A Comunidade Cristã:
Corpo Vivo em Torno de Cristo Ressuscitado
Queridos irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,
Nesta oitava da
Páscoa, reunimo-nos como povo de Deus para celebrar o Domingo da Divina Misericórdia, um dom que o Senhor derrama sobre
nós com abundância. Imaginemos os discípulos trancados por medo, noite escura
da alma, e de repente, Jesus aparece dizendo: “A paz esteja com vocês” (Jo
20,19). Ele, o Vivo, o Centro de tudo! Hoje, as Leituras Sagradas convidam-nos
a contemplar como Cristo Ressuscitado anima a nossa comunidade, transforma
dúvidas em fé e nos envia com esperança para um mundo sedento de misericórdia.
Na Primeira
Leitura: os primeiros cristãos “dedicavam-se à doutrina dos apóstolos,
à comunhão, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Viviam
unidos, partilhavam bens, louvavam Deus com corações alegres. Não era utopia;
era prova viva de que Jesus está entre eles, Ressuscitado! A –
reverência – invadia todos, porque os sinais dos apóstolos confirmavam: Ele
vive!
No Evangelho, Jesus
aparece no meio deles, apesar das portas fechadas pelo medo dos judeus. “Mostrou-lhes
as mãos e o lado” (Jo 20,20), e encheu-os de alegria. Ele é o centro da comunidade cristã que se estrutura na pessoa e na doutrina de
Jesus. Dele recebe a vida que anima e permite enfrentar dificuldades e
perseguições. Três vezes proclama: “A paz esteja com vocês” (Jo
20,19.21.26), reconciliando-os com Deus, consigo mesmos e entre si. Sopra
o Espírito: “Recebam o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoarem os
pecados, serão perdoados” (Jo 20,22-23). A comunidade nasce aí,
na liturgia da Palavra e na Eucaristia, no amor fraterno, no testemunho
corajoso. É nela que as pessoas encontram provas de
que Jesus está vivo!
A comunidade não é
clube fechado; é corpo vivo, enviado: “Como o Pai Me enviou, também Eu os
envio” (Jo 20,21).
E Tomé? Ausente na
primeira aparição, duvida: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos
pregos (...) não acreditarei” (Jo 20,25). Uma semana depois,
Jesus volta: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; estende a sua mão e coloca
no meu lado. Não seja incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27). Tomé
exclama: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Jesus
responde: “Porque Me viu, você acreditou. Bem-aventurados os que não
viram e creram” (Jo 20,29).
Irmãos, a experiência
de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos
os tempos podem fazer esta mesma experiência! Quantos de nós, como ele, nos fechamos
em dúvidas perante cruzes – doença, perda, solidão? Jesus misericordioso vem ao
nosso encontro, convida ao toque da fé: na Eucaristia, nos pobres, na oração.
Recordemos a
história de Santa Faustina, apóstola da Misericórdia: via Jesus ferido, mas
vivo, pedindo confiança total. Hoje, Ele nos diz: “Não duvidem, crêiam! Eu sou
o seu Senhor e seu Deus”.
A Segunda Leitura
eleva-nos: “Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: pela
sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, pela
ressurreição de Jesus Cristo dos mortos” (1 Pd 1,3). Apesar de
provações – “sofrem agora um pouco, por diversos motivos” (1
Pd 1,6) a fé genuína, mais preciosa que o ouro, leva à salvação. A identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua
entrega por amor ao Pai e ao mundo– conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança de olhos no
horizonte onde se desenha a salvação definitiva.
O Salmo ecoa: “O
seu amor é para sempre!” (Sl 118,2-4). Na comunidade primitiva,
esta esperança gerava partilha radical: vendiam bens, distribuíam segundo
necessidades (At 2,45).
Irmãos, a comunidade cristã tem de ser uma proposta diferente, que mostra aos
homens como o amor, a partilha, a doação, o serviço, a simplicidade e a alegria
são geradores de vida e não de morte! Num mundo de egoísmo, competições,
divisões, sejamos como aqueles primeiros cristãos: unidos na fração do pão –
Eucaristia viva! – alegres no louvor, generosos no serviço. O Ressuscitado
anima-nos para enfrentar perseguições: sejam misericórdia uns para os outros,
perdoem setenta vezes sete.
1.
Reunam-se em torno de Jesus: Toda semana,
fração do pão e Missa, comunhão fraterna – não faltem!
2.
Façam a experiência de Tomé: Na confissão,
toquem as chagas de Cristo; creiam sem ver, com atos de misericórdia (visitem
doentes, alimentem famintos).
3.
Identifiquem-se com Cristo: Ofereçam sofrimentos
com esperança; partilhem bens – tempo, sorriso, ajuda material.
4.
Sejam proposta viva: Na família,
trabalho, rua, mostrem amor que gera vida: simplicidade no consumo, serviço aos
idosos, alegria no louvor.
Assim, o mundo acreditará:
Jesus vive em nós!
Queridos irmãos,
no Domingo da Divina Misericórdia, Jesus
Ressuscitado é o nosso Centro: anima a comunidade, cura dúvidas, infunde
esperança, envia-nos como sinal de vida. Como em Atos, sejamos prova viva Dele;
como Tomé, cremos exclamando “Meu Senhor!”; como Pedro, vivemos na esperança da
salvação.
Vão em paz,
misericordiosos como o Pai! E rezemos juntos a oração da Divina Misericórdia:
“Deus eterno, Pai
misericordioso, que revelastes o coração amoroso do Seu Filho Jesus, pela
intercessão de Santa Faustina, concede-nos a graça da Divina Misericórdia: para
que, crendo sem ver, vivamos na esperança e sejamos sinal de vida para o mundo.
Amém.”
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