O AMOR DE JESUS
PARTILHADO COM A NOSSA HUMANIDADE
Queridos irmãos e irmãs em Cristo!
Bom dia! Hoje, no Domingo de Ramos, agitamos
ramos de palmeiras e oliveiras, aclamando Jesus como nosso Rei que entra em
Jerusalém. Mas logo em seguida, as vozes de "Hosana!" dão lugar ao
silêncio da cruz. Que mistério tão bonito! É o amor de Deus que desce até nós, armando
sua tenda na nossa fragilidade humana. Nesta Semana Santa de 2026, a Quaresma
nos leva ao coração dessa história: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, a
lição mais extraordinária de um amor que se faz gente para
nos salvar.
Vamos mergulhar nas leituras de hoje, que tecem
um fio dourado de confiança e serviço.
Na
primeira leitura, o profeta Isaías nos mostra o Servo Sofredor. Imaginem
alguém que enfrenta tapas, cusparadas e humilhações, mas não abre a boca para
reclamar. Ele confia no Senhor, que o sustenta. Os primeiros cristãos viram ali
a figura de Jesus – o protótipo perfeito de quem aposta tudo em Deus, mesmo nas
piores contrariedades da vida. Não é alguém forte por si só, mas fortalecido pelo
Pai.
São Paulo, na carta aos Filipenses, nos canta um hino
maravilhoso sobre Jesus. Ele, que era Deus, não se apegou à sua
igualdade com Deus, mas esvaziou-se, tornando-se servo. Obedeceu
até a morte – e que morte! na cruz. Paulo diz isso para uma comunidade cheia de
brigas: "Imitem Jesus, que serve sem reservas!".
E no Evangelho de Mateus, entramos no drama da Paixão. Tudo
começa com festa: multidões com ramos, gritando "Bendito o que vem em nome
do Senhor!". Jesus é o Rei esperado! Mas logo vem a traição, o julgamento,
os chicotes e a cruz. Mateus repete várias vezes: "Assim se cumpriu o que
estava escrito nas Escrituras". Jesus enfrenta tudo com serenidade,
confiando no Pai. Na cruz, Ele não guarda nada para si: o amor escancarado, que
perdoa até os carrascos. E o Pai não o abandona – nem a nós abandona, se
confiarmos Nele.
Vejam o contraste profundo: enquanto Adão, no paraíso, trouxe dor, tristeza e
fracasso ao desobedecer, Jesus traz exaltação e vida
eterna pela obediência perfeita. A cruz não é o fim – é o caminho
para a glória!
Agora, permitam-me ilustrar isso com histórias
da vida real, para que toque o nosso coração.
,Pense na
vovó Maria, da nossa paróquia, que cuida sozinha dos netos órfãos. Todo dia é
uma cruz: noites sem dormir, contas apertadas, solidão. A sociedade aplaude os
"vencedores" – os ricos, famosos, que pisam nos outros para subir.
Mas ela? Ela é o Servo Sofredor! Confia em Deus, serve sem reclamar, e vê
milagres: os netos crescendo fortes na fé. Ou lembrem do Padre João,
missionário no sertão, que enfrenta secas e doenças, mas leva Jesus aos
esquecidos. Não é herói de novela, mas herói da cruz, como
Jesus.
E na nossa sociedade de hoje, em 2026, com redes sociais cheias
de selfies, fakes e sucessos falsos?
Quantos jovens se matam de trabalhar por likes,
esquecendo o serviço aos pobres. Jesus entra em Jerusalém montado num
jumentinho humilde – não num carro de luxo! Ele nos ensina: o verdadeiro rei
serve, não domina.
Como isso se aplica à nossa vida cotidiana?
Irmãos,
cada um carrega uma cruz: doença, desemprego, família brigada, solidão no
trânsito caótico de São Paulo ou no campo seco do interior. A Quaresma nos
mostra que a vida não é um caminho de fracassados. Com a
cruz de cada dia, vislumbramos o Domingo de Páscoa: a pedra
rolada, o túmulo vazio, a vitória da ressurreição! Jesus partilha Seu amor
conosco, tornando-Se humano para nos elevar. Não somos Adão, caídos no egoísmo;
somos cristãos, chamados à exaltação pelo serviço.
Na Missa de hoje, ao agitar os ramos, gritemos
"Hosana!", mas preparem o coração para a Quinta-feira Santa, a Sexta
da Paixão. Vivam isso em casa: perdoem o esposo rabugento, ajudem o vizinho
idoso, jejuem das fofocas no WhatsApp. O amor de Jesus não é teoria – é partilha
concreta!
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