terça-feira, 4 de março de 2025

HOMILIA PARA O DIA 06 DE ABRIL DE 2025 - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

 

QUARESMA - CHAMADOS À CONVERSÃO

E À ECOLOGIA INTEGRAL

 

Queridos irmãos e irmãs,

 

Durante o tempo da Quaresma, somos convidados a refletir sobre as leituras que nos são apresentadas: Isaías 43,16-21; Filipenses 3,8-14; e João 8,1-11. Cada uma delas nos oferece um convite à conversão, à penitência e à renovação, tanto em nossa vida espiritual quanto em nossa relação com o mundo.

Na leitura de Isaías, o Senhor nos faz um chamado: "Eis que faço uma coisa nova; agora brota, não a percebeis?" (Isaías 43,19). Este versículo nos convida a abrir os olhos e o coração para as novas possibilidades que Deus está realizando em nossas vidas. Se olharmos à nossa volta, veremos que a criação clama por atenção. Neste tempo quaresmal, somos chamados a reconhecer as injustiças que assolam a natureza e a fortalecer nossa relação com o ambiente. Assim como Deus faz novas todas as coisas, nós também somos desafiados a cuidar da Terra, um presente que nos foi dado. A ecologia integral se torna uma prática de fé, onde a conversão se estende não apenas ao nosso interior, mas também à maneira como interagimos com o mundo à nossa volta.

Em Filipenses, Paulo nos ensina a valorizar o que realmente importa: "Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor" (Filipenses 3,8). Aqui, somos exortados a desapegar das coisas materiais e superficiais que nos afastam do verdadeiro propósito — o amor a Deus e ao próximo. Esse desapego é fundamental para uma vida de penitência. Na prática, isso nos leva a refletir sobre nossos próprios hábitos de consumo e a promover um estilo de vida mais sustentável, que respeite o nosso planeta e todas as suas criaturas.

Finalmente, no Evangelho de João, encontramos a passagem da mulher adúltera. Jesus, em um ato de completa misericórdia, diz: "Nem eu te condeno; vai e não peques mais" (João 8,11). Este convite ao recomeço é um eco da esperança que desejamos em nossas vidas, e também é um lembrete de que, em nossa jornada de conversão, temos a responsabilidade de mudar nossas atitudes. A frase "não peques mais" nos interpela a refletir sobre como nossas ações impactam a criação. Ao cuidarmos do meio ambiente e fazermos escolhas que respeitem a Terra, estamos respondendo ao chamado de Jesus para viver de maneira mais consciente.

Queridos irmãos e irmãs, nesta Quaresma, somos chamados a uma transformação que abarca não apenas nossa vida pessoal, mas todo o nosso relacionamento com a criação. Que possamos abrir nossos corações para o novo que Deus está realizando, desapegar do que nos separa d’Ele e acolher a mensagem de misericórdia que Jesus nos traz. Que cada um de nós possa ir e “não pecar mais”, promovendo uma ecologia integral que respeite e cuide do mundo que Deus nos confiou.

Que Deus nos abençoe nesta jornada de renovação e conversão. Amém.

sábado, 1 de março de 2025

HOMILIA PARA O DIA 30 DE MARÇO DE 2025 - 4º DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

 

Quaresma:  Caminho da Conversão

Queridos irmãos e irmãs,

Estamos em um tempo especial, de renovação espiritual. Este período nos convida a um olhar atento sobre nossas vidas, nossos corações e nossa relação com Deus e com o próximo. Hoje, vamos fundamentar nossa reflexão em três passagens bíblicas Josué 5,9a.10-12; 2 Coríntios 5,17-21 e Lucas 15,1-3.11-32.

A Passagem do Deserto à Terra Prometida

Começando pelo livro de Josué, encontramos um momento crucial na história do povo de Israel. Após anos de peregrinação no deserto, finalmente eles chegam à Terra Prometida. Neste contexto, Deus diz: "Hoje tirei de vocês a vergonha do Egito." Aqui, percebemos que a Quaresma é, antes de tudo, um tempo de libertação. Assim como o povo de Israel foi chamado a deixar para trás as feridas do Egito, nós também somos convidados a deixar nossas angústias, medos e pecados que nos aprisionam.

A passagem nos lembra que ao entrar na Terra Prometida, o povo experimenta uma oportunidade unica; eles se alimentam dos frutos da nova terra. Na Quaresma, somos convidados a nos nutrir espiritualmente: a orar, a jejuar e a agir com generosidade. Desta forma, podemos experimentar não apenas uma mudança externa, mas uma verdadeira transformação interior.

A Nova Criação em Cristo

Na cara de São Paulo aos Coríntios, Ele nos apresenta um conceito fundamental: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura." A conversão que buscamos é, essencialmente, um retorno a Cristo, que nos reconcilia com o Pai. A Quaresma é uma oportunidade de nos deixarmos transformar por Ele, de nos despirmos do que é velho e de nos revestirmos do novo.

Isso envolve também um compromisso com a reconciliação — não apenas com Deus, mas também com aqueles que nos cercam. Durante este período, somos desafiados a buscar perdão, a oferecer chances e a construir pontes em nossos relacionamentos. É importante lembrar que, ao sermos reconciliados com Deus, somos chamados a ser instrumentos dessa reconciliação no mundo.

A Parábola do Filho Pródigo: O Amor do Pai

Com a parábola do Filho Pródigo visualizamos o coração do Pai: um amor que espera, acolhe e perdoa. O filho, ao decidir voltar, é recebido com braços abertos, e essa é a essência da misericórdia de Deus. Na Quaresma, somos chamados a reorientar nossas vidas, a reconhecer que, independentemente de quantas vezes tenhamos nos afastado, o amor de Deus sempre nos espera.

