sexta-feira, 30 de outubro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 22 DE NOVEMBRO DE 2026 - 34º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

COM CRISTO REI E BOM PASTOR APRENDER A CUIDAR E SER CUIDADO

Irmãos e irmãs, ao celebrarmos Cristo Rei, contemplamos Jesus como Senhor da história e Pastor que não abandona o seu povo. Por meio do profeta Ezequiel, Deus promete procurar as ovelhas dispersas, reuni-las e cuidar delas. Esta promessa é fonte de esperança: mesmo quando atravessamos dias difíceis, não estamos esquecidos. O Senhor conhece nossas feridas e vem ao encontro de quem se perdeu ou se sente fraco.

A esperança cristã não nasce da ilusão de que tudo será fácil, mas da confiança de que Deus permanece conosco e nos conduz. Ezequiel anuncia um Pastor que procura a ovelha perdida, reconduz a que se afastou, cuida da ferida e fortalece a enfraquecida. Em Jesus, essa promessa se torna próxima: Cristo nos reúne e nos guia com amor. Por isso, podemos recomeçar, pedir ajuda e caminhar sem nos entregarmos ao desânimo.

No Evangelho, Jesus aparece também como Rei e Juiz, diante de quem todos os povos se reúnem. Ele revela que o encontro com Ele passa pelos gestos concretos de cuidado: dar de comer, acolher, vestir, visitar e amparar. A esperança do Reino não nos faz esperar de braços cruzados; ela nos move a reconhecer Cristo nos irmãos e irmãs, sobretudo nos que sofrem. O próprio Rei nos ensina: “cada vez que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes”.

Esse Evangelho também nos recorda, com seriedade, que nossas escolhas têm peso. A esperança cristã não significa que tanto faz amar ou não amar: Jesus nos chama a uma vida que responda ao seu amor com obras de misericórdia. Cada gesto de caridade, ainda que pequeno, pode ser sinal do Reino que esperamos. Como ensinou São João Paulo II, o Reino de Cristo é também uma tarefa confiada a nós, realizada por meio dos atos de amor descritos no Evangelho.

Neste dia, peçamos a Cristo Rei que renove em nós a esperança: a esperança de quem sabe que é cuidado pelo Bom Pastor e, por isso, pode cuidar dos outros. Que nossas comunidades sejam lugar de acolhida para quem está perdido, consolo para quem está ferido e pão para quem tem fome. Caminhemos com confiança, praticando o bem que está ao nosso alcance, até o dia em que o Senhor nos reunirá em seu Reino. Cristo reina servindo; e quem espera nele aprende também a servir.

 

HOMILIA PARA O DIA 15 DE NOVEMBRO DE 2026 - 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

CULTIVAR OS TALENTOS 

CUIDANDO DOS POBRES

 

Irmãos e irmãs, neste 33º Domingo do Tempo Comum, Jesus nos conta a parábola dos talentos. Um senhor confia seus bens aos servos e, ao voltar, pergunta o que fizeram com aquilo que receberam. A parábola nos lembra que a vida é dom e missão: Deus confia algo a cada pessoa e nos chama a fazê-lo crescer. Não recebemos todos os mesmos dons, mas todos somos chamados a responder com amor e responsabilidade. Como recordou o Papa Francisco ao refletir sobre este Evangelho, os talentos são também os dons do Senhor — sua Palavra, a Eucaristia e a força do Espírito Santo — confiados a nós para continuarmos a obra de Jesus no mundo.

Os dois primeiros servos acolhem a confiança do senhor e põem os talentos a render. O terceiro, porém, tem medo e esconde o que recebeu. Também nós podemos enterrar nossos dons quando pensamos apenas em nós mesmos, quando deixamos de servir ou esperamos que outros façam o bem em nosso lugar. Jesus nos ensina que ser fiel não é somente evitar o mal: é também praticar o bem que está ao nosso alcance. Um gesto de atenção, uma palavra que consola, um tempo oferecido a quem está só: essas pequenas sementes podem fazer crescer o amor de Deus entre nós.

