segunda-feira, 21 de setembro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 02 DE NOVEMBRO DE 2026 - COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS - ANO A

 

EM CRISTO TODOS RESSUSCITAMOS!

 

Irmãos e irmãs, hoje nos reunimos com saudade e esperança para recordar nossos irmãos e irmãs falecidos. Diante da morte, muitas vezes faltam palavras, e o coração pergunta como Jó: por que sofremos, por que perdemos pessoas tão queridas? Mesmo em meio à dor, Jó proclama sua confiança: o meu Redentor vive e, um dia, contemplarei a Deus. A fé não elimina a saudade, mas sustenta-nos na certeza de que a vida não termina no túmulo. Se cultivamos essa certeza, também nós podemos rezar com o salmista:

“Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei.”

Cultivemos essa confiança, especialmente quando o luto pesa, quando a casa fica silenciosa e quando sentimos a falta de quem partiu. Deus caminha conosco nos vales escuros da existência; sua presença é mais forte que o medo e mais profunda que a morte.

São Paulo anuncia que Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto daqueles que morreram. Nele, a ressurreição tornou-se promessa para toda a humanidade. A morte ainda nos causa lágrimas, mas já não tem a última palavra. Cristo reina sobre tudo e conduz a criação para a plenitude, quando todo poder contrário à vida será vencido e Deus será tudo em todos.

No Evangelho, Jesus pede que permaneçamos com as lâmpadas acesas e o coração preparado. Isso não significa viver assustados, mas viver com fé, amor e responsabilidade. Nossos falecidos deixam-nos também um testemunho: a vida é preciosa e deve ser vivida fazendo o bem, cuidando da família, ajudando os necessitados, perdoando e mantendo acesa a esperança.

Hoje entregamos nossos entes queridos à misericórdia de Deus e renovamos nossa confiança na ressurreição. Que a lembrança deles não permaneça apenas como saudade, mas se transforme em compromisso com a vida e com o amor. E quando atravessarmos nossos vales de dor, repitamos juntos: “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei.”

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HOMILIA PARA O DIA 01 DE NOVEMBRO DE 2026 - SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - ANO A

 

SER SANTO COMO DEUS É SANTO

 

Irmãos e irmãs, a Solenidade de Todos os Santos recorda-nos que a santidade não é privilégio de poucos, mas chamado que Deus dirige a todos os seus filhos. Pela graça do Batismo, somos chamados a viver como filhos de Deus, caminhando para a plena semelhança com Ele. São João afirma que já somos filhos de Deus, embora ainda não se tenha manifestado plenamente aquilo que seremos.

No Evangelho, Jesus revela o caminho da santidade nas bem-aventuranças. São felizes os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores e os perseguidos por causa da justiça. Aos olhos do mundo, essas atitudes podem parecer fraqueza; diante de Deus, porém, são sinais de uma vida aberta ao Reino e configurada ao coração de Cristo.

Ser santo é reconhecer quem Deus é: o Senhor santo, misericordioso e fiel, diante de quem toda a criação se encontra. O salmo pergunta quem poderá subir ao monte do Senhor e responde: aquele que tem mãos inocentes e coração puro. Reconhecer Deus, portanto, não consiste apenas em professar palavras, mas em permitir que sua presença transforme nossas mãos, nossas escolhas e nosso modo de tratar os outros.

A visão do Apocalipse apresenta uma multidão imensa, de todas as nações, povos e línguas, diante do Cordeiro. Essa imagem mostra que a santidade floresce no meio da história e nas mais diversas condições de vida. Os santos passaram pela grande tribulação, mas permaneceram fiéis. Também nós podemos alcançar a santidade no meio do mundo: na família, no trabalho, na comunidade, no cuidado dos pobres, no perdão, na defesa da justiça e na construção da paz.

Hoje, o Senhor nos convida a abandonar uma vida medíocre e a caminhar com coragem pela estrada das bem-aventuranças. Não precisamos esperar circunstâncias extraordinárias: cada gesto de misericórdia, cada escolha pela verdade, cada sofrimento vivido com fé e cada serviço realizado com amor pode tornar-se caminho de santidade. Que, reconhecendo a grandeza de Deus, vivamos como verdadeiros bem-aventurados, para que um dia nos juntemos à multidão dos santos diante do Cordeiro.

