quinta-feira, 7 de junho de 2018

HOMILIA PARA O DIA 10 DE JUNHO DE 2018 - 10º DO TEMPO COMUM


ALEGRAI-VOS E EXULTAI

No dia de São José neste ano o Papa Francisco publicou uma carta com o título: “Alegrai-vos e exultai”. O conteúdo da carta é um chamado à santidade no mundo atual. No primeiro capítulo o Papa escreveu: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e nas mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhada dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ao ‘pé da porta’ daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou por outras palavras “esta é a classe média da santidade” (GE 7).
E ser santo não é outra coisa senão ouvir a Palavra de Deus e colocar em prática o Evangelho deste domingo. Marcos mostra Jesus cercado por duas categorias de pessoas: um grupo que o chama de louco e outro que consideram as suas ações como se fossem obras do diabo e afirmam que ele está possuído por Belzebu. Por sua vez Jesus é muito claro na suas declarações e sem meias palavras diz que estes dois grupos estão divididos entre si e que seus dias estão contados: “Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e
se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído
”. E conclui com duas frases espetaculares: “
Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
O fim do reinado de satanás que Jesus afirma estar acontecendo é a concretização da responsabilidade que Deus havia dado para Eva, a mulher do primeiro pecado: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Jesus, o Filho de Maria, com sua determinação e coragem é quem definitivamente “esmagará a cabeça da serpente” e todos os que como ele ouvirem a Palavra de Deus e colocarem em prática continuarão a fazer a mesma coisa.
E isto São Paulo fala aos coríntios: Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: 'Eu creio e, por isso, falei', nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. E tudo isso é por causa da abundância da graça para a glória de Deus. Por isso, não desanimamos”.
Nestes tempos difíceis, na hora em que o Papa convida a ser uma “Igreja em Saída” e a ser santos dando o “próprio testemunho nas ocupações da cada dia, onde cada um se encontra”(GE14) é natural que as dificuldades se potencializem  e que até muitas pessoas que se dizem religiosas e que até rezam muito sejam resistentes e insistam numa igreja que fique na sacristia, nos bancos das igrejas, nas orações destituídas de compromisso social, peçamos que a oração deste dia e a comunhão que recebemos nos liberte dos maus pensamentos e coloque a nossa vida na prática do bem, como o padre vai rezar na oração final da missa: “Ó Deus, agindo em nós pela Eucaristia, faça curar nossos males, libertando-nos das más inclinações e orientando nossa vida para a prática do bem”.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

HOMILIA PARA O DIA 03 DE JUNHO DE JUNHO 2018


ESTENDER A MÃO COMO DEUS FAZ

Todos os anos por ocasião da quaresma a Igreja convida a os cristãos a fazer penitência e realizar um gesto de solidariedade por meio de uma oferta concreta no Domingo de Ramos. O Resultado desta coleta é aplicado em obras de assistência social. Nesta semana, por exemplo, a Diocese de Criciúma no Sul de Santa Catarina inaugurou uma casa para acolhida e ressocialização de ex-presidiários. A obra teve investimentos com recursos da coleta da solidariedade no domingo de ramos. Por ocasião da mobilização dos caminhoneiros foram observadas diversas ações de solidariedade com a categoria, entre elas a de um grupo de ciclistas que se mobilizou para levar alimentos aos motoristas. Ambas são atitudes de quem é capaz de estender a mão.
As leituras deste domingo falam da solidariedade de Deus e da preocupação com aqueles que precisavam de uma mão estendida. O livro do deuteronômio pede para guardar o dia de sábado, como sendo o dia de Deus em que Ele estendeu a mão ao seu povo e recomendou o transformou em Senhor da sua existência. Nas duras lutas da vida o povo do Antigo Testamento sempre entendeu que a mão e Deus veio em seu socorro: Lembra-te de que foste escravo no Egito e que de lá o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus te mandou guardar o sábado”.
No evangelho é Jesus, enviado pelo Pai, que percebe a fome dos discípulos e os leva a colher espigas para saciar a fome. No templo uma pessoa necessitada de ajuda estende a mão e Jesus cura seu ferimento: “E perguntou-lhes: 'É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?' Mas eles nada disseram. Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: 'Estende a mão'. Ele a estendeu e a mão ficou curada”.
Só não entende de solidariedade e do sofrimento das pessoas aqueles que transformam a lei em ocasião para levar vantagem e em nome da lei patrocinam a morte: “Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo”.
Naquele tempo como nos dias atuais não falta quem se recusa estender a mão para ajudar e a reconhecer as mãos estendidas que pedem socorro e qualidade de vida. Para todos são preciosas as palavras de São Paulo na segunda leitura: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos”.
Que a oração deste domingo ensine cada pessoa a compreender o que significa estender a mão e reconhecer a mão estendida para socorrer e fazer que todos em qualquer lugar experimentem a alegria de se tornar Senhores das leis a serviço da vida.


