terça-feira, 24 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 05 DE ABRIL - DOMINGO DE PÁSCOA

 

A RESSURREIÇÃO COMO FRUTO

DE UMA VIDA DE OBEDIÊNCIA

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,
aleluia! Nesta madrugada pascal, o sepulcro está vazio, a pedra removida, e o Senhor vive!  Reparemos como a Ressurreição de Jesus não é um fato isolado, mas o 
culminar de uma vida vivida na obediência ao Pai e na doação a todos. Após percorrer o mundo “fazendo o bem e libertando todos os que eram oprimidos pelo demônio (At 10,38), e morrer na cruz como consequência desse caminho, Deus O ressuscitou. Eis o tema desta homilia: A Ressurreição é fruto de uma vida ao serviço do amor; e o nosso chamado a testemunhá-la no mundo novo do “primeiro dia da semana”!

As leituras proclamam esta verdade. Na Primeira Leitura, São Pedro confessa: “Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; Ele andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam sob o poder do diabo, porque Deus estava com Ele” (At 10,38). Jesus não foi um mártir qualquer; sua vida foi obediência total ao Pai, doação aos pobres, aos doentes, aos pecadores. Na Cruz, esse caminho culmina: “Ele entregou a vida por nós, e nós conhecemos o amor” (1 Jo 3,16). E Deus, fiel às promessas, “O ressuscitou ao terceiro dia e quis que fosse manifesto” (At 10,40).

O Salmo responsorial ecoa: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos” (Sl 118,22-23) A “pedra rejeitada” é Cristo, esmagado na Cruz, mas elevado na glória! São Paulo, na Segunda Leitura, exorta: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo se encontra assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas do alto, e não nas da terra” (Cl 3,1-2). A Ressurreição não é mágica; é a vida nova e plena como ponto de chegada de uma existência colocada ao serviço do projeto salvador e libertador de Deus. Como ensina o Catecismo“Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que dormem” (1 Cor 15,20), garantindo nossa própria ressurreição pelo Batismo.

No Evangelho, Maria Madalena corre ao túmulo e volta avisar aos discípulos, dois deles correra, ao túmulo: “Chegando, porém, o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, viu e acreditou” (Jo 20,8). Não entenderam ainda as Escrituras, mas o túmulo vazio grita: a Morte foi vencida! 

Irmãos, imagine Santa Teresa de Calcutá, entre os moribundos de Calcutá: “fazendo o bem”, lavando feridas, libertando oprimidos pela miséria. Sua vida não parou na Cruz da indiferença; nela, Cristo ressuscitava diariamente!  Ou pense nos mártires do século XX, como Maximiliano Kolbe: na fome de Auschwitz, doou-se por um pai de família. “A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta fazendo o bem e a libertando os oprimidos”. Hoje, em nossas cidades, quem vence o egoísmo familiar, a mentira no trabalho, a injustiça social – sempre que alguém se esforça por fazer triunfar o amor –, está ressuscitando!

Como as mulheres no sepulcro (Mc 16,1-8) ou os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), cujos corações ardiam ao reconhecer Jesus no partir do pão, nós fazemos experiência diária do Ressuscitado: no irmão necessitado, na Eucaristia, nos milagres da graça.

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