terça-feira, 24 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 04 DE ABRIL - SÁBADO SANTO

 O SILÊNCIO QUE FALA DE ESPERANÇA

 

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo, Que Deus está no princípio de todas as coisas é ponto pacífico, como nos revela a liturgia da Vigília Pascal: desde a criação, marcada pela mão divina, até a travessia do deserto rumo à Terra Prometida, Deus intervém na história para salvar os que O amam.


A Mão de Deus na Criação e na História:
Deus forma o mundo do nada, separa luz das trevas, e no Êxodo liberta Israel das águas do Mar Vermelho, guiando-o pelo deserto a um novo estilo de vida e São Paulo nos confirma: “Todos participamos dos sofrimentos e da morte de Cristo e com Ele ressuscitamos” (cf. Hb 4,14-16; 5,7-9) Jesus, nosso Sumo Sacerdote, aprendeu a obediência pelo sofrimento e tornou-se fonte de salvação eterna. Como as mulheres que, de madrugada, correram ao sepulcro vazio, e os discípulos chamados a encontrá-Lo na Galileia, nós somos convidados a essa experiência pascal.


Pensem na Virgem Maria, ícone deste dia: em silêncio, ela espera, confiante na Palavra do Senhor o sábado santo é terra de ninguém entre Morte e Ressurreição, onde Cristo, solidário com os mortos, enche o vazio com misericórdia infinita.


Hoje, em nossas noites escuras – lutos, incertezas, solidão –, Deus intervém como no deserto: maná de graça, coluna de fogo. Participando dos sofrimentos de Cristo na Missa, no jejum, na oração, ressuscitamos com Ele no Batismo e na Eucaristia.

Vivamos a Espera Ativa

Irmãos, fazendo deste Sábado um retiro: conforme rezamos nos Salmos, “Sê forte, e o teu coração será corajoso, todos vós que esperais no Senhor!” (Sl 31,25).

No silêncio, Deus age; na espera, vence a Morte! Cantemos já a vitória de Cristo: “Eu vos louvarei, Senhor, com todo o meu coração” (Sl 31). Maria, a mãe da esperança, intercede por nós. Amém.

 

HOMILIA PARA O DIA 03 DE ABRIL DE 2026 - SEXTA FEIRA DA PAIXÃO

 

SANGUE DE CRISTO PURIFICAI-NOS!

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
hoje, na Sexta-feira da Paixão, contemplamos o ápice do sofrimento do nosso Salvador. 
“Um soldado abriu-lhe o lado com a lança, e logo saiu sangue e água (Jo 19,34). Este gesto cruel, sem sentido aparente, revela o Coração de Jesus transpassado, fonte inesgotável de graças. Irmãos, eis o nosso pedido: “Coração de Jesus, faça o nosso coração semelhante ao Seu!”

A Fonte da Salvação que Jorra do Lado de Cristo

Na Cruz, Jesus dorme o sono da morte, do seu lado aberto, não brota ódio, mas sangue e água, símbolos da vida nova. Os Padres da Igreja viram nisso o mistério da salvação: o sangue para a redenção, como preço da nossa liberdade (1 Pd 1,18-19), e a água para a purificação, banho do Batismo que lava as nossas culpas (Ez 36,25). Santo Tomás de Aquino explica: “Do lado de Cristo, jorrou água para lavar e sangue para redimir. Daí o sangue associado à Eucaristia, a água ao Batismo”. São Cirilo de Jerusalém e Rufino de Aquileia completam: é graça para os fiéis e juízo para os infiéis; Batismo de água e Batismo de sangue do martírio. Assim, o Coração perfurado de Jesus resume toda a sua vida de Salvador: amor que se doa até o fim.

Exemplos da Tradição: Sangue e Água nos Sacramentos

Pensem, irmãos, na história da Igreja! Este sangue e água são os canais extraordinários da graça e da salvação, os sete sacramentos instituídos por Cristo. No Batismo, a água nos regenera; na Eucaristia, o sangue nos nutre. São João Paulo II nos recorda: no Coração de Jesus, “o amor misericordioso do Pai se derrama no mundo”. Como na lança do centurião, que abriu a porta da vida eterna (Ap 4,1), cada sacramento nos faz experimentar o amor, a bondade e o sofrimento de Jesus por cada um de nós.