O pai da parábola nos ensina que o verdadeiro arrependimento gera uma festa no céu. E o que isso significa para nós? Significa que cada passo que damos em direção a Deus é celebrado. Cada ato de conversão, cada gesto de bondade, nos aproxima ainda mais da realização do Reino.

Concluindo a Reflexão

Queridos irmãos e irmãs, à luz dessas três passagens, somos convocados a uma Quaresma de transformação. Que possamos deixar para trás o que nos pesa, que nos alimentemos com a graça de Deus e que busquemos ser novas criaturas em Cristo. Que todo nosso processo de conversão nos leve a experimentar o amor incondicional do Pai e nos torne também disseminadores deste amor no mundo.

Que possamos, ao longo desta Quaresma, abrir nossos corações para a reconciliação e para a prática da misericórdia. Afinal, como seguidores de Cristo, somos chamados a estender nossos braços e acolher todos os filhos e filhas que esperam o retorno ao lar.

Que Deus nos abençoe nessa jornada de fé e conversão. Amém.

 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 23 DE MARÇO DE 2025 - 3º DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

 

Quaresma - Tempo de Conversão e Misericórdia

Queridos irmãos e irmãs,

Neste tempo de Quaresma, somos convidados a refletir sobre a conversão e o chamado à penitência. A Palavra de Deus que ouvimos hoje nos traz ensinamentos preciosos, embasados nos textos de Êxodo 3,1-8a.13-15; 1 Coríntios 10,1-6.10-12 e Lucas 13,1-9. Neste contexto, a experiência de Moisés, os avisos de Paulo aos coríntios e a parábola da figueira nos ajudam a entender a urgência de nos voltarmos a Deus, assumindo nossa responsabilidade como cidadãos da Terra.

O Chamado de Moisés e o Deus que Escuta

Em Êxodo, encontramos Moisés diante da sarça ardente. Deus se apresenta a Moisés não apenas como um ser distante, mas como o "Eu Sou". Esse encontro é um convite à escuta e à ação. Deus vê o sofrimento do Seu povo e decide intervir. Aqui, percebemos que a conversão começa com o reconhecimento da presença de Deus em nossas vidas e a nossa capacidade de escutá-Lo. Assim como Moisés, somos chamados a nos desapegar de nossa rotina e ouvir o clamor da criação e dos necessitados ao nosso redor.

Na Quaresma, somos convidados a refletir: temos escutado Deus em nossa vida? Estamos atentos ao sofrimento do próximo e à dor da natureza que clama por socorro? O chamado à conversão é um convite a sairmos de nosso próprio egocentrismo e a nos conectarmos com a realidade que nos cerca, especialmente em um momento em que a nossa casa comum, o planeta, enfrenta tantos desafios.

A Advertência de Paulo e o Cuidado com Nossa Fé

No trecho de 1ª Coríntios, Paulo recorda aos fiéis que as experiências do povo de Israel no deserto servem de aviso para nós. A Bíblia nos lembra que, mesmo tendo recebido tantas bênçãos, muitos caíram em tentação e se afastaram de Deus. Aqui, a conversão se torna um processo contínuo de revisão e cuidado com nossa fé. Não é suficiente termos começado bem, precisamos perseverar!

Isso nos leva a refletir sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, que nos convida a um olhar mais atento à ecologia integral. A questão de cuidar do meio ambiente é uma extensão da nossa responsabilidade cristã. O descuido pela criação é, muitas vezes, um sinal de nossa falta de conversão, mostrando que nossa relação com Deus e com a Terra ainda precisa ser renovada. Precisamos nos perguntar: como estamos contribuindo para a degradação do nosso planeta? O convite à penitência nos leva a agir de forma consciente, promovendo práticas que respeitem o meio ambiente e protejam a vida.

A Parábola da Figueira: Oportunidade de Frutificação

Finalmente, no evangelho de Lucas, a parábola da figueira é um lembrete de que Deus nos concede tempo para a conversão. O jardineiro pede ao senhor que lhe dê mais um ano para cuidar da figueira improdutiva, esperando que ela produza frutos. Assim, Deus nos oferece a oportunidade da mudança, da misericórdia e do perdão.

Quantas vezes, irmãos e irmãs, somos como essa figueira? Quantas oportunidades temos desperdiçado de frutificar e viver plenamente nossa vocação cristã? A penitência quaresmal nos urge a visitarmos nosso interior, confrontando nossas misérias e buscando a verdadeira conversão. Isso demanda ação e compromisso com o bem, não apenas pessoal, mas coletivo, incluindo o cuidado com nosso planeta e com os que mais sofrem.

Conclusão

Assim, ao vivermos esta Quaresma, que possamos ser inspirados pela escuta da voz de Deus, lembrados pela advertência de Paulo sobre a nossa responsabilidade, e motivados pela paciência do jardineiro com a figueira. Que a conversão que buscamos não seja apenas uma mudança de postura individual, mas um movimento que nos leve a agir em favor da ecologia integral, promovendo a vida em todas as suas formas.

Que Deus nos conceda a graça do perdão e da misericórdia, e que possamos ser agentes de transformação em nosso mundo. Amém.

 

HOMILIA PARA O DIA 16 DE MARÇO DE 2025 - 2º DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

 

QUARESMA CAMINHO DE RESTAURAÇÃO E FRATERNIDADE

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, nos reunirmos para refletir sobre a Palavra de Deus, que ilumina nosso tempo de Quaresma: Gn 15,5-12.17-18, Fl 3,20-4,1 e Lc 9,28b-36. Cada um desses trechos bíblicos nos fala da relação íntima que temos com Deus, de nossos compromissos como cristãos e de nossa responsabilidade com a criação.

