ELE NÃO GUARDA RANCOR,
NEM NOS
TRATA SEGUNDO NOSSAS FALTAS
Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus neste 24º Domingo do Tempo Comum proclama a
grandeza da misericórdia divina. O Senhor não se deixa vencer pela nossa
miséria, mas oferece-nos o perdão que cura, reconcilia e devolve a paz. Por
isso, o Salmo nos faz cantar com confiança: “Não
fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não
nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas
culpas.” Deus é “lento para a ira e rico em misericórdia”;
sua compaixão é maior do que os nossos pecados.
Esta verdade aparece também na primeira leitura: “Perdoa ao teu
próximo a injustiça cometida, e, quando orares, teus pecados serão perdoados”.
Quem conserva a ira no coração e se recusa a usar de misericórdia não pode
esperar experimentar plenamente a cura do Senhor. O perdão cristão não declara
que o mal foi bom, nem elimina necessariamente a prudência diante de quem nos
feriu; mas liberta o coração do rancor e entrega a justiça nas mãos de Deus.
No Evangelho, Pedro pergunta quantas vezes deve perdoar, e Jesus
responde: não apenas sete, mas “setenta vezes sete”. A parábola do servo
perdoado revela o contraste entre a dívida imensa que Deus cancela e a pequena
dívida que o servo se recusa a perdoar. Assim também nós, alcançados pela
misericórdia divina, somos chamados a tornar visível essa misericórdia nas
relações familiares, comunitárias e sociais. O Senhor afirma que devemos
perdoar “de coração”, pois fomos perdoados para que aprendêssemos a perdoar.
Ao aproximarmo-nos do altar, reconheçamos humildemente que não
vivemos para nós mesmos, mas para o Senhor, que morreu e ressuscitou por todos.
Peçamos, pois, a graça de abandonar as queixas intermináveis, o rancor e o
desejo de vingança. Que a Eucaristia, sacramento da reconciliação, transforme
nosso coração endurecido em coração misericordioso, para que, recebendo o
perdão de Deus, saibamos oferecê-lo também aos nossos irmãos e irmãs.
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