Aplicação à Nossa Vida Cotidiana

Hoje, em meio às nossas cruzes – dores familiares, provações do trabalho, tentações do mundo –, aproximemo-nos desta fonte. Não permita, Senhor, que eu me separe de Vós! Deixe que o Seu Coração transforme o nosso: de pedra em carne, de egoísmo em doação. Na Paixão, Jesus não retém nada; nós, sejamos como Ele, perdoando, servindo, amando até sangrar.

Exortação: Um Plano Concreto

Irmãos, saiamos desta liturgia com um compromisso: rezar diariamente ao Coração de Jesus, visitar o Santíssimo, confessar-se com frequência. Fazer da Via-Sacra uma escola de amor. Assim, construiremos a “civilização do Coração de Cristo” sobre as ruínas do ódio.

Conclusão e Oração

Coração de Jesus, faça o nosso coração semelhante ao Seu! Que o sangue e a água nos lavem e nos salvem. Maria, Mãe das Dores, obtenha-nos esta graça. Amém.

 

 

 

sábado, 21 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 02 DE ABRIL DE 2026 - QUINTA FEIRA SANTA

  CORPO DADO E SANGUE DERRAMADO PARA A VIDA DO MUNDO!

Queridos irmãos e irmãs,


Nesta 
Quinta-feira Santa, entramos no Cenáculo com Jesus e os discípulos. A ceia, que começou como memória dos antepassados na Páscoa judaica, explode em aliança eterna! Jesus transforma o pão e o vinho em Seu Corpo dado e Sangue derramado, novo maná para a vida do mundo. "Tomem e comam, tomem e bebam – isto é a Minha vida para vocês!", projeta Ele, garantindo a salvação para todos os povos.

As leituras de hoje nos guiam nessa maravilha.
Gênesis fala da aliança com Abraão: Deus promete ser Pai eterno.

Mas Jesus une Eucaristia e serviço! "Façam isso em memória de Mim" não é só comer o Pão – é partir e repartir, adorar Cristo presente, e lavar os pés uns dos outros, como Ele fez. Os primeiros cristãos entenderam: Missa é banquete de irmãos, não clube de egoístas.

Cuidado com Judas à mesa! Ele trai o Mestre por moedas, vendendo sua dignidade. A Paixão começa no Cenáculo, com o traidor sentado ao lado de Jesus. O Senhor sabia, sentiu tristeza pela infelicidade de quem O rejeita como Messias. Não sejamos como ele – fingindo desentendidos!

Hoje, concluindo a Quaresma de 2026, apliquemos isso na vida real. Reconheçamos Jesus no faminto, no doente, no irmão irritante ao lado. Sejamos coerentes: Eucaristia recebida vira serviço dado!

esta noite, após a Missa, lavemos os pés em casa – perdoemos, sirvamos, rezemos juntos. Peçamos perdão: "Senhor, perdoa quando não Te vimos nos que caminham conosco".

Ó Jesus Eucaristia, Corpo e Sangue por nós,
ensina-nos a partir o pão e lavar pés.
Faze-nos fiéis à Sua memória viva. Amém.

Vamos em paz, servindo como Ele!

HOMILIA PARA O DIA 29 DE MARÇO DE 2026 - 2ª OPÇÃO - DOMINGO DE RAMOS

 

O AMOR DE JESUS PARTILHADO COM A NOSSA HUMANIDADE

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo!


Bom dia! Hoje, no 
Domingo de Ramos, agitamos ramos de palmeiras e oliveiras, aclamando Jesus como nosso Rei que entra em Jerusalém. Mas logo em seguida, as vozes de "Hosana!" dão lugar ao silêncio da cruz. Que mistério tão bonito! É o amor de Deus que desce até nós, armando sua tenda na nossa fragilidade humana. Nesta Semana Santa de 2026, a Quaresma nos leva ao coração dessa história: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, a lição mais extraordinária de um amor que se faz gente para nos salvar.

Vamos mergulhar nas leituras de hoje, que tecem um fio dourado de confiança e serviço.

Na primeira leitura, o profeta Isaías nos mostra o Servo Sofredor. Imaginem alguém que enfrenta tapas, cusparadas e humilhações, mas não abre a boca para reclamar. Ele confia no Senhor, que o sustenta. Os primeiros cristãos viram ali a figura de Jesus – o protótipo perfeito de quem aposta tudo em Deus, mesmo nas piores contrariedades da vida. Não é alguém forte por si só, mas fortalecido pelo Pai.

