O discurso de João continua reafirmando a sua convicção sobre a pessoa de Jesus que se fez obediente e igual ao Pai, e que nesta condição assumiu as responsabilidades que lhe foram confiadas sendo capaz de caminhar lado a lado com as pessoas experimentando suas fragilidades, dificuldades e provações, cumpriu tudo o que lei previa e assim garantiu que todas as criaturas fossem reconciliadas com o criador.

Concluindo a sua fala sobre a pessoa de Jesus, João se serve de um recurso de linguagem muito usado pelos sábios da época: “Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: 'Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo'. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus".

A missão desse enviado não acontecerá com prepotência e triunfalismo, antes, porém na completa obediência ao Pai, tal como um servo já descrito pelo profeta Ele vai realizar tudo o que precisa ser feito na suavidade e na simplicidade como rezamos no salmo:

Eu disse: Eis que venho, Senhor,
com prazer faço a vossa vontade!

 

HOMILIA PARA O DIA 08 DE JANEIRO DE 2023 - EPIFANIA DO SENHOR - ANO A

 

TODOS OS POVOS CAMINHAM NA LUZ DO SENHOR!

Dentre os investimentos que cresceram nos últimos tempos no período do Natal está a iluminação. Em todas as cidades são significativos os recursos aplicados junto com outros atrativos e entretenimentos. De novo pode-se comparar a festa pagã de outrora que se diviniza com a celebração do nascimento de Jesus. A decoração natalina e os festejos de final de ano se encerram nesse domingo também conhecido como “dia dos Santos Reis Magos”.

Na liturgia da Igreja o primeiro domingo depois do ano novo se chama “Epifania do Senhor” cujo significado é manifestação pública da pessoa de Jesus. Ou seja, o Filho de Deus é a verdadeira luz que deveria vir ao mundo, nas luzes que se acendem por todos os lugares e se apagam depois que termina o período natalino deveríamos reconhecer a Luz que nunca se apaga e que não se restringe a um espaço geográfico, tempo ou determinada cidade.

Na primeira leitura o profeta faz um convite para o povo sonhar com um futuro extraordinário: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor”. O sonho do profeta é o sonho de todos serem guiados pela luz verdadeira que irá conduzir o povo na construção da nova cidade que atrairá os olhares de tantos quantos esperam a salvação definitiva.

Por sua vez, São Paulo recorda aos Efésios que em Jesus Cristo a salvação de Deus não se restringe a um pequeno grupo de pessoas nem tampouco a uma determinada região: “Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”.

Aquilo que as gerações passadas aguardavam acontecer, Paulo confirma ter sido realizado na pessoa de Jesus Cristo, salvação definitiva para todos.

Os três reis magos são muito mais do que chefes de três povos, eles representam o desejo e a disposição da humanidade inteira de encontrar o Senhor e se deixar guiar por sua Luz.  Com a mesma esperança alimentada por muitas gerações os magos caminham na confiança e reconhecem no menino de Belém o dom de Deus sendo acolhido por todos os povos.

Notemos que Mateus deixa claro que Jesus nasceu em Belém e isso para garantir sua unidade com Davi o grande rei de Israel. Ora, se descendente de Davi não haveria motivos para ser rejeitado ou não reconhecido: Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo".

Os magos são a representação das caravanas estrangeiras das quais falava o profeta Isaias. Em resumo o menino que todos podem ver é a verdadeira luz que nunca se apaga.

Também para nós é importante reconhecer na pessoa de Jesus, cujo natal celebramos, a luz verdadeira que veio para iluminar toda a escuridão e todas as trevas sinais do pecado e da morte.

Todos celebramos de diferentes maneiras o natal do Senhor, agora é importante que nos perguntemos sobre nossa disposição de seguir os passos dos reis magos: “os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho”.

Deixemos a Palavra transformar nosso coração, a Eucaristia alimentar nossas ações e a oração de todos fortalecer nossos passos.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

HOMILIA PARA O DIA 01DE JANEIRO DE 2023 - SANTA MARIA MÃE DE DEUS - DIA MUNDIAL DA PAZ - ANO A

 

SANTA MÃE DE DEUS, ROGAI POR NÓS!

São inúmeras as motivações que levam os cristãos a se reunir na noite do último dia do ano e no primeiro dia do novo ano. A liturgia da Igreja nos coloca diante da figura de Maria Mãe de Deus e nos propõe celebrar o Dia mundial da Paz. Com essas duas intenções todos nos colocamos como meta e desafio caminhar juntos na perspectiva de novos tempos, para isso colocamos a nossa vida e tudo o que amamos nas mãos de Deus pedindo a sua bênção e proteção para todos os sonhos e projetos.