A Promessa de Deus e a Aliança com Abraão

No livro de Gênesis, encontramos Deus fazendo uma aliança com Abraão. Ele o leva para fora da tenda e pede que olhe para o céu e contemple as estrelas, prometendo que assim será sua descendência. Esta cena nos lembra que, durante a Quaresma, somos convidados a sair de nossas zonas de conforto e olhar para o alto, para o plano divino. É um momento de renovação de nossa aliança com Deus, de reavivar a esperança em nossas vidas e a consciência de que somos parte de algo muito maior.

Assim como Abraão, nós também somos chamados a acreditar nas promessas de Deus. E essa fé nos deve mover a agir em prol da fraternidade e da justiça. A Campanha da Fraternidade deste ano nos convida a refletir sobre a ecologia integral, não apenas como um tema ambiental, mas como um chamado a restaurar nossas relações — com Deus, com o próximo e com a criação. A natureza, criada por Deus, clama por nossa atenção e cuidado, e isso exige uma conversão pessoal e comunitária.

Cidadãos do Céu e a Esperança da Glória

Na carta aos Filipenses, São Paulo nos lembra que nossa verdadeira cidadania está nos céus. Isso é essencial, especialmente no tempo da quaresma, quando somos convidados a refletir sobre as coisas que realmente importam. A tentação de nos concentrarmos nas necessidades materiais e neste mundo passageiro é grande. No entanto, somos chamados a viver como cidadãos do Reino de Deus, onde a fraternidade e o cuidado com a criação são princípios fundamentais.

Na prática da penitência durante a Quaresma, somos convidados a renunciar ao egoísmo e à indiferença. O jejum, a oração e a esmola não são apenas atos de disciplina, mas gestos que nos conectam mais profundamente com os outros e com o mundo ao nosso redor. Que possamos, portanto, nos abrir a esse chamado de transformação interior, que se reflete em ações generosas em relação ao meio ambiente e às pessoas.

A Transfiguração: Um Olhar para o Futuro

O evangelho de Lucas nos apresenta a Transfiguração de Jesus, um momento de revelação e de fortalecimento para os discípulos. Essa experiência nos mostra que, mesmo em meio às dificuldades da vida, é possível ter uma visão gloriosa do que Deus quer de nós. Na Quaresma, somos convidados não apenas a reconhecer nossas fraquezas, mas a ter a certeza de que a luz de Cristo pode nos transformar e guiar.

No contexto da Campanha da Fraternidade, somos levados a olhar para o futuro da Terra e da humanidade com esperança, confiando que nossas ações, por menores que sejam, podem contribuir para um mundo mais justo e sustentável. Seremos convidados a refletir sobre como a nossa vida respeita o planeta, como cuidamos da criação e como cada irmão e irmã ao nosso redor merece ser tratado com dignidade.

Conclusão

Ao final dessa celebração levemos conosco o lembrete de que a Quaresma é um tempo de conversão, de cuidadosamente considerar nosso papel no mundo e como nossos atos podem representar a luz de Cristo. Que a Campanha da Fraternidade nos inspire a ser agentes de mudança, a cuidar da criação e a promover uma fraternidade real e ativa.

Que Deus nos abençoe e nos guie em nossa caminhada espiritual e em nossa missão de amor e respeito ao próximo e à Terra. Amém.

 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 09 DE MARÇO DE 2025 - PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA 2025 -

 

A Fraternidade e a Ecologia Integral

Queridos irmãos e irmãs, é com alegria que nos reunimos hoje para refletir sobre as Sagradas Escrituras e o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que nos convida a refletir sobre a Ecologia Integral.

 A primeira leitura, de Deuteronômio 26, nos lembra da importância de reconhecer as bênçãos que recebemos de Deus. O povo é instruído a levar os primeiros frutos da terra e a apresentar diante do altar. Este gesto de gratidão nos desafia a pensar como também podemos reconhecer e agradecer a Deus por todas as maravilhas da criação. A natureza, com sua beleza exuberante, é um presente divino, e precisamos cuidar dela como um verdadeiro gesto de amor a Deus e ao próximo.

 Na carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 10, somos chamados a professar a nossa fé de modo que ela possa nos impulsionar a agir em prol do bem comum. "Se alguém invocar o nome do Senhor, será salvo." Essa invocação requer que não apenas pensemos em nós mesmos, mas que também atuemos em defesa dos que não têm voz, dos que sofrem com as consequências da degradação ambiental. O chamado à salvação é, de fato, um chamado à solidariedade e à fraternidade com toda a criação.

 No evangelho de Lucas 4, encontramos a narrativa da tentação de Jesus. Aqui, Jesus, cheio do Espírito Santo, enfrenta as tentações do maligno. Ele nos ensina que a verdadeira força está em desistir das necessidades egoístas e em nos voltarmos para a vontade do Pai. A tentação nos convida a sucumbir ao individualismo e à exploração desenfreada dos recursos naturais. Contudo, Jesus nos modela um caminho que deve ser de resistência e compromisso com a justiça e a paz, recordando que somos parte de uma grande família, a criação de Deus, que merece ser cuidada e respeitada.

 Neste contexto da campanha da fraternidade, somos convocados a um chamado de conversão. A ecologia integral não trata somente da preservação do meio ambiente, mas da construção de relações justas e fraternas em todos os níveis: social, econômica e ambiental. O olhar fraterno que temos sobre a criação deve também se estender àqueles que mais sofrem com as crises ambientais — os pobres, os marginalizados, os que dependem do ecossistema para viver.

 Como podemos, então, responder a esse chamado? Primeiro, cultivando uma atitude de gratidão e cuidado em relação ao que nos rodeia. Segundo, buscando formas de agir em solidariedade com aqueles que são impactados pela degradação ambiental, defendendo políticas que promovam a justiça social e ambiental. E por fim, vivendo uma espiritualidade que nos une à criação, entendendo que ao cuidar da Terra, estamos cuidando de nossos irmãos e irmãs.