 

HOMILIA PARA O DIA 25 DE OUTUBRO DE 2026 - 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 AMAR AS PESSOAS COMO CAMINHO

DE FIDELIDADE AO EVANGELHO

 

Irmãos e irmãs, no Evangelho, Jesus une inseparavelmente o amor a Deus e o amor ao próximo: amar o Senhor com todo o coração, a alma e o entendimento, e amar o próximo como a nós mesmos. Não são dois caminhos diferentes, mas um único caminho de fidelidade. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.

A primeira leitura torna esse amor concreto. Deus ordena que o estrangeiro não seja oprimido, que a viúva e o órfão não sejam maltratados e que o pobre não seja explorado. O Senhor escuta o clamor dos vulneráveis. Por isso, uma fé que fala muito de Deus, mas tolera a exclusão dos migrantes, dos pobres, dos idosos, dos moradores de rua e de tantos fragilizados, permanece apenas no discurso.

O salmo proclama: “O Senhor é minha rocha, minha fortaleza e meu libertador.” Quem encontra em Deus sua segurança não precisa construir sua vida sobre a indiferença, o poder ou a exploração dos outros. A confiança no Senhor transforma-se em compromisso: acolher quem chega, defender quem sofre, repartir o pão e criar espaços onde cada pessoa seja reconhecida em sua dignidade.

A comunidade dos tessalonicenses oferece um belo exemplo. O Evangelho chegou até eles não somente por palavras, mas pelo poder do Espírito Santo e por um testemunho convincente. Mesmo em meio às perseguições, acolheram a Palavra com alegria e tornaram-se exemplo para outras comunidades. Sua fé foi reconhecida porque produziu uma vida nova, uma comunidade acolhedora e um testemunho que se espalhou muito além de seus próprios limites.

Também nós somos chamados a ser uma Igreja em que o amor a Deus se veja no amor aos pequenos. Não basta celebrar, rezar e proclamar; é necessário perguntar quem ainda está do lado de fora e o que podemos fazer para incluí-lo. Que nossa comunidade acolha sem preconceitos, escute sem julgamentos e sirva com perseverança. Assim, o mandamento do amor deixará de ser apenas palavra bonita e se tornará vida, testemunho e presença concreta do Evangelho.

 

HOMILIA PARA O DIA 18 DE OUTUBRO DE 2026 - 29º DO TEMPO COMUM - ANO A

 



DAR A CADA UM O QUE LHE PERTENCE

 

Irmãos e irmãs, o Evangelho apresenta Jesus diante de uma armadilha. Perguntam-lhe se é permitido pagar imposto a César, esperando colocá-lo contra o poder político ou contra o povo. Jesus, porém, não se deixa manipular e ensina: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” A resposta recorda-nos que o cristão participa responsavelmente da sociedade, mas reconhece que a vida inteira pertence, antes de tudo, a Deus.

Dar a Deus o que é de Deus significa oferecer-lhe não apenas algumas palavras ou momentos de culto, mas o coração, as escolhas, o trabalho, a família e o modo como tratamos as pessoas. A fé não pode ser usada como aparência nem separada da vida concreta. O discípulo de Jesus respeita suas responsabilidades civis, mas não negocia a verdade, a justiça, a dignidade humana e o amor ao próximo.

São Paulo oferece-nos o testemunho das primeiras comunidades cristãs. Ele agradece a Deus pela comunidade de Tessalônica, recordando a obra da fé, o trabalho da caridade e a firmeza da esperança em Jesus Cristo. Nessa comunidade, o Evangelho não permaneceu apenas como discurso: foi acolhido com a força do Espírito Santo e manifestado pela vida daqueles que o anunciaram e testemunharam.

Também hoje a Igreja será reconhecida quando ancorar a fé na caridade e no testemunho. Uma comunidade verdadeiramente cristã não se limita a defender ideias religiosas; ela visita os doentes, acolhe os pobres, acompanha as famílias, protege os vulneráveis, trabalha pela paz e permanece firme na esperança em meio às dificuldades. Assim como as primeiras comunidades, somos chamados a mostrar, por nossas obras, que o Evangelho possui força para transformar pessoas e relações.

Peçamos ao Senhor uma fé corajosa, uma caridade perseverante e uma esperança firme. Que saibamos cumprir nossas responsabilidades na sociedade.

