BRILHE A SUA LUZ...
Reunidos
na presença do Senhor, escutamos a Palavra que nos convoca a realizar gestos de caridade concreta:
“Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando
encontrar um nu, cobre-o, e não despreze a sua carne. Então, brilhará sua luz
como a aurora” (Is 58,7-8).
O culto que agrada a Deus nasce de corações que O amam e
obedecem aos seus mandamentos. Não é feito de gestos teatrais, mas de
misericórdia que se torna pão, abrigo, cuidado e ternura.
O povo do Antigo Testamento foi chamado, libertado e aliançado
por Deus para ser luz entre as nações. A mesma vocação repousa hoje sobre a
Igreja e sobre cada cristão: resplandecer a bondade de Deus por meio de obras
justas e compassivas.
A liturgia que celebramos não termina no altar; prolonga-se nas
ruas, nas casas, nas feridas do povo. O “Amém” que pronunciamos aqui precisa
transformar-se em pão repartido e em portas abertas.
Quando a fé se traduz em partilha, a aurora desponta. Quando o
amor se faz gesto concreto, a luz rompe a noite. Quando a justiça se ajoelha
diante do pobre, o rosto de Deus se revela.
Isaías denuncia os ritos vazios; o Senhor deseja um jejum que
rompa a indiferença e cubra a nudez da necessidade humana. Assim, nossa oração
encontra verdade e força.
Jesus retoma esse chamado e o eleva em nós: “Vocês são a luz do
mundo… Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre
o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa” (Mt 5,14-15).
Ser luz não é um título de honra, mas uma responsabilidade:
iluminar para que outros vejam, aquecer para que outros vivam, indicar caminhos
para que ninguém se perca.
A cidade sobre o monte é a comunidade reunida, visível e fiel.
Seu brilho não provém do espetáculo, mas da caridade silenciosa, do perdão
insistente, da esperança que não se cansa.
Nesta celebração, apresentemos ao Senhor nosso desejo de
coerência: que cada gesto litúrgico corresponda a um gesto de amor; que cada
hino encontre eco em uma visita; que cada comunhão gere comunhão com os
últimos.
Se acolhermos o pobre, a luz irrompe; se nos cobrimos de
compaixão, a aurora nascerá para muitos; se partilharmos com generosidade, o
altar se estenderá até a mesa dos famintos.
Que nossa comunidade seja candelabro e não esconderijo; casa
aberta e não fortaleza; sinal de Aliança e não ritualismo. Assim, o mundo verá
“as boas obras e dará glória ao Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
Peçamos que o Senhor, converta nossos ritos em vida: nos dê mãos
que repartam, ombros que sustentam, olhos que reconheçam, passos que se
aproximam. Faça de nós a luz que nasce com a aurora.
Ao final desta Eucaristia, sejamos enviados como Evangelho vivo:
pão partilhado, casa que acolhe, manto que cobre, luz que não se esconde. Para
a glória de Deus e para a salvação do povo. Amém.