 Que ao nos alimentarmos da Palavra de Deus, possamos nos inspirar a sermos agentes de transformação e de amor, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e atenta aos clamores da criação. Que Deus nos abençoe nessa missão! Amém.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

HOMILIA PARA O DIA 02 DE MARÇO DE 2025 - 8º DOMINGO COMUM - ANO C

 

RECONHECER A PESSOA POR SUAS OBRAS

Olá, irmãos e irmãs!

Neste oitavo domingo do tempo comum a Palavra de Deus ilumina nosso caminho como “Peregrinos de Esperança” durante este Ano Santo. Cada uma das leituras nos oferece uma reflexão sobre a vida, a esperança e a espiritualidade.

Começamos com Eclesiástico (Eclo 27,5-8), que nos fala sobre a importância do falar e do ouvir. Como diz um provérbio popular: “A boca fala daquilo que o coração está cheio”. Nesse mesmo sentido o autor do livro do Eclesiástico afirma: “O fruto revela como foi cultivada a árvore;  assim, a palavra mostra o coração do homem”. Esta passagem nos ensina que nossas palavras e ações refletem nossa essência interior. Em nossa jornada de fé, somos convidados a cultivar um coração puro, alinhado com a vontade de Deus, sendo cuidadosos com aquilo que dizemos e como nos comunicamos. O cuidado em nossas relações e em nossas falas é fundamental para que possamos levar esperança e amor ao nosso redor.

Cantando o Salmo 91 (Sl 91,2-3.13-14.15-16), que é um hino à confiança em Deus reafirmamos como “É bom dar graças ao Senhor e cantar louvores ao seu nome.” Este salmo nos lembra da proteção e do amparo de Deus nas dificuldades. Ao proclamarmos nossa confiança n'Ele e vivermos em Sua presença, podemos encontrar força e esperança em meio às tempestades da vida. Assim, o salmo nos incentiva a viver com gratidão e louvor, reforçando nossa identidade como filhos de Deus e peregrinos nesta jornada.

 

A carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 15,54-58), afirma a vitória da ressurreição. “A morte foi tragada pela vitória da vida.” Esta passagem reforça a nossa esperança na vida eterna e na transformação que ocorre através de Cristo. Em nosso caminho, mesmo diante das dificuldades e desafios, temos a certeza de que a morte não é o fim, mas um passo para a plenitude da vida que nos aguarda. Essa mensagem nos encoraja a perseverar, a trabalhar sempre pelo bem e a manter firme nossa fé, sabendo que tudo o que fazemos para o Senhor não é em vão.

No evangelho de Lucas (Lc 6,39-45), Jesus nos ensina sobre a importância de discernir as verdadeiras intenções do coração e a qualidade de nossas ações. “Por seus frutos, poderão reconhecer a árvore.” Devemos avaliar não apenas as ações dos outros, mas também nossas próprias atitudes. Como peregrinos de esperança, somos chamados a viver uma vida autêntica, onde nosso falar e agir reflitam o amor de Deus. A abundância do que temos dentro de nós deve transbordar em ações de bondade e amor ao próximo.

Quando juntamos essas passagens, percebemos que somos chamados a viver com um coração atento, em constante comunhão com Deus. Como peregrinos de esperança, devemos ser luz e sal neste mundo, confiantes na proteção divina, perseverando na fé e refletindo o amor de Cristo em nossas ações. Que neste Ano Santo, possamos aprofundar nossa jornada, confiantes na esperança que nos é oferecida e prontos para semear bondade por onde caminharmos. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 23 DE FEVEREIRO DE 2025 - 7º DOMINGO COMUM - ANO C

 

FAZER O BEM SEM ESPERAR RETRIBUIÇÃO

Queridos irmãos e irmãs,

Mais uma vez a Palavra de Deus nos põe em relação com o tema Peregrinos de Esperança, no contexto do Ano Santo. As três leituras deste domingo nos colocam diante do amor de Deus que nos motiva a caminhar.

Comecemos com a passagem de 1Samuel (1Sm 26,2.7-9.12-13.22-23). Aqui, ouvimos a complexidade da relação entre Davi e Saul. Davi, ao ter a oportunidade de eliminar Saul, faz uma escolha diferente. Ele decide respeitar o ungido do Senhor, reconhecendo que o seu papel não é fazer justiça por conta própria, mas confiar na providência divina. “Quem pode estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar sem culpa?” Davi nos ensina sobre a importância da misericórdia e da confiança em Deus, mesmo diante das adversidades. Essa atitude é um claro reflexo da esperança em um futuro guiado por Deus e suas promessas.

Na carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 15,45-49), temos a continuação da doutrina sobre a ressurreição de Jesus. Paulo fala da transformação que ocorre em nós, comparando o homem natural ao homem espiritual. Ele nos assegura que, assim como levamos a imagem do homem terreno, também levaremos a imagem do homem celestial. Essa verdade nos dá esperança, especialmente quando enfrentamos as noites escuras da vida. Podemos olhar para a ressurreição com fé e confiança, sabendo que a nossa jornada não acaba aqui. Cada passo que damos como peregrinos está sob a luz da vida eterna prometida por Cristo.

 

No evangelho de Lucas (Lc 6,27-38), encontramos o chamado radical ao amor e à generosidade. Jesus nos exorta a amar nossos inimigos e a fazer o bem sem esperar retribuição. “Deem e lhes será dado” diz ele. Este amor que se estende além do que é fácil ou conveniente é uma expressão de nossa esperança. Ao praticarmos essa generosidade, não apenas refletimos o coração de Deus, mas também nos tornamos canais de Sua graça e luz em um mundo muitas vezes marcado pela discórdia e pelo egoísmo. A verdadeira esperança se manifesta quando nos dispomos a amar e servir os outros, especialmente aqueles que estão em necessidade.

