quinta-feira, 21 de setembro de 2017

HOMILIA PARA O DIA 24 DE SETEMBRO DE 2017

JUSTO É O SENHOS EM SEUS CAMINHOS

Uma das coisas que as pessoas têm em alta estima é a seriedade das palavras. Ninguém gosta de ser tapeado, ou de alguém que ora diz uma coisa, ora diz outra. Costuma se qualificar tais pessoas de “Maria vai com as outras”. Por isso se diz que a Bíblia é a Palavra de Deus, e que embora seja uma coleção de livros e textos, é uma só e mesma Palavra. Deste modo fica claro a indignação presente na sociedade diante da onda de denúncias e desmandos praticados em todas as esferas da política brasileira. Os bispos do Brasil declararam que as pessoas estão desencantadas com os políticos e os governantes, por sua falta de seriedade nas palavras.
A fala do profeta Isaias neste domingo não poderia ser mais animadora e cheia de ternura: Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor”. Tudo o que está nas mãos de Deus supera infinitamente todas as capacidades humanas. A palavra do profeta se resume em uma única verdade: “Esperança”.
Por isso mesmo a Igreja inteira reza, respondendo à Palavra do profeta: Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura”.
São Paulo, preso e apenas esperando sua execução, faz um balanço de toda a sua vida e de todas as suas ações e conclui com um convite que merece ser aplicado ao dia a dia de todas as pessoas: “Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo”.
Como em outras ocasiões, na parábola do bom patrão Jesus mostra como sua vida está em sintonia com as preocupações do seu tempo e do seu povo. Ele tinha clareza da falta de trabalho e oportunidade que deixava muitas pessoas à margem da sociedade. A prática do patrão não se limita a partir do certo e do errado a da concordância com a lei. O evangelho confirma o que disse o profeta: “meus pensamentos não são como os vossos pensamentos...” Mais importante do que pagar com justiça aos trabalhadores é pagar o suficiente para que todos tenham o necessário para sua sobrevivência e a dignidade da sua família.
Jesus desmonta a ideia de direitos e méritos, ele identifica a inveja daqueles que se acham melhores que os demais. Na dinâmica do reino não tem espaço para disputas mesquinhas sobre quanto alguém faz supostamente pelo outro. Jesus de novo propõe a qualidade da ação mais do que a quantidade.

A liturgia convida a todos e a cada pessoa em particular a se deixar moldar pela Palavra de Deus de modo que pela prática dos conselhos evangélicos seja possível a construção de uma sociedade sempre mais autêntica, humana e fraterna. 

domingo, 17 de setembro de 2017

NOVAS MUDANÇAS NA MISSA...

DOS PRINCÍPIOS PRIMEIROS[1]