São Paulo, na carta aos Filipenses, nos canta um hino maravilhoso sobre Jesus. Ele, que era Deus, não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, tornando-se servo. Obedeceu até a morte – e que morte! na cruz. Paulo diz isso para uma comunidade cheia de brigas: "Imitem Jesus, que serve sem reservas!".

E no Evangelho de Mateus, entramos no drama da Paixão. Tudo começa com festa: multidões com ramos, gritando "Bendito o que vem em nome do Senhor!". Jesus é o Rei esperado! Mas logo vem a traição, o julgamento, os chicotes e a cruz. Mateus repete várias vezes: "Assim se cumpriu o que estava escrito nas Escrituras". Jesus enfrenta tudo com serenidade, confiando no Pai. Na cruz, Ele não guarda nada para si: o amor escancarado, que perdoa até os carrascos. E o Pai não o abandona – nem a nós abandona, se confiarmos Nele.

Vejam o contraste profundo: enquanto Adão, no paraíso, trouxe dor, tristeza e fracasso ao desobedecer, Jesus traz exaltação e vida eterna pela obediência perfeita. A cruz não é o fim – é o caminho para a glória!

Agora, permitam-me ilustrar isso com histórias da vida real, para que toque o nosso coração.

,Pense na vovó Maria, da nossa paróquia, que cuida sozinha dos netos órfãos. Todo dia é uma cruz: noites sem dormir, contas apertadas, solidão. A sociedade aplaude os "vencedores" – os ricos, famosos, que pisam nos outros para subir. Mas ela? Ela é o Servo Sofredor! Confia em Deus, serve sem reclamar, e vê milagres: os netos crescendo fortes na fé. Ou lembrem do Padre João, missionário no sertão, que enfrenta secas e doenças, mas leva Jesus aos esquecidos. Não é herói de novela, mas herói da cruz, como Jesus.

E na nossa sociedade de hoje, em 2026, com redes sociais cheias de selfies, fakes e sucessos falsos? Quantos jovens se matam de trabalhar por likes, esquecendo o serviço aos pobres. Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho humilde – não num carro de luxo! Ele nos ensina: o verdadeiro rei serve, não domina.

Como isso se aplica à nossa vida cotidiana?

Irmãos, cada um carrega uma cruz: doença, desemprego, família brigada, solidão no trânsito caótico de São Paulo ou no campo seco do interior. A Quaresma nos mostra que a vida não é um caminho de fracassados. Com a cruz de cada dia, vislumbramos o Domingo de Páscoa: a pedra rolada, o túmulo vazio, a vitória da ressurreição! Jesus partilha Seu amor conosco, tornando-Se humano para nos elevar. Não somos Adão, caídos no egoísmo; somos cristãos, chamados à exaltação pelo serviço.

Na Missa de hoje, ao agitar os ramos, gritemos "Hosana!", mas preparem o coração para a Quinta-feira Santa, a Sexta da Paixão. Vivam isso em casa: perdoem o esposo rabugento, ajudem o vizinho idoso, jejuem das fofocas no WhatsApp. O amor de Jesus não é teoria – é partilha concreta!

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 29 DE MARÇO DE 2026 - DOMNGO DE RAMOS

 

AMOR PARTILHADO COM A NOSSA HUMANIDADE

Que Deus desceu e na pessoa de Jesus Cristo armou sua tenda entre nós, já é um ponto pacífico para todos. A caminhada da quaresma com sua culminância na paixão, morte e ressurreição nos leva para a lição mais extraordinária do amor divino que se faz gente.

Na primeira leitura o profeta nos apresenta o servo sofredor, que mais tarde os cristãos associaram à pessoa de Jesus Cristo. A figura do servo sofredor é o protótipo de alguém que confia em Deus mesmo diante de todas as contrariedades da vida.

São Paulo escreve para a comunidade dos filipenses e reforça a atitude de Jesus obediente e pronto para servir até o ponto de entregar a própria vida.

No Evangelho contemplamos como depois dos momentos de saudação vitoriosa como o Rei esperado, Jesus enfrenta com serenidade a paixão e a morte como razão e por uma causa nobre. Na cruz temos o amor escancarado que nada guarda para si.
O Evangelista Mateus reafirma diversas vezes que as atitudes de Jesus durante sua paixão tinham por objetivo cumprir o que estava nas escrituras e confirma sua confiança no Pai que não lhe abandonou, como também não abandona aqueles que nele confiam.

