JESUS NO
NOSSO CAMINHO DIÁRIO
Queridos
irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,
Aleluia! Nesta alegria pascal que não
cessa, o Senhor nos reúne para o Terceiro
Domingo da Páscoa, iluminados pela Palavra que queima o coração. Imaginemos dois
discípulos cabisbaixos no caminho de Emaús, carregando tristezas como as
nossas: frustrações do dia a dia, notícias de um túmulo vazio que não entendem,
esperança perdida. Eis que Jesus caminha ao nosso lado quando
menos esperamos, reacendendo a chama da ressurreição! Hoje, o Evangelho de Lucas e o
discurso de Pedro nos Atos dos Apóstolos proclamam: Deus ressuscitou o seu Filho dentre os mortos, confirmando as
promessas de Davi e selando a vitória da vida sobre a morte. Escutemos esta Boa
Nova para as nossas vidas!
Meus irmãos, quem de nós já não
trilhou o “caminho de Emaús”? Aqueles dois, Cleófas e o companheiro, iam
fugindo de Jerusalém, coração partido: «Nós esperávamos que era ele
quem iria resgatar Israel» (Lc 24,21). Para eles, o
Profeta de Nazaré, crucificado, era sonho desfeito. Nem pararam para analisar
as mulheres no túmulo vazio ou os anjos que anunciavam: «Ele está vivo!» (Lc 24,23). Não havia mais esperança. As portas do coração fechadas, como portas
trancadas pelo medo.
E nós? Quantas vezes, perante
desemprego, doença, família dividida, guerras distantes ou solidão urbana,
dizemos: «Tudo acabou»? As tristezas contemporâneas – ansiedade pelo futuro,
frustrações no trabalho, luto por entes queridos – nos levam a “Emaús”,
vilarejo de desilusão. Mas ouçamos: o caminho
dos discípulos de Emaús se compara às nossas tristezas e frustrações
contemporâneas, porém quando menos esperamos eis que Jesus caminha ao nosso
lado! Ele se aproxima: «Que estão conversando pelo
caminho?» (Lc 24,17), e começa a reacender o que perdemos: a
esperança de um novo tempo, garantida pela ressurreição.
No Evangelho, o Estranho – que os
olhos deles não reconhecem – «começando por Moisés e por todos os
Profetas, explicou-lhes o que dele estava dito em todas as Escrituras» (Lc
24,27). Jesus nos recorda tudo o que tínhamos perdido
ao longo do tempo no que se refere a esperança de um novo tempo! Ele revela: o
Messias devia sofrer para entrar na glória (Lc 24,26). Os corações
ardem: «Não nos ardia o coração, enquanto nos falava pelo caminho e nos
explicava as Escrituras?» (Lc 24,32).
Esta cena ganha eco na Primeira
Leitura: Pedro, cheio do Espírito, proclama aos judeus: «Este Jesus
Deus O ressuscitou, livrando-O das garras da morte, porque não era possível que
Ele fosse retido por ela» (At 2,24).E cita Davi: «Não
abandonarás a minha vida no Hades, nem permitirás que o teu Santo conheça a
corrupção» (At 2,27, cf. Sl 16). A cena
vivenciada pelos dois discípulos é descrita um pouco mais tarde no texto dos
Atos dos Apóstolos: Deus ressuscitou o seu Filho dentre os mortos, para provar
o que tinha dito Davi; agora se confirma a vitória da vida sobre a morte! Pedro
testemunha: Jesus, exaltado à direita de Deus, derrama o Espírito (At 2,33). O
túmulo vazio não é enigma; é prova!
A Segunda Leitura aprofunda: fomos
resgatados «não por bens perecíveis, como prata ou ouro, mas pelo
precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha» (1 Pd
1,19). Vivamos em reverência, com fé no Deus que ressuscitou Jesus.
Irmãos, recordemos São Pedro Damião,
ou pensemos em contemporâneos: uma mãe viúva, após perder o filho em acidente.
Sozinha na Missa, sente Jesus caminhar: na homilia sobre Emaús, o coração arde.
Confessa, recebe a Eucaristia – esperança renasce! Volta à paróquia, serve os
pobres. Ou o jovem depressivo, rolando redes sociais de frustrações: ouve num
retiro «Não sejam insensatos e tardos de coração» (Lc 24,25), e
Jesus explica-lhe as Escrituras pessoais – cruzes como via para glória.
Como os discípulos, não esperávamos
análise: o mundo diz “fim de esperança” com crises climáticas, divisões políticas.
Mas Jesus caminha: na liturgia, na Palavra, na fração do pão. Teófilo nota:
olhos se abrem na Eucaristia, reconhecendo o Senhor.
Esta Palavra aplica-se à nossa vida:
no trânsito irritado, Jesus pergunta: «sobre o que estão conversando?» No
hospital, explica Escrituras de esperança. Na família tensa, parte o pão da
reconciliação. Os discípulos não tinham esperado para fazer
qualquer análise das conversas sobre o túmulo vazio, para eles já não existia
mais esperança – mas Jesus transforma desespero em missão: correm de volta! Assim
também nos: voltemos dos nossos caminhos de “Emaús” – trabalho estagnado, relacionamentos
partidos – voltemos à comunidade, à Igreja viva.
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