quinta-feira, 24 de maio de 2018

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE - 27 DE MAIO 2018


O SENHOR É DEUS EM TODO LUGAR

O maior espaço dos noticiários desta semana foi ocupado pelas paralizações, desabastecimento, corrupção, impostos, preço dos combustíveis. Tudo isso revela muito mais que um descontentamento ocasional de uma ou diversas categorias profissionais com um ou outro sistema de governo. O que a sociedade brasileira vivenciou nesta semana é o que pode ser chamado alegrias, tristezas e esperanças que as sociedades e as pessoas vivem ao longo do tempo. É neste contexto que cada cristão e a Igreja inteira é chamada a ser Sal da terra e luz do mundo.
É no meio deste mundo marcado por contradições e dificuldades que Cristo continua a enviar seus seguidores: “Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.
Deus que está com a gente não é outro senão o mesmo Cristo que subiu aos céus e que enviou o Espírito Santo. O mesmo que declarou estar presente em todas as ações humanas é aquele que a primeira leitura declara: “Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos”.
Deus, em quem aqueles que acreditam são batizados é o mesmo que se reza no salmo: “No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamose que São Paulo afirma: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo”.
Acreditar na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, implica valorizar tudo o que dele se recebeu no sentido de construir uma sociedade mais justa, mais fraterna, responsável pelo bem que esteja a serviço de todos, muito acima dos interesses de grupos e organizações muitas vezes criminosa. Acreditar e seguir as palavras de Jesus consiste aceitar a grande missão de ser sinal do projeto de Deus no meio do mundo.

sábado, 19 de maio de 2018

HOMILIA PARA O DOMINGO DE PENTECOSTES 2018


O ESPÍRITO INTERCEDE EM NOSSO FAVOR
Que a pessoa humana, muito facilmente, desenvolve mania de grandeza e constrói sonhos e castelos na areia, não é uma novidade. Estas coisas costumam ser tão frágeis, que no dizer de um grande pensador contemporâneo “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. No cotidiano das relações interpessoais é possível se deparar com relativa frequência a projetos extraordinários que acabam por terra antes mesmo de começar a ser construídos. Nestes casos fica mais do que claro que alguma coisa estava errada no projeto ou no sonho. Poderia se dizer que alguém ou alguma estrutura muito importante deixou de ser considerada como base para o empreendimento.
Pois bem, é de projetos, de sonhos, de fundamentos, de empreendimentos sustentáveis que fala a Palavra de Deus neste domingo de Pentecostes.  O texto do livro do Gênesis é de uma clareza extraordinária mostrando como o ser humano sonha além de suas forças e esquece de quem é seu fundamento e sustentação: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja o céu. Assim, ficaremos famosos,” O resultado não poderia ser outro a realização do empreendimento resultou numa confusão de línguas e nunca foi concluído.
Por conta disto o salmista faz um apelo, reconhecendo aquele que pode levar a bom termo os desejos humanos: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras, e que sabedoria em todas elas! Encheu-se a terra com as vossas criaturas. Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.
Esta certeza é recordada por São Paulo na carta aos romanos: “fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança. Também, o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza.”
E Jesus garante no Evangelho: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Aquele que crê em mim, conforme diz a Escritura, rios de água viva jorrarão do seu interior.
Tudo isso se realiza pela ação do Espírito Santo de Deus que foi enviado para fazer novas todas as coisas. É o Espírito de Deus que abre as portas e as mentes para a construção de um mundo novo onde a pessoa não pense ter a última resposta e a solução para todos os seus problemas. Que o Espírito sobre também nas comunidades e na Igreja contemporânea.