Em última análise, enquanto Adão trouxe a dor, a tristeza, o sofrimento e fracasso, Cristo trouxe a exaltação e vida definitiva. Muitas vezes também a sociedade contemporânea apresenta como modelos, os ganhadores, não os que põe a sua vida a serviço, mas em Jesus temos garantido que os acontecimentos dessa semana nos garantem que a vida não é um caminho de fracassados, mesmo com a cruz de cada dia vislumbramos o domingo da páscoa, a pedra removida e o sepulcro vazio.

 

 

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

HOMILIA PARA O DIA 22 DE MARÇO DE 2026 - 5º DOMINGO DA QUARESMA


DEUS, O SENHOR DA VIDA!

 

Imaginemos por um instante aquela cena que muitos de nós já vivemos ou testemunhamos: uma família reunida ao redor da mesa de jantar, rindo das histórias do dia, quando o telefone toca. É o hospital: "Seu pai sofreu um infarto grave. Venham rápido." O mundo desaba. Lágrimas, desespero, aquela pergunta que queima o peito: "Por quê, Senhor? Por que agora, quando tudo parecia bem?" A morte invade como um ladrão, sem aviso, deixando um vazio que nenhum remédio cura. Hoje, no coração da Quaresma, a liturgia nos grita com força: Deus é o Senhor da vida! Ele não nos livra das dores da finitude humana, mas as transforma em portas para a vida eterna, revelada em Jesus Cristo, que é a ressurreição e a vida.

 

Já percorremos mais da metade do caminho quaresmal. Estamos no 5º Domingo da Quaresma, e a Palavra de Deus nos coloca novamente diante de uma verdade essencial da fé: a morte, essa dor sem remédio imediato, ganha sentido à luz da vida definitiva que Jesus nos oferece. Como os exilados na Babilônia – aqueles ossos secos do vale, sem esperança, sem fôlego –, nós enfrentamos desânimo e frustrações que ecoam em nossas comunidades hoje. A primeira leitura nos lembra: Deus promete abrir sepulturas, fazer voltar o Espírito e nos colocar em nossa terra. Não é poesia vazia; é profecia que se cumpre em Cristo! No Salmo todos clamamos: "Das profundezas clamo a ti, Senhor", e Paulo, na segunda leitura assegura: o Espírito que ressuscitou Jesus habita em nós, vivificando nossos corpos mortais. Tudo converge para o Evangelho: a ressurreição de Lázaro, sinal supremo de que onde está Jesus, a morte vira passagem para a glória.

Vejamos o fio condutor das leituras. No Antigo Testamento, Ezequiel vê um vale de ossos secos – imagem do exílio babilônico, da morte espiritual e física do povo. É Deus recriando esperança onde só havia pó. Paulo aprofunda: "Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos dará também a vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós" Teologicamente, isso aponta para a ressurreição final: todos os mortos ressuscitarão, os justos para a vida eterna, os ímpios para o juízo.

O Evangelho de João é o ponto alto. Lázaro, amigo íntimo de Jesus, adoece. As irmãs mandam dizer: "Senhor, eis que está enfermo aquele que amas" Jesus demora dois dias – por quê? Para que a morte seja real, o milagre inegável: Lázaro já cheira a decomposição após quatro dias no túmulo Marta sai ao encontro: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido" Jesus responde: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá. Crês tu nisso?" Marta professa fé: "Sim, Senhor! [...] Tu és o Cristo, o Filho de Deus" Maria chora aos pés de Jesus, que se comove, perturba-se e chora. Diante do túmulo: "Tirai a pedra!"... "Lázaro, sai para fora!" O morto emerge, amortalhado. "Desatai-o e deixai-o ir".

Pense naquela família do telefone à mesa. O pai resiste à morte por dias, como Lázaro no túmulo. A esposa, como Marta, questiona: "Por quê?" Mas reza, une-se à comunidade em vigília. No funeral, alguém lê João 11: "Eu sou a ressurreição". Lágrimas fluem, mas surge paz: o Espírito sopra, recriando laços fraternos rompidos pela dor.

No cotidiano: divórcio que rompe fraternidade, luto por filho perdido, desemprego que enterra sonhos – Deus não abandona; Ele recria, como sopro nos ossos secos.

