O BOM PASTOR: DEUS QUE
INSISTE E CUIDA
Queridos
irmãos e irmãs, povo simples e amado de Deus,
Aleluia! Nesta alegria da Páscoa que
enche o nosso coração, celebramos o Domingo do
Bom Pastor, dia em que rezamos pelas vocações. Olhemos para o céu azul, para as
ruas da nossa cidade, e pensemos: Deus não desiste de nós! Em cada linha da leitura que nos foi proposta, está presente a lógica de
um Deus que não se conforma com o fato de as pessoas rejeitarem a sua oferta de
salvação e que insiste em desafiá-los, em acordá-los, em questioná-los, até que
eles percebam onde está a verdadeira vida e a verdadeira felicidade. Este Deus é,
verdadeiramente, o Pastor que nos conduz para as nascentes de
água viva. Hoje, as Leituras nos chamam a ser como Ele: cuidadores que fazem
a diferença!
No Evangelho, Jesus diz claro: “Eu
sou a porta das ovelhas. Quem entra por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará
pastagem” (Jo 10,9). O ladrão rouba, mata, destrói; mas Jesus vem
para dar vida em abundância (Jo 10,10). Ele
entra pela porta certa, chama cada ovelha pelo nome, vai à frente (Jo 10,3-4). Não
é pastor qualquer: é o Bom Pastor, que dá a vida pelas
ovelhas.
Na Primeira Leitura, Pedro grita à
multidão: “Deus ressuscitou este Jesus (...). Arrependeam-se e cada um
de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo” (At 2,36-38). Os
ouvintes, cortados no coração, perguntam: “Que devemos fazer?” Pedro insiste:
Deus não desiste, convida à conversão, ao batismo, à vida nova!
A Segunda Leitura nos lembra: éramos
como ovelhas desgarradas, mas voltamos ao Pastor e
guia das nossas almas (1 Pd 2,25). Cristo sofreu por nós, exemplo para suportar o
mal com paciência (1 Pd 2,20-21).
E o Salmo? “O Senhor é o meu
pastor, nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas
tranquilas” (Sl 23,1-2). Mesmo no vale da sombra da morte, seu bastão e o seu cajado me dão segurança (Sl 23,4). Deus insiste:
conduz, protege, mesa posta até na presença dos inimigos (Sl 23,5).
Santo Tomás de Aquino explica: o Bom
Pastor conhece as ovelhas, chama pelo nome, dá vida eterna; ladrões destroem,
mas Ele salva.
Irmãos das nossas comunidades
simples, na cidade grande, com barulho de carros e correria, a figura de pastor para a cultura moderna e urbana não é bem assimilada. Ovelhas? Pastos?
Quem vê isso no asfalto? Mas, se falamos de cuidador, todos
entendem! Se quisermos qualificar como “cuidador” mais
facilmente todos compreenderão que pode haver “cuidadores e cuidadores”: uns fazem a
diferença no seu ambiente, outros são indiferentes.
Pensemos na
vizinhança: o vizinho que cuida do idoso sozinho, leva remédio, conversa; faz
diferença! Ou a mãe que acorda cedo, cuida dos filhos na favela, ensina com
carinho. São cuidadores como Jesus! Mas há os indiferentes: passam reto,
reclamam, só pensam em si.
Isso também
vale para os cristãos contemporâneos: muitos são comprometidos com a
causa do Evangelho e do cuidado com a vida; outros pouco ou nada se
empenham. Essa é a mensagem central das três leituras e
do salmo que rezamos na liturgia desse quarto domingo da páscoa! Pedro chama
3000 à conversão – cuidadores nascem! Cristo sofre por nós – cuida
até a morte.
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