sexta-feira, 19 de junho de 2026

HOMILIA PARA O DIA 26 DE JULHO DE 2026 - DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

VIVER COMO GENTE NA COLHEITA 


Neste XVII Domingo do Tempo Comum – a Liturgia faz a Palavra tomar forma de anúncio: Deus conduz a história para o bem daqueles que O amam, e o seu Reino se revela como tesouro, como pérola, como rede lançada ao mundo; por isso, a homilia deve ser proclamada a partir das Escrituras, para que o mistério de Cristo seja luz viva na celebração. 

A Carta aos Romanos sustenta a esperança cristã com uma certeza que ordena o coração: “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam Deus e que são chamados segundo o seu desígnio; e esse caminho tem etapas reais — chamado, justificação e glorificação — como se Deus já começasse, agora, a revelar o seu plano no tempo. Assim, quando a vida parece interrompida por um imprevisto (um diagnóstico inesperado, o fechamento de um trabalho, uma ruptura familiar, a demora de uma reconciliação), o cristão não nega a dor; mas aprende a dizer: “não é o acaso que governa”, e sim a Providência que pode fazer até o que dói servir ao bem maior de Deus. 

No Evangelho, Jesus compara o Reino a um tesouro escondido e a uma pérola de grande valor: a pessoa encontra, esconde de novo com prudência e, em sua alegria”, vende tudo para comprar o campo; o comerciante, ao achar a pérola, também entrega o que tem. Algumas decisões parecem “perder” algo — oferecer tempo para rezar e amar, dizer a verdade com caridade, perdoar uma ofensa, sustentar um compromisso apesar do custo —, e é exatamente aí que se reconhece o valor do Reino. Porque quem viu a pérola não consegue mais reduzir Deus a “mais uma coisa”; passa a reorganizar prioridades com coragem. 

Por fim, Jesus fala da rede que apanha peixes de toda espécie e só na colheita” há separação entre o bem e o mal; e completa: o discípulo instruído no Reino é como o “mestre da casa” que tira do tesouro “o que é novo e o que é velho”. Isso é pastoralmente exigente: não basta receber a Palavra com entusiasmo; é preciso deixá-la formar o juízo e a prática, aprendendo a fidelidade ao Evangelho “antigo” e a novidade do amor que Deus vai escrevendo no coração “hoje”. Ao aproximar-se da mesa eucarística, peçamos a graça para amar o Reino acima de tudo, confiar que Deus faz cooperar o que é contraditório e viver como gente de colheita: escolhendo o bem agora e trazendo ao Senhor um coração verdadeiramente convertido. 

HOMILIA PARA O DIA 19 DE JULHO DE 2026 - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 

DEIXAR CRESCER A MISERICÓRDIA

 

Neste XVI Domingo do Tempo Comum a liturgia nos faz contemplar a misericórdia de Deus na maneira como Ele governa o tempo: paciente, sem pressa de destruir, mas também justa, sem permitir que o mal tenha a última palavra. A Sabedoria recorda que Deus cuida de todos, e que o coração humano não pode enganar-se com aparências: há quem “fale com doçura”, mas planeje o mal por dentro.  No Evangelho, Jesus apresenta o Reino como uma obra do semeador: “o homem semeou boa semente”; porém, “enquanto todos dormiam, veio o inimigo e semeou ervas daninhas no meio do trigo”. Os servos, vendo o escândalo já nascendo, querem arrancar as ervas; mas o Senhor responde: “Não porque, ao arrancar as ervas, não arrancaríeis junto com elas o trigo”. E conclui: “deixai crescer ambos até a colheita”. Assim, o tempo da mistura é também o tempo da misericórdia: Deus não se deixa vencer pelo impulso de eliminar; Ele espera até o desfecho, quando a colheita revelar a verdade. 

A Sabedoria ilumina essa pedagogia divina ao mostrar que o mal, quando se apresenta “com lábios doces”, não muda seu desígnio. O inimigo age como quem promete proteção, mas a ruína chega; e, então, “se agitará” e mostrará o que era. É como no cotidiano: pense numa horta em que, pouco depois da semeadura, aparecem plantas daninhas. Se alguém tentar arrancá-las de imediato, pode destruir também o que foi plantado com esforço. Um agricultor prudente espera o crescimento para que o fruto fique reconhecível; do mesmo modo, Deus permite que a história avance, porque sua misericórdia não é ingenuidade: é espera com sabedoria até que a colheita se torne clara.

Diante disso, a Igreja nos convida a viver a paciência sem transformar a misericórdia em tolerância do mal: não é o nosso papel arrancar cedo demais, movidos por raiva, fofoca ou “lógica de servos”. É, antes, acolher a misericórdia de Deus como critério para o próprio coração: quando houver ervas ao redor — diferenças, fraquezas, erros de outros, confusões na comunidade — praticar o bem, corrigir com caridade, rezar sem desistir e confiar a separação final ao Senhor. Pois a misericórdia divina é paciente “até a colheita”, e sua justiça, no fim, não abandona o trigo. 

 

HOMILIA PARA O DIA 12 DE JULHO DE 2026 - DÉCIMO QUINTO DOMINGO COMUM - ANO A

 NO CAMINHO DO REINO,

CONSTÂNCIA E PROFUNDIDADE

 

Neste XV Domingo do Tempo Comum – a Igreja nos faz entrar na escola da esperança: uma esperança que não nega a dor, mas a atravessa; uma esperança que não se reduz a “desejos”, mas se transforma em acolhimento da Palavra. É como quem já conhece o Reino, ainda que o não veja plenamente, e por isso aprende a esperar com o coração vigilante. 

A Epístola aos Romanos coloca diante de nós um contraste que cura a ansiedade: “os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória” que Deus há de revelar. Aí não se trata de resignação muda, mas de espera em esperança: a criação “aguarda com ânsia” a revelação dos filhos de Deus, e nós também “gememos por dentro, enquanto esperamos a adoção”. Assim, nossa expectativa — quando é fé — ganha um sentido pascal: o gemido não é derrota, é trabalho interior orientado para a redenção. 

No Evangelho, Jesus descreve o Reino como semente lançada na terra: a Palavra é acolhida de modos diferentes. Há quem receba, mas “no caminho” a palavra é rapidamente arrancada; há quem receba com entusiasmo e, ao primeiro calor das provações, desapareça por falta de profundidade; há quem permita que “as preocupações do mundo” (os espinhos) a sufoquem. E, então, Jesus encerra com um convite que é oração e compromisso: “Quem tem ouvidos, ouça”. O Reino não é apenas esperado; ele é “recebido” — e isso depende do solo do coração

Eis a comparação com o cotidiano: quando alguém espera algo bom (uma resposta médica, uma reconciliação, uma porta que tarda), a ansiedade costuma apertar o pensamento e roubar a paz; mas a Palavra deste domingo ensina outra atitude, porque a espera cristã não é passiva nem apenas tensa — é fecunda. Que esta semana o seu “aguardar” passe de pânico para esperança: escute a Palavra com constância, peça profundidade para não desanimar nas provações e escolha libertar o coração dos espinhos que sufocam o crescimento. “Quem tem ouvidos, ouça