POR ENTRE ACLAMAÇÕES DEUS SE ELEVOU
Neste Domingo da Ascensão do Senhor,
celebramos que Jesus foi elevado e ocultado aos olhos dos
discípulos, enquanto a promessa do Pai os chama à espera e à fidelidade:
“recebereis poder, quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas
testemunhas” até “os confins da terra”. Na unidade da fé e da esperança, a
Igreja é conduzida a compreender que o Crucificado não se ausenta: Ele é
glorificado para que o Evangelho alcance todos os povos; e, entre a
contemplação do Céu e o ardor da missão, permanece viva a certeza de que o
Senhor voltará “do mesmo modo” que foi visto subir.
Ao contemplar o Cristo exaltado, a
liturgia nos faz rezar com o Apóstolo: “conceda-vos o Pai… um espírito de
sabedoria e de revelação”, para que os olhos do coração sejam iluminados e
conheçamos “a esperança” e a “grandeza do seu poder” manifestado em Cristo
Ressuscitado. Nele, o poder que vence a morte se torna sustento para a
peregrinação do povo de Deus, pois Ele é “o cabeça” da Igreja, cuja plenitude é
a sua presença que tudo preenche. Assim, a Ascensão não é distância,
mas energia espiritual: é força para
compreender, amar e testemunhar.
Por isso, do mesmo modo que os
discípulos se aproximam do Senhor na montanha, nós também somos chamados
a adorar e a entrar na missão que Ele
confia: “foi-me dado todo o poder no céu e na terra”. A palavra do
Ressuscitado ressoa como mandato e bênção: “Ide… e fazei discípulos de todas as
nações”, batizando e ensinando a guardar tudo o que Ele ordenou. E a
promessa permanece como bálsamo para a travessia: “estarei convosco todos os
dias, até ao fim do mundo”.
Neste contexto, celebrando o Dia Mundial das Comunicações, recordamos que a missão apostólica
hoje passa também pelos caminhos da informação e do discernimento. O Papa Leão
XIV observa que, na “idade da comunicação”, é um paradoxo que a verdade seja
confundida com o falso e o autêntico com o artificial, e por isso exorta a uma
responsabilidade que forme consciências e fortaleça o pensamento crítico. Ele
também afirma que a informação é um bem público a ser
protegido, defendendo a colaboração entre cidadãos e jornalistas ao serviço da
responsabilidade ética e cívica, bem como o acesso
livre e verdadeiro à informação — sem que o trabalho de comunicar seja tratado como
crime. Assim, como discípulos do Senhor que subiu aos céus, façamos das
comunicações instrumentos de verdade, caridade e reconciliação, para que os
povos reconheçam, nas palavras e nas imagens, o rosto de Cristo que envia e
acompanha.
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