 

Portanto, irmãos e irmãs, à luz dessas passagens, somos chamados a ser autênticos “Peregrinos de Esperança”. Sigamos o exemplo de Davi, confiando na providência de Deus, estejam nossos corações firmes na certeza da ressurreição prometida por Cristo, e que nossa vida se torne um testemunho do amor e da generosidade de Deus. Em cada gesto de bondade, em cada ato de misericórdia, estamos construindo um reino de esperança. Que possamos caminhar juntos nessa jornada, sempre focados no futuro que Deus nos oferece. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 16 DE FEVEREIRO DE 2025 - 6º DOMINGO COMUM - ANO C

 FELIZES PEREGRINOS DE ESPERANÇA

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, nossas leituras nos convidam a refletir sobre a esperança que devemos ter em nossas vidas, especialmente à luz do tema do Ano Santo, “Peregrinos de Esperança”. Este é um chamado para que olhemos não só para o nosso presente, mas também para o futuro que Deus nos promete, mesmo em meio às dificuldades da estrada que trilhamos.

Comecemos com a passagem do profeta Jeremias (Jr 17,5-8), onde somos alertados sobre a importância de confiar em Deus. “Maldito é o homem que confia no homem, e faz da carne o seu apoio”. Aqui, somos convidados a enraizar nossa esperança em Deus, fonte de vida e sustento. Ao contrário daquele que confia em suas próprias forças, quem põe sua confiança no Senhor é como uma árvore plantada junto a águas correntes, frutificando mesmo em tempos de seca. Esta imagem nos dá uma visão de um futuro pleno de esperança, mesmo quando enfrentamos dificuldades.

Nos Salmos, encontramos um eco desse tema. O Salmo 1 ressalta as bem-aventuranças dos que seguem os caminhos do Senhor. “Feliz o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, mas tem seu prazer na lei do Senhor” (Sl 1,1-2). Aqui, a alegria e a prosperidade daqueles que buscam a Deus se destacam como um farol de esperança. A imagem da árvore frondosa se repete, mostrando que, ao nos alimentarmos da Palavra de Deus, encontramos a força e a esperança necessárias para perseverar em nossas peregrinações.

Na carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 15,12.16-20), somos levados a refletir sobre a ressurreição. Paulo explica que se Cristo não ressuscitou, a fé é vã, mas ele afirma com confiança que Cristo ressuscitou. Essa esperança na ressurreição é o que nos sustenta em nossa jornada. Como peregrinos, sabemos que não estamos sozinhos; temos a certeza de que, assim como Cristo ressuscitou, também teremos vida nova. Essa certeza fortalece nossa esperança em meio a um mundo muitas vezes sombrio.

Finalmente, no evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26), Jesus pronuncia as bem-aventuranças e os ais, colocando em contraste as realidades deste mundo. As bem-aventuranças nos dizem que os pobres, os famintos, os que choram e os perseguidos são bem-aventurados. Isso nos lembra que a verdadeira esperança não vem das condições externas, mas da confiança em Deus, que nos garante um lugar no Seu Reino. Jesus nos mostra que, mesmo quando enfrentamos dificuldades e injustiças, a esperança é nossa aliada, pois o Reino de Deus está ao nosso alcance.

Assim, irmãos e irmãs, neste Ano Santo, que possamos ser verdadeiros “Peregrinos de Esperança”. Que nossa confiança em Deus nos fortaleça, que alimentemos nossa alma na Palavra, e que vivamos as bem-aventuranças, trazendo esperança a todos ao nosso redor. Saibamos que, em cada passo de nossa jornada, mesmo nas dificuldades, temos um futuro garantido em Cristo, que é a nossa esperança maior. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 09 DE FEVEREIRO DE 2025 - 5º DOMINGO COMUM - ANO C

 CONFRONTAR-SE COM A SANTIDADE DE DEUS

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, a Palavra de Deus nos convida a considerar não apenas nossa relação com Deus e com os outros, mas também nosso compromisso com a criação. O tema da ecologia integral se torna especialmente relevante ao analisarmos os textos que foram proclamados na liturgia deste domingo.

 

No livro de Isaías, vemos um momento de profunda revelação e chamada. O profeta é confrontado com a santidade de Deus, “Eu vi o Senhor sentado em um trono alto e sublime” (Is 6,1). Esse encontro o leva a reconhecer sua própria fragilidade e a purificação necessária para se tornar um mensageiro do Senhor. Assim como Isaías, cada um de nós é chamado a se purificar, a ser um instrumento de paz e cuidado em um mundo que sofre cada vez mais com os danos ambientais. Nossa consciência de quem Deus é deve nos motivar a respeitar e amar sua criação.

 

No Salmo, encontramos a organização do louvor ao Senhor. “Quando eu clamo, tu me respondes; aumentas a força da minha alma” (Sl 138,3). Esta força é necessária para que possamos agir em defesa da nossa casa comum. A criação não é apenas um recurso a ser explorado, mas um dom sagrado que clama por cuidados adequados. Assim, nosso louvor a Deus deve se manifestar em ações concretas que protejam a Terra e promovam a vida em todas as suas formas.

 

A carta de Paulo aos Coríntios, nos ajuda perceber a centralidade da ressurreição de Cristo em nossa fé. Paulo nos lembra que, através da Páscoa de Jesus, temos a certeza de que a morte não é o fim, mas uma nova vida que se estende a toda a criação. “E se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé” (1Cor 15,14). Esse fato nos convida a olhar para o mundo ao nosso redor com esperança e responsabilidade. Devemos agir sobre a terra de forma que todas as criaturas possam ter vida em abundância.