 

HOMILIA PARA O DIA 12 DE OUTUBRO DE 2026 - SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA - ANO A

 

MARIA SEMPRE ATENTA

ÀS NECESSIDADES DOS FILHOS

 

Irmãos e irmãs, nesta solenidade de Nossa Senhora Aparecida, contemplamos Maria como Mãe atenta às necessidades de seus filhos. A liturgia apresenta-nos também a rainha Ester, que intercede diante do rei pelo seu povo e suplica: “Concede a vida, a vida do meu povo!” Esse pedido manifesta um coração que não busca privilégios para si, mas coloca diante de Deus a dor, a esperança e a vida de toda a comunidade.

A súplica de Ester encontra eco no coração de Maria. Nas bodas de Caná, percebendo a aflição dos noivos, Maria apresenta a Jesus uma necessidade concreta: “Eles não têm mais vinho.” Maria não permanece indiferente nem se fecha em sua própria segurança; ela vê, compadece-se e intercede. Assim também, em Aparecida, reconhecemos a Mãe que continua apresentando ao Senhor as necessidades de seus filhos.

O pedido de Maria em Caná não é uma tentativa de substituir Jesus, mas um gesto de confiança nele. Por isso, ela orienta os servidores: “Fazei tudo o que ele vos disser.” Este é o centro da devoção mariana: aproximar-se de Maria para chegar a Cristo, escutar sua Palavra e colocá-la em prática. A verdadeira devoção a Nossa Senhora transforma o coração e conduz ao serviço, à fraternidade e à defesa da vida.

Diante de tantas famílias sofrendo, de pessoas sem pão, sem trabalho, sem dignidade e sem esperança, a Igreja é chamada a repetir a súplica de Ester: “Concede a vida, a vida do meu povo!” E pode dizer com confiança: “quem pede ajuda para Nossa Senhora Aparecida, nunca sai de mãos vazias” — não porque Maria substitua Deus, mas porque ela nos conduz ao seu Filho, desperta a solidariedade e ensina-nos a colaborar com os milagres de amor que o Senhor deseja realizar.

Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do Brasil, acolhei as súplicas de vosso povo e apresentai-as a Jesus. Ensinai-nos a defender a vida, a cuidar dos pobres, a fortalecer as famílias e a fazer tudo o que ele nos disser. Que, sustentados por sua intercessão, sejamos uma comunidade atenta, solidária e fiel, para que a vida do nosso povo seja respeitada e a alegria do Evangelho renasça em nosso meio.

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HOMILIA PARA O DIA 11 DE OUTUBRO DE 2026 - 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 

O REINO É UM BANQUETE PARA TODOS

 

Irmãos e irmãs, o Evangelho compara o Reino dos Céus a um banquete de casamento preparado pelo rei para seu filho. Tudo está pronto: a mesa, a festa e a alegria. O convite é gratuito e generoso, mas alguns o recusam, preferindo seus próprios interesses, negócios e preocupações. Outros chegam até a maltratar os mensageiros. Esta Palavra nos recorda que Deus nos chama à comunhão, mas é preciso aceitar seriamente o seu convite.

Também hoje podemos rejeitar o convite do Senhor quando deixamos a oração, a Eucaristia, a caridade e a vida comunitária sempre para depois. Não basta dizer que acreditamos em Deus; é necessário permitir que a fé transforme nossas escolhas. O convite do Evangelho pede uma resposta concreta: abrir espaço para Deus, participar da vida da Igreja e colocar o amor ao próximo acima do comodismo e dos interesses pessoais.

A parábola, porém, apresenta uma segunda advertência. Entre os convidados estava alguém sem a veste nupcial. Ele aceitou estar no banquete, mas não levou a sério a dignidade da ocasião. A veste representa a disposição interior de quem acolhe o Reino e deseja viver segundo o Evangelho. Não basta estar fisicamente na igreja ou pertencer a uma comunidade; é necessário revestir-se de conversão, humildade, perdão e compromisso com a justiça.  

São Paulo nos ensina que a maturidade cristã aparece tanto na abundância quanto na necessidade. Ele aprendeu a viver em diferentes circunstâncias, fortalecido por Cristo, e reconhece com gratidão a solidariedade daqueles que compartilharam suas dificuldades. Assim, levar a sério o convite significa permanecer fiel não apenas nos momentos de consolo, mas também nas provações, servindo, partilhando e sustentando os irmãos.

Peçamos, portanto, a graça de não recusar o convite do Senhor nem comparecer à sua mesa com o coração indiferente. Que nossa veste nupcial seja uma vida renovada pela fé, expressa em gestos de amor e perseverança. Muitos são chamados; felizes os que acolhem o chamado e, fortalecidos por Cristo, vivem de tal modo que sua presença no banquete se torna verdadeiro testemunho do Reino.

