AMAR AS PESSOAS COMO CAMINHO
DE FIDELIDADE AO EVANGELHO
Irmãos e
irmãs, no Evangelho, Jesus une inseparavelmente o amor a Deus e o amor ao
próximo: amar o Senhor com todo o coração, a alma e o entendimento, e amar o
próximo como a nós mesmos. Não são dois caminhos diferentes, mas um único
caminho de fidelidade. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois
mandamentos.
A primeira leitura torna esse amor concreto. Deus ordena que o
estrangeiro não seja oprimido, que a viúva e o órfão não sejam maltratados e
que o pobre não seja explorado. O Senhor escuta o clamor dos vulneráveis. Por
isso, uma fé que fala muito de Deus, mas tolera a exclusão dos migrantes, dos
pobres, dos idosos, dos moradores de rua e de tantos fragilizados, permanece
apenas no discurso.
O salmo proclama: “O Senhor é minha rocha, minha fortaleza e meu
libertador.” Quem encontra em Deus sua segurança não precisa
construir sua vida sobre a indiferença, o poder ou a exploração dos outros. A
confiança no Senhor transforma-se em compromisso: acolher quem chega, defender
quem sofre, repartir o pão e criar espaços onde cada pessoa seja reconhecida em
sua dignidade.
A comunidade dos tessalonicenses oferece um belo exemplo. O
Evangelho chegou até eles não somente por palavras, mas pelo poder do Espírito
Santo e por um testemunho convincente. Mesmo em meio às perseguições, acolheram
a Palavra com alegria e tornaram-se exemplo para outras comunidades. Sua fé foi
reconhecida porque produziu uma vida nova, uma comunidade acolhedora e um
testemunho que se espalhou muito além de seus próprios limites.
Também nós somos chamados a ser uma Igreja em que o amor a Deus
se veja no amor aos pequenos. Não basta celebrar, rezar e proclamar; é
necessário perguntar quem ainda está do lado de fora e o que podemos fazer para
incluí-lo. Que nossa comunidade acolha sem preconceitos, escute sem julgamentos
e sirva com perseverança. Assim, o mandamento do amor deixará de ser apenas
palavra bonita e se tornará vida, testemunho e presença concreta do Evangelho.
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