Ser amigo de Jesus, como Lázaro, não isenta das vicissitudes humanas. Ele amava aquela família, mas permitiu a morte – provação necessária para glória maior. Na Quaresma, nossas fragilidades (doença, solidão, rupturas familiares) são túmulos onde Jesus clama: "Sai para fora!" Não pare no choro – Jesus chorou! – mas creia: os que morrem encontram em Deus a plenitude da vida.

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 15 DE MARÇO DE 2026 - 4º DOMINGO DA QUARESMA

 

JESUS CRISTO LUZ DO MUNDO!

Neste domingo damos o quarto passo no caminho quaresmal rumo ao encontro com Jesus Ressuscitado. As leituras da Palavra de Deus nos colocam diante da necessidade de caminhar na luz para ir com segurança nas estradas da vida.

São Paulo na carta aos efésios que é a segunda leitura deste domingo propõe para todos que se recusem viver nas trevas e que para isso é preciso praticar as obras de Deus: bondade, justiça, verdade.

Samuel, na primeira leitura não fala propriamente de luz mas deixa claro quais são os caminhos de Deus. Como se diz na atualidade: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. E no caso de Davi é exatamente isso que acontece, todos os outros irmãos tinham melhores condições para assumir o reinado. Porém, quem vê cara não vê coração. E Deus viu o coração de Davi e ordenou que fosse o escolhido. Tal como Davi todos nós fomos ungidos no dia do nosso batismo e por essa unção feitos testemunhas da luz.

No Evangelho Jesus se apresenta como “luz do mundo” e ao fazer o cego enxergar mostra que sua missão é libertar as pessoas das trevas, do egoísmo, da fofoca que os faz cegos no meio da luz.

Jesus ensina que é necessário aprender a respeitar a dignidade das pessoas mesmo quando elas não parecem ter importância ou influência na sociedade.

Que a penitência da quaresma nos ajude a reencontrar a verdadeira luz que é Cristo.  

 

HOMILIA PARA O DIA 08 DE MARÇO DE 2026 - 3º DOMINGO DA PÁSCOA

 

SENHOR, DÁ-NOS SEMPRE ÁGUA VIVA!


Cada domingo da quaresma representa mais um passo dado no caminho da verdadeira vida e do encontro com o Senhor Ressuscitado. Ao mesmo tempo, cada domingo pede de nós a capacidade de deixar para trás certas seguranças e promessas que abraçamos como definitivas e únicas ao longo de nossa existência.

Na primeira leitura, os conterrâneos de Moisés não haviam se dado conta de quanto Deus tinham realizado em seu favor ao longo de sua caminhada pelo deserto e, presos às suas próprias conquistas e costumes, murmuravam contra Moisés e contra o Senhor. Orientando Moisés para ir à frente deles, acompanhado de alguns sábios que viviam no meio do povo, Deus mostra como continua presente — e não somente para saciar a sua sede, mas para mostrar sua segurança e encorajar seus corações. Como aconteceu quando passou a pé enxuto o Mar Vermelho, com a mesma vara agora Moisés faz brotar água de um lugar que, pelo relato, parece impossível.

No Evangelho, a Mulher Samaritana — que não tem nome — representa cada um de nós com nossas certezas, expectativas de progresso, busca de realização pessoal, promessas de liberdade e até de riqueza fácil: tudo isso não passa de um balde vazio a ser abandonado, como o cântaro deixado por ela quando encontrou Jesus, a verdadeira fonte de água viva que jorra para a vida!

Neste espírito, lembramos também o Dia Internacional da Mulher. Diante das dificuldades, da violência e da desvalorização que tantas mulheres ainda sofrem, vemos nelas a força de quem sabe “buscar água viva”: coragem para denunciar o que fere a dignidade, sabedoria para reconstruir caminhos de paz, e fé para transformar desertos em fontes. Como a Samaritana, as mulheres contemporâneas continuam a abrir diálogos, a curar feridas e a anunciar vida nova, tornando-se sinais da presença de Deus no meio da história.

Em resumo, a Palavra de Deus deste domingo nos dá uma indicação: Deus nos acompanha em todas as situações e nunca deixará de saciar a nossa sede; Ele esteve e estará caminhando ao nosso lado nos desertos da história. Não tenhamos medo de deixar o balde das nossas certezas e anunciar que encontramos Jesus a fonte de água viva!