Carta apostólica em forma de Motu Próprio por meio da qual altera algumas normas contidas no Can. 838 do Código de Direito Canônico.
O princípio primeiro do Concílio Ecumênico Vaticano II, consiste em compreender que a vida litúrgica de um povo deve ser adaptada segundo a compreensão deste mesmo povo, tal princípio atribuiu aos bispos uma tarefa muito exigente, que consistiu em introduzir na língua pátria a língua litúrgica e consequentemente preparar e aprovar as traduções dos livros litúrgicos.
A Igreja Latina tinha consciência do exigente empenho que esta adequação haveria de provocar com a consequente perda da originalidade da sua língua materna celebrada ao longo dos séculos, não obstante abriu com alegria as portas para novas versões da língua litúrgica a fim de melhor celebrar os mistérios divinos.
Ao mesmo tempo, seguindo a opinião claramente expressa pelos padres conciliares no que diz respeito ao uso da própria língua na liturgia, a igreja também compreendia as dificuldades que esta matéria traria. De um lado se fez necessário garantir o bem dos fiéis considerando sua idade, sua cultura e o direito de celebrar de um modo consciente e participativo a divina liturgia sem perder a unidade substancial do Rito Romano; por outro lado o idioma materno de cada povo foi se tornando de maneira progressiva também uma língua litúrgica que embora com cunho particular, manteve a beleza do Latim Litúrgico mas foi se constituindo numa forma diferente de expressar os conceitos capazes de nutrir a fé.     
Considerando algumas leis litúrgicas, instruções, cartas circulares, indicações e confirmações dos livros litúrgicos emitidos pela Sé Apostólica desde os tempos do Concílio, como também leis que foram estabelecidas antes e depois do concílio pelo Código de Direito Canônico. Os critérios considerados apontam linhas gerais úteis e possíveis de serem seguidas pelas Comissões litúrgicas como instrumentos adequados, de modo que na grande variedade de línguas, a comunidade litúrgica possa se expressar de maneira mais compreensível nas diferentes realidades, sem perder a integridade e a fidelidade, especialmente na tradução de alguns textos de maior importância bem como de alguns livros litúrgicos.
O texto litúrgico, enquanto sinal ritual é um meio de comunicação oral. Porém, para os fiéis que celebram os ritos sagrados, a palavra é também um mistério: a medida que as palavras são proclamadas, de modo particular quando se lê a Sagrada Escritura, É Deus quem fala aos seus filhos e filhas, no Evangelho é Cristo mesmo quem fala ao seu povo por meio daquele que preside a celebração, e esta assembleia responde ao Senhor com suas preces no Dom do Espírito Santo.
A finalidade da tradução dos textos litúrgicos e bíblicos, para a liturgia da palavra é anunciar aos fiéis a Palavra da Salvação obedecendo sempre a fé expressa na oração da Igreja ao seu Senhor. Diante desta necessidade é necessário que seja comunicado com fidelidade para um determinado povo, ou seja transmitido na sua própria língua, aquilo que a Igreja quis comunicar por meio da língua latina. Embora a fidelidade de um texto não possa ser sempre ajuizada na singularidade das palavras, mas dentro do seu contexto, que implica todo o ato de comunicar de acordo com o gênero literário. Todavia alguns termos particulares precisam ser considerados no contexto da integridade da fé católica, portanto, cada tradução dos textos litúrgicos deve estar de acordo com a santa doutrina.
Não é nenhuma surpresa que o exigente trabalho destes tempos de adequação litúrgica trouxe muitas dificuldades entre as Conferências Episcopais e a Santa Sé. De modo que as decisões do Concílio no que se refere ao uso da própria língua na liturgia possa valer também para os tempos futuros, faz-se necessário uma constante colaboração repleta de fidelidade recíproca, vigilante e criativa entre as Conferências Episcopais e os Dicastérios da Cúria Romana que tem a responsabilidade de promover a sagrada Liturgia, ou seja, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. De maneira que para garantir a renovação integral da Vida litúrgica, torna-se oportuno que alguns princípios transmitidos ao longo do tempo pelo Concílio sejam mais claramente reafirmados e colocados em prática.
É necessário prestar atenção naquilo que é útil e benéfico aos fiéis, sem esquecer a autonomia e o direito das Conferências Episcopais de uma mesma língua e a relação com a Santa Sé de modo a salvaguardar a índole própria de cada língua sem perder a fidelidade ao texto original e que os livros litúrgicos traduzidos depois de adaptados sempre respeitem e façam resplandecer a unidade do Rito Romano.
Para exprimir mais claramente a significativa colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais no serviço da liturgia que prestam aos fiéis ouvindo o parecer da Comissão para os Bispos e peritos por mim instituídos, disponho com a autoridade que me foi confiada, que a disciplina canônica atualmente vigente no Can. 838 do CIC, seja expressa de modo mais claro, e que esteja em melhor sintonia com as letras da Constituição Sacrossanto Concílio particularmente no artigo 36, parágrafos 3 e 4 e nos artigos 40 e 63, bem como no Motu Próprio Sagrada Liturgia número IX e para que fique mais clara a competência da Santa Sé naquilo que se refere a tradução dos livros litúrgicos e adaptações profundas, entre as quais possam ser consideradas também novos textos a serem introduzidos, estabelecidos e aprovados pelas Conferências Episcopais.
 Desta maneira, o Can. 838 terá a seguinte redação:
Can. 838 – Parágrafo 1. A regulamentação da Sagrada Liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja, isto compete exclusivamente à Santa Sé, a norma do direito e ao Bispo Diocesano.
Parágrafo 2 – É competência da Sé Apostólica disciplinar a liturgia da Igreja Universal, publicar os livros litúrgicos, aprovar as adaptações realizadas de acordo com a autonomia da Conferência Episcopal, e garantir que as normas litúrgicas sejam fielmente observadas.
Parágrafo 3 – Compete às Conferências Episcopais preparar com fidelidade as traduções dos livros litúrgicos na sua própria língua, adaptando de modo conveniente dentro dos limites, aprovando e publicando os livros litúrgicos para a região da sua competência, depois de confirmados pela Santa Sé.[2]
Parágrafo 4 – Ao Bispo diocesano na Igreja a ele confiada compete dentro dos limites estabelecer normas em matéria de liturgia, as quais todos são obrigados.
Consequentemente terá outra interpretação do artigo 64, parágrafo 3 da Constituição Apostólica Pastor Bonus, como também outras leis em particular aquelas que se referem aos livros litúrgicos no que se refere as traduções. Também determino que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos modifique o seu regulamento, tendo por base a nova disciplina e colabore com as Conferências Episcopais na melhor maneira de realizar a sua tarefa e promover cada vez mais vida litúrgica da Igreja Latina.
Tudo o que foi deliberado por meio desta Carta Apostólica em forma de “Motu Próprio” determino que seja cumprido assim que entrar em vigor, deixa de ter importância toda e qualquer orientação contrária, mesmo que digna de nota. Que isto seja publicado no L’Osservatore Romano, vigorando a partir de primeiro de outubro de 2017, depois de registrado nas Atas da Sé Apostólica.
Dado em Roma, junto a São Pedro aos três de setembro de 2017, quinto do meu Pontificado.
Francisco.