 

Finalmente, no evangelho de Lucas, vemos o chamado dos primeiros discípulos. Jesus nos convida a lançar as redes, mesmo quando a razão humana poderia nos levar a desistir. “Senhor, em obediência à tua palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5). Esse ato de fé e disposição deve ser um lembrete para nós de que, com a orientação de Deus, somos capazes de fazer a diferença em questões que afetam nosso meio ambiente. Ao “lançar as redes” na luta pela justiça ecológica, confiamos que o trabalho para a preservação da criação não será em vão.

 

Assim, irmãos e irmãs, que possamos nos inspirar nesses textos sagrados e abraçar a responsabilidade de cuidar da criação. Que a visão de Isaías, o louvor do salmista, a esperança em Cristo e o chamado de Jesus nos transformem em verdadeiros defensores da Terra, comprometidos com uma ecologia integral que respeita a interconexão de todas as criaturas. Que nossos corações e mãos estejam sempre prontos para agir em prol da vida, a serviço do Reino. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 02 DE FEVEREIRO DE 2025 - APRESENTAÇÃO DO SENHOR - ANO C

 COMPARTILHAR OS SONHOS DE DEUS 

COM A EXISTÊNCIA HUMANA

Queridos irmãos e irmãs, hoje somos convidados a refletir sobre a sinodalidade à luz das leituras que proclamadas. A palavra sinodalidade nos remete a um caminho compartilhado, onde a comunidade de fé se reúne para ouvir o Espírito Santo e discernir os desígnios de Deus para cada para cada pessoa na relação com todos.

No livro de Malaquias (Ml 3,1-4), Deus promete enviar um mensageiro que preparará o caminho diante d’Ele. Este mensageiro é uma preparação não apenas para um encontro pessoal com Deus, mas para um relacionamento comunitário. A presença de Deus entre nós exige que nos purifiquemos e nos preparemos para acolher a Sua graça. Aqui encontramos um chamado à transformação e à necessidade de nos voltarmos uns para os outros: somos convidados a ser mensageiros do amor e da justiça de Deus na comunidade.

O Salmo 23 (24), que nos convida a abrir as portas para o Rei da Glória, ressoa com a ideia de sinodalidade. Este salmo celebra a grandeza de Deus e Sua presença em nosso meio. Quando abrimos os nossos corações e as portas de nossas comunidades, permitimos que a riqueza da diversidade humana e das experiências de fé se entrelaçam, enriquecendo nosso caminho sinodal. Que possamos acolher uns aos outros, reconhecendo as várias faces da presença de Cristo em nossas vidas.

Na carta aos Hebreus (Hb 2,22-32), somos lembrados que Jesus, além de ser nosso Salvador, se fez um de nós. Ele se uniu à nossa humanidade, compartilhou nossas dores e alegrias. Isso nos ensina sobre a verdadeira solidariedade em nosso caminhar juntos. A sinodalidade exige que caminhemos lado a lado, aprendendo uns com os outros, compartilhando nossas histórias e juntando nossas vozes na construção do Reino de Deus.

Finalmente, no Evangelho de Lucas (Lc 2,22-40), encontramos a cena da apresentação de Jesus no templo. Simeão e Ana, pessoas de fé que aguardavam o Messias, representam a espera comunitária e a esperança. Eles nos mostram que a fé não é uma jornada solitária, mas um caminho que deve ser partilhado. A sinodalidade nos inspira a estar atentos e disponíveis para reconhecer a ação de Deus nos outros, para que juntos possamos vivenciar a alegria da presença do Senhor em nossa comunidade.

Assim, ao refletirmos sobre essas leituras, somos chamados a vivenciar a sinodalidade no nosso dia a dia, a nos permitir ser canal de amor e comunhão, a abrir não apenas as portas de nossos lares, mas também os nossos corações. Que possamos sempre nos questionar: como podemos caminhar juntos? Como podemos acolher a presença de Deus em cada um de nós e em nossos irmãos e irmãs?

Que o Senhor nos conceda a graça de uma caminhada sinodal, onde a união e o amor sejam a nossa eterna meta. Amém.

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

HOMILIA PARA O DIA 26 DE JANEIRO DE 2025 - 3º DOMINGO COMUM - ANO C

 

SOMOS UM POVO PEREGRINOS DE ESPERANÇA

 

Neste terceiro domingo do Tempo Comum, somos mais uma vez convidados a nos aprofundar na Palavra de Deus que nos apresenta um forte chamado à esperança e à ação. As leituras de hoje nos oferecem um panorama sobre a importância da escuta da Palavra, a necessidade de unidade no Corpo de Cristo e a vocação que temos como peregrinos de esperança.

Iniciando com a leitura de Neemias (Ne 8,2-4a.5-6.8-10), encontramos o povo de Israel reunido para ouvir a lei de Deus. É um momento de renovação e redescoberta da identidade, onde a Palavra é lida e explicada, levando o povo a chorar, mas também a se alegrar, pois a palavra de Deus é viva e ativa. Neemias diz: "A alegria do Senhor é a nossa força." Isso nos mostra que, quando nos voltamos para Deus e sua Palavra, encontramos a verdadeira fonte de esperança e renovação.

O Salmo 18 (19) nos lembra que as leis do Senhor são perfeitas e alegres. Em um mundo cheio de incertezas, é fundamental que busquemos na Palavra de Deus orientação e sabedoria. A escuta atenta da Palavra e a nossa disposição em vivê-la são elementos cruciais para que possamos ser verdadeiros peregrinos de esperança, levando a luz de Cristo a todos ao nosso redor.