Tal como o povo de Israel também nós estamos confiantes que Deus caminhará ao nosso lado como tem feito em todos os tempos. Ao concluir, com uma ação de graças, o ano de 2022 dizemos todos: “Até aqui nos trouxe Deus”! E com o autor da primeira leitura repetimos três vezes o nome de Deus confiados na tríplice bênção que dele recebemos: “O Senhor te abençoe e te guarde! 'O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti!

O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz”! Nenhuma realidade humana fica descoberta ou desprotegida da bênção de Deus! Obviamente que isso supõe também uma resposta da nossa parte para que a Bênção de Deus realize tudo aquilo que ela significa.

Na carta aos Gálatas Paulo volta a recordar a estreita relação que tem a filiação de Jesus com a nossa condição de privilegiados filhos, livres e amados e por isso podemos como Jesus chamar a Deus de Abbá, que significa “paizinho”. Cristo veio para libertar a humanidade de todas as formas de escravidão e de medo: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Assim já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus”.

Esse Jesus que nos devolveu a condição de nação livre se deu a conhecer primeiro aos sofridos e excluídos pastores de Israel, os quais apenas ouviram o anúncio do Anjo foram apressadamente ao encontro daquele cujo anuncio consistia em garantir uma condição totalmente nova.

Os pastores não tiveram dificuldade de reconhecer no menino de Belém o esperado messias e imediatamente voltaram louvando e glorificando a Deus por lhes ter dado a oportunidade de experimentar o encontro com Deus libertador.

Outra atitude extraordinária narrada no Evangelho é o comportamento da Mãe do menino: “Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Sem compreender o significado de tudo o que estava acontecendo Maria permaneceu observando e meditando os sinais que Deus realizada na história.

O comportamento de Maria e dos pastores pode ser chamado de atitude missionária que também cada um de nós é convidado a cultivar todos os dias do novo ano, de maneira discreta, mas atuante e transformadora somos convidados a agir como os pastores: “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido”. Façamos isso cantando com o Salmista:

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, *
que todas as nações vos glorifiquem!

Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, *
e o respeitem os confins de toda a terra! 

 

 

 

HOMILIA PARA O DIA 25 DE DEZEMBRO DE 2022 - MISSA DO DIA DE NATAL - ANO A

 

O SENHOR FEZ CONHECER A SALVAÇÃO

O pênalti na trave chutado pelo Marquinhos foi só o derradeiro momento de 120 minutos de muita tensão e expectativa e que enterrou mais uma vez o sonho do hexa. O Brasil inteiro estava parado naquela trágica sexta-feira esperando a vitória que nos aproximaria do sonho que vem se repetindo há vinte anos. Ora, guardadas as proporções, o povo de Israel, alimentou durante centenas de anos a expectativa da vinda do Messias, daquele que iria restaurar a grandeza do reinado de Davi. É nessa perspectiva que podemos ler e interpretar a Palavra de Deus proclamada na liturgia que estamos celebrando.

Isaias anuncia a presença de uma figura extraordinária: “Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: "Reina teu Deus!" A mensagem do profeta é um convite para substituir a frustração e a tristeza pela alegria, o desencanto pela esperança.

Em poucas palavras o convite do Profeta é um canto de alegria e de festa, apesar de todas as dificuldades as promessas de Deus vão se tornar realidade em favor do seu povo.

A segunda leitura é uma carta dirigida para uma comunidade em situação muito difícil e que por causa das perseguições, sofrimentos e derrotas facilmente se deixava vencer pelo medo e pela desolação. O autor apresenta a extraordinária dimensão do plano salvador que Deus tem para a humanidade, com isso ele quer estimular os cristãos a não perderem o fervor inicial: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho”.

Jesus é a mais extraordinária manifestação de Deus em favor do seu povo: “Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas”.

No Evangelho João reafirma a existência do Filho antes de tudo e de todas as coisas. Usa a expressão “verbo de Deus” para deixar claro que o Filho sempre existiu e que agora assume a condição humana para eliminar do convívio humano tudo o que dificulta e impede que as relações entre as pessoas sejam plenas de vida e de luz. A encarnação da Palavra cumprirá sua missão quando todas as criaturas alcançarem a condição de filhos e filhas amados de Deus, ou como diz São Paulo em outra ocasião: “Até que Cristo se forme em todos”. De forma poética o evangelista descreve a ação de Deus no mundo: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com Deus. Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”.

Acolher a Palavra que se fez gente é a condição para participar na vida de Deus, ou seja estabelece uma nova relação entre o mundo terreno e o mundo divino. Em Jesus Cristo a humanidade já não vive mais a experiência de uma derrota depois de uma difícil partida e um pênalti perdido.

