CULTIVAR OS TALENTOS
CUIDANDO DOS
POBRES
Irmãos
e irmãs, neste 33º Domingo do Tempo Comum, Jesus nos conta a parábola dos
talentos. Um senhor confia seus bens aos servos e, ao voltar, pergunta o que
fizeram com aquilo que receberam. A parábola nos lembra que a vida é dom e
missão: Deus confia algo a cada pessoa e nos chama a fazê-lo crescer. Não
recebemos todos os mesmos dons, mas todos somos chamados a responder com amor e
responsabilidade. Como recordou o Papa Francisco ao refletir sobre este
Evangelho, os talentos são também os dons do Senhor — sua Palavra, a Eucaristia
e a força do Espírito Santo — confiados a nós para continuarmos a obra de Jesus
no mundo.
Os
dois primeiros servos acolhem a confiança do senhor e põem os talentos a
render. O terceiro, porém, tem medo e esconde o que recebeu. Também nós podemos
enterrar nossos dons quando pensamos apenas em nós mesmos, quando deixamos de
servir ou esperamos que outros façam o bem em nosso lugar. Jesus nos ensina que
ser fiel não é somente evitar o mal: é também praticar o bem que está ao nosso
alcance. Um gesto de atenção, uma palavra que consola, um tempo oferecido a
quem está só: essas pequenas sementes podem fazer crescer o amor de Deus entre
nós.
Neste
domingo celebramos também o Dia Mundial dos Pobres. A parábola nos pergunta se
fazemos frutificar o que recebemos também em favor de quem passa necessidade. O
pobre não é alguém distante da vida da Igreja: é nosso irmão e nossa irmã, cuja
dignidade pede para ser reconhecida e cuidada. Na Mensagem para este Dia, o
Papa Leão escreve: “O
Senhor é refúgio para os pobres.” Essa esperança nos chama a
não ignorar o sofrimento, mas a tornar nossa comunidade um lugar de acolhida,
partilha e proteção.
Fazer
render os talentos, então, não significa acumular méritos ou buscar aplausos.
Significa colocar a vida a serviço: repartir o pão, visitar quem está sozinho,
acolher quem foi deixado de lado e apoiar, como comunidade, ações que respondam
às necessidades dos mais pobres. A mensagem do Papa recorda que a injustiça e a
exclusão atingem primeiro os pobres e que sua voz tantas vezes é silenciada.
Por isso, nossa caridade não pode ser indiferente nem passageira: deve
reconhecer a dignidade de cada pessoa e procurar caminhos concretos de
fraternidade e justiça.
Ao
nos aproximarmos da mesa da Eucaristia, peçamos ao Senhor um coração generoso e
corajoso. Ele nos entrega seus dons não para que os escondamos, mas para que,
repartidos, levem vida aos outros. Que ninguém entre nós se julgue inútil ou
sem nada para oferecer: cada pessoa pode amar, servir e fazer o bem segundo
suas possibilidades. E, quando o Senhor vier, que nos encontre atentos aos
irmãos e irmãs, especialmente aos pobres, e prontos para ouvir: “Muito bem,
servo bom e fiel; vem participar da alegria do teu senhor.”
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