sexta-feira, 30 de outubro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 15 DE NOVEMBRO DE 2026 - 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

CULTIVAR OS TALENTOS 

CUIDANDO DOS POBRES

 

Irmãos e irmãs, neste 33º Domingo do Tempo Comum, Jesus nos conta a parábola dos talentos. Um senhor confia seus bens aos servos e, ao voltar, pergunta o que fizeram com aquilo que receberam. A parábola nos lembra que a vida é dom e missão: Deus confia algo a cada pessoa e nos chama a fazê-lo crescer. Não recebemos todos os mesmos dons, mas todos somos chamados a responder com amor e responsabilidade. Como recordou o Papa Francisco ao refletir sobre este Evangelho, os talentos são também os dons do Senhor — sua Palavra, a Eucaristia e a força do Espírito Santo — confiados a nós para continuarmos a obra de Jesus no mundo.

Os dois primeiros servos acolhem a confiança do senhor e põem os talentos a render. O terceiro, porém, tem medo e esconde o que recebeu. Também nós podemos enterrar nossos dons quando pensamos apenas em nós mesmos, quando deixamos de servir ou esperamos que outros façam o bem em nosso lugar. Jesus nos ensina que ser fiel não é somente evitar o mal: é também praticar o bem que está ao nosso alcance. Um gesto de atenção, uma palavra que consola, um tempo oferecido a quem está só: essas pequenas sementes podem fazer crescer o amor de Deus entre nós.

Neste domingo celebramos também o Dia Mundial dos Pobres. A parábola nos pergunta se fazemos frutificar o que recebemos também em favor de quem passa necessidade. O pobre não é alguém distante da vida da Igreja: é nosso irmão e nossa irmã, cuja dignidade pede para ser reconhecida e cuidada. Na Mensagem para este Dia, o Papa Leão escreve: “O Senhor é refúgio para os pobres.” Essa esperança nos chama a não ignorar o sofrimento, mas a tornar nossa comunidade um lugar de acolhida, partilha e proteção.

Fazer render os talentos, então, não significa acumular méritos ou buscar aplausos. Significa colocar a vida a serviço: repartir o pão, visitar quem está sozinho, acolher quem foi deixado de lado e apoiar, como comunidade, ações que respondam às necessidades dos mais pobres. A mensagem do Papa recorda que a injustiça e a exclusão atingem primeiro os pobres e que sua voz tantas vezes é silenciada. Por isso, nossa caridade não pode ser indiferente nem passageira: deve reconhecer a dignidade de cada pessoa e procurar caminhos concretos de fraternidade e justiça.

Ao nos aproximarmos da mesa da Eucaristia, peçamos ao Senhor um coração generoso e corajoso. Ele nos entrega seus dons não para que os escondamos, mas para que, repartidos, levem vida aos outros. Que ninguém entre nós se julgue inútil ou sem nada para oferecer: cada pessoa pode amar, servir e fazer o bem segundo suas possibilidades. E, quando o Senhor vier, que nos encontre atentos aos irmãos e irmãs, especialmente aos pobres, e prontos para ouvir: “Muito bem, servo bom e fiel; vem participar da alegria do teu senhor.”

 

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