Na epístola de Paulo aos Coríntios (1Cor 12,12-30), vemos a imagem poderosa do Corpo de Cristo. Paulo explica que, assim como o corpo é um, embora tenha muitas partes, assim também somos nós como Igreja. Cada um de nós é parte desse corpo, e todos têm uma função única no plano de Deus. Em um mundo que muitas vezes promove a divisão, somos chamados a viver em união, reconhecendo e valorizando a diversidade de dons que Deus nos deu. É na unidade que encontramos força e esperança para enfrentar os desafios que surgem em nosso caminho.

 

O Evangelho de Lucas (Lc 1,1-4; 4,14-21), apresenta Jesus, que lê nas sinagogas e anuncia a boa nova. Ele se apresenta como o cumprimento das promessas de Deus, trazendo libertação e cura. A sua mensagem é radicalmente inclusiva, e isso nos convida a refletir: como estamos nós como comunidade cristã acolhendo os que nos rodeiam? Como podemos nos tornar instrumentos de esperança para aqueles que estão à margem, para os que sofrem?

Hoje, ao refletirmos sobre a Palavra, somos chamados a nos perguntar: **Como podemos, em nossa vida cotidiana, ser peregrinos de esperança?** Isso pode ser feito através do nosso compromisso com a justiça, da promoção da paz e da solidariedade com os marginalizados.

Que, neste domingo, possamos nos dispor a ouvir a Palavra de Deus com um coração aberto, a viver em unidade como Igreja e a ser sinais de esperança em nosso mundo. Que a alegria do Senhor nos fortaleça e que cada um de nós, em sua particularidade, possa contribuir para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Que Deus nos abençoe e nos guie em nossa jornada como peregrinos de esperança. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 19 DE JANEIRO DE 2025 - SEGUNDO DOMINGO COMUM - ANO C

 

EM DEUS, ESPERANÇA E RENOVAÇÃO

 

Neste segundo domingo do Tempo Comum, somos convidados a refletir sobre a beleza e a abundância das promessas de Deus, tal como expressas nos textos que a liturgia nos apresenta. A leitura do profeta Isaías (Is 62,1-5) traz uma mensagem de esperança e renovação. O profeta nos fala de um tempo em que Deus se alegrará em seu povo, e isso é descrito através de uma relação íntima e amorosa: Deus promete que o seu povo será chamado com um novo nome e que a alegria será abundante. Assim como um noivo se alegra com sua noiva, Deus se alegra com seu povo. Esta é uma promessa atual, que nos lembra a dignidade e o valor que Deus confere a cada um de nós.

O Salmo 95 (96) nos convida a cantar ao Senhor um cântico novo, celebrando a sua majestade e a sua criação. Ao olharmos ao nosso redor, somos chamados a reconhecer a beleza do mundo natural que nos cerca. A criação é um presente de Deus e um reflexo de seu amor por nós. Entretanto, como podemos cantar esse cântico novo se não cuidamos da Terra que Ele nos confiou? O que temos feito para proteger e preservar o meio ambiente, que é um dom de Deus?

Ao refletirmos sobre essas leituras, vemos que a conexão com a Ecologia Integral torna-se cada vez mais relevante. A Encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco nos lembra que a crise ambiental é, antes de tudo, uma crise de relações – com Deus, entre nós e com a criação. Precisamos urgentemente transformar nossa relação com a Terra em uma prática que respeite e valorize a vida que nos rodeia. Devemos ser bons administradores dos recursos naturais, promovendo a justiça ambiental e buscando maneiras sustentáveis de viver.

Na segunda leitura, da primeira Coríntios (1Cor 12,4-11), Paulo nos ensina sobre a diversidade dos dons no Espírito. Ele nos lembra que cada um de nós tem um papel a desempenhar na construção do Reino de Deus. Essa diversidade é um reflexo da criatividade de Deus em sua criação. Assim, quando cuidamos do meio ambiente e promovemos a justiça, estamos exercendo os dons que nos foram dados, contribuindo para o bem comum.

Finalmente, no Evangelho de João (Jo 2,1-11), temos o milagre das bodas de Caná, onde Jesus transforma água em vinho. Este primeiro sinal de sua vida pública não é apenas um milagre, mas também uma revelação da abundância do Reino de Deus. O que mais nos toca nesta passagem é que Jesus atende à necessidade de uma festa, trazendo alegria onde havia escassez. Isso nos convida a refletir sobre como podemos trazer essa abundância para o mundo hoje. Assim como Jesus participou da alegria daquela festa, somos convidados a ser portadores de alegria e esperança em um planeta que muitas vezes parece cansado e sobrecarregado.

Hoje, eu os convido a se perguntarem: Como podemos ser parte dessa transformação? Como podemos agir para que a alegria e a abundância criadas por Deus sejam acessíveis a todos, especialmente àqueles que mais precisam? E como podemos garantir que essa alegria não venha à custa da nossa Terra, mas em harmonia com ela?

Que neste domingo, possamos renovar nosso compromisso de cuidar da criação, de ser instrumentos da paz e da alegria, e de ser testemunhas do amor de Deus em ação. Que possamos, verdadeiramente, cantar ao Senhor um cântico novo, unindo nossa voz à canção da Terra, promovendo a Ecologia Integral e vivendo em harmonia com toda a criação.

 

Amém.

HOMILIA PARA O DIA 12 DE JANEIRO DE 2025 - BATISMO DO SENHOR - ANO C

 

FILHO AMADO: ESCOLHIDO E SERVIDOR

 

Neste domingo, celebramos o Batismo de Jesus, um evento fundamental que inicia sua missão pública e nos convida a refletir sobre o nosso próprio chamado. A liturgia de hoje nos apresenta textos ricos e profundos que nos ajudam a entender a importância desse momento e o que ele representa em nossas vidas.