 

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

HOMILIA PARA O DIA 01 DE MARÇO DE 2026 - 2º DOMINGO DA QUARESMA

 

QUARESMA, TEMPO DE ESCUTAR O FILHO AMADO

Irmãos e irmãs, hoje a Palavra de Deus nos conduz ao monte da Transfiguração (Mt 17,1-9) e ao coração do testemunho. (2Tm 1,8b-10). Ali Deus revela quem é Jesus e quem devemos ser nós: discípulos que escutam o Filho amado e servidores que anunciam calorosamente a salvação. Entre o brilho do Tabor e as sombras de Jerusalém, aprendendo que a fé não nos afasta da cruz, mas nos faz atravessá-la rumo à vida nova.

No Tabor, os discípulos veem por instantes a glória que habita  em Jesus. É como se Deus abrisse uma janela do céu para fortalecer os corações cansados. A voz do Pai ressoa: "Este é o meu Filho muito amado. Escutai-O!". A fé começa pela escuta. Escutar Jesus é acolher sua pessoa, seu Evangelho e seu caminho — não apenas suas consolações, mas também seus critérios.

A grande tentação é permanecer nas tendas do conforto espiritual, congelar a experiência do monte e evitar a descida para a vida real. Mas Jesus toca nos discípulos e os faz levantar. Ele nos lembra que o encontro com sua glória não nos aliena do mundo: capacita-nos para servir no vale onde estão as dores, as injustiças e as urgências humanas.

Paulo, escrevendo a Timóteo, convoca a não nos envergonharmos do testemunho e a participar dos sofrimentos pelo Evangelho, apoiados na graça. O anúncio da salvação não é um adereço de fé; é sua pulsação. Pode custar: riscos, medos, oposição. Mas o Deus que nos chama é o mesmo que nos fortalece; Ele nos salvou e nos deu uma vocação santa. Não caminhamos sozinhos.

Entre o Tabor e Jerusalém, amadureceu a coragem cristã: confie em Jesus e ouse segui-lo, mesmo quando a estrada passa pela cruz. A Transfiguração nos garante que a última palavra não é a morte, mas a Páscoa. Por isso, o discípulo pode descer do monte com esperança ativa: não fugimos do mundo; transfiguramos o mundo com a luz de Cristo.

E o que o Senhor nos pede, hoje, de modo concreto? Escutando o Filho, registramos no rosto dos pobres o lugar de sua presença. Não há verdadeira contemplação que não se torne compaixão. A Palavra nos chama a uma responsabilidade social inadiável: colaborar para uma sociedade onde todos tenham um teto, pão e dignidade. A fé que vê a glória no Tabor deve ver a chaga do irmão ao lado.

Ter um lar não é luxo; é condição básica para a vida florescer. Como Igreja e como cidadãos, somos chamados a unir políticas públicas oração e ação: apoiar políticas de habitação digna, promover mutirões e parcerias solidárias, abrir espaços eclesiais para acolhimento emergencial, promover formação profissional e apoio jurídico para famílias em vulnerabilidade. Caridade que não esquece a justiça; justiça que se alimenta da caridade.

Talvez isso nos custe: incompreensões, cansaço, prioridades difíceis. Mas o Evangelho pede telhados e mesas compartilhadas, não apenas discursos. O anúncio “de cima dos telhados” de que fala a segunda leitura pode começar pelo telhado que ajudamos alguém a ter. A Boa Notícia ganha complemento quando cria boas notícias na vida concreta das pessoas.

Voltemos então do monte com os ouvidos abertos: “Escutai-O”. Ele nos diz: “Levantai-vos, não tenhais medo”. Que cada comunidade se pergunte: quem, na nossa cidade, dorme ao relento? O que podemos fazer esta semana, juntos, para mudar essa história? Pequenos passos, perseverantes, transfiguram realidades.

Que a Eucaristia nos fortaleça para descer com Jesus e, com Ele, erguer irmãos. O Pai nos mostra o Filho amado; o Filho nos mostra os pobres amados do Pai; e o Espírito nos dá coragem para servir. Seguiremos o caminho de Jerusalém com confiança: da cruz brotará a vida — e, pela nossa fé em ação, muitos encontrarão abrigo, esperança e um novo começo. Amém.