quarta-feira, 25 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 12 DE ABRIL 2026 - 2º DOMINGO DA PÁSCOA - DIA DA DIVINA MISERICÓRDIA

 

A Comunidade Cristã:

Corpo Vivo em Torno de Cristo Ressuscitado

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,

Nesta oitava da Páscoa, reunimo-nos como povo de Deus para celebrar o Domingo da Divina Misericórdia, um dom que o Senhor derrama sobre nós com abundância. Imaginemos os discípulos trancados por medo, noite escura da alma, e de repente, Jesus aparece dizendo: “A paz esteja com vocês” (Jo 20,19). Ele, o Vivo, o Centro de tudo! Hoje, as Leituras Sagradas convidam-nos a contemplar como Cristo Ressuscitado anima a nossa comunidade, transforma dúvidas em fé e nos envia com esperança para um mundo sedento de misericórdia.

Na Primeira Leitura: os primeiros cristãos “dedicavam-se à doutrina dos apóstolos, à comunhão, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Viviam unidos, partilhavam bens, louvavam Deus com corações alegres. Não era utopia; era prova viva de que Jesus está entre eles, Ressuscitado! A – reverência – invadia todos, porque os sinais dos apóstolos confirmavam: Ele vive! 

No Evangelho, Jesus aparece no meio deles, apesar das portas fechadas pelo medo dos judeus. “Mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20), e encheu-os de alegria. Ele é o centro da comunidade cristã que se estrutura na pessoa e na doutrina de Jesus. Dele recebe a vida que anima e permite enfrentar dificuldades e perseguições. Três vezes proclama: “A paz esteja com vocês” (Jo 20,19.21.26), reconciliando-os com Deus, consigo mesmos e entre si. Sopra o Espírito: “Recebam o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoarem os pecados, serão perdoados” (Jo 20,22-23). A comunidade nasce aí, na liturgia da Palavra e na Eucaristia, no amor fraterno, no testemunho corajoso. É nela que as pessoas encontram provas de que Jesus está vivo!

A comunidade não é clube fechado; é corpo vivo, enviado: “Como o Pai Me enviou, também Eu os envio” (Jo 20,21).

E Tomé? Ausente na primeira aparição, duvida: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos pregos (...) não acreditarei” (Jo 20,25). Uma semana depois, Jesus volta: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; estende a sua mão e coloca no meu lado. Não seja incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27). Tomé exclama: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Jesus responde: “Porque Me viu, você acreditou. Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20,29).

Irmãos, a experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência! Quantos de nós, como ele, nos fechamos em dúvidas perante cruzes – doença, perda, solidão? Jesus misericordioso vem ao nosso encontro, convida ao toque da fé: na Eucaristia, nos pobres, na oração.

Recordemos a história de Santa Faustina, apóstola da Misericórdia: via Jesus ferido, mas vivo, pedindo confiança total. Hoje, Ele nos diz: “Não duvidem, crêiam! Eu sou o seu Senhor e seu Deus”.

A Segunda Leitura eleva-nos: “Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: pela sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo dos mortos” (1 Pd 1,3). Apesar de provações – “sofrem agora um pouco, por diversos motivos” (1 Pd 1,6) a fé genuína, mais preciosa que o ouro, leva à salvação. A identificação de cada crente com Cristo – nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e ao mundo– conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança de olhos no horizonte onde se desenha a salvação definitiva.

O Salmo ecoa: “O seu amor é para sempre!” (Sl 118,2-4). Na comunidade primitiva, esta esperança gerava partilha radical: vendiam bens, distribuíam segundo necessidades (At 2,45). 

Irmãos, a comunidade cristã tem de ser uma proposta diferente, que mostra aos homens como o amor, a partilha, a doação, o serviço, a simplicidade e a alegria são geradores de vida e não de morte! Num mundo de egoísmo, competições, divisões, sejamos como aqueles primeiros cristãos: unidos na fração do pão – Eucaristia viva! – alegres no louvor, generosos no serviço. O Ressuscitado anima-nos para enfrentar perseguições: sejam misericórdia uns para os outros, perdoem setenta vezes sete.

1.               Reunam-se em torno de Jesus: Toda semana, fração do pão e Missa, comunhão fraterna – não faltem!

2.               Façam a experiência de Tomé: Na confissão, toquem as chagas de Cristo; creiam sem ver, com atos de misericórdia (visitem doentes, alimentem famintos).

3.               Identifiquem-se com Cristo: Ofereçam sofrimentos com esperança; partilhem bens – tempo, sorriso, ajuda material.

4.               Sejam proposta viva: Na família, trabalho, rua, mostrem amor que gera vida: simplicidade no consumo, serviço aos idosos, alegria no louvor.

Assim, o mundo acreditará: Jesus vive em nós!

Queridos irmãos, no Domingo da Divina Misericórdia, Jesus Ressuscitado é o nosso Centro: anima a comunidade, cura dúvidas, infunde esperança, envia-nos como sinal de vida. Como em Atos, sejamos prova viva Dele; como Tomé, cremos exclamando “Meu Senhor!”; como Pedro, vivemos na esperança da salvação.

Vão em paz, misericordiosos como o Pai! E rezemos juntos a oração da Divina Misericórdia:

“Deus eterno, Pai misericordioso, que revelastes o coração amoroso do Seu Filho Jesus, pela intercessão de Santa Faustina, concede-nos a graça da Divina Misericórdia: para que, crendo sem ver, vivamos na esperança e sejamos sinal de vida para o mundo. Amém.”

 

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