A palavra que se fez gente permite que todos nos tornemos filhos no Filho e oferece para todos a possibilidade de ser uma criatura nova, acabada e perfeita.

Essa certeza nos faz cantar com o salmista:

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

HOMILIA PARA O DIA 25 DE DEZEMBRO DE 2022 - MISSA DA NOITE - ANO A

                                   UM FILHO NOS FOI DADO 


Não há diferença de idade. Todos em todas as circunstâncias da vida gostamos de nos sentir amparados, cuidados, protegidos. Quando alguém se aproxima, sobretudo, nas nossas fragilidades nos sentimos seguros e mais facilmente caminhamos para a realização de projetos e sonhos. Não é à toa que o Papa Francisco está convocando a Igreja inteira para vivenciar o Sínodo sobre a importância da sinodalidade, ou seja, sobre a necessidade de aprender caminhar juntos. Amparar, cuidar, proteger, ser solidário, corresponsável e assim por diante.

A Palavra de Deus na noite do Natal nos coloca nesta situação. Um filho nos foi dado, Ele veio para caminhar com a humanidade ferida e perdida. Na pessoa de Jesus Deus não nos deixa caminhar sozinhos pelos tortuosos e difíceis caminhos contemporâneos.

Na mesma condição do povo de Israel o profeta vivia desiludido com seus governantes e com a política de outrora. Nesse contexto Isaias sonha com um tempo novo: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade”.

As razões para essa euforia estão expressas nas palavras do profeta: “Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim”.

A carta de Tito que lemos hoje foi escrita num tempo de dificuldade em que os cristãos tinham perdido o entusiasmo inicial surgido com o anúncio da boa nova de Jesus Cristo. Nesse contexto o autor apresenta uma lista de conselhos para ajuda-los vivenciar a fé naquela situação conturbada e desafiadora: “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Para que isso seja experimentado o autor apresenta três razões: O amor de Deus foi oferecido gratuitamente; a esperança ajuda perceber que a vida presente é apenas a antecipação da vida definitiva; a obra redentora tem sem culminância na pessoa de Jesus.

Lucas é o evangelista que mais se preocupa em situar os acontecimentos nos lugares e tempos. O objetivo do autor é deixar claro que a ação de Deus se realiza numa época e num espaço perfeitamente integrado na vida e na história das pessoas.

No texto de hoje o autor quer deixar claro que o nascimento de Jesus é a realização da promessa feita por Isaias: O anjo, porém, disse aos pastores: Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura".

Apresentado primeiramente aos pastores e na fragilidade de uma criança fica claro que a proposta de Deus não se impõe pela força, mas pela ternura. Deus não se impõe pelas armas, pelo poder, pelo dinheiro, pela ajuda de uma grande agência publicitária. Ontem como hoje a lógica de Deus continua sendo a mesma. No menino de Belém somos convidados a contemplar o amor de Deus que se preocupa com a felicidade e a vida de todos.

Para celebrar dignamente o Natal é importante que nos perguntemos em que medida nossa vida é uma resposta coerente e autêntica que corresponda aos valores do Reino que Jesus veio inaugurar. Cristo é a referência da nossa vida? O seu jeito de viver e sua entrega para a salvação da humanidade é assumido por nós em nossas relações cotidianas?

Não tenhamos medo de cantar com o salmista

Hoje nasceu para nós

o Salvador, que é Cristo o Senhor.

O céu se rejubile e exulte a terra, *
aplauda o mar com o que vive em suas águas;

os campos com seus frutos rejubilem *
e exultem as florestas e as matas

HOMILIA PARA O DIA 18 DE DEZEMBRO DE 2022 - 4º DOMINGO DO ADVENTO - ANO A

 

ELE SE CHAMARÁ EMANUEL

Fazer a releitura dos acontecimentos cotidianos a partir da sabedoria dos antepassados é uma forma de confirmar a crença em novas realidades. Essa é a perspectiva da liturgia do advento que repetimos a cada ano. No advento atualizamos as promessas dos profetas e a realização do nascimento do Salvador.

O cerne da liturgia da Palavra deste domingo tem por objetivo acalmar os corações deixando claro que diante de todas as adversidades Deus está sempre conosco! O anuncio do profeta foi reinterpretado como sendo a disposição de Deus em caminhar lado a lado com seu povo, tal anuncio é também um convite para não perder a esperança: “O próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. Todos somos convidados a perceber a permanente presença de Deus que percorre nosso cotidiano.

Na segunda leitura, São Paulo se apresenta aos Romanos com três características: “Servo de Jesus Cristo; Apóstolo por chamamento divino e Escolhido para o Evangelho”. As três características de Paulo, devem fazer parte também das escolhas cotidianas dos cristãos contemporâneos e implicam na determinação de testemunhar a Boa Nova que receberam como seguidores de Jesus. Conhecer e testemunhar o Evangelho não é uma forma de superioridade em relação aos demais, mas sim uma missão que nos foi confiada e que precisa ser cumprida com espírito de serviço e com o testemunho da própria vida.

A narrativa do nascimento de Jesus feita por Mateus no Evangelho desse domingo, ganha maior significado à medida que for lida sob a ótica da concretização do que já havia previsto o Profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco". Obvio que Deus vindo caminhar conosco de forma gratuita nos oferece também uma série de benefícios ao mesmo tempo que pede uma contrapartida. Os anjos de Deus continuam a nos esclarecer como o mensageiro fez a José: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados".

Também nós somos desafiados a não ter medo e acolher Jesus e sua proposta de braços e corações abertos essa atitude transformará a nossa vida, começando pelo perdão dos pecados.

A maneira como é anunciado o nascimento de Jesus segue o estilo de outras grandes intervenções de Deus ao longo da história e o objetivo é bastante claro: Mostrar que Jesus vem de Deus, que sua origem é divina, que Ele é o Messias prometido que se faz gente na história humana, isso é, tem uma descendência terrena.

José aceita e reconhece sua paternidade terrena daquele que é o Deus conosco. Descendente de Davi ele personifica a esperança de um novo tempo de paz e felicidade para todo o povo.

O natal significa para nós a mesma responsabilidade que Paulo experimentou: Em Jesus todos temos a missão de fazer acontecer todas as promessas feitas pelos profetas ao longo dos tempos.

Deixemo-nos conduzir pelo que rezamos no salmo:

O rei da glória é o Senhor onipotente;
abri as portas para que ele possa entrar!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

HOMILIA PARA O DIA 11 DE DEZEMBRO DE 2022 - 3º DO ADVENTO - ANO A

 O SENHOR É FIEL PARA SEMPRE

No vocabulário regional do sul do Brasil, se usa a expressão: “Radio Peão” para designar notícias, comentários, conversas que passam de boca em boca e muitas vezes tem um fundo de verdade. Outras vezes se faz referência ao estilo de pessoas que costumam passar informações mirabolantes e deles se diz: “Fulano aumenta, mas não inventa”. Pois a Palavra de Deus deste domingo tem por objetivo clarear e confirmar os fatos que circulavam na região a respeito do Messias e sobre os quais as pessoas não tinham convicção.

A expectativa da intervenção de Deus na história gerou nas comunidades um clima que o profeta trata de confirmar dizendo: Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores”. Dito de outra forma: O que se houve por aí não é conversa fiada, pelo contrário, a chegada de Deus dará uma vida nova ao povo e o fará caminhar para o tempo e a terra da liberdade.

A primeira leitura é uma proclamação de esperança e para aqueles que acreditam a presença de Deus será uma oportunidade de grandes realizações. Deus nunca abandona a sua criatura, basta que as pessoas caminhem na esperança e tenham coragem de enfrentar as adversidades da história: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: "Criai ânimo, não tenhais medo”!

Na mesma direção estão as palavras de Tiago na segunda leitura. O texto é um convite a não se deixar dominar pelo medo, pela angústia e o desespero. Antes trata-se de aguardar com confiança e esperança a vinda do Senhor: “Ficai firmes até à vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera. Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor”.

Por causa da sua coragem e determinação João Batista foi perseguido e preso. Lá ouve a “rádio peão” e as conversas das pessoas que “aumentam, mas não inventam” relatando sobre os extraordinários feitos de uma pessoa que eles julgam ser o Messias. João se serve dos seus discípulos para esclarecer as dúvidas que pairavam no ar: “João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: És tu, aquele que há de vir? ”

Jesus, como era do seu costume, não faz discurso para responder as indagações. Contra fatos não existem argumentos: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!"

Em resumo a presença de Jesus no meio do povo confirma o que havia sido anunciado pelos profetas e por João Batista e esta realidade identifica a ação de Jesus coma realização do Reino de Deus.

Também os cristãos contemporâneos são convidados a fazer reconhecer a presença de Jesus no meio do mundo. Cada pessoa e a Igreja inteira é convidada a caminhar junto não apenas por meio do culto, das orações e das doutrinas. Todos indistintamente somos convidados a cuidar das feridas que o mundo provoca de tal maneira que todos possam perceber em nossa prática cotidiana a presença de Deus que age conforme rezamos no salmo:

O Senhor é fiel para sempre, *
faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos, *
é o Senhor quem liberta os cativos.