No profeta Isaías (Is 42,1-4.6-7), encontramos a descrição do Servidor do Senhor, aquele que é escolhido, amado e preenchido com o Espírito. Deus nos lembra que ele é a luz para as nações, uma fonte de esperança e libertação. Este versículo ressoa fortemente no contexto do nosso Ano Santo, onde somos chamados a ser peregrinos de esperança. Assim como Jesus, ao ser batizado, se coloca no caminho da solidariedade e do serviço, também somos convidados a nos movimentar nessa direção, trazendo luz e esperança a um mundo que muitas vezes se vê envolto em escuridão.

O Salmo 28 (29), que acompanhou nossa liturgia, nos recorda o poder da voz de Deus que ressoa sobre as águas. Essa imagem fala da força e da transformação que a água pode trazer, mas também da renovação e do reforço da aliança entre Deus e seu povo. Não somos apenas convidados a escutar a voz de Deus, mas a nos tornar instrumentos de sua voz neste mundo. É nossa missão, como peregrinos, ser portadores de esperança e renovação para aqueles que nos rodeiam.

Nos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38), vemos como a mensagem de Jesus é para todos, quebrando barreiras e ultrapassando divisões. Pedro nos ensina que “em toda parte, quem respeita o Senhor e pratica a justiça é aceito por ele.” Em nosso caminho como peregrinos, devemos ser agentes de inclusão e justiça, reconhecendo que cada pessoa é amada por Deus e merece dignidade e respeito. A esperança que cultivamos deve ser um reflexo dessa aceitação e amor universal.

No Evangelho de Lucas (Lc 3,15-16.21-22), testemunhamos Jesus sendo batizado por João, um ato simbólico de identificação com a humanidade e com a nossa fragilidade. Quando o céu se abre e o Espírito desce sobre ele, ouvimos a voz do Pai que declara: “Este é o meu Filho querido, em quem eu coloquei a minha confiança.” Assim como Jesus recebe essa confirmação de seu valor e propósito, nós também somos convidados a reconhecer nosso valor diante de Deus e a buscar nosso propósito como peregrinos de esperança.

Neste caminho, devemos perguntarmo-nos: como podemos ser luz para as nações? Como podemos trazer esperança aos desanimados e desencorajados? Que ações pequenas ou grandes podemos tomar e que sejam sinais de esperança em nossa comunidade?

Que, neste domingo do Batismo de Jesus, possamos renovar nosso compromisso de ser testemunhas da luz de Cristo, de agir com justiça e amor. Que possamos nos inspirar no exemplo de nosso Senhor e acreditar que, juntos, como peregrinos de esperança, seremos capazes de fazer a diferença no mundo ao nosso redor.

Que a graça do Senhor nos acompanhe em nossa jornada. Amém.

HOMILIA PARA O DIA 05 DE JANEIRO DE 2025 - EPIFANIA DO SENHOR - ANO C

 

 

LUZ DO SENHOR QUE VEM SOBRE A TERRA!

 

Hoje celebramos a Epifania do Senhor, um momento iluminador em que a manifestação de Jesus como Luz do Mundo é revelada a todos os povos, simbolizada pela visita dos Magos. Este evento não é apenas uma história antiga, mas um convite à transformação e à consciência, particularmente na nossa relação com o mundo ao nosso redor e com a criação que Deus nos confiou.

O profeta Isaías nos convida, a levantar os olhos e ver a luz que brilha sobre nós. Essa luz não é apenas para nós, mas para todos. Ela nos faz refletir sobre como estamos respondendo ao chamado divino de ser luz no mundo, especialmente em tempos de crise climática e social. Quando os Magos seguiram a estrela, eles mostraram a importância de reconhecer os sinais que Deus nos dá e de agir de acordo com eles. Será que estamos atentos aos sinais da própria terra que clama por nosso cuidado e respeito?

Neste contexto, o Salmo 71, nos fala da justiça e do cuidado pelos necessitados, nos lembra que a verdadeira realeza de Cristo está em seu compromisso com os mais pobres e vulneráveis. A Ecologia Integral, proposta pelo Papa Francisco no documento Laudato Si, nos ensina que nossa missão é ampliar a visão de justiça para incluir não apenas as relações humanas, mas também a relação com toda a criação, reconhecendo que a degradante exploração ambiental tem um impacto desproporcional sobre os pobres.

Por sua vez, a Carta aos Efésios (Ef 3,2-3a.5-6) destaca que esse mistério que foi revelado aos gentios é a união de todos como membros da mesma família. A inclusão é fundamental! A Ecologia Integral nos convida a ver a natureza como parte dessa família humana, de modo a criar uma sociedade onde todos, humanos e não-humanos, têm seu valor e proteção assegurados. Podemos agir como "Magos" em nossa sociedade, reconhecendo que a união e o respeito por todos os seres são essenciais para a construção de um mundo mais justo.

Finalmente, o Evangelho de Mateus (Mt 2,1-12) nos apresenta a visita dos Magos. Esses sábios, ao reconhecerem Jesus, nos mostram como podemos buscar a verdade e a luz, mesmo em meio a um mundo que muitas vezes parece estar nas trevas. Eles não apenas trouxeram presentes a Jesus; trouxeram também a sabedoria de um olhar diferente sobre o mundo. Assim como os Magos foram guiados por uma estrela, somos chamados a ser guiados por nossas convicções e por um amor profundo à criação de Deus.

Neste dia da Epifania, perguntemo-nos: como podemos ser instrumentos dessa luz que brilha no escuro? Como podemos viver de forma que reflita a justiça de Deus, não apenas nas nossas relações humanas, mas também na forma como cuidamos da Terra? Que possamos nos inspirar nos Magos, nos comprometendo a buscar e promover a Ecologia Integral, cuidando do nosso planeta e dos nossos irmãos e irmãs com amor e respeito.

Que a luz de Cristo nos guie em nossos caminhos. Amém.