 

HOMILIA PARA O DIA 04 DE OUTUBRO DE 2026 - 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 JUNTOS FORMAMOS A VINHA DO SENHOR

 

Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus apresenta-nos hoje a imagem da vinha, cuidadosamente plantada e cultivada pelo Senhor. Deus nada omitiu: preparou a terra, escolheu boas videiras, protegeu-as e esperou frutos abundantes. Contudo, a vinha produziu frutos amargos. Isaías revela que essa vinha é o povo de Deus, do qual o Senhor esperava justiça, mas encontrou violência, e esperava retidão, mas ouviu o clamor dos oprimidos.

No Evangelho, Jesus retoma essa imagem e mostra que os trabalhadores quiseram apropriar-se da vinha, rejeitando os mensageiros do proprietário e, por fim, assassinando o próprio filho. A parábola denuncia toda comunidade que se esquece de que a vinha pertence a Deus. A Igreja, as nossas paróquias e cada um de nós recebemos dons, responsabilidades e uma missão; não somos donos da obra do Senhor, mas servidores chamados a entregar frutos no tempo oportuno.

Cristo é a pedra rejeitada que se tornou a pedra angular. Nele compreendemos que a vinha do Senhor não se reconhece apenas por suas celebrações, estruturas ou palavras, mas pelos frutos do Reino: justiça, misericórdia, verdade, comunhão e cuidado com os pequenos. O próprio Jesus ensina que o Reino será confiado a um povo que produza seus frutos.

Por isso, nossas comunidades serão reconhecidas como vinha do Senhor quando acolherem os pobres e os afastados, visitarem os enfermos, defenderem a dignidade dos que sofrem, escutarem o clamor dos injustiçados e repartirem com generosidade seus dons e bens. Seremos uma vinha fecunda quando abandonarmos divisões, vaidades e disputas de poder, trabalhando pelo perdão, pela participação de todos e por uma pastoral que transforme a fé em serviço concreto.

Peçamos, portanto, que o Senhor nos conceda um coração vigilante e fiel. Pela oração, pela gratidão e pela prática perseverante do bem, guardemos em Cristo os nossos corações e pensamentos, buscando tudo o que é verdadeiro, justo, puro e digno de louvor. Assim, quando o Senhor vier procurar os frutos da sua vinha, encontrará em nós uma comunidade viva, humilde e fecunda, que produz os frutos do Reino e testemunha a sua paz.

 

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 27 DE SETEMBRO DE 2026 - 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

 

DEUS OLHA PARA A CONVERSÃO

 

Neste 26º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos convida a olhar menos para aquilo que dizemos e mais para aquilo que fazemos. No Evangelho, um filho diz “não”, mas depois se arrepende e vai trabalhar na vinha; o outro diz “sim”, mas não vai. Jesus mostra que a obediência verdadeira não fica apenas nos lábios: ela se transforma em atitudes concretas. 

Também na primeira leitura, o Senhor ensina que ninguém está condenado a permanecer no erro. O justo pode se afastar, mas pode voltar; o pecador pode abandonar seus caminhos e escolher o que é justo. Deus olha para a conversão realizada na vida, para a mudança sincera de direção. 

Em nossas comunidades de periferia, muitas vezes ouvimos bonitas promessas: “vou ajudar”, “vou participar”, “vou visitar”, “vou defender os mais pobres”. Mas a fé se prova quando partilhamos o pouco que temos, quando visitamos quem está doente, quando acolhemos quem chega, quando lutamos pela dignidade dos esquecidos e quando não abandonamos a comunidade nas dificuldades. A atitude fala mais alto que qualquer discurso.

O Salmo pede: “Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos; ensinai-me as vossas veredas”. Não basta conhecer o caminho; é preciso caminhar nele. E São Paulo nos recorda que, em Cristo, somos chamados à comunhão, à compaixão e à solidariedade 

Peçamos, portanto, a graça de não sermos cristãos apenas de palavras. Que nossa resposta ao Pai seja visível no serviço, no perdão, na partilha e no compromisso com a vida. Mesmo que ontem tenhamos dito “não”, ainda hoje podemos mudar de atitude e ir trabalhar na vinha do Senhor. O importante não é começar falando “sim”, mas terminar vivendo o “sim” com fidelidade

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 20 DE SETEMBRO DE 2026 - 25º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

GENEROSIDADE, SOLIDARIEDADE, INCLUSÃO

E IGUALDADE EIS A LÓGICA DE DEUS!