domingo, 13 de maio de 2018

REFLEXÕES PARA A SEMANA DA ENFERMAGEM 2018


A CENTRALIDADE DA ENFERMAGEM 
NAS DIMENSÕES DO CUIDAR

A gramática da língua portuguesa chama de oração   o conjunto linguístico que se estrutura em torno de um verbo. Pois bem, a frase:  “A centralidade da enfermagem nas dimensões do cuidar,” tema escolhido para a semana da enfermagem, é uma oração.
Mas este tema pode ser entendido também como uma Oração, no sentido de ser uma prece que se eleva a Deus por meio daqueles que gastam suas vidas no serviço aos enfermos. As duas leituras escolhidas para a celebração da missa ajudam a compreender como esta oração, no sentido gramatical, é também uma Oração no sentido religioso.
A propósito disto sugerimos a leitura de dois textos bíblicos. O primeiro da carta de Tiago: “Se alguém de vocês está sofrendo ore. Se alguém está contente cante hinos de agradecimento. Se algum de vocês estiver doente, que chame os presbíteros da Igreja, para que façam oração e ponham azeite na cabeça dessa pessoa em nome do Senhor. Essa oração, feita com fé, salvará a pessoa doente. O Senhor lhe dará a saúde e perdoará os pecados que tiver cometido”. (5, 13 – 15). O segundo texto é conhecido como a Parábola do Bom Samaritano e se encontra em Lucas 10,30-35.
O texto da carta de Tiago é a motivação para todo o serviço do Capelão no Hospital e que encontra seu principal parceiro no pessoal que faz o serviço assistencial. São os colaboradores da área da enfermagem os primeiros a perceberem que o doente precisa de animação, de uma presença viva que o faça experimentar o amor gratuito de Deus.
Já o texto do Evangelho, com a parábola do Bom Samaritano é o que pode ser entendida como modelo de centralidade no que se refere ao cuidado. Não sem razão costuma-se dizer que uma pessoa foi Bom Samaritano, toda vez que teve compaixão e ajudou a outro em situação de necessidade.
O texto do Evangelho tem sete verbos e todos eles apontam para a “centralidade do cuidado”. A primeira atitude daquele que descia pelo caminho foi “enxergar” a realidade da pessoa caída à beira do caminho. Na sequência demostrou compaixão, aproximação e cuidado – chegou perto limpou seus ferimentos e enfaixou. Ainda não satisfeito “colocou o caído no seu próprio animal”, isso significa que não teve medo de colocar todas as capacidades a serviço do sofrimento alheio e que clamava por tratamento respeitoso, por compaixão e solidariedade, situações muito particulares daqueles que estão doentes.
Percebendo que sua condição permitia fazer mais ainda, mudou a sua rotina e levou o doente até a hospedaria adaptando-se para atender o necessitado. Mobilizou outras pessoas, outras estruturas, outras forças para cuidar do sofrimento alheio. Isso é muito importante, nem sempre na sua função o pessoal do assistencial pode dar conta de todas as demandas e desafios, mas sempre pode mobilizar outras pessoas criando parcerias para que o cuidado aconteça.
Chegando na hospedaria, o último verbo é “Cuidar”. A dimensão do cuidado completa o conjunto da intervenção do samaritano. E não foi apenas uma pessoa cuidando daquele que estava ferido o Bom Samaritano soube envolver os demais nesta tarefa dura que é a realidade experimentada pelo doa humana muito presente na pessoa daqueles que estão doentes.
Em resumo - A centralidade da enfermagem nas dimensões do cuidar - precisa ser impulsionada pelo espírito do Bom Samaritano que é capaz de aproximar-se dos doentes, dos fracos, dos feridos e de todos os que estão jogados no caminho a fim de acolhê-los e cuidar deles dando-lhes uma “injeção de esperança”.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

