quarta-feira, 25 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 26 DE ABRIL DE 2026 - 4º DOMINGO DA PÁSCOA

 

O BOM PASTOR: DEUS QUE INSISTE E CUIDA

 

Queridos irmãos e irmãs, povo simples e amado de Deus,

Aleluia! Nesta alegria da Páscoa que enche o nosso coração, celebramos o Domingo do Bom Pastor, dia em que rezamos pelas vocações. Olhemos para o céu azul, para as ruas da nossa cidade, e pensemos: Deus não desiste de nós! Em cada linha da leitura que nos foi proposta, está presente a lógica de um Deus que não se conforma com o fato de as pessoas rejeitarem a sua oferta de salvação e que insiste em desafiá-los, em acordá-los, em questioná-los, até que eles percebam onde está a verdadeira vida e a verdadeira felicidade. Este Deus é, verdadeiramente, o Pastor que nos conduz para as nascentes de água viva. Hoje, as Leituras nos chamam a ser como Ele: cuidadores que fazem a diferença!

No Evangelho, Jesus diz claro: “Eu sou a porta das ovelhas. Quem entra por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10,9). O ladrão rouba, mata, destrói; mas Jesus vem para dar vida em abundância (Jo 10,10). Ele entra pela porta certa, chama cada ovelha pelo nome, vai à frente (Jo 10,3-4). Não é pastor qualquer: é o Bom Pastor, que dá a vida pelas ovelhas.

Na Primeira Leitura, Pedro grita à multidão: “Deus ressuscitou este Jesus (...). Arrependeam-se e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo” (At 2,36-38). Os ouvintes, cortados no coração, perguntam: “Que devemos fazer?” Pedro insiste: Deus não desiste, convida à conversão, ao batismo, à vida nova! 

A Segunda Leitura nos lembra: éramos como ovelhas desgarradas, mas voltamos ao Pastor e guia das nossas almas (1 Pd 2,25). Cristo sofreu por nós, exemplo para suportar o mal com paciência (1 Pd 2,20-21).

E o Salmo? “O Senhor é o meu pastor, nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas” (Sl 23,1-2). Mesmo no vale da sombra da morteseu bastão e o seu cajado me dão segurança (Sl 23,4). Deus insiste: conduz, protege, mesa posta até na presença dos inimigos (Sl 23,5).

Santo Tomás de Aquino explica: o Bom Pastor conhece as ovelhas, chama pelo nome, dá vida eterna; ladrões destroem, mas Ele salva.

Irmãos das nossas comunidades simples, na cidade grande, com barulho de carros e correria, a figura de pastor para a cultura moderna e urbana não é bem assimilada. Ovelhas? Pastos? Quem vê isso no asfalto? Mas, se falamos de cuidador, todos entendem! Se quisermos qualificar como “cuidador” mais facilmente todos compreenderão que pode haver “cuidadores e cuidadores”: uns fazem a diferença no seu ambiente, outros são indiferentes.

Pensemos na vizinhança: o vizinho que cuida do idoso sozinho, leva remédio, conversa; faz diferença! Ou a mãe que acorda cedo, cuida dos filhos na favela, ensina com carinho. São cuidadores como Jesus! Mas há os indiferentes: passam reto, reclamam, só pensam em si.

Isso também vale para os cristãos contemporâneos: muitos são comprometidos com a causa do Evangelho e do cuidado com a vida; outros pouco ou nada se empenham. Essa é a mensagem central das três leituras e do salmo que rezamos na liturgia desse quarto domingo da páscoa!  Pedro chama 3000 à conversão – cuidadores nascem!  Cristo sofre por nós – cuida até a morte.

 

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