A RESSURREIÇÃO COMO FRUTO
DE UMA VIDA DE OBEDIÊNCIA
Queridos
irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,
aleluia! Nesta madrugada pascal, o sepulcro está vazio, a pedra removida, e o
Senhor vive! Reparemos como a Ressurreição de Jesus não é um fato
isolado, mas o culminar de uma vida vivida na obediência ao
Pai e na doação a todos. Após percorrer o mundo “fazendo o
bem e libertando todos os que eram oprimidos pelo demônio” (At 10,38), e
morrer na cruz como consequência desse caminho, Deus O ressuscitou. Eis o
tema desta homilia: A Ressurreição é fruto de uma vida ao serviço
do amor; e o nosso chamado a testemunhá-la no mundo novo do “primeiro dia da
semana”!
As leituras proclamam esta verdade.
Na Primeira Leitura, São Pedro confessa: “Deus ungiu
Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; Ele andou fazendo o bem e
curando a todos os que estavam sob o poder do diabo, porque Deus estava com
Ele” (At 10,38). Jesus não foi um mártir qualquer; sua vida foi
obediência total ao Pai, doação aos pobres, aos doentes, aos pecadores. Na
Cruz, esse caminho culmina: “Ele
entregou a vida por nós, e nós conhecemos o amor” (1 Jo 3,16). E Deus, fiel às
promessas, “O ressuscitou ao terceiro dia e quis que
fosse manifesto” (At 10,40).
O Salmo responsorial ecoa: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isto é
obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos” (Sl 118,22-23) A “pedra
rejeitada” é Cristo, esmagado na Cruz, mas elevado na glória! São Paulo, na
Segunda Leitura, exorta: “Se ressuscitastes com
Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo se encontra assentado à direita
de Deus. Pensai nas coisas do alto, e não nas da terra” (Cl 3,1-2). A
Ressurreição não é mágica; é a vida nova
e plena como ponto de chegada de uma existência colocada ao serviço do projeto
salvador e libertador de Deus. Como ensina o Catecismo: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que dormem” (1 Cor
15,20), garantindo nossa própria ressurreição pelo Batismo.
No Evangelho, Maria Madalena corre ao
túmulo e volta avisar aos discípulos, dois deles correra, ao túmulo: “Chegando, porém, o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro,
viu e acreditou” (Jo 20,8). Não entenderam ainda as Escrituras, mas o túmulo
vazio grita: a Morte foi vencida!
Irmãos, imagine Santa Teresa de
Calcutá, entre os moribundos de Calcutá: “fazendo o bem”, lavando feridas,
libertando oprimidos pela miséria. Sua vida não parou na Cruz da indiferença;
nela, Cristo ressuscitava diariamente! Ou pense nos mártires do século
XX, como Maximiliano Kolbe: na fome de Auschwitz, doou-se por um pai de
família. “A ressurreição de Jesus é a consequência de
uma vida gasta fazendo o bem e a libertando os oprimidos”. Hoje, em
nossas cidades, quem vence o egoísmo familiar, a mentira no trabalho, a
injustiça social – sempre que alguém se esforça por fazer triunfar
o amor –, está ressuscitando!
Como as mulheres no sepulcro (Mc
16,1-8) ou os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), cujos corações
ardiam ao reconhecer Jesus no partir do pão, nós fazemos experiência diária do
Ressuscitado: no irmão necessitado, na Eucaristia, nos milagres da graça.
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