Neste domingo celebramos também o Dia Mundial dos Pobres. A parábola nos pergunta se fazemos frutificar o que recebemos também em favor de quem passa necessidade. O pobre não é alguém distante da vida da Igreja: é nosso irmão e nossa irmã, cuja dignidade pede para ser reconhecida e cuidada. Na Mensagem para este Dia, o Papa Leão escreve: “O Senhor é refúgio para os pobres.” Essa esperança nos chama a não ignorar o sofrimento, mas a tornar nossa comunidade um lugar de acolhida, partilha e proteção.

Fazer render os talentos, então, não significa acumular méritos ou buscar aplausos. Significa colocar a vida a serviço: repartir o pão, visitar quem está sozinho, acolher quem foi deixado de lado e apoiar, como comunidade, ações que respondam às necessidades dos mais pobres. A mensagem do Papa recorda que a injustiça e a exclusão atingem primeiro os pobres e que sua voz tantas vezes é silenciada. Por isso, nossa caridade não pode ser indiferente nem passageira: deve reconhecer a dignidade de cada pessoa e procurar caminhos concretos de fraternidade e justiça.

Ao nos aproximarmos da mesa da Eucaristia, peçamos ao Senhor um coração generoso e corajoso. Ele nos entrega seus dons não para que os escondamos, mas para que, repartidos, levem vida aos outros. Que ninguém entre nós se julgue inútil ou sem nada para oferecer: cada pessoa pode amar, servir e fazer o bem segundo suas possibilidades. E, quando o Senhor vier, que nos encontre atentos aos irmãos e irmãs, especialmente aos pobres, e prontos para ouvir: “Muito bem, servo bom e fiel; vem participar da alegria do teu senhor.”

 

HOMILIA PARA O DIA 08 DE NOVEMBRO DE 2026 - 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

CUUIDADO E VIGILÂNCIA TODOS OS DIAS

Muitas das preocupações dos pais para com os filhos são manifestadas com as seguintes expressões: “Cuidado para onde você vai; presta atenção quando atravessar a rua; tome cuidado com a bebida; saiba escolher bem os seus amigos; não fique o tempo todo no celular; não dirija usando a internet” e assim por diante. Pois estas preocupações são situações descritas com outras palavras nos textos proclamados na liturgia desse domingo.

O autor da primeira leitura do livro da Sabedoria afirma: “Meditar sobre a sabedoria é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado”. E quem gasta seu tempo com sabedoria, a seu tempo verá que sua vida ganha sempre um novo sentido.

Novo sentido que São Paulo esclarece para a comunidade dos tessalonicenses. Paulo tinha recebido notícias positivas sobre o comportamento da comunidade de tessalônica para quem Ele mesmo tinha anunciado Jesus Cristo. Ele decide escrever para esclarecer sobre a vida futura e o que aconteceria com aqueles que morrem primeiro. O apóstolo afirma que independentemente da situação todos serão salvos nas nuvens de onde virá o Senhor Jesus – “Irmãos: não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram.

E para concluir a necessidade da vigilância e do cuidado Jesus conta uma parábola comparando o Reino de Deus com uma festa de casamento. Aqueles que souberam cuidar de si e das suas responsabilidades estarão aptos para entrar na festa do Casamento, ou seja, no Reino dos Céus. Tanto aos seguidores de Jesus da primeira hora para quem Mateus escreveu o Evangelho como para nós cristãos do século XXI o desafio é o mesmo - estar com as lâmpadas acesas e com reserva de azeite para os imprevistos do tempo.

À medida que caminhamos para a maturidade de nossas vidas peçamos a graça da vigilância e do cuidado e que possamos ver o Senhor se aproximando em cada pessoa e em cada situação de cuidado de uns para com os outros.