terça-feira, 19 de maio de 2026

HOMILIA PARA O DIA 14 DE JUNHO DE 2026 - DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

POVO E PROPRIEDADE DE DEUS

 

Neste 11º domingo do Tempo Comum, a Palavra nos coloca diante de um mesmo chamado com duas faces: Deus forma um povo para ser propriedade sua e, ao mesmo tempo, Jesus envia pessoas para cuidar, curar e libertar. É como quando alguém descobre que tem uma missão maior do que imaginava: não é apenas “fazer religião”, é entrar no plano de Deus. E a pergunta que nasce no coração é direta: somos apenas ouvintes… ou nos tornamos mensageiros? 

Em Êxodo, Deus lembra ao povo que o resgatou com força e ternura: Ele “os levou” como quem sustenta alguém “sobre asas de águia, tirando-os da escravidão e levando-os para perto de si. Depois, vem a consequência: se o povo obedecer e guardar a aliança, será “propriedade” de Deus entre os povos, e terá uma identidade muito exigente — um “reino sacerdotal” e uma “nação santa. No Evangelho, Jesus olha para as multidões e se compadece, porque as pessoas estão como “ovelhas sem pastor”. E então Ele faz a passagem do sentimento para o envio: chama os discípulos, dá-lhes autoridade para agir em nome d’Ele e os manda com tarefas concretas: curar, expulsar espíritos impuros e anunciar.  Pensem numa cena cotidiana: quando alguém percebe que um vizinho caiu na rua e está precisando de ajuda, não basta dizer “coitado”; é necessário fazer alguma coisa. A compaixão que não vira gesto fica estagnada; vira apenas conversa. Jesus, ao contrário, tem “entranhas” de misericórdia, mas não se detém nisso: Ele transforma a dor do povo em caminho de serviço. E a missão dos discípulos tem um detalhe importante: não é pagamento, não é comércio — é dom. Quem recebe, dá; quem foi curado, cura; quem foi chamado, chama. 

Por isso, hoje, a comunidade dominical pode examinar a própria vida com duas perguntas bem práticas. Primeiro: que tipo de “rebanho” estou ajudando a cuidar — ou estou aumentando o cansaço de quem já está perdido? Segundo: minha fé fica em discurso ou vira misericórdia visível? Um “reino sacerdotal” não é status; é serviço. Uma “nação santa” não é estética; é fidelidade que se traduz em cuidado. Então, nesta semana, vamos escolher um gesto de envio: visitar alguém afastado, oferecer ajuda concreta a quem está enfermo, procurar reconciliar-se com quem virou distância, e acolher as pessoas sem tratá-las como problema. O Senhor não nos chamou para sermos espectadores; chamou para sermos instrumentos do seu amor. 

 

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