SANGUE DE CRISTO PURIFICAI-NOS!
Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
hoje, na Sexta-feira da Paixão, contemplamos o ápice do sofrimento do nosso
Salvador. “Um soldado abriu-lhe o lado com a lança, e
logo saiu sangue e água” (Jo 19,34). Este gesto cruel, sem sentido aparente, revela
o Coração de Jesus transpassado, fonte inesgotável
de graças. Irmãos, eis o nosso pedido: “Coração de
Jesus, faça o nosso coração semelhante ao Seu!”
A Fonte da Salvação que Jorra do Lado de Cristo
Na Cruz, Jesus
dorme o sono da morte, do seu lado aberto, não brota ódio, mas sangue e água, símbolos da vida nova. Os Padres da Igreja viram nisso o mistério da
salvação: o sangue para a redenção, como preço da
nossa liberdade (1 Pd 1,18-19), e a água para a
purificação, banho do Batismo que lava as nossas culpas (Ez 36,25). Santo
Tomás de Aquino explica: “Do lado de Cristo, jorrou água para lavar e sangue
para redimir. Daí o sangue associado à Eucaristia, a água ao Batismo”. São
Cirilo de Jerusalém e Rufino de Aquileia completam: é graça para os fiéis e
juízo para os infiéis; Batismo de água e Batismo de sangue do martírio. Assim,
o Coração perfurado de Jesus resume toda a sua vida de Salvador: amor que se
doa até o fim.
Exemplos da Tradição: Sangue e Água nos Sacramentos
Pensem, irmãos, na
história da Igreja! Este sangue e água são os canais extraordinários da graça e da salvação, os sete
sacramentos instituídos por Cristo. No Batismo, a água nos regenera; na
Eucaristia, o sangue nos nutre. São João Paulo II nos recorda: no Coração de
Jesus, “o amor misericordioso do Pai se derrama no mundo”. Como na lança do
centurião, que abriu a porta da vida eterna (Ap 4,1), cada sacramento nos
faz experimentar o amor, a bondade e o sofrimento de Jesus por cada um de nós.
Aplicação à Nossa Vida Cotidiana
Hoje, em meio às
nossas cruzes – dores familiares, provações do trabalho, tentações do mundo –,
aproximemo-nos desta fonte. Não permita,
Senhor, que eu me separe de Vós! Deixe que o Seu Coração
transforme o nosso: de pedra em carne, de egoísmo em doação. Na Paixão, Jesus
não retém nada; nós, sejamos como Ele, perdoando, servindo, amando até sangrar.
Exortação: Um Plano Concreto
Irmãos, saiamos
desta liturgia com um compromisso: rezar
diariamente ao Coração de Jesus, visitar o Santíssimo, confessar-se com
frequência. Fazer da Via-Sacra uma escola de amor. Assim, construiremos a
“civilização do Coração de Cristo” sobre as ruínas do ódio.
Conclusão e Oração
Coração de Jesus, faça o nosso coração semelhante ao Seu! Que o sangue
e a água nos lavem e nos salvem. Maria, Mãe das Dores, obtenha-nos esta graça.
Amém.
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