HOMILIA PARA O DIA 13 DE MAIO DE 2018 - ASCENSÃO DO SENHOR


CONSTRUIR RELAÇÕES HUMANIZANTES


Qualquer pessoa que se preocupe em deixar algum legado, ou ensinamento que se perpetue e que por meio dele possa permanecer na memória das pessoas, se preocupa em formar seguidores e discípulos que se apaixonem por sua ideia e seu modo de ver o mundo e as relações por ele construídas. Pois é desta preocupação que trata a Palavra de Deus deste domingo.
Jesus tinha convicção que foi enviado pelo Pai e que devia estabelecer um processo de conversão continuada e ampliação da sua doutrina e da sua visão de mundo a partir da misericórdia de Deus. Por conta disso, durante três anos fez um grande número de discípulos, de admiradores e preparou os apóstolos para que dessem continuidade a tudo o que ele havia iniciado.
Nos quarenta dias que se sucederam à páscoa Jesus apareceu diversas vezes ao seu grupo e lhes deu as últimas orientações sobre a continuidade da missão e os desafios que isto implicava. Hoje, subindo ao céu diante deles deixa o mandamento mais importante: “'Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” dando-lhes essa tarefa ele faz menção às dificuldades que terão pela frente: lidar com serpentes, beber veneno, falar línguas estranhas, impor a mão em doentes e até reconhecer demônios. “Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus”.
Conforme o tempo passou aqueles que conheceram e que viveram com Jesus foram morrendo e sua doutrina corria o risco de cair no esquecimento. Para evitar isso foi preciso registrar os feitos a fim de que a lembrança pudesse ajudar na continuação da tarefa. Então Lucas escreve o livro dos Atos dos Apóstolos que começa com as palavras da primeira leitura de hoje: “No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, até ao dia em que foi levado para o céu”. Fazendo a narrativa da ascensão de Jesus o autor faz uma advertência: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.
Quase que o mesmo pedido Paulo faz aos cristãos de Éfeso: “Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente”.
Ora que ensinamento essa Palavra pode dar às pessoas do mundo contemporâneo? A missão dada por Jesus continua sendo desafiadora para todos os que creem e querem construir um mundo mais humanizado, cabe agora a tarefa de ser Sal da Terra e Luz do Mundo. Nada de ficar de braços cruzados e esperar que tudo seja fácil e romântico. Compreender a presença de Jesus que incita a transformar as estruturas desumanas destes tempos em local de fraternidade e vida humanizada exige coragem e abertura de coração para a luz de Deus que continuamente recrie a esperança.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

HOMILIA PARA O DIA 06 DE MAIO DE 2018


AMAR NÃO COM PALAVRAS, MAS EM AÇÕES E EM VERDADE

As notícias sobre a queda de um edifício ocupado irregularmente em São Paulo, trouxe à baila uma enorme e antiga discussão sobre o direito à moradia e a dignidade das pessoas. Esta semana todos os meios de comunicação dedicaram horas de reportagens tratando sobre uma infinidade de questões relacionadas ao fato. Quase não se viu uma opinião que tocasse no cerne do problema. As palavras do Cardeal de São Paulo não encontraram eco na grande imprensa. Dom Odilo colocou as igrejas a disposição para acolhimento dos vitimados pela tragédia, fez mediação com as autoridades, mas tudo isso não passa de medidas paliativas em relação ao grande problema que o mesmo arcebispo apontou: Não temos um déficit habitacional… o que nós temos é uma distribuição inadequada das habitações… falta uma política habitacional adequada para as necessidades da população”. Em outras palavras enquanto não se resolver isso vão continuar se repetindo tragédias deixando as pessoas e a sociedade sempre mais vulnerável.
Tratar destas questões com seriedade é uma forma de viver o Evangelho que recomenda não apenas discursos bonitos, mas ações e verdade: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça”.
Amar as pessoas como Jesus pede no Evangelho, exige ter a coragem e o discernimento de não fazer pré-julgamentos das pessoas tratando-as como merecedoras disso ou daquilo. Pedro, inspirado pelo Espírito Santo declarou: Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo”.
Amar as pessoas significa compreender que “Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele” e não para julgar o mundo e os outros segundo nossos critérios.
Peçamos que a Eucaristia nos fortaleça e nos coloque no caminho dos pobres e desvalidos, daqueles que muitas vezes são excluídos das políticas de igualdade e inclusão e que invariavelmente são vítimas do descaso e do desrespeito daqueles que se dizem responsáveis e que governam e apenas se lembram de ver os desvalidos quando a desgraça já lhes bateu a porta.
Que os cristãos sejam fortalecidos pelo profetismo de Jesus e tenham a coragem de encarar as realidades que contradizem o Reino de Deus.