 

Irmão ou irmã, a liturgia deste 25º Domingo do Tempo Comum lembra que os pensamentos e os caminhos do Senhor não são os pensamentos e caminhos humanos. Deus chama a sair da lógica estreita da competição, do mérito calculado e do “cada um por si”. Em comunidades marcadas pela falta de trabalho, pela desigualdade e pela exclusão, o Senhor anuncia uma lógica nova: a lógica do Reino, fundada na misericórdia, na generosidade, na igualdade e na inclusão.

Na parábola do Evangelho, o dono da vinha chama trabalhadores em diferentes horas do dia e, ao final, oferece a todos o mesmo pagamento. Os que trabalharam desde cedo reclamam, porque esperavam receber mais; mas o proprietário responde: “Estás com inveja porque eu sou generoso?”. Jesus não ensina injustiça, mas revela que o Reino não funciona como os sistemas humanos, que descartam quem chega tarde, quem não teve oportunidade ou quem foi deixado à margem. Para Deus, ninguém é sobra, ninguém é invisível, ninguém deve ser excluído da dignidade e do necessário para viver.

A primeira leitura convida: “Buscai o Senhor enquanto pode ser achado”. Converter-se é abandonar pensamentos de vingança, egoísmo e indiferença, para acolher os pensamentos misericordiosos de Deus. O Salmo proclama que o Senhor é bondoso e compassivo com todos; por isso, a Igreja é chamada a ser uma comunidade onde os últimos encontram lugar, os feridos encontram cuidado e os pobres não são tratados como problema, mas como irmãos.

São Paulo ensina que viver é Cristo e que a presença deve servir ao bem dos outros. Assim, cada pessoa é enviada à vinha do Senhor: no bairro, na família, no trabalho, na luta por moradia, alimento, saúde e respeito. Pede-se a graça de pensar além da lógica humana e de se adequar à lógica de Deus, para que, reunidos nesta Eucaristia, sejam testemunhas de um Reino em que a misericórdia vence o julgamento, a generosidade supera o egoísmo e os últimos são reconhecidos como primeiros.

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HOMILIA PARA O DIA 13 DE SETEMBRO DE 2026 - 24º DO TEMPO COMUM

                                        



ELE NÃO GUARDA RANCOR,

NEM NOS TRATA SEGUNDO NOSSAS FALTAS

 


Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus neste 24º Domingo do Tempo Comum proclama a grandeza da misericórdia divina. O Senhor não se deixa vencer pela nossa miséria, mas oferece-nos o perdão que cura, reconcilia e devolve a paz. Por isso, o Salmo nos faz cantar com confiança: “Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.” Deus é “lento para a ira e rico em misericórdia”; sua compaixão é maior do que os nossos pecados. 

Esta verdade aparece também na primeira leitura: “Perdoa ao teu próximo a injustiça cometida, e, quando orares, teus pecados serão perdoados”. Quem conserva a ira no coração e se recusa a usar de misericórdia não pode esperar experimentar plenamente a cura do Senhor. O perdão cristão não declara que o mal foi bom, nem elimina necessariamente a prudência diante de quem nos feriu; mas liberta o coração do rancor e entrega a justiça nas mãos de Deus. 

No Evangelho, Pedro pergunta quantas vezes deve perdoar, e Jesus responde: não apenas sete, mas “setenta vezes sete”. A parábola do servo perdoado revela o contraste entre a dívida imensa que Deus cancela e a pequena dívida que o servo se recusa a perdoar. Assim também nós, alcançados pela misericórdia divina, somos chamados a tornar visível essa misericórdia nas relações familiares, comunitárias e sociais. O Senhor afirma que devemos perdoar “de coração”, pois fomos perdoados para que aprendêssemos a perdoar. 

Ao aproximarmo-nos do altar, reconheçamos humildemente que não vivemos para nós mesmos, mas para o Senhor, que morreu e ressuscitou por todos. Peçamos, pois, a graça de abandonar as queixas intermináveis, o rancor e o desejo de vingança. Que a Eucaristia, sacramento da reconciliação, transforme nosso coração endurecido em coração misericordioso, para que, recebendo o perdão de Deus, saibamos oferecê-lo também aos nossos irmãos e irmãs.