[1] Tradução livre do Italiano para o português realizada pelo Padre Elcio Alberton.

[2] Note-se que houve alteração no texto latino do CIC nos parágrafos 2 e 3. (Na versão antiga a palavra latina era previa Recognitione e traduzida para o português como “prévia aprovação”. No motu próprio a palavra é confirmationem).

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HOMILIA PARA O DIA 17 DE SETEMBRO DE 2017

PERDOAR COM QUALIDADE E JUSTIÇA

A onda de violência que toma conta da sociedade contemporânea amedronta e de algum modo traz sofrimento para todos. E não se fala somente de violência física, muitas situações do cotidiano carregam em si violência moral e psicológica. Não se pode negar que o descaso pela pessoa humana presente nas esferas políticas e governamentais que desrespeitam a legislação e o cuidado com a saúde, a educação, o transporte, a segurança e a previdência social faz sofrer a todos se constituindo num grave pecado da sociedade atual.
Fazendo um breve estudo da ação de Jesus conforme conta o Evangelho de Mateus, se poderá ver que ele é apresentado como o mestre de justiça capaz de gerar novas relações entre as pessoas e construir uma sociedade mais humana e fraterna.
Quando se trata de perdoar é necessário superar os aspectos quantitativos desenvolvendo a capacidade de desligar o pecado sem deixar de fazer a justiça. Viver as práticas e doutrinas de uma religião implica não ser um cumpridor de leis e normas de conduta, mas reconhecer que o perdão é sempre mais importante que a vingança, como se reza na missa: “Que o perdão supere o ódio e a vingança dê lugar a reconciliação”.
O livro do Eclesiástico faz um alerta objetivo e seguro: Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos”. Em outras palavras que a justiça seja feita, mas para isso não é necessário cultivar ódio e rancor.
O salmo deste domingo convida a bendizer a Deus que “Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas”.
Afinal de contas, como afirma São Paulo: “Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo”. É neste sentido que a resposta dada por Jesus se aplica também na atualidade: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.
Que a reunião dos cristãos neste domingo ensine a medida do perdão, que na prática da justiça e supere todos os limites contribuindo para criar novas relações de fraternidade e bem querer favorecendo para que a paz aconteça.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

HOMILIA PARA O DIA 10 DE SETEMBRO DE 2017

BOCA DO POVO CRIANDO O NOVO

Ninguém pode negar que as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) são um precioso instrumento de comunicação e oportunidade para criar comunhão e proximidade mesmo com quem está muito distante fisicamente. Mas também é verdade que quando mal utilizadas as NTIC se tornam armas perigosas até para as pessoas que não tem familiaridade com elas. Nestes tempos de delação premiada o volume de fofocas e intrigas que se espalham como faíscas denegrindo e destruindo vidas e a reputação das pessoas está fora do controle. Ambas as situações acontecem todos os dias também dentro das comunidades cristãs e com lideranças da Igreja.
Neste ano Mariano e ainda respirando a festa da Natividade de Maria, que se celebrou na última sexta-feira, este domingo sugere pedir a Maria Mãe que sustenta a fé dos filhos que ela mostre a todos o caminho da verdade, do discernimento e da sabedoria, que em resumo consiste no encontro pessoal com Jesus.
A missão que Deus confia ao profeta Ezequiel, na primeira leitura deste domingo: “Quanto a ti, filho do homem, eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel” é mais do que clara e se aplica a todas as pessoas de boa vontade. Diante de tantas situações em que a injustiça e toda forma de desprezo pela vida humana e de pouca relação fraterna, a tarefa dada ao profeta se aplica a todas as pessoas das comunidades cristãs: Não permita que a morte e o mal triunfem, faça a sua parte, enquanto Deus pacientemente espera e age com misericórdia.
Na mesma direção o salmo faz um convite claro e objetivo: “Não fecheis o coração, ouví, hoje, a voz de Deus”.  Rezando com o salmista deste domingo cada cristão é desafiado a fazer seu próprio exame de consciência perguntando-se como está vivendo sua fé e os valores do evangelho.
Paulo reforça o que Jesus já havia dito em outras ocasiões: Só existe uma maneira de ser bom, justo e correto: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, o amor não faz nenhum mal contra o próximo”. Diante deste convite parece oportuno cada pessoa se perguntar sobre o bem ou mal que tem feito, no uso das NTIC e porque não no cuidado com a casa comum?
A Palavra de Jesus no Evangelho é um convite a criatividade para que aconteça em todos os lugares a promoção da fraternidade e do bem. “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, à sós contigo”.  Antes de aproveitar para “detonar” alguém que eu não gosto ou que eu não simpatizo com suas ideias o evangelho ensina a oportunidade do diálogo, do perdão e da correção fraterna.

A oração de apresentação das oferendas deste domingo reitera aquilo que deveria ser a prática de todos nas comunidades cristãs: “Fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós os laços de amizade”. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

HOMILIA PARA O DIA 03 DE SETEMBRO DE 2017

NÃO SE CONFORMAR COM A INJUSTIÇA

O mês de setembro na Igreja é dedicado ao estudo da Bíblia. Sugere-se que os Grupos Bíblicos em Família, a catequese, a liturgia, as pastorais e movimentos procurem conhecer melhor a Palavra de Deus contida na Bíblia, bem como aprendam a interpretar corretamente. Rezar ao Espírito Santo para que inspire o leitor a entender e contextualizar a Palavra de Deus ao seu tempo e situação é uma graça que precisa ser pedida sempre.
A sociedade brasileira celebra a semana da Pátria, e nas palavras dos nossos bispos: “está cada vez mais perplexa, diante da profunda crise ética que tem levado a decisões políticas e econômicas que, tomadas sem a participação da sociedade, implicam em perda de direitos, agravam situações de exclusão e penalizam o povo brasileiro.”
Na mesma linha se pode ler as palavras de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Neste contexto São Paulo faz para os cristãos de hoje o mesmo convite que fez aos Romanos na segunda leitura deste domingo: Não se conformem com o mundo, mas transformem-se renovando sua maneira de pensar e de julgar, para que possam distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”.
O Evangelho começa dizendo: Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir à Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei” ainda que muitos tenham dificuldade de entender e se comportem como Pedro Jesus reafirma o convite também às pessoas deste século: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”.
A proposta para esta semana é objetiva: mais do que procurar um Cristo glorioso e buscar a realização pessoal com suas próprias forças o momento é de gastar a vida e todas as forças para que a justiça seja feita. Um cristão de verdade não se conforma com as coisas como estão e procura na Bíblia forças para desmascarar e vencer os sistemas que são contrários à dignidade e que na palavra dos bispos deixam a sociedade perplexa, excluem e penalizam o povo.
Como Igreja reunida para a oração vamos juntos pedir a Maria, Mãe de Jesus, ela que soube ser firme ao pé da cruz seja também companheira para suportar as cruzes da caminhada não se conformando com elas, mas fortalecendo-se na luta pela vida. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

HOMILIA PARA O DIA 27 DE AGOSTO DE 2017

IGREJA SANTA E PECADORA

Estamos encerrando o mês de agosto, que na pastoral da Igreja é também chamado mês das vocações. Nos quatro domingos de agosto a liturgia recorda as vocações consagradas ao serviço da Igreja e ao serviço do mundo. Os sacramentos do matrimônio e da ordem são chamados “sacramentos do serviço”.  Tanto na primeira leitura quanto no evangelho é possível perceber que ambas tratam de vocação e de serviço. Nenhum dos casos apresentam pessoas e instituições extraordinárias no que diz respeito à perfeição.
A primeira leitura começa com estas palavras: Assim diz o Senhor... chamarei meu servo Eliacim... Eu o farei portar aos ombros a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém poderá fechar; ele fechará, e ninguém poderá abrir”.
E o evangelho termina com a missão dada a Pedro: Por isso eu te digo que tu és Pedro... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. Nos dois casos precisa ficar muito claro que a ideia central não é enaltecer as pessoas que são chamadas para as funções, as quais apesar das suas limitações e fragilidades são instrumentos de Deus e não pessoas com poderes extraordinários.
A mesma aplicação se pode fazer em relação a Igreja e toda a sua missão, ela é Santa e Pecadora, não é uma instituição que tem grandeza e poder em si mesma, pelo contrário “do lado aberto de Cristo nasceu a Igreja e os sacramentos” por isso mesmo a Igreja, apesar da sua fragilidade, é para o mundo sinal sacramental do Cristo vivo e da sua bondade.
Celebrando as diversas vocações a Igreja traz presente no último domingo os catequistas, não por uma questão de importância, mas porque neles está a totalidade dos serviços cuja vocação começa no batismo, condição que garante igualdade a todos os membros da Igreja. Na profissão de fé que se faz no batismo e no serviço alegre aos irmãos todos podem imitar Maria para quem a Igreja é devedora e lhe atribui veneração.
Afinal de contas, no ventre de Maria se formou Cristo que é a cabeça da Igreja; aos pés da cruz, onde nasceu a Igreja estava Maria e o discípulo amado a quem ela foi dada por mãe; no solene anuncio de pentecostes a Mãe de Jesus estava aí em oração.

Este domingo é um convite a repetir as palavras de Pedro: “Tu és o Messias o Filho do Deus Vivo”, repetição que pode ser feita melhor do que em palavras pelo testemunho dos pequenos atos. Que o Senhor ajude e fortaleça a todos nesta missão. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

HOMILIA PARA O DIA 20 DE AGOSTO DE 2017

ACOLHER E OBEDECER A PALAVRA

O ataque terrorista ocorrido nesta semana na Espanha dispensa comentários e não há quem não tenha sentimento de compaixão pelas vítimas da tragédia, indignação em relação aos responsáveis e questionamentos sobre o que o mundo pode fazer para que situações como esta deixem de se repetir.  
Não é difícil fazer uma analogia entre o terrorismo e a primeira leitura deste domingo, que conta em linguagem figurada a luta ente uma mulher grávida e um dragão. No final da leitura tanto a mulher que deu à luz como seu Filho saíram ilesos e vitoriosos. E a leitura termina com uma afirmação espetacular: “"Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo".
Dito em outras palavras é possível compreender que nenhuma ameaça, nenhuma atrocidade será maior que a salvação, a força e a realeza de Deus e do seu Filho. E neste contexto se pode reconhecer a figura de Maria, mãe de Jesus.
A narrativa da primeira leitura que retrata um encontro entre o bem e o mal termina com a vitória do bem, cuja força é dada a Maria para quem a Igreja desde muito cedo aplicou a figura da mulher vestida de sol. Foi para Maria que Deus preparou um lugar no deserto, onde ela vive para sempre. O filho que nasceu daquela mulher é Jesus foi levado para junto de Deus e do seu trono.
Convictos desta realidade a Igreja canta no salmo: “À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir. As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha”.
A mulher vencedora é aquela que São Paulo fala na segunda leitura afirmando que farão parte da morada do Deus os que pertencem a Cristo.  Aqueles que pertencem a Cristo, não o fazem por um privilégio que tenham adquirido em qualquer circunstância da vida.
Pelo contrário, pertencem a Cristo porque souberam, como Maria, guardar todas as coisas em seu coração e fazer tudo o que ele diz. Maria venceu o dragão que queria lhe destruir a vida e devorar o Filho porque ela foi a primeira a fazer o que recomendou a todos: “façam tudo o que Ele lhe disser”.
Bem disse Santa Teresinha do Menino Jesus: “Maria Elevada a glória do céu espera dos cristãos mais do que ser reconhecida como Virgem e Rainha. Ela prefere ser imitada na simplicidade e nas provações que a vida lhes oferece”.
É neste sentido que a Igreja recorda a vida religiosa, condição em que homens e mulheres que se sentem chamados a servir Cristo e a Igreja neste estilo de vida procuram imitar Maria na alegre disponibilidade ir às pressas ao encontro daqueles que mais precisam.