POVO E PROPRIEDADE DE DEUS
Neste 11º domingo do Tempo Comum, a
Palavra nos coloca diante de um mesmo chamado com duas faces: Deus forma um
povo para ser propriedade sua e, ao mesmo tempo, Jesus envia
pessoas para cuidar, curar e libertar. É como quando alguém descobre que tem
uma missão maior do que imaginava: não é apenas “fazer religião”, é entrar no
plano de Deus. E a pergunta que nasce no coração é direta: somos apenas ouvintes… ou nos tornamos mensageiros?
Em Êxodo, Deus lembra ao povo que o
resgatou com força e ternura: Ele “os levou” como quem sustenta alguém “sobre asas de águia”, tirando-os da escravidão e levando-os para perto
de si. Depois, vem a consequência: se o povo obedecer e guardar a aliança, será
“propriedade” de Deus entre os povos, e terá uma identidade muito exigente
— um “reino sacerdotal” e uma “nação santa”. No Evangelho,
Jesus olha para as multidões e se compadece, porque as pessoas estão como
“ovelhas sem pastor”. E então Ele faz a passagem do sentimento para o envio:
chama os discípulos, dá-lhes autoridade para agir em nome d’Ele e os manda com
tarefas concretas: curar, expulsar espíritos impuros e anunciar. Pensem
numa cena cotidiana: quando alguém percebe que um vizinho caiu na rua e está
precisando de ajuda, não basta dizer “coitado”; é necessário fazer alguma
coisa. A compaixão que não vira gesto fica estagnada; vira apenas conversa.
Jesus, ao contrário, tem “entranhas” de misericórdia, mas não se detém nisso:
Ele transforma a dor do povo em caminho de serviço. E a missão dos discípulos
tem um detalhe importante: não é pagamento, não é comércio — é dom. Quem
recebe, dá; quem foi curado, cura; quem foi chamado, chama.
Por isso, hoje, a comunidade
dominical pode examinar a própria vida com duas perguntas bem práticas.
Primeiro: que tipo de “rebanho” estou ajudando a cuidar
— ou estou aumentando o cansaço de quem já está perdido? Segundo: minha fé fica em discurso ou vira misericórdia visível? Um “reino
sacerdotal” não é status; é serviço. Uma “nação santa” não é estética; é
fidelidade que se traduz em cuidado. Então, nesta semana, vamos escolher um
gesto de envio: visitar alguém afastado, oferecer ajuda concreta a quem está
enfermo, procurar reconciliar-se com quem virou distância, e acolher as pessoas
sem tratá-las como problema. O Senhor não nos chamou para sermos espectadores;
chamou para sermos instrumentos do seu amor.
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