sexta-feira, 19 de junho de 2026

HOMILIA PARA O DIA 19 DE JULHO DE 2026 - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 

DEIXAR CRESCER A MISERICÓRDIA

 

Neste XVI Domingo do Tempo Comum a liturgia nos faz contemplar a misericórdia de Deus na maneira como Ele governa o tempo: paciente, sem pressa de destruir, mas também justa, sem permitir que o mal tenha a última palavra. A Sabedoria recorda que Deus cuida de todos, e que o coração humano não pode enganar-se com aparências: há quem “fale com doçura”, mas planeje o mal por dentro.  No Evangelho, Jesus apresenta o Reino como uma obra do semeador: “o homem semeou boa semente”; porém, “enquanto todos dormiam, veio o inimigo e semeou ervas daninhas no meio do trigo”. Os servos, vendo o escândalo já nascendo, querem arrancar as ervas; mas o Senhor responde: “Não porque, ao arrancar as ervas, não arrancaríeis junto com elas o trigo”. E conclui: “deixai crescer ambos até a colheita”. Assim, o tempo da mistura é também o tempo da misericórdia: Deus não se deixa vencer pelo impulso de eliminar; Ele espera até o desfecho, quando a colheita revelar a verdade. 

A Sabedoria ilumina essa pedagogia divina ao mostrar que o mal, quando se apresenta “com lábios doces”, não muda seu desígnio. O inimigo age como quem promete proteção, mas a ruína chega; e, então, “se agitará” e mostrará o que era. É como no cotidiano: pense numa horta em que, pouco depois da semeadura, aparecem plantas daninhas. Se alguém tentar arrancá-las de imediato, pode destruir também o que foi plantado com esforço. Um agricultor prudente espera o crescimento para que o fruto fique reconhecível; do mesmo modo, Deus permite que a história avance, porque sua misericórdia não é ingenuidade: é espera com sabedoria até que a colheita se torne clara.

Diante disso, a Igreja nos convida a viver a paciência sem transformar a misericórdia em tolerância do mal: não é o nosso papel arrancar cedo demais, movidos por raiva, fofoca ou “lógica de servos”. É, antes, acolher a misericórdia de Deus como critério para o próprio coração: quando houver ervas ao redor — diferenças, fraquezas, erros de outros, confusões na comunidade — praticar o bem, corrigir com caridade, rezar sem desistir e confiar a separação final ao Senhor. Pois a misericórdia divina é paciente “até a colheita”, e sua justiça, no fim